Nova leitora



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FORMAÇÃO DOCENTE DE UMA “NOVA LEITORA”: A CONSTITUIÇÃO DE UM ACERVO PESSOAL NOS MEIOS POPULARES.

(Paraíba e Pernambuco – 1950 a 1980)
Clara Maria Miranda de Sousa

UPE – Campus Petrolina

clara-assis@hotmail.com
Fabiana Cristina da Silva

UPE – Campus Petrolina

fabianacristinadasilva@ig.com.br

A leitura é utilizada em diversos momentos e com vários fins em nossas vidas: no trabalho, no lazer, na escola ou em casa. A formação do leitor, normalmente, se inicia no âmbito escolar e se processa, a longo prazo, na busca por outras práticas de leitura, encontrando assim a possibilidade de aprofundar e processar o próprio conhecimento. A leitura e a escrita se mostram como autênticos atos de comunicação, estando presentes em nossa sociedade com seus usos e valores bem definidos. Isto se dá por meio do contato existente entre indivíduos que precisam da comunicação para vivenciar uma ação prática, almejando um pensamento dialético, diante da sociedade.

A Educação, como área do conhecimento, tem mudado a sua reflexão há algum tempo. Ela vai se construindo, olhando a sociedade como um todo e as culturas diversificadas. No momento atual, muito se tem discutido, no campo da educação, sobre a importância da leitura e da escrita na formação de indivíduos leitores/escritores e com sucesso no meio escolar.

Foi esse conjunto de discussões, em torno da importância da leitura e da escrita, que propiciou este estudo, sobretudo em grupos sociais, tradicionalmente, vinculados à oralidade, como é o caso dos meios populares. Dentro deste contexto, podemos perceber que, analisar a formação e a constituição de bibliotecas é tratar, entre muitos outros elementos, da relação que os sujeitos constroem com o livro, com a leitura e com a escrita. Daí o nosso interesse em abordar a constituição da biblioteca pessoal de uma “Nova Leitora”.

A busca por vestígios dessa “Nova Leitora” nos aproximou do seu arquivo privado. O presente trabalho monográfico tem como objetivo descrever e analisar parte de uma biblioteca pessoal de uma “Nova Leitora”, filha de uma família não-herdeira e de meios populares. Esta pesquisa analisa a constituição desta biblioteca, observando os tipos livros que compõem o referido acervo.

Este estudo, intitulado Bibliotecas em famílias de meios populares: a constituição do acervo pessoal de uma “Nova Leitora”, descreve a biblioteca pessoal de uma “Nova Leitora”, que constituiu seu próprio acervo pessoal, com títulos diversificados, ao longo de sua vida. Nessa perspectiva, o elemento fundante da investigação é o estudo sobre o aspecto de leitura, através da biblioteca pessoal de uma “Nova Leitora”, oriunda de família de meio popular, em que a leitura e a escrita, foi estabelecida por meio de uma relação de práxis.

Este estudo é parte de uma pesquisa mais ampla, que também se encontra em andamento, tendo como objetivo analisar o papel exercido por famílias de meios populares na construção da longevidade escolar dos filhos e nas práticas de leitura e escrita (Pernambuco e Paraíba, 1940-1980)1. É dentro desta pesquisa mais ampla que estamos analisando a biblioteca pessoal de uma das filhas dessa família estudada, mulher negra de meios populares, que, ao longo de sua infância, não teve muitas possibilidades de cultivar, com mais profundidade, o prazer e a posse de livros, além do gosto pela leitura, o que parece que foi superado ao longo de sua trajetória escolar, pois constituiu e conserva, até o momento, um acervo particular grande e diversificado.

São de fundamental importância para a nossa pesquisa as perguntas surgidas ao iniciarmos as análises dos materiais de leitura, assim: Como a “Nova Leitora”2 constituiu essa biblioteca? Que livros e materiais são esses? Que gêneros fazem parte desse acervo? Que marcas de uso e leitura existem nos livros mais utilizados? Essas perguntas nos permitem ainda compreender os problemas e idéias atuais, a respeito da leitura, em sua diversidade e historicidade.


A nossa “Nova Leitora” chama-se Leda3. Ela nasceu em 1953, na cidade de Piancó, interior do Estado da Paraíba. É a quinta nascida de uma família com doze filhos. Graduada em Pedagogia e com o mestrado em Educação, exerce atualmente a função de professora universitária em uma instituição pública.

Segundo Belo (2002), “[...] as classes populares, as mulheres e as crianças foram grupos sistematicamente considerados como desprovidos de autonomia para escolherem e fazerem por si mesmos as suas leituras, necessitando de acompanhamento [...] (p.56)”. É significativo refletir sobre as condições e formas que Leda descobriu para se apossar da leitura, pois, na sociedade em que vivemos, os sujeitos advindos dos meios populares são, tantas vezes, privados do alcance e do desenvol­vimento necessário para a aprendizagem da leitura e da escrita.




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