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Matriz do pensamento diagnóstico



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2.3.1 Matriz do pensamento diagnóstico

Está organizada, como a maioria dos esquemas diagnósticos, em diagnóstico propriamente dito, prognóstico e indicações. Ela apoia-se em princípios interacionistas, construtivistas e estruturalistas e prevê, segundo Barbosa16:

Análise do contexto e leitura do sintoma

Parte-se da observação da realidade, levando-se em consideração o contexto em que a mesma está inserida. Observar o sintoma requer, dessa forma, o pensamento sistêmico, para que os ideais e princípios não se cristalizem e a visão não seja unidirecional.

Na instituição escolar, o sintoma é visto como algo que reflete o funcionamento da instituição como um todo e de sua relação com o universo educacional.

Explicações das causas que coexistem temporalmente com o sintoma

Sem negar uma historicidade, existem as partes que temporalmente estão presentes junto ao sintoma, caracterizando-se como causas atuais, as quais devem ser consideradas numa explicação causal. Visca17 parece esclarecer que a explicação do presente não pode ser reduzida a causas passadas – são as causas a-históricas.

Fazendo uma releitura dessas causas a-históricas, com base em sua prática nas instituições educacionais, Barbosa18 propõe obstáculos de diferentes ordens, de acordo com aqueles já citados por Visca19:



Obstáculo de ordem do conhecimento: falta de aprofundamento ou desconhecimento de determinado tema, grau de coerência entre o discurso da proposta ­política-pedagógica da instituição e sua interpretação, revelada pela prática do cotidiano.

Obstáculo de ordem da interação: vinculação objetiva que se estabelece com as situações de aprendizagem dentro da instituição e a comunicação que se instala entre o protagonista do processo de ensino/aprendizagem. Numa instituição, as relações que se estabelecem entre as pessoas, e entre estas e as situações de aprendizagem podem gerar conflitos, dificultando a resolução do problema.

Obstáculo da ordem do funcionamento: obstáculos relacionados ao funcionamento da instituição como um todo, que podem estar relacionados à administração, à metodologia educacional vigente, ao grau de filiação de seus elementos, à distribuição de funções, aos espaços físicos e a tudo o que se relaciona ao processo de ensino-aprendizagem.

Obstáculos de ordem estrutural: a forma como a instituição está organizada, os níveis de hierarquia e relações previstas, os subsistemas e suas relações e o quanto auxiliam ou dificultam o processo de ensinar e aprender.

A análise destes obstáculos é feita com base em instrumentais que caracterizam tecnicamente o diagnóstico institucional. Porém, se o objetivo é compreender a totalidade do fenômeno que foi considerado como sintoma, é necessário pesquisar a dimensão histórica tanto dos obstáculos como do sintoma.



Explicação da origem do sintoma e das causas históricas

É o estudo da origem e da evolução do contexto do qual emergem os sintomas. Para Visca, citado por Barbosa20, essa explicação consiste no estabelecimento de relações causais, nexos entre pré-condições, circunstâncias e/ou acontecimentos que apontem para uma intervenção na realidade atual.

A importância dessa ação nos remete ao papel da história do fenômeno psicopedagógico a ser compreendido. As concepções contrutivista, estruturalista e interacionaista que embasam a epistemologia convergente – referencial teórico do modelo de diagnóstico que está sendo apresentado – entende o sujeito como histórico, que configura a estrutura de sua aprendizagem conforme a qualidade das relações vinculares que estabelece nos diferentes contextos em que está inserido.

Análise do distanciamento do fenômeno em relação aos parâmetros considerados aceitáveis

Esse aspecto está relacionado ao que Pichon-Rivière21 chamou de esquema conceitual referencial operativo (Ecro), podendo ser relacionado com a psicopedagogia institucional, pensando que a instituição tem parâmetros de normalidade veiculados a valores, normas, usos e costumes que permanecem no tempo, caracterizando a relação da mesma com professores, alunos, comunidade e sociedade em que está inserida.

Um fenômeno que é considerado sintoma em uma instituição não precisa, necessariamente, ser considerado sintoma em outra instituição.

Segundo Barbosa22, “os parâmetros a serem considerados, num diagnóstico psicopedagógico institucional, devem estar relacionados à proposta político-pedagógica da instituição e à sua consequente fundamentação teórica e filosófica”.

Levantamento de hipóteses sobre a configuração futura do fenômeno atual

Para Barbosa23, todo diagnóstico supõe um prognóstico, que é a previsão do estado futuro da situação descrita no diagnóstico. O prognóstico tem por função mostrar a intervenção futura e, por isso, deve expressar uma previsão baseada em fundamentos teóricos sólidos, pois do contrário transforma-se em uma profecia popular, fundada apenas no senso comum.

f) Indicações e encaminhamentos



Um dos componentes da matriz do pensamento diagnóstico é a possibilidade de realizar indicações referentes ao sintoma analisado e seu contexto. Estas podem ser gerais, quando se referem a outras áreas que não a psicopedagogia, e específicas, quando se voltam à intervenção psicopedagógica propriamente dita.

Na ação psicopedagógica, a matriz do pensamento diagnóstico está sempre voltada para o processo de ensino e aprendizagem desenvolvido na instituição. É importante, então, que o psicopedagogo disponha de uma gama de instrumentos específicos para realizar um diagnóstico adequado e assim intervir de forma eficaz. Tais instrumentos serão analisados a seguir.






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