Mba francisco Pinto Balsemão


Eng. Rui Dias Alves, Eng. João Brás Ramos – INNOVAGENCY



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Eng. Rui Dias Alves, Eng. João Brás Ramos – INNOVAGENCY




Considera que é prioritário ou demasiado cedo para investir na televisão Interactiva? Porquê?

Rui Dias Alves: Para a TV Cabo não é demasiado cedo, porque tem um alavancamento de negócio da Internet, de infra-estrutura tecnológica, de cabo, de negócio da Internet do ponto de vista do tráfego, que lhe dá um conforto muito grande quando se lança nisto.

Por cada subscritor que aceda à televisão interactiva, a TV Cabo ganha negócio de ISP (Internet Service Provider), porque grande parte da interactividade vai ser via Internet; receitas adicionais de subscrição; capacidade de poder adaptar os conteúdos que hoje já tem na TV Cabo ao Portal TV; alanvancam parcerias com o BES para disponibilizar o Tele-Banking.

Na fase de arranque, a TV Cabo minimiza muito o investimento. A TV Cabo tem muito mais o peito aberto para investir do que uma SIC ou uma TVI. A SIC e a TVI, do que nós compreendemos das conversas que tivemos até agora, do que gostam é do negócio de fornecer conteúdos, porque é o negócio deles onde eles já têm uma base de economia real. Se lhes dizerem que têm que gastar 500 milhões de contos a pôr antenas para emitir televisão digital terrestre eles arrepiam-se. Aí também se vê que quem tem a ganhar com esse negócio é uma ONI, por exemplo, porque o seu core-business é o negócio de telecomunicações.

Claramente, a TV Cabo está confortável – pode ser um risco maior ou menor, pode exigir mais ou menos milhões de contos de subsidiação, mas tem um ponto de partida confortável. A SIC e TVI enquanto não se definir qual a abrangência da televisão digital terrestre, há muitas indefinições que fazem com que o arranque deles ainda tenha algum risco. Se a ONI ou outro operador de telecomunicações estiverem dispostos a comprar a guerra da infra-estrutura, eles só terão a guerra dos conteúdos.

Agora quem produz conteúdos tem um risco mínimo: que é o risco de agregar uma competência que se não tiver hoje provavelmente terá daqui a dois anos. É um risco temporal, que é só de infra-estrutura, porque do ponto de vista de recursos humanos a lógica é ir contratando à medida das necessidades: julgo que ninguém vai agora contratar 100 elementos para projectos de televisão interactiva.

O investimento que é grande – os estúdios, as cameras, os equipamentos de pós-produção e de efeitos-especiais – já foi feito pelas produtoras de televisão. A televisão interactiva é um bocadinho mais caro do que fazer web sites para a Internet, mas o que é preciso é engenheiros que saibam programar Microsoft TV, Open TV ou Liberate, e sobre multiplexagem para colocar o sinal do URL no sinal de vídeo.



Qual será a grande motivação que irá trazer a televisão interactiva para os lares dos portugueses?

RDA: Há-de chegar um momento em que a TV Cabo entende que com um preço a televisão interactiva não vai arrancar como esperam e, então, vai baixar o preço. Mais tarde ou mais cedo o preço é o justo.

O que vai levar as pessoas? Julgo que o Electronic Program Guide como conceito vai ser radiante. Vai ser muito complicado para publicações tipo TV Guia, porque é um concorrente directo. As pessoas gostam muito de ver o que podem ver na televisão. Se o produto fôr bem empacotado e bem vendido, o EPG é um serviço engraçado.

Creio que a lógica de participar em concursos também é importante. A lógica do “dot” de colocar o “dot” em posições “sim” ou “não”, até nesta modalidade infantil e arcaica as pessoas já interagem. Se for qualquer coisa do género do concurso do Carlos Cruz, em que utilizador em casa ao participar também ganha um prémio, julgo que vai ter sucesso.

Outras coisas como um jogo de futebol interactivo, em quer se pode obter informações sobre o jogador e o próprio jogo, julgo que o conceito é valido, desde que não seja muito complicado do ponto de vista do interface. O “go interactive” tem que ser simples e óbvio.

Outro aspecto é o comércio electrónico. Na Internet, o comércio que vai ser significativo é o business-to-business, porque o computador é um instrumento de trabalho. A televisão é, por excelência o meio do business-to-consumer. É o meio por excelência porque na televisão é possível potenciar a compra por impulso. A publicidade tem que ter a capacidade adaptar anúncios que são informativos e que me leva comprar numa loja, para anúncios que me levem a comprar naquele instante. Do ponto de vista do bem de consumo, como o livro, o CD e a roupa, a televisão é o meio por excelência que pode fazer o comércio electrónico crescer.

O grande drama que sentimos em publicitários e em centrais de meios é a lógica da continuidade da programação nunca ser quebrada. Mesmo que vá para o mais profundo nível de interactividade e da Internet, o programa que estava a ver tem que estar em algum sítio do ecrã e numa dimensão que me permita acompanhar o que se está a passar. O drama é que estão habituados a trabalhar para a televisão como um meio em que se passava anúncio a seguir aos outros, com programas no meio, e sabiam que naquela hora estavam a ver mais jovens e mais adultos. Era um mundo muito simples.



O que eles também sentem é que vai haver um mundo de negócios paralelos: marketing directo, Customer Relationship Management, por exemplo. Tudo o que tenha a ver com o conhecimento da pessoa, usar a televisão para a comunicação one-to-one, não é emitir para as mulheres, é emitir para “si”. A lógica da customização é algo de que gostam.




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