Mesa-redonda sobre supervisão na clínica-escola (10/11/1999)



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ASPECTOS CRÍTICOS E ALGUMAS SUGESTÕES DE SOLUÇÃO PARA A SUPERVISÃO NA CLÍNICA-ESCOLA1
Georges Daniel Janja Bloc Boris2
RESUMO

Em 1995, apresentei, no V Encontro Nacional de Gestalt-Terapia, um estudo de caso “diferente”, denominado de “O Caso Vera: Análise de uma Experiência Fracassada”, pois, mais do que analisar a saga da cliente Vera nos vários processos psicoterápicos a que ela se submeteu com diversos estagiários, eu buscava discutir prioritariamente os conflitos e os dilemas do psicoterapeuta iniciante. Pretendo destacar aqui algumas questões que continuam ainda bastante pertinentes na atualidade, propondo algumas estratégias de solução que venho utilizando nos últimos anos. É com estranheza que percebo, com freqüência, que muitos alunos chegam aos últimos semestres do curso sem conhecimentos básicos ou experiência mínima quanto ao universo clínico, muitas vezes, desconhecendo ou nunca tendo se submetido a seu próprio processo psicoterápico, como se o estágio fosse apenas mais uma disciplina, que, cumprida, lhes daria o suficiente para serem psicoterapeutas. Observo que, terminado o estágio, alguns poucos buscam formações específicas nas linhas teóricas que escolheram, e, infelizmente, quando elas terminam, a maioria deixa de acreditar que a supervisão de um psicoterapeuta mais experiente seja um recurso valioso e imprescindível na trajetória de qualquer psicoterapeuta. Estas são algumas das preocupações que me levaram a elaborar o citado texto, e que, lamentavelmente, ainda me parecem permanecer como um dado comprometedor da formação dos psicoterapeutas iniciantes. Destaco que a formação de um psicoterapeuta é constante e sistemática, persistindo ao longo de sua vida e sendo sempre condizente com sua vida pessoal e as diversas opções e experiências que ele faz e vivencia. Não é, portanto, algo pontual e circunstancial, que se resolve apenas num único momento difícil, mesmo que determinante, como o dos últimos semestres de curso. Neste sentido, descrevo os benefícios da adoção das “versões de sentido” (Amatuzzi, 1995) como um instrumento eficiente na consolidação dos primeiros passos dos psicoterapeutas iniciantes.





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