Narrativas de si



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DOS AMORES VIRTUAIS E DAS “NARRATIVAS DE SI” EM FÓRUNS E ENQUETES DO ORKUT
Vergas Vitória Andrade da Silva

Norma Missae Takeuti (Orientadora)

Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRN

vergasvitoria@yahoo.com.br

nortak@uol.com.br
Introdução
Este trabalho esforça-se por compreender a natureza dos vínculos amorosos contemporâneos. Por intermédio de um estudo sobre namoros virtuais e seus modos peculiares de subjetivação, busca-se entender experiências amorosas tais quais são vivenciadas atualmente. A pesquisa parte do pressuposto que os depoimentos postados nos fóruns e enquetes da comunidade virtual do Orkut Conheci meu amor pela internet, referentes a enredos sentimentais e amorosos, correspondem, na verdade, a formas de narração de si. Então, através da análise dessas narrativas, busca-se, enfim, compreender as circunstâncias singulares de produção subjetiva nas formas de experimentar o “amor” num namoro virtual.

Insiste-se no argumento segundo o qual os fóruns e enquetes funcionam como um espaço – virtual, desterritorializado e publicizado - propício à objetivação da subjetividade, na qual se outorga por meio de uma linguagem escrita digitalizada. Por último, os membros dessa comunidade valem-se da narrativa escrita sobre si para inventar modos de subjetivação que desvelam, decerto, experiências concretas de vivências amorosas específicas. É possível, por intermédio dessas invenções de si, encontrar registros variados sobre percepções, representações, experiências e valores sobre o “amor” tal qual é vivido num namoro virtual.

Partindo desses propósitos, reitera-se, a partir das formulações desenvolvidas pelo historiador estadunidense Hayden White (1994), a respeito das ficções da representação factual, que membros da comunidade Conheci meu amor pela internet, ao postarem escritas nos fóruns e enquetes que revelam enredos sentimentais e amorosos, expõem também, através de ficções das representações do si, formas de experimentar o “amor”. Ou seja, a imagem ficcional que descrevem a realidade amorosa pretende corresponder, em seu esquema geral, a algum domínio da experiência amorosa da forma como vivem de fato. A partir dessa conjectura, é-se inclinado a defender a importância das ficções presentes em seus depoimentos, pois elas pretendem apresentar certa visão ou iluminação da experiência de “amor”, alvo de interesse deste estudo.

Portanto, a pesquisa empírica parte da pressuposição que os fóruns e enquetes são meios de criar ficções sobre experiências de “amor” que, na verdade, podem revelar a própria experiência. Assim, os eventos ficcionais representados ali podem ser interpretados como partes diminutas de um todo, mas mesmo assim, podem constituir em imagens e reflexos da experiência de fato. Destarte, a escrita aqui assume papel preponderante, pois a toma-se, reiteradamente, como uma técnica capaz de criar ficções sobre si. É ainda importante defender que a imaginação ou o caráter inventivo deve está implícito em qualquer representação adequada da verdade sobre si. Como sugere White (1994), é impossível escrever uma narrativa sobre si sem recorrer absolutamente a qualquer técnica ficcional. Escusado dizer que a ficção não é antítese do fato verdadeiro.

Por outro lado, está-se convicto da importância de se deter, não só nas narrativas que revelam experiências, mas também, nas expressões das experiências propriamente vividas por aqueles que têm um namoro virtual. É importante apreender os sentidos e percepções fornecidos pelos próprios narradores. Corroborando com esse intento, têm-se as contribuições do sociólogo britânico Anthony Giddens. De acordo com o autor, diferentemente dos objetos da natureza, “os humanos são seres autoconsciente, que conferem sentido e propósito ao que fazem. Não podemos sequer descrever a vida social com precisão a menos que primeiro compreendamos os conceitos que as pessoas aplicam ao seu comportamento”. (GIDDENS, 2005, p. 510). Por isso, neste trabalho, foi fundamental eleger as significações e experiências (como objeto a conhecer) que detêm os internautas a respeito do “amor” no namoro virtual.

Por isso, consideramos os internautas, conforme o termo cunhado por Giddens (2003, p. 331), “agentes cognoscitivos”, isto é “atores sociais que possuem um considerável conhecimento das condições e consequências do que fazem em suas vidas cotidianas”. Seguindo essa abordagem, inferimos que os internautas, membros da comunidade do Orkut – Conheci meu amor pela internet, por exemplo, são “ordinariamente capazes de descrever em termos discursivos” qual a experiência de “amor” que vivem num namoro virtual. No entanto, sabe-se que a capacidade de conhecimento desses “agentes” é sempre limitada (e delimitada). Antes de qualquer coisa, é delimitada institucionalmente. Mas, à vista disso, é importante conhecer suas experiências como condição para entender o fenômeno aqui estudado.

Portanto, esta pesquisa, por meio de uma etnografia da comunidade Conheci meu amor pela internet, ocupa-se das análises das narrativas de si. E por meio de entrevistas pretende dar conta daquilo que as narrativas nos fóruns e enquetes não podem revelar, para isso, foi criada para a pesquisa uma comunidade virtual que se chama “Compreendendo @mores virtuais”. Ela é formada por membros oriundos da comunidade da qual se estuda aqui. Este foi um recurso da pesquisa com o fim de facilitar a interação “pesquisador” e “pesquisado”.



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