Memória e psicanálise



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MEMÓRIA EM PSICANÁLISE: PASSADO E FUTURO PRODUZINDO-SE1

Bruno Salésio da Silva Francisco2



Introdução
Olhada no seu todo a memória é uma função curiosa, que provoca muitas conjecturas. Como nós seres humanos nos organizaríamos e funcionaríamos se não fôssemos dotados de memória? Teríamos que pensar nossa existência sem uma continuidade. A memória garante uma continuidade e uma repetitividade no nosso funcionamento. Um funcionamento que não se repete, em alguma forma, não deixa marca e torna-se menos apreensível. Se a apreensão não ocorre, fica difícil descrever e conhecer nossa existência por um observador, um outro. A apreensibilidade necessita de um tempo de funcionamento continuado. Este tempo constitui-se num processo diacrônico, ao longo do qual se formam registros, comparações, ilações, aprendizados, experiências, abstrações, representações, dentro da nossa mente. E por aí afora... Num organismo que dispõe de memória, a possibilidade de repetir uma função facilita enormemente um funcionamento do ser, pois uma experiência guardada é um trabalho estocado, facilitador de novas experiências (Bahnung)3. Boas ou más. Uma experiência sem memória é como um trabalho realizado por primeira vez, de resultado não registrado e sem criar previsibilidade para seu agente. Neste sentido a memória, como um sistema, organiza um funcionamento dentro de condutas que passam a ser previsíveis. Nas relações intra-psíquicas e inter-pessoais a previsibilidade é tranqüilizadora e o contrário, primariamente assustador, como já apreendemos por meio da memória de nossa prática psicanalítica. Continuidade e previsibilidade são as concatenações que se ligam à representação de um futuro a partir do marco de um passado.



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