Novas práticas de atenção ao parto e os desafios para a humanização da assistência nas regiões sul e sudeste do Brasil


Keywords: Midwifery. Humanizing Delivery. Perinatal Care. Natural Childbirth. INTRODUÇÃO



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Keywords: Midwifery. Humanizing Delivery. Perinatal Care. Natural Childbirth.
INTRODUÇÃO

Os diferentes modelos de assistência ao parto e a realização de cesárea ou parto vaginal, são questões debatidas há muito tempo e, particularmente no Brasil, desde a década de 801,2. De acordo com Barbosa et al.3, a complexidade dos fatores que cercam o tipo de parto escolhido e sua assistência tem suscitado questionamentos envolvendo desde a qualidade da atenção obstétrica até o significado da parturição para as mulheres. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o objetivo da assistência ao parto é garantir a saúde de mulheres e recém-nascidos, com o mínimo de intervenções médicas, buscando a segurança de ambos. Dessa maneira, a OMS recomenda que o profissional de saúde intervenha no nascimento de uma criança somente quando necessário. Apesar dessa recomendação, a incidência do parto cesáreo está aumentando em diversos países inclusive no Brasil4.

A cesárea é uma intervenção cirúrgica originalmente concebida para reduzir o risco de complicações maternas e/ou fetais durante a gravidez e o trabalho de parto1. Essa intervenção possui riscos, a despeito das melhorias na segurança dessa cirurgia. Antes só realizada em mulheres mortas para salvar a vida do feto, a cesariana passou a proporcionar segurança à gestante e a seu filho em situações de maior complexidade2. Embora a maioria dos autores concorde que a cesárea deve ser evitada na ausência de indicação médica, estudos como o realizado por Lurie5, relatam que melhorias nas técnicas cirúrgicas, medidas de prevenção de infecção e transfusões sanguíneas permitiriam indicar o procedimento também para a satisfação dos anseios da mãe e/ou da família.

De acordo com Bergholt4 no Brasil há um predomínio do modelo de atenção ao parto definido como evento médico ou tecnológico, segundo o qual a gestante é tratada como paciente onde o médico é o profissional responsável pela execução do parto em ambiente hospitalar e o parto cesáreo é predominantemente o mais realizado. Com o intuito de reverter essa situação, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) está buscando experiências bem-sucedidas no estímulo ao parto normal e que possam servir de modelos a serem seguidos. Nesse sentido, a ideia da ANS é que os hospitais credenciados aos planos de saúde promovam uma mudança nos modelos de atenção ao parto, e que em longo prazo, o nascimento mais saudável diminua as taxas de cesarianas sem indicação clínica, as internações em UTIs neonatais e as taxas de prematuridade e aumente a satisfação das mulheres com a atenção recebida6.

Frente a essa realidade, subentende-se que a assistência obstétrica necessita de uma ampla mudança, a qual contemple seus aspectos de: acesso, acolhimento, qualidade e resolutividade. A proposta de humanização do parto vem a reconhecer a autonomia da mulher enquanto ser humano, e da óbvia necessidade de tratar esse momento com práticas que, de fato, tenham evidências e permitam aumentar sua segurança e bem-estar, bem como do recém-nascido7. Diante deste pressuposto de necessidade de mudança nos paradigmas que permeiam a assistência ao parto, na capital mineira, o Hospital Sofia Feldman, é tido como referência pelas boas práticas na área de atenção ao parto e nascimento6. O hospital segue diretrizes do Ministério da Saúde (MS) como atenção ao parto realizada por equipes multidisciplinares com enfermeiras obstetras e médicos, estímulo à participação de acompanhante, oferta de medidas não farmacológicas para alívio da dor e atenção ao pré-parto, parto e pós-parto em um único ambiente.

O cenário de referência de qualidade em serviços prestados à saúde da gestante que caracteriza o hospital mineiro sugere a hipótese de que as mudanças nas práticas de atenção ao parto, preconizado pelo MS, ao tornar essa experiência mais humanizada e menos tecnicista traz inúmeros benefícios6. Neste sentido, as práticas realizadas no Hospital Sofia Feldman e seus benefícios justificariam a implantação nacional de um novo modelo humanizado de atenção ao parto. Entretanto, pouco se sabe sobre como esse processo de mudança na assistência tem ocorrido nas regiões sul e sudeste do Brasil, áreas de maior concentração populacional e que exercem grande influência sobre todo território nacional. Diante disso, o presente estudo tem por objetivo fornecer um panorama acerca das diferentes práticas assistenciais humanizadas, voltadas à gestação e ao parto, realizadas nas regiões sul e sudeste do Brasil.



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