O alto nível de Inteligência como atributo na inclusão de alunos com sinais de altas habilidades/superdotados


Inteligência: construto, processo, modelos



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Inteligência: construto, processo, modelos

Como construto, a inteligência não pode ser diretamente avaliada ou observada (como os traços físicos, o biotipo,...). Limitação que não lhe retira a importância prática. Como uma representação mental (construto) pode ser inferida, valorizada e usada para a compreensão de certos fenômenos psicológicos. Por sua vez, enquanto processo, a inteligência teve seu significado prático expresso na seguinte descrição, endossada por 52 estudiosos (Gottfredson, 1999):

“Inteligência é uma capacidade mental muito geral que, entre outras coisas, envolve a habilidade para raciocinar, planejar, solucionar problemas, pensar abstratamente, compreender ideias complexas, aprender rapidamente e aprender da experiência. Ela não é meramente erudição, ou uma estrita habilidade acadêmica ou uma habilidade para fazer testes. Mais do que isso, ela reflete uma mais ampla e mais profunda capacidade para compreender o ambiente que nos rodeia – atualizar-se, dar sentido às coisas ou planejar o que fazer“ (p. 13)

Os modelos de inteligência podem ser classificados em três grandes correntes: a psicométrica, a desenvolvimentista e a da abordagem do processamento humano da informação (Almeida, 1988, 1994). Seguiremos a caracterização de Primi e colaboradores (2001) para resumir estas três correntes: (i) a psicométrica se concentra em definir as estruturas da inteligência e sua organização, o que a tem tornado vulnerável à crítica de que investiga o produto e não o processo cognitivo subjacente ao produto; (ii) a desenvolvimentista, com Piaget e Vygotsky como seus maiores inspiradores, procura descrever o processo cognitivo e relacioná-lo aos diferentes estágios do desenvolvimento, com avanços significativos para a definição das estruturas da inteligência; e (iii) a abordagem do processamento humano da informação pode ser considerada uma reação à abordagem psicométrica, com contribuições significativas para a investigação dos processos cognitivos envolvidos na resolução dos testes tradicionais usados pela psicometria. Abordagem que vem se juntando aos estudos das ciências neurais, dando origem à neurociência cognitiva (Hunt, 1999).

Spearman (1927), considerado pela comunidade cientifica como o pai da Psicometria contemporânea, comprovou a existência de um fator “g”, através da análise fatorial e enfatizou a importância desse fator. Para ele, todas as medidas de capacidades se relacionam a um fator global, e cada medida participa desse fator em certa extensão, cujos processos cognitivos básicos propostos são a apreensão da informação, a edução de relações (capacidade de estabelecer relações entre idéias) e a edução de correlatos (capacidade de criar novas idéias aplicando as relações anteriormente inferidas). Essas atividades estariam presentes em todas as funções cognitivas, não importando o conteúdo (Almeida, 1994; Almeida & Primi, 2002).

As investigações têm mostrado que a base fisiológica da relação estimulo/resposta é a energia neuronal, representada pelo número de neurônios que se ativam em resposta a um estímulo. Menor quantidade de neurônios são utilizados para processar um estímulo já conhecido, enquanto que para um estímulo novo, inesperado, o cérebro empregará um maior número de neurônios. Baseando-nos em Almeida (1994), os contributos dos estudos que procuram uma ligação entre o sistema nervoso e a inteligência podem ser divididos em três grandes linhas de pesquisa com enfoques diferenciados: (i) velocidade do processamento da informação, com duas variáveis mais estudadas, os tempos de reação e os tempos de inspeção; (ii) registros da atividade elétrica cerebral, cujos estudos neurológicos aumentaram consideravelmente, nos últimos anos, face o desenvolvimento das técnicas de neuro-imagem; e (iii) ligações entre as zonas cerebrais e determinadas funções cognitivas ou tipos específicos de tratamento da informação. Por exemplo, a pesquisa recente destaca uma associação entre o funcionamento préfrontal e o controle cognitivo (CPF), nomeadamente o exercício supervisionado de atividades puramente cognitivas, como memória de trabalho, atenção seletiva e flexibilidade cognitiva, dentre outras.

Observamos que as pesquisas têm apontado para uma visão de inteligência como capacidade de processamento de informações ligadas às habilidades necessárias para o sucesso na resolução de problemas, à adaptação do indivíduo ao meio e à aprendizagem (Almeida, 2008). Constatamos também que as investigações sobre as correlações entre as diferentes estruturas do cérebro e inteligência ainda necessitam de análises e métodos mais consistentes em suas conclusões (Toga & Thompson, 2005). Vários estudos realizados apontam que as diferenças individuais na inteligência podem ser compreendidas em termos de diferenças na velocidade e acuidade individual no acesso à informação da memória a longo-prazo (Sternberg, 1994). Assim sendo, o acesso mais rápido às informações pode levar a um desempenho superior e, ademais, a velocidade do processamento de informação pode ser entendida como um componente básico das diferenças individuais na inteligência (Fink & Neubaeur, in Ribeiro & Almeida, 2005). Considerando que a inteligência é um ingrediente essencial que distingue os superdotados das outras pessoas, o desenvolvimento de todos os modelos pode ser fundamental para a compreensão da superdotação e da excelência (Eysenck, 1985).

São muitas as conceituações de inteligência; talvez possamos dizer que são tantas quantas são seus autores. Para Gardner (1995) "a inteligência é um potencial biopsicológico. O fato de um indivíduo ser ou não considerado inteligente e em que aspectos é um produto em primeiro lugar de sua herança genética e de suas propriedades psicológicas... O talento é sinal de um potencial biopsicológico precoce, em alguns dos domínios existentes na cultura. Os indivíduos podem ser talentosos em qualquer área reconhecida como envolvendo inteligência (p. 50).

Para Sternberg (2000b), se desejamos compreender as habilidades humanas, não podemos apenas pensar em termos de Quociente Intelectual. Numa relação à psicometria mais tradicional, este autor postula que, para além do QI, podemos falar numa “Inteligência Exitosa” (expertise), habilidade intencional para adaptar-se a diferentes ambientes, configurá-los e selecioná-los. Embora vários aspectos da expertise ainda sejam desconhecidos, algumas características do alto nível de desempenho dessas pessoas já foram identificadas e descritas (Sternberg, 2000a): (i) possuem grandes e ricos esquemas, unidades de conhecimento bem organizadas e altamente interconectados; (ii) predizem, exatamente, a dificuldade e vão da informação dada à implementação de estratégias para descobrir o desconhecido, baseando nas similaridades estruturais entre os problemas; (iii) demonstram alta precisão no alcance de soluções adequadas e quando são impostas restrições de tempo, resolvem os problemas mais rapidamente do que os principiantes; (iv) quando uma nova informação contradiz a representação inicial do problema, mostram flexibilidade em adaptar-se a uma estratégia mais apropriada; (v) monitorizam, cuidadosamente, as próprias estratégias e dentro delas possuem muitas sequências de etapas automatizadas; e (vi) expandem a amplitude de possibilidades, usando a criatividade.



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