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A intervenção psicopedagógica na instituição educacional



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A intervenção psicopedagógica na instituição educacional

Compreender a intervenção psicopedagógica na instituição educacional requer do profissional habilitado a essa função posicionar-se em relação às diferentes tendências que se delinearam diante das demandas da escola.

No contato com diversas instituições educacionais, perce­be-se que não há uma única forma de intervir sob o ponto de vista psicopedagógico, o que não quer dizer que podemos pensar em uma anarquia de atitudes, em que tudo é válido.

As concepções de sociedade, de homem, de escola, de objetivos da ação psicopedagógica e propriamente da intervenção que são trabalhadas nos cursos de especialização em psicopedagogia determinam as características ou tendências dessa intervenção.

É importante que o psicopedagogo seja coerente tanto com a posição teórica que o referencia quanto com a estruturação de sua prática para que seu trabalho contribua, de fato, como recurso para a instituição educacional.

Carlos Monereo e Isabel Solé1 contribuem com esse pensamento, caracterizando algumas tendências na intervenção psicopedagógica, exemplificando a diversidade no que se refere aos serviços psicopedagógicos.

A primeira refere-se ao trabalho psicopedagógico concebido como uma modalidade da individualização do ensino. A instituição escolar oferece respostas que tendem a influenciar as condições de seus alunos. A outra se refere à ação psicopedagógica voltada para o contexto concreto da instituição educativa, que transcende seu caráter de “lugar físico” onde é produzida a intervenção para se tornar objeto da intervenção. Esse aspecto não descaracteriza a escola dos objetivos que socialmente lhe são conferidos. A intervenção do psicopedagogo tem como objetivo potencializar ao máximo a capacidade de ensinar dos profissionais que a integram e a capacidade de aprender dos alunos, supondo que há um complexo emaranhado em que aspectos estruturais e organizacionais e as configurações relacionais intra e extrainstituições interagem constantemente.

A terceira tendência diz respeito à ação psicopedagógica que auxilia a escola a pensar sobre seus propósitos e torná-los coerentes com as finalidades educativas socialmente estabelecidas, que são expressas nas previsões normativas de quem se mune de um estado soberano.

As características da intervenção psicopedagógica aqui abordadas não fugirão da ampla concepção do processo de aprendizagem, considerando que, na instituição educacional, esse processo acontece de forma dinâmica, tornando concreta a unidade do ensinar e aprender. O objeto de estudo passa a ser, então, aquilo que é vinculado na relação ensinar-aprender, em que seus protagonistas experimentam uma interação que configura a ação educativa, ou seja, o “deixar que o outro aprenda”. Portanto, a ação psicopedagógica na escola deve envolver a dinâmica escolar como um todo, intervindo em várias instâncias, deixando-a vivenciar seu processo de ensino-aprendizagem de forma crítica e reflexiva.

Focar os mecanismos que interagem na formação do pro­cesso de aprendizagem desloca o alvo da ação psicopedagógica do aluno com problemas de aprendizagem para o sistema educacional e suas inter-relações.

Portanto, a psicopedagogia na escola, baseado em Barbosa2, transforma a ação individual em grupal, analisa os sintomas, considerando a gama de relações que existem em uma instituição, e propõe projetos de atuação que apontem para uma mudança global, sem deixar de atender os casos concretos que aparecem como sintoma.




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