Mba francisco Pinto Balsemão



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Dr. Vasco Trigo - RTP



Considera que é prioritário ou demasiado cedo para investir na televisão Interactiva? Porquê?

Vasco Trigo: Não é nada cedo. De facto, a tecnologia está um bocado atrasada, mas à velocidade a que saiem as novidades tecnológicas, de um dia para o outro as soluções vão aparecer. Quem estiver já a preparar-se é quem vai estar em vantagem. Portanto, uma empresa não pode ir a reboque. Alguém dizia que, a certa altura, a importância era ser mais rico ou mais pobre, depois era ter mais poder ou menos poder. Hoje em dia, a diferença é ser mais rápido ou mais lento. A divisão está aí: quem fôr mais rápido, quem já estiver posicionado é que tem a vantagem. Se calhar, já é tarde para começar a desenvolver.

Admito que a RTP já esteja a trabalhar em conteúdos interactivos, mas eu não tenho conhecimento. Fala-se, têm-se ideias mas ainda não se entrou a sério. Sei que há gente na RTP sensibilizada para o assunto, agora há alguns atrasos, também à mercê das condições da própria RTP - desta indefinição grande que existe em relação ao futuro da RTP, se é ou não privatizada, etc. Toda esta indefinição provoca que não se possa avançar para projectos como este, porque a estratégia não está bem definida. Isto não é uma acusação às pessoas por estarem atrasadas, porque elas estão sensibilizadas. Só que há uma série de condicionalismos que a RTP tem e que outras empresas não têm.

Ao contrário do que muita gente pensa, o facto de ser empresa pública não implica necessariamente que seja má ou que tenha de ser mal gerida. Quando se fala na privatização da RTP como uma solução para o problema, penso que pode ser uma solução, mas não tem que ser a única. Nada garante que se a RTP fôr privada funciona melhor. Pode funcionar melhor se despedir 50 por cento das pessoas, mas então “vai o bebé com a água do banho”, como se costuma dizer. Penso que as pessoas estão sensibilizadas e estão alerta. Agora, ainda falta dar o pontapé de saída.
Qual será a grande motivação que irá trazer a televisão interactiva para os lares dos portugueses?

VT: Tudo depende dos serviços que houver. Julgo que a grande preocupação de quem está a desenvolver conteúdos é que tem de ter em conta as necessidades das pessoas. O que é que as pessoas vão querer? Não é “como é que vamos ganhar dinheiro?” – é evidente que as empresas existem para ganhar dinheiro – mas nos nossos dias, as empresas deviam a começar a pensar mais que existem para servir as pessoas. É evidente que têm que ganhar dinheiro, mas o objectivo é servir o público.

Aliás, o que nós vemos nas empresas que se formam na chamada “Nova Economia” - que perdem dinheiro -, é que já estão a pensar assim. Existem para servir o público, e depois querem ganhar dinheiro. Mas se não se estiver sempre presente o interesse do consumidor não conseguem nada. As contas têm que ser feitas com base em muita pesquisa sobre os interesses e necessidades dos clientes.


Como cliente, o que gostava de ver num serviço de Televisão interactiva?

VT: Gostava de seleccionar os horários do que quero ver. Isso é fundamental. Têm que ser as pessoas a controlar os horários. As pessoas estão subordinadas aos horários das estações de televisão, mas penso que é uma aspiração de todos poderem decidir quando querem ver isto ou aquilo, porque nos dá uma maior liberdade. Alías, porque é que as pessoas usam telemóvel? Porque não têm que ir a uma cabine ou telefonar de casa, e em qualquer sítio fazem uma chamada. Portanto, é fundamental dar a possibilidade às pessoas de verem o que querem a qualquer hora.

A televisão interactiva não é só programas, também é publicidade, por exemplo. A publicidade pode ser algo como estar a ver um anúncio e comprar logo aquele produto. Segundo sei, ainda que não esteja muito informado, o que se está a preparar agora é que num bloco publicitário só o último anúncio é que tem a capacidade de ser interactivo, que é para as pessoas não perderem todo o bloco porque podem estar interessados no primeiro artigo. Mas isso não é ver o assunto do ponto de vista do consumidor. Esta abordagem é do ponto de vista do anunciante. Muitas empresas que estão a fazer anúncios não irão começar a fazer anúncios interactivos de um momento para o outro. Julgo que vai sempre haver anúncios que não são interactivos.

O que qualquer pessoa quer é: quando lhe apetece aceder a uma coisa, poder aceder. Se estiver no meio do trânsito, será pelo telemóvel. Se estiver em casa frente ao computador, é pelo computador. Quando estiver na sala frente ao televisor, acede a partir do televisor. A pessoa quer é ter o acesso. Hoje em dia, quando estou em casa quero lá saber se o programa que estou a receber veio pela antena, por cabo ou por uma parabólica. Para mim, é perfeitamente indiferente, o que eu quero é ver o programa. É importante ter em atenção a perspectiva do consumidor, que não está preocupado com este tipo de questões.

A Televisão Interactiva é uma revolução ou uma evolução? Porquê?

VT: Julgo que é mais uma revolução para os produtores, porque o produto tem que ser concebido já a pensar que vai ser interactivo. Para o consumidor é mais uma evolução, porque gradualmente as pessoas vão aderindo ao serviço; hoje são 10 por cento, amanhã são vinte por cento, e por aí fora. Agora do ponto de vista do produtor não é gradualmente, é quase de um dia para o outro passar a fazer televisão de uma outra forma. Aliás, se fôr uma revolução para o consumidor é mais difícil “entrar”, porque há sempre resistência há mudança, essa é uma lei da natureza e não se pode contrariar isso. Por vários motivos, para o consumidor é uma evolução. Para os produtores, num sentido lato, aí é mais revolucionário.




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