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2.2.1 O sistema escolar

Podemos conceituar sistema como um conjunto de elementos, materiais ou não, que dependem reciprocamente uns dos outros, de maneira a formar um todo organizado. O sistema escolar corresponde, com base em sua estrutura humana e organizacional, a esse conceito, podendo-se afirmar que é um sistema aberto, pois mantém relações com outras instituições, estabelecendo fronteiras de entrada e saída de elementos de outros sub ou suprassistemas.

O contexto social em que a instituição educacional está inserida é um suprassistema, que fornece à escola uma série de informações e de elementos necessários para o desenvolvi­mento de sua função educativa, devolvendo a ela os produtos de sua atuação, por meio de um processo denominado retroalimentação. Qualquer disfunção nesse processo pode ser representada por um sintoma que se revela no processo de aprendizagem no interior da instituição educacional.

Embora a graduação, ou mesmo a experiência dos educadores, forneçam o conhecimento sobre o sistema escolar, é ­relevante retomar ou conhecer seus objetivos, conteúdos culturais, recursos humanos etc. no cumprimento de sua função social.



Os elementos do sistema escolar

Qualquer profissional que deseje trabalhar em escola precisa conhecer seus elementos, que constituem uma estrutura formal e uma organização informal.

Esse conhecimento é essencial para o psicopedagogo que se propõe a ser o articulador das relações de aprendizagem, envolvendo todos os elementos da instituição e provocando mudanças não só no âmbito individual, mas no coletivo.

Segundo Gasparian11, a estrutura formal da escola é constituída de elementos sujeitos à influência da administração e intencionalmente dispostos de forma a conduzir à consecução dos objetivos da escola.



Ela os caracteriza em quatro grandes áreas, mostradas a seguir.

Programação

Consiste na previsão das atividades a serem realizadas e nas inter-relações a serem mantidas para que os objetivos possam ser alcançados. As diretrizes da programação estão contidas na legislação geral escolar e no regimento da escola e consistem em: mecanismo administrativo, plano didático e planos de trabalho.

Recursos materiais

Expressão física da programação, compreende o imóvel em que se localiza a escola, as instalações mobiliárias, o equipamento didático, o material permanente e de consumo, as verbas. Eles são dispostos na escola em função da programação.

Pessoal escolar

O contingente humano que está vinculado à instituição educacional pode ser classificado como:

Pessoal administrativo – direção e auxiliar de direção.

Pessoal técnico – pedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos, bibliotecários.

Corpo docente – professores.

Pessoal auxiliar – secretárias, inspetores, serventes.

Corpo discente – grupo de alunos que compõem a instituição educacional, que, se caracterizam conforme a classe social a que pertencem, seu meio familiar, sua inserção em determinada cultura etc. O aluno deve ser visto sempre pelo conjunto de suas condições materiais e espirituais de existência.

A escola e seus subsistemas



Os subsistemas relacionam-se entre si configurando o perfil de funcionamento de um sistema maior. Suas fronteiras podem estar abertas ou fechadas, facilitando ou não a retroalimentação dos sistemas, possibilitando uma capacidade de equili­brar-se e, consequentemente, de se transformar e crescer.

Ao mesmo tempo em que faz parte de um macrossistema, exercendo seu papel de subsistema, a instituição escolar tem em seu interior uma suborganização, composta por seus subsistemas. Alunos, professores e corpo técnico exercem uma tarefa específica e um tipo de autoridade; portanto, dependendo da forma como os subsistemas da escola interagem entre si, a escola terá uma organização e uma estrutura específicas.

Segundo Gasparian12, “As interações que ocorrem entre os subsistemas, seja no interior da escola ou entre família e escola, dão-se, contudo, nos limites e fronteiras de cada subsistema, que tem características específicas quanto a sua natureza e função, as quais estão vinculadas aos valores de nossa sociedade e cultura”.

É importante que, por meio de uma visão sistêmica, o psicopedagogo perceba o grau de possibilidades que existe entre os subsistemas, que pode ser muito permeável, quando não há diferenças de papéis e as trocas são possibilitadas, ou pouco permeável, quando não ocorre troca, mas empobrecimento por falta de informações, dando indícios para que o psicopedagogo intervenha com o objetivo de incrementar o processo de aprendizagem da instituição, estabelecendo graus equilibrados de permeabilidade.

É, portanto, a partir do distanciamento do subsistema no interior da escola que se percebe que o fato de não saber enfrentar conflitos pode, muitas vezes, levar o processo de ensino a apresentar sintomas em situações individuais ou grupais, delatando supostos problemas de aprendizagem.

A tarefa do psicopedagogo é identificar a dificuldade de aprendizagem que os alunos estão apresentando para então chegar ao latente, que caracteriza a forma como a instituição escolar lida com as situações conflituosas. O psicopedagogo intervém, então, criando condições favoráveis para que a aprendizagem aconteça naquele grupo, tornando-se comprometido com a continuidade desse processo.






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