Mestrado profissionalizante em terapia intensiva havany pereira e rosaly m. H. Feliciano



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1. A UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA

Com relação aos fatos que marcaram os primórdios da história da terapia intensiva mundial, são muitas as dificuldades para se estabelecer uma cronologia que nos permita obter a seqüência correta de eventos que acompanharam os primeiros anos da especialidade em solo brasileiro (DAVI, p.1, 2004).

Há mais de um século surgiu a idéia da concentração de doentes graves junto ao posto de enfermagem para racionalização e melhor eficiência do tratamento (FRANCO JR., p.3, 1995).

O reconhecimento histórico de que pacientes com doenças agudas seriam mais bem atendidos se estivessem agrupados em áreas específicas do hospital já era identificado por enfermeiros (DAVI, p.8, 2004).

Esses profissionais estabeleceram que os pacientes em pós-operatório receberiam melhor atenção se localizados mais próximos ao posto de enfermagem (DAVI, p.8, 2004).

Durante a Segunda Guerra Mundial foram criadas enfermarias para ressuscitação e cuidados dos soldados (DAVI, p.8, 2004).

A carência de profissionais da enfermagem após a guerra forçou o agrupamento de pacientes em quartos de recuperação para assegurar vigilância adequada (DAVI, p.8, 2004).

No início da década de 1950, a Europa e os Estados Unidos já haviam conhecido o horror das epidemias de poliomielite (DAVI, p.1, 2004).

Portanto, com essa epidemia de pólio que se alastrou, uma nova entidade, a insuficiência respiratória, resultou em novas estratégias de tratamento (DAVI, p.8, 2004).

Nos anos 50 e 60 começaram a surgir unidades estruturadas e devotadas especialmente ao tratamento de pacientes com poliomielite que precisavam de ventilação artificial e unidades militares responsáveis pelo tratamento de feridos graves adquiridos nos campos de batalha (FANCO JR, p.3, 1995).

Ironicamente, foi durante os conflitos armados que se alcançou notável desenvolvimento científico-tecnológico na área de terapia intensiva, que resultou em benefício inclusive para populações civis (FANCO JR, p.3, 1995).

Os benefícios óbvios resultaram numa nova engenharia dos hospitais a partir dos anos 1960, com as unidades semi-fechadas, que passaram a ser identificadas como Unidades de Terapia Intensiva (DAVI, p.8, 2004).

De acordo com Davi (2004, p.1):

Foi na esteira dos acontecimentos dramáticos dos conflitos armados e da epidemia de poliomielite que foram implantadas as primeiras UTIs respiratórias, o que permitiu, pela primeira vez, enfrentar-se a insuficiência respiratória associada aos quadros bulbares e, assim, se obter alguns resultados mais animadores.

Nessa ocasião, já havia ficado claro que uma equipe multidisciplinar especializada no tratamento de paciente grave deveria ser diferenciada (DAVI, p.8, 2004). Portanto, a UTI surgiu com o objetivo de oferecer suporte a pacientes em estado de saúde grave, mas com possibilidades terapêuticas, ou seja, com chances de sobreviver.

Subseqüentemente foram surgindo unidades de tratamento intensivo especializadas no tratamento de trauma, insuficiência coronariana aguda, neonatologia e cuidados pós-operatórios intensivos (FRANCO JR., p.3, 2004).

Segundo Franco Jr. (1995, p.4):

“As UTIs podem ser gerais admitindo todos os tipos de pacientes graves ou potencialmente graves, ou especializadas, quando admitem pacientes de acordo com a doença (unidade de queimados), sistema afetado (unidade coronária) ou idade do paciente (unidade de neonatologia)”

No Brasil, como já havia ocorrido em outros países, a participação dos anestesiologistas também foi decisiva para os primeiros passos da Terapia Intensiva (DAVI, p.1, 2004). A UTI é um ambiente de monitorização constante e vigilância 24 horas, os pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos, necessitam de anestésicos e conseqüentemente precisam de monitorização de suas funções vitais (respiração, circulação) até o término dos efeitos dos anestésicos, sendo necessário uma vigilância adequada..

É certo, porém, que a terapia intensiva veio questionar duramente a concepção segundo a qual as especialidades devem seguir um padrão vertical e incomunicável (DAVI, p.4, 2004). O paciente em estado grave sofre em suas múltiplas funções orgânicas e emocionais, é importante que os profissionais estejam voltados a desenvolver um saber interprofissional, buscando trocas de conhecimentos, interagindo e visando uma assistência mais humanizada.

Portanto, a esse respeito, Franco Jr. (1995, p.3) afirma:

Um aspecto da medicina tradicional, a sua subdivisão em órgãos ou sistemas, sendo cada especialista responsável pelo manejo de cada uma das partes, não é uma solução adequada no campo da medicina intensiva, visto que, com frequencia, o paciente crítico sofre de insuficiências múltiplas de órgãos vitais.

Algumas características das UTIs segundo Franco Jr.(1995,p.4) são:

Planta física diferenciada, alta proporção enfermagem/paciente (algumas vezes são necessárias relações como 1:1 ou maiores), disponibilidade rápida de pessoal médico, capacidade de monitorização freqüente de vários parâmetros hemodinâmicos e respiratórios, e iniciação e manutenção de tratamentos complexos e potencialmente iatrogênicos, como suporte respiratório e infusão contínua de agentes farmacológicos.

Para muitos pacientes, entretanto, a internação na UTI trouxe e traz maiores esperanças de recuperação integral (FRANCO JR., p.4, 1995).

Apesar de no primeiro momento de internação numa UTI gerar no paciente e em seus familiares medo e angústia, pois sinaliza um estado de saúde grave, todas as tecnologias dessa unidade associada a profissionais especializados aumentam as probabilidades de recuperação desse paciente.

É relevante compreender que a UTI não é um local apropriado para internação de paciente terminal (FRANCO JR., p.4, 1995). Mesmo dispondo de todos os recursos este paciente não é mais sauvável, o seu processo de morte é inevitável. As medidas terapêuticas não aumentam a sua sobrevida, apenas tornam a sua morte mais lenta, gerando mais sofrimento.

Com relação à internação de paciente terminal na UTI Franco Jr. (1995, p.4) afirma que:

Esta internação, por certo, é inadequada, visto que estes pacientes são submetidos a desconforto físico e psíquico, e até mesmo à perda da dignidade (imagine um paciente com várias sondas e cateteres sem o controle das suas funções mais básicas, incapaz de comunicar-se e expressar seus desejos, rodeado de aparelhos assustadores e pessoas estranhas).

Em uma UTI, os aspectos éticos da medicina adquirem caráter bastante agudo. É comum ocorrer dilemas éticos no tratamento do paciente crítico (FRANCO JR., p.5, 1995). Nas UTIs os procedimentos são realizados sempre levando em consideração os benefícios dos pacientes e os seus potenciais riscos. O princípio moral que rege a prática médica é o de aliviar o sofrimento do paciente. É necessário que o médico possa transmitir ao paciente e à família que o tratamento realizado mesmo sendo adequado, também tem limites.

Alguns princípios que devem guiar a ação do médico, segundo Franco Jr. (1995, p.5) são:


  • Preservação da vida

  • Alívio do sofrimento psíquico

  • Esforço para evitar possíveis iatrogenias

  • Autonomia do paciente

  • Justiça na aplicação de recursos

  • Relatar a verdade ao paciente

A UTI é um ambiente tenso e mobilizador de sentimentos, fonte de constante estresse, portanto, qualquer esforço da equipe para diminuir o desconforto do paciente e familiar é de grande relevância.

Segundo Davi (2004, p.4), o advento das UTIs acabou por demonstrar, na prática, a necessidade de buscar novos caminhos, romper as barreiras impostas por um modelo já superado e reconstruir o relacionamento entre as especialidades a partir de um conceito inovador de interpenetrabilidade de interesses.

Franco Jr. (1995, p.5) ressalta que:

(...) cumpre a todos contribuir para o avanço do tratamento intensivo, tanto do ponto de vista técnico-científico quanto humano, separando as atitudes ou procedimentos que realmente beneficiam o paciente daqueles que apenas são realizados por hábito, interesses pessoais ou econômicos.





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