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FUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA



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1.1 FUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA

A psicopedagogia como área ou campo de estudo surgiu com o objetivo de contribuir na busca de soluções para a difícil questão do problema de aprendizagem. No contexto atual, ela caminha com o objetivo de contribuir para uma melhor compreensão do processo de aprendizagem do sujeito cognoscente. Seu caráter interdisciplinar denota especificidade enquanto área de estudo, buscando conhecimentos em outros campos e criando seus próprios objetos de estudo, campos de aplicação, corpo teórico e instrumentos.

Essas características constituem a cientificidade da psicopedagogia e faz prevalecer seu principal objetivo, que é o de colocar, por meio de sua atividade prática, os conhecimentos científicos da área à disposição das necessidades concretas da realidade humana.

Segundo Maria Eliana da Silva e Mari Ângela Calderari Oliveira1,

A atividade psicopedagógica vem ganhando um espaço de atuação significativo ao longo de sua história, como uma área que identifica, diagnostica e intervém no movimento de aprendizagem do homem. Aborda-se o termo movimento de aprendizagem, na psicopedagogia, porque esta área concebe seu objeto de estudo, que é o aprender, como algo dinâmico no ser humano e nas suas inter-relações.

A psicopedagogia é uma área do conhecimento interdisciplinar, pois se ocupa da pedagogia, da psicologia, da neuropsicologia, da sociologia, da linguística e da antropologia para ler o fenômeno da aprendizagem. Laura Monte Serrat Barbosa, citada por Silva e Oliveira2, afirma que

embora a psicopedagogia possua em seu nome os termos psicologia e pedagogia, seu significado não está relacionado à junção destas disciplinas, mas está ligado a todas as disciplinas que estudam o processo de aprendizagem. A psicopedagogia, sem pretender ser a solução de todos os problemas, surge como uma área que busca integrar várias disciplinas, com o objetivo de construir um corpo teórico que embase uma atuação eficaz, sem que se divida o sujeito da aprendizagem em vários compartimentos. O caráter interdisciplinar da psicopedagogia coloca-a como um campo que teoriza contemporaneamente sobre a questão da aprendizagem, efetivando sua prática na relação de aprendizagem e saberes múltiplos. Não se fundamenta em bagagens conteudístas, mas sim em saberes significativos, configurando uma relação positiva com a aquisição de conhecimentos.

Assim, este capítulo está direcionado ao conhecimento mais aprofundado da proposta prática da psicopedagogia, destacando a amplitude de possibilidades de atuação no âmbito institucional. Dessa forma, é de suma importância que se compreenda a psicopedagogia como uma área que desenvolve seus estudos, concretizando seu corpo teórico e aprimorando seus instrumentos, para entender de forma cada vez mais precisa o processo de aquisição do conhecimento pelo ser humano.

Tomando como referencial o objeto de estudo da psicopedagogia, caracterizamos a importância dessa área, visto a ampliação que ela sugere à visão sobre a aprendizagem. A exigência de uma ressignificação do saber sobre a aprendizagem requer do estudioso um aprofundamento em teorias que deem conta de um ser humano que se relaciona com um mundo em constante movimento.

Alguns autores, citados por Bossa3, conceituam a psicopedagogia com base em seu objeto de estudo, como vemos a seguir:

Para Beatriz Scoz, “a psicopedagogia estuda o processo de aprendizagem e suas dificuldades, e numa ação profissional deve englobar vários campos do conhecimento, integrando-os e sintetizando-os”.

Sonia Moojen Kiguel afirma que “o objeto central de estudo da psicopedagogia está se estruturando em torno do processo de aprendizagem humana: seus padrões evolutivos normais e patológicos – bem como a influência do meio (família, escola e sociedade) no seu desenvolvimento”.

E, de acordo com Maria Aparecida Mamede Neves, a psicopedagogia estuda o ato de aprender e ensinar,
levando sempre em conta as realidades interna e externas da aprendizagem, tomadas em conjunto. E, mais, procurando estudar a construção do conhecimento em toda a sua complexidade, procurando colocar em pé de igualdade os aspectos cognitivos, afetivos e sociais que lhe estão implícitos.

Sabemos que a psicopedagogia atua no âmbito clínico e institucional e que, segundo a teoria da epistemologia convergente, sua unidade de análise parte do sujeito que aprende, enfocando grupos e instituições aos quais ele pertence, bem como comunidades em que essas instituições estão inseridas (Figura 1.1).


Cada unidade de análise – sujeito, grupo, instituição e comunidade – é a representação do organismo vivo que aprende, sendo que uma influencia a outra e cada uma possui elementos constitutivos que se movimentam em interação constante em seu interior. Os elementos constitutivos do sujeito são as estruturas afetiva e cognitiva, caracterizando uma aprendizagem intrapsíquica; os do grupo são o conjunto de indivíduos e as estratégias e os mecanismos interpsíquicos, caracterizando a aprendizagem intragrupal; os da instituição são o conjunto de grupos e as estratégias e mecanismos intergrupais, que caracterizam a aprendizagem institucional; e os da comunidade são o conjunto de instituições e os mecanismos e estratégias comunitárias, concebendo a aprendizagem comunitária.4

Figura 1.1 – Unidades de análise

A Figura 1.1 congrega a ideia da psicopedagogia referente à ampliação da visão sobre o processo de aprendizagem com base na proposta da epistemologia convergente elaborada por Visca5, caracterizando os âmbitos de atuação dessa área. Essa macrovisão dá conta da percepção da inserção cultural do sujeito, facilitando assim a compreensão do estabelecimento de seu processo de aprendizagem, enquanto processo de produção e estabilização de conduta.






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