O alto nível de Inteligência como atributo na inclusão de alunos com sinais de altas habilidades/superdotados



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Bases biológicas da Inteligência

Não há dúvidas entre os pesquisadores de que o cérebro é o órgão responsável pela inteligência, mas mesmo com instrumentos cada dia mais sofisticados ainda são poucas as suas indicações fisiológicas. As investigações estão centradas nos seguintes aspectos: (i) relações das funções cerebrais com o córtex; (ii) metabolismo neural; e (iii) atividade elétrica nas transmissões neurais. Para Thompson e Toga (2005), existem várias evidências que sustentam a correlação entre a estrutura cerebral e a inteligência. Podemos dizer que a aprendizagem começa, quando o axônio de um neurônio conduz a informação sob a forma de estimulação elétrica e transporta substâncias químicas, desencadeando conexões com as dendrites de outro neurônio. Quanto mais conectividade neuronal mais processos cognitivos são gerados, os quais nos permitem resolver problemas e compreender os fatos. Jensen (2002, p.33) afirma que “o resultado final da aprendizagem para os humanos é a inteligência”, independente da forma como é definida e, quanto mais conexões existirem, também mais as comunicações se tornam mais eficientes. Para Greenfield (1995), a aprendizagem é uma função nobre dos neurônios e não pode ser realizada por um impulso apenas, necessita grupos de neurônios. O processo se inicia com a chegada do estímulo ao cérebro, ele é selecionado e após ser processado a diferentes níveis, forma um potencial de memória para que, em situações posteriores, a informação possa ser ativada facilmente.

O entusiasmo das ciências neurais nos dias atuais reside na convicção de que se estão desenvolvendo as ferramentas para explorar o órgão da mente e, consequentemente, o otimismo de que as bases biológicas da inteligência se tornarão, progressivamente, compreensíveis (Kandel, 2000). Nesta linha, Bárbara Clark (2007) chama atenção que, para compreendermos por que algumas pessoas apresentam um alto nível de inteligência e outras não, necessitamos de nos familiarizar com a estrutura básica do cérebro humano e as suas quatro grandes áreas diferenciadas, tanto estrutural como funcionalmente, mais concretamente as funções física, emocional, cognitiva e intuitiva.

O universo da inteligência, baseado nas áreas do cérebro, se inicia com o acesso ao nosso mundo exterior através da função física, sensório-motora; o nível da habilidade intelectual e a nossa percepção da realidade dependerão de como o nosso cérebro organiza e processa essa informação. Sabemos que as pessoas com alto nível de inteligência utilizam a informação recebida do ambiente e expandem a sua percepção da realidade.. A segunda função, centrada nas emoções e interações sociais, é como se fosse um suporte para os processos cognitivos, abrindo a entrada para aumentar ou limitar a cognição superior. Ela nos ajuda, significativamente, na nossa construção de realidade e no nosso modelo de mundo possível. A função cognitiva inclui a análise linear, resolução de problemas, sequências e avaliação, enquanto especializações do hemisfério esquerdo; como também a orientação espacial, enquanto especialização do hemisfério direito. O sistema está localizado no neocórtex, onde os dados são processados, decisões são tomadas, ações iniciadas e memória armazenada. Localizada no córtex pré-frontal, a função intuitiva exerce um importante papel em determinados comportamentos como insight, empatia, criatividade e introspecção.

Clark (2007) conclui as suas observações sobre essas importantes quatro áreas, afirmando que os dados de pesquisas na área de neurociências sugerem que o alto nível de inteligência é o resultado de um processo avançado, extremamente integrado e acelerado dentro do cérebro. O conceito de inteligência – e, por conseguinte, de superdotação entendida enquanto desenvolvimento de inteligência – deve incluir todas as funções cerebrais e, em particular, o seu uso eficiente e integrado. Assim, pode-se concluir que as pessoas que apresentam comportamentos mais inteligentes terão, necessariamente, que apresentar mais integração e um uso mais efetivo dessas funções do cérebro.

Outro ponto importante a ser considerado é a atividade rítmica do córtex cerebral que se caracteriza pela taxa de repetição das ondas em um segundo, medida em hertz e denominada frequência. A partir das observações, ao tirar medições no próprio filho e registrar alterações rítmicas no potencial da frequência de 10 hertz, que ficaram conhecidas como ondas alfa, Hans Berger, 1924 (in Rippon, 2006) intensificou seus estudos de que o cérebro gerava uma corrente elétrica, a qual poderia ser registrada, o que se concretizou cinco anos depois. Eletrodos passaram a ser colocados no couro cabeludo e conectados a um poderoso amplificador de corrente elétrica. Esse amplificador aumenta a amplitude do sinal elétrico, gerado pelo cérebro, milhares de vezes; através de um dispositivo chamado galvanômetro, as oscilações dessa corrente elétrica (para mais ou para menos) são desenhadas numa tira de papel sob a forma de ondas. No cérebro, a somatória da atividade elétrica de milhões de neurônios, principalmente no córtex, podem ser observadas no eletroencefalograma (EEG), um aparelho que registra a atividade elétrica das células do cérebro durante os diversos estados em que se encontra uma pessoa, desde a vigília até ao sono profundo.

Outro aspecto neurofisiológico da superdotação que tem sido apontado em pesquisas é a utilização mais ampla de ondas alfa de jovens com alto QI, durante a realização de atividades específicas. Sabemos que as ondas cerebrais mudam de frequência, baseada na atividade elétrica dos neurônios e se relacionam às mudanças de estados de concentração para se adequar à determinadas tarefas. Pesquisadores da Universidade de Maribor, Slovenia (Gerlic & Jausovec, 1999; Jausovec, 1996, 1997, 2000, 2001) têm diversos estudos sobre as diferenças nos processos cognitivos observados com EEG que comprovam a relação entre atividade cerebral e inteligência. Como consequência de todos esses estudos, evidenciamos: (i) mais dentritos geram mais possibilidades de conexões sinápticas e circuitos cerebrais, resultando na capacidade dos estudantes para processar maior complexidade nas informações; (ii) os conteúdos bioquímicos dentro do corpo celular tornar-se-ão mais fortes, e consequentemente, acarretam a capacidade dos estudantes para mais profundidade e inovações; e (iii) mais produção de células gliais resulta em maior mielinização da bainha do axônio e mais rápidas mudanças sinápticas , promovendo aceleração nos estudos dos alunos.

Os contributos da psicologia cognitiva e da neuropsicologia crescem a cada dia, tanto no campo teórico como no âmbito da investigação aplicada e as relações entre as duas ciências se estreitam. Investigação com uso do Eletroencefalograma quantitativo, (mapeamento cerebral), realizada com alunos brasileiros (Vitoria/ES) que frequentavam ou frequentaram programas de atendimento, permitiu concluir que: 1. Os alunos com pontuação na avaliação cognitiva - WISC III igual ou superior a 130 apresentam registros encefalográficos diferenciados do grupo de comparação, com maior poder de alfa, ampla amplitude, baixa frequência, menos atividade mental na realização das tarefas e maior número de neurônios em conexão. 2. As ondas cerebrais registradas nas tarefas de exigência cognitiva se assemelham entre os alunos com altos escores nos testes de QI com alfa predominando. 3. As zonas cerebrais mais ativadas durante a execução das tarefas foram o córtex pré-frontal e frontal em todos os sujeitos. ((Simonetti, D.C. 2008, 2010)






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