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Contextualizando a família



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3.4.1 Contextualizando a família

Relembrando o que nos coloca a epistemologia convergente, no que diz respeito às funções do grupo familiar quanto ao processo de aquisição do conhecimento, Visca13 nos fala, dentro do esquema evolutivo da aprendizagem, de um nível que se refere à apreensão da cosmovisão do grupo familiar. Para ele, a criança toma como principal objeto de interação os membros do grupo familiar e as relações dos mesmos entre si e com os objetos em função de uma escala de valores. A frequência, a intensidade e a alternância de tais interações constituem um nível que determina a percepção de mundo.

Essa descrição posiciona a família como intermediária de um sistema social mais amplo. Diante de tantas transformações da sociedade contemporânea, a família tem de ajustar normas e valores, o que torna sua função psicossocial ainda mais importante, pois é ela que inicialmente ajusta socialmente seus membros.

Para Rosa Maria Macedo14, “O contexto social é fundamental na definição das características estruturais e funcionais da família. Assim, quando se fala de sobrevivência, necessidades e desenvolvimento, está se falando das finalidades básicas da família, que variam em função da sociedade a que pertence”.

Essa função pode caracterizar a família como um sistema aberto, pois ao mesmo tempo em que a família assegura para a criança padrões interacionais e de valores para que ela se sinta pertencente àquele contexto social, assegura à sociedade a continuidade de sua cultura e de seus valores.

Macedo15 propõe um esquema conceitual que permite a apreciação de alguns aspectos da estrutura e do funcionamento familiar:



As regras – governam o sistema de relações e definem a organização da família. A mais importante é a hierarquia, que regula o poder. É importante que entre pais e filhos não haja uma simetria de poder, pois a autoridade dos pais tem uma função importante. Perceber regras implícitas e explícitas que governam um grupo familiar é necessário para se compreender a dinâmica interna dessa família e, consequentemente, das atitudes de seus membros.

Os subsistemas – dentro de uma família podemos considerar como subsistemas, os que são regidos por idade, sexo e gênero, por exemplo: os pais, os irmãos mais velhos, as mulheres etc. Os diferentes subsistemas estabelecem uma complementaridade de funções, sendo que por meio deles se aprendem as funções que serão desempenhadas na vida. As relações entre os subsistemas são regidas por fronteiras que dependem dos limites estabelecidos.

O ciclo vital – visão evolutiva que observa as características funcionais da família em cada etapa de seu desenvolvimento ao longo de gerações. Cada fase exige mudanças e transformações. Ver a família com base nessa evolução permite compreender sua estrutura e flexibilidade no momento de mudanças.

Podemos também considerar a família em relação a sua estrutura, ao seu contexto e seu processo. Em relação ao primeiro aspecto, podemos pensar em sua organização, na divisão de funções, nas regras, nos limites e na hierarquia.

A ideologia familiar, suas crenças e seus ideais, estabelecem uma visão de mundo que permanece ao longo de gerações, concretizando seu contexto. E em relação ao processo podemos pensar em que momento evolutivo se encontra, de que forma se estabelece a comunicação verbal e não-verbal e a forma de modelos funcionais.

O pensamento sistêmico voltado para a estrutura familiar nos leva, dentro da psicopedagogia, a pensar a aprendizagem e seus desvios como delimitando um sintoma, em alerta, pois pode surgir na resistência de enfrentar momentos de mudança. Nesse caso, fatores situacionais internos ou externos podem romper o equilíbrio na totalidade da família.






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