Meninas de Sinhá: Os Sentidos do Grupo na História de Vida de Suas Integrantes Meninas de Sinhá: The Meanings of the Group in the Life History of its Members Meninas de Sinhá: Le Sens du Groupe Dans L'histoire de la Vie de ses Membres


Mots-clé: Groupe Meninas de Sinhá; processus de groupe; identité; angoisse. Introdução



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Mots-clé: Groupe Meninas de Sinhá; processus de groupe; identité; angoisse.

Introdução
O grupo Meninas de Sinhá é composto por 32 mulheres com idade entre 46 e 92 anos, moradoras do aglomerado Alto Vera Cruz, em Belo Horizonte. Elas iniciaram seus encontros em 1996, movidas pelo desejo de compartilhar preocupações e problemas da vida cotidiana, além de fazer trabalhos manuais, como tricô, crochê e bordados.

A fundadora do grupo, no trajeto entre a sua casa e o seu local de trabalho, ao passar em frente ao posto de saúde do bairro, observava que muitas mulheres, atendidas pelos psicólogos e psiquiatras daquela instituição, saíam com “sacolas cheias de medicamento” (sic).

Moradora antiga do bairro, ela conhecia bem o cotidiano daquelas mulheres e resolveu abordá-las, fazendo a proposta de uma reunião, para que pudessem trocar suas experiências pessoais. Segundo ela, não foi uma abordagem fácil, pois havia certa resistência por parte daquelas mulheres, que alegavam não ter tempo para “bate-papo” (sic), pois tinham inúmeras ocupações em casa. Acreditando que os encontros poderiam melhorar a condição de vida dessas mulheres e a autoestima delas, a fundadora relatou que foi insistente, pois acreditava que elas precisavam, na realidade, mais do que dos remédios, de um tempo para si próprias, pois a maioria dedicava-se exclusivamente a cuidar da casa e da família.

Vencida a resistência, ao iniciarem os encontros, as mulheres foram relatando suas vivências pessoais e descobrindo que suas trajetórias eram marcadas por problemas e dificuldades semelhantes. Segundo a fundadora, ao ouvirem as histórias umas das outras, elas chegavam a afirmar: “Nossa, tadinha, sua vida é muito pior que a minha” (sic). A idealizadora do grupo iniciou os encontros com a ideia de que, compartilhando seus sofrimentos, elas poderiam elaborar suas vivências e produzir projetos coletivos que contribuíssem para a qualidade de suas vidas.

O grupo iniciou-se como um espaço para “desabafar” e “aprender trabalhos manuais”. No entanto, os trabalhos manuais foram vistos como uma repetição dos trabalhos domésticos e com pouca potencialidade para modificar a condição emocional das integrantes do grupo.

Por meio do Projeto Ação Social – PBH, as integrantes do grupo tiveram a oportunidade de experimentar uma atividade nova: a oficina de expressão corporal. Os exercícios eram adequados aos idosos e suscitavam dois elementos de suas memórias da infância: as brincadeiras e as cantigas de roda.

A rememoração das cantigas de roda motivou-as para o primeiro trabalho coletivo: o de registrar as letras das músicas que conheciam e o de buscar ampliar o acervo musical. Organizaram uma pesquisa junto aos moradores mais velhos do bairro e buscaram gravar as músicas cantadas na época da infância dessas pessoas. Semanalmente, elas se reuniam para lembrar e registrar as cantigas. Nessa ocasião, receberam a ajuda de um morador da comunidade, que se prontificou a gravar todas as cantigas para que, posteriormente, pudessem criar uma apostila com as letras das músicas.

A partir desse momento, as cantigas passaram a fazer parte da identidade do grupo. Começaram a surgir convites para apresentações em eventos públicos. O grupo Meninas de Sinhá passou a ter reconhecimento da própria comunidade e da sociedade em geral. Conquistaram visibilidade na mídia e, em decorrência das apresentações, surgiram oportunidades de gravação de CDs e de DVDs.

O grupo Meninas de Sinhá tem recebido vários convites para se apresentar em muitas cidades brasileiras e, recentemente, apresentou-se no Festival Brave em Wroclaw, na Polônia (2012). As apresentações são momentos em que as mulheres que compõem o grupo são reconhecidas e se reconhecem a si mesmas em uma nova posição, a posição de artistas populares.

Durante o processo de realização da pesquisa, as Meninas de Sinhá estavam em fase de profissionalização e passaram a contar com uma promotora cultural. Estavam elaborando um estatuto formal para o grupo. Após a conclusão da dissertação e no processo de elaboração do presente artigo, a fundadora faleceu.

O relato da história do grupo Meninas de Sinhá reafirma a proposição de Lane (2004) de que o grupo deve ser pensado como um processo. Para a autora, a ideia do processo se apoia em duas premissas:

1) o significado da existência e da ação grupal só pode ser encontrado dentro de uma perspectiva histórica que considere a sua inserção na sociedade, com suas determinações econômicas, institucionais e ideológicas; 2) o próprio grupo só poderá ser conhecido enquanto processo histórico, e neste sentido talvez fosse mais correto falarmos em processo grupal, em vez de grupo. (Lane, 2004, p. 81)

Um grupo não é a soma de indivíduos, como aprendemos com a teoria de campo de Kurt Lewin que enfatizou, segundo Mailhiot (1991), a dinâmica dos grupos dada pela interação e interdependência de seus membros, e, nesse sentido, as necessidades individuais postas em comum podem promover um sentimento de cooperação mútua e transformar solidariamente as partes (os membros) e o todo (o grupo).

Para Lane (2004), quando as pessoas se reúnem em um grupo para discutirem seus problemas, percebem que eles não são exclusivos ou individuais, pois, ao escutarem os companheiros do grupo, descobrem que existem muitos aspectos comuns, decorrentes da condição de vida, do contexto socio-histórico em que todos vivem. A interação permite a elaboração e a produção de novos sentidos singulares para suas vivências particulares. Essas descobertas são importantes para a produção do vínculo grupal.



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