O bom humor na sala de aula



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Encontro02.04.2018
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O bom humor na sala de aula.
Celso Queiroz

Flavio Ramalho

Ramon Souza

Severino Brivaldo Alves



Resumo: Este trabalho visa demonstrar a importância da utilização do bom humor em sala de aula, pois é neste espaço de socialização e formação profissional que o licenciando tem a possibilidade de, associando teoria/prática (PCN), de poder constituir seu próprio perfil de docente. O PIBID (Programa Institucional de Iniciação a Docência) tem em seus objetivos inserir o licenciando na realidade que ele vai encontrar depois de formado. Assim, o aluno tem a oportunidade de desenvolver, principalmente junto ao professor supervisor, seus próprios métodos de interação com os alunos da educação básica.

palavra-chave: Bom humor, Sociologia do sorriso, PIBID


O PIBID tem a pretensão de inserir o futuro professor, que está sendo formado, na realidade cotidiana da escola. Conhecer a dinâmica escolar, os processos de interações sociais e principalmente despertar e desenvolver sua prática docente e assim contribuir diretamente no seu processo de formação. A partir da observação em sala de aula podemos perceber o quanto o bom humor do professor facilita as interações com o alunado, facilitando assim a prática docente do ensino de sociologia no ensino médio. O estudo foi realizado no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco, no Recife-PE. A metodologia adotada para a construção dos dados foi a observação etnográfica. Nossas principais referências teóricas são textos com ideias centrais da utilização do bom humor na sala de aula, apoiados pelas ideias de William Strean (Professor com formação em Filosofia e Psicologia da Universidade de Alberta, Canadá).

Este projeto tem por objetivo apresentar a sociologia cotidiana, da sala de aula, descomplicada, longe de ser aquela discussão maçante que tem entediado gerações ao longo de sua passagem na educação básica. Uma sociologia onde o humor e o riso são possíveis e servem de mote para levar os alunos a refletir a sociedade, as relações sociais, desconstruir o conhecimento para reconstruí-lo apropriando-se de cada tijolo dele a partir de uma nova ótica; uma visão científica pautada nos grandes nomes da disciplina, mas não dependente destes, uma conversa entre o clássico, o moderno, e o contemporâneo. Uma nova roupagem que não se esquece do brilho da velha guarda; tal qual a moda, uma sociologia cíclica que se reinventa, se adapta ou se contrapõe a cada paradigma que surge.

Reunimos neste texto algumas experiências que foram vivenciadas nesse programa. Percebemos ao longo das observações que na medida em que os mestres se desvencilhavam da prática da velha escola do – professor ensina, e aluno aprende – e ao incluir elementos (recursos) que permitem o aluno visualizar de modo didático e lúdico aquele saber antes visto como “não importante” e que levava a questão “para que serve a sociologia?” havia uma maior resposta por parte dos discentes com relação a compreensão do que realmente trata a sociologia. Foi possível inferir que o fato de se trabalhar com características que remetem ao cotidiano do discente favorece a imersão deste no mundo científico e permite uma resignificação do ambiente social.

Mas houve um detalhe que mais chamou nossa atenção: o uso da linguagem descontraída e bem-humorada ao apresentar temas e conceitos de relativa complexidade; (até para graduandos) cria uma atmosfera de empatia, de pertencimento que favorece o compartilhamento de ideias e maior assimilação do conteúdo proposto. Como nos diz (Strean, 2013) O humor é fundamentalmente importante para criar um clima de leveza, que facilita a aprendizagem.

A construção da identidade profissional é um processo complexo, sempre inacabado e que vai se reconstruindo durante sua trajetória, se constrói a partir de como cada indivíduo se apropria do sentido da sua história pessoal, acadêmica e profissional (sempre se autoanalisando e buscando melhorias). O professor de sociologia observado segue sempre evoluindo e superando-se a cada dia. A forma que os conteúdos são trabalhados em sala de aula transpassa uma segurança e tranquilidade dele para os alunos. Os alunos se sentem mais próximos, e assim se interessam mais pela disciplina. Pois a sociologia – popularmente – possui uma “roupagem” de ser uma disciplina chata e desinteressante. O professor criando estratégias e metodologias que tornem as aulas mais dinâmicas e mais bem humoradas (sem perder o foco da aprendizagem) pode mudar o “preconceito” em relação à disciplina, e fazer com que os alunos tenham um maior interesse.

Para Strean, entretanto:

“ a perspectiva de humor vai além de contar piadas e obter gargalhadas dos alunos. Ele passa também por trabalhar o movimento físico, atividades lúdicas e contação de história. E Strean não propõe esse trabalho para alunos da educação básica, o que o professor faz é usar essas metodologias para jovens universitários. Segundo ele, é no ensino superior, onde estamos mais focados nas habilidades cognitivas quando mais precisamos trabalhar habilidades como paciência, trabalho sobre pressão, concentração e o pensamento criativo.” (Strean, 2013)

Na nossa experiência com o PIBID, percebemos que o que mais desperta os interesses dos alunos nas aulas são os “recursos dinâmicos” utilizados que mais se aproximam da sua realidade. Como por exemplo : o professor em uma aula sobre cultura, passou um vídeo intitulado “Recife frio”. O vídeo era uma paródia sobre como seria Recife (uma cidade com clima de temperaturas elevadas) fosse tomada por um clima extremamente frio. O vídeo foi trabalhado com o objetivo deles perceberem em como o clima influencia na cultura de determinado lugar. No modo de se vestir, no turismo, na arte, entre outros aspectos. E esse vídeo fez com que tivesse uma ótima discussão sobre cultura na aula. Foi um vídeo elaborado para ser uma paródia, mas que foi inteligentemente utilizado como recurso para explicar algumas coisas sobre cultura. São esses tipos de estratégias que dinamizam a aula de sociologia e trazem uma maior proximidade dos alunos com a disciplina. Sem perder o seu principal foco que é o conhecimento. Por isso a importância do planejamento das aulas. Para poder construir uma aula que não seja tachada como “chata”, mas não perdendo assim sua principal essência que é o aprendizado. O professor sempre começa a aula com a leitura de um texto engraçado, ou compartilhando uma história divertida, ou deixando que os alunos compartilhem alguma; criando assim, um bom clima para o inicio da aula.

Strean nos chama a atenção para o que ele chama de “consciência somática”, que seria o impacto dos nossos sentimentos e empatia em relação ao professor. O que isso tem haver? Para o autor, somos incapazes de separar emoções da racionalidade. Logo, se os alunos estiverem preocupados com outras questões ou aflitos com a agressividade ou antipatia do professor, a capacidade de absorver o conteúdo por completo será prejudicada. O bom humor da sensação de comodidade e leveza, além – é claro – de construir uma ponte entre o professor e o aluno. Assim nos diz (Strean, 2013): Embora a aprendizagem seja um negócio sério, pressão e emoções negativas podem ficar no caminho de uma pedagogia de sucesso. O humor é uma boa forma de desviar a atenção desses problemas”.

Acredito que o professor por nós observado segue as normas dos PCN’s e OCN’s em relação aos conteúdos trabalhados em sala de aula. Segue um cronograma muito bem elaborado e muito bem trabalhado em sala de aula; trabalhando muito bem os temas, conceitos e teorias da sociologia no ensino médio. O professor é sempre muito dinâmico e utiliza de muitas estratégias para o andamento das aulas de sociologia. Trabalha com dinâmicas, vídeos, filmes, charges, livro didático, trabalhos em grupos, e sempre com um bom humor que contribui para um bom funcionamento da relação aluno-professor. Dei-me conta que o principal motivo da boa relação aluno-professor diz respeito à sensibilidade dos alunos ao fato do professor se interessar por eles como pessoas. A questão do professor como “figura de poder” e se utilizar do autoritarismo não se engaja nesse âmbito de aprendizado por nós observado. Notei em minha experiência que o professor não precisa decantar-se dos alunos para que seja tratado com respeito. E que uma maior aproximação com os alunos contribui bastante no desenvolvimento da relação ensino-aprendizagem. E o professor de sociologia no qual foi acompanhado consegue com uma naturalidade impressionante ter essa aproximação com os alunos, e exercer sua autoridade a partir do respeito da boa relação e com um ótimo bom humor.

Os professores não estudam para entreter ou ser comediantes, mas é fato que o bom humor e atividades lúdicas em sala de aula aumentam o rendimento e o pensamento criativo dos alunos. Neste aspecto, acredito que a utilização do bom humor na sala de aula deve ser estimulado para que a aula se torne dinâmica e prenda mais a atenção dos alunos e os estimule ao interesse em relação a disciplina. Além de ajudar numa boa relação aluno-professor. Devido aos modelos de seleções, tanto profissionais, como universitárias, os alunos focam apenas no que se refere “as provas”. E o humor desperta o interesse criativo dos alunos. Utilizar o humor nas aulas de sociologia não só os fazem prender sua atenção à disciplina, mas também estimula o seu pensamento crítico.

Referências

- http://porvir.org/humor-movimento-estimulam-aprendizado/ (acesso:19/09/2015)

- http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/177/artigo243657-1.asp (acesso 30/01/2016)

- OLIVEIRA, A. ; SOARES, V. Formação de professores em ciências sociais: Desafios e possibilidades a partir do Estágio e do PIBID. Interlegere. 2013.



- STREAN, William B. Criando o envolvimento do aluno? HMM: Ensinando e aprendendo com Humor, música e movimento. Universidade de Alberta. 2011. Vol 2, no. 3, 182-192.

- TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.


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