Mercado pet



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Encontro05.07.2018
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Tratar bichos como membros da família é o que alavanca o mercado pet, dizem especialistas.
As cidades estão cada vez mais verticalizadas e as pessoas, cada dia mais solitárias. Para o vice-presidente da unidade de comércios e serviços do Instituto Pet Brasil (IPB), Nelo Marraccini Neto, são dois fatores propulsores para o mercado pet, cujo futuro “é mais brilhante que o pré-sal”, como costuma brincar.

— Antigamente se adotava um animal apenas por questões de segurança. Hoje, o bicho de estimação é um companheiro, a alegria do lar, um potencial para dar às crianças noções de coletividade e amizade. Tudo isso faz com que as pessoas tenham mais consciência no que diz respeito aos cuidados que um bichinho requer — analisa.

A advogada Alexandra Carvalho, por exemplo, contratou um plano de saúde para Musashi, seu cachorro de seis anos da raça akita, quando ele ainda era filhote. A tranquilidade de ter as vacinações em dia, um veterinário à disposição sempre que necessário e o histórico de saúde do bicho atualizado vale, segundo ela, o gasto de R$ 100 mensais com a Animed, empresa que oferece planos de saúde animal.

— É aquela coisa: a gente paga no intuito de não ter de precisar, só para ter uma segurança diante de qualquer emergência — conta ela.

Há sete anos, o empresário Munir Raad fez uma pesquisa de mercado e constatou que havia um nicho para implementar o serviço. Hoje, sua clientela tem um perfil mais jovem: são, principalmente, pessoas de 18 a 35 anos, das classes B e C.

— É gente de mente mais aberta e de orçamento mais limitado. Nosso plano mais básico custa R$ 60 por mês, enquanto uma consulta particular pode custar R$ 120 _ diz.

Mas nem toda moda pega. A advogada Márcia Bonorino abriu em 2010 uma loja de luxury dogwear _ moda de luxo para cachorros, em tradução livre — mas está fechando as portas. Roupas de cashmere,bolsas de couro, perfumes, coleiras de pérolas ou folheadas a ouro e jaquetinhas com franjas não encontraram tanta aceitação no mercado. Frente a isso, Márcia, já sem tempo para se dividir igualmente entre loja e escritório de advocacia, optou pelo segundo.

— Eu vendia os artigos direto para as pets e eles acabavam se tornando muito caros ao consumidor final. Meu custo era de R$ 19, eu vendia às pets por R$ 45 e eles repassavam aos clientes por R$ 80  — exemplifica.

Para Rodrigo Albuquerque, da Petland, no entanto, os artigos de grife podem ter seu lugar no mercado pet nacional, assim como o mundo fitness para cães e gatos. O que um dono busca ofertar ao seu bicho, segundo ele, nada mais é que o reflexo de sua personalidade.

— É nítido que, se uma pessoa tem hábitos alimentares saudáveis, ela vai optar por rações orgânicas ou comidas mais naturais ao seu animal (serviços que, aliás existem em Porto Alegre e na Região Metropolitana). Se alguém anda com uma bolsa de marca, vai querer uma bolsa de marca também para o seu pet. A vida do bicho se torna uma necessidade primária, o que reforça a tendência da superespecialização do mercado.

O que não significa que alguns serviços não sejam considerados supérfluos:

— Se ofurô para humanos já é um excesso, imagina para animais. Isso é para pessoas que querem ostentar seu estilo de vida por meio do seu pet, com o intuito de chamar a atenção — opina Nelo Marraccini Neto, do IPB.

Para André Prazeres, da Comac, existe um quê de patológico nesses exageros, normalmente cometidos por famílias “multiespécie”, aquelas formadas não só por humanos, mas também por gatos, cães ou outros bichos de estimação, como hamsters e passarinhos. Quem perde com isso é o animal, que tem seus instintos naturais diminuídos, e o dono, que provavelmente tem algum distúrbio psicológico:

— A humanização extrema é ruim. Se existe uma relação deste tipo, o animal não está cumprindo sua função de pet.



Fonte: Zero Hora
http://zh.clicrbs.com.br/rs/

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