Mba francisco Pinto Balsemão



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José Abecassis Soares: A estratégia da GO TV passa pela internacionalização a curto prazo, e para isso é absolutamente necessário um forte investimento inicial.

Considero essencial no entanto, o investimento que a TV Cabo vai fazer na divulgação da TV Interactiva.

Neste tipo de inovações tecnológicas existe um ciclo vicioso que tem que ser quebrado. Os produtores de conteúdos (Broadcasters ou agências de publicidade) não vão criar conteúdos porque ainda ninguém tem STB, e ninguém compra as STB porque ainda não há conteúdos suficientes.

A TV Cabo deve inverter este ciclo, criando as condições para a emergência de novos conteúdos interactivos, e subsidiando as STB. Parece-me claro como água. Não só é prioritário, como urgente, para empresas como nós, para as agências de publicidade, para os Broadcasters e para a TV Cabo investir nesta fase de lançamento da iTV.


Segundo uma reportagem do Expresso, publicada em Setembro passado, a GOTV desenvolve conteúdos infanto-juvenis, culturais e educativos – porquê estas escolhas?

NM: Por uma razão muito simples, escolhemos os conteúdos infanto-juvenis porque esse é o público-alvo que tem mais apetência pelos conteúdos interactivos. São os que mais habilidosos, são os que dominam o interface mais facilmente. É muito mais fácil dirigirmo-nos ao público infantil e ao juvenil do que às pessoas com quarenta e mais anos, que já têm alguma aversão à Internet. A questão dos conteúdos é unicamente estratégica: neste momento, dirigimo-nos a quem vai compreender facilmente o interface e saber navegar.

JAS: O desenvolvimento de conteúdos infanto-juvenis para iTV é feito por uma empresa do nosso grupo – a CONTENT TV – A GO TV trabalha em directamente com a CONTENT TV no desenvolvimento da arquitectura, design de interfaces e lay-outs dos conteúdos criados.

O público infantil é uma pedra lapidar do lançamento da TV Interactiva, não podemos descorar essa questão, no entanto a GO TV tem permanentemente em conta todos os tipos de utilizadores.

Existe na nossa empresa uma preocupação permanente com o utilizador final. A Interactividade televisiva é muito diferente da interactividade computacional. Não podemos deixar de considerar que a maioria dos futuros utilizadores de Televisão Interactiva não têm qualquer experiência de informática.

Planeamos interactividade televisiva para ser extremamente simples, através de analogias que remontam ao inconsciente colectivo de cada um de nós. Nestes termos, qualquer pessoa poderá utilizar os enhancements criados pela GO TV, mesmo que nunca tenha usado um computador na vida.


Qual será a grande motivação que irá trazer a televisão interactiva para os lares dos portugueses?

NM: Julgo que há uma expectativa no público em geral de que a televisão interactiva é uma experiência única e diferente, que vai produzir mais-valias para o espectador em casa. Primeiro, acho que a motivação vai ser simplesmente curiosidade.

É a mesma história dos telemóveis: ninguém precisava de telemóveis, mas hoje ninguém os dispensa. A televisão interactiva vai ser um pouco isso. A abordagem dos players todos, como a TV Cabo, é sempre o do paralelismo com o que aconteceu com os telemóveis. A televisão interactiva vai ser a réplica desse comportamento social.

Isto é o que a TV Cabo acha. Agora, tudo depende da boa ou má experiência que os primeiros utilizadores irão ter, algo que está mais do lado da TV Cabo do que do nosso lado. Vamos pôr meia dúzia de coisas no ar – as nossas vão ser boas e não tenho a menor dúvida que as pessoas vão gostar de ter aquela experiência interactiva. Agora, as dos outros não faço a menor ideia de como irão ser.
Em Portugal, quais as possibilidades de sucesso de programas e serviços de televisão interactiva sabendo de antemão que a percentagem de pessoas ligadas à Internet é muito inferior à média europeia?

NM: Nos nossos escritórios e em todo o lado, mesmo na TV Cabo, tenho assistido ao seguinte: há duas perspectivas do que é a televisão interactiva. Para uns, é simplesmente aceder à internet. Para outros é realmente uma experiência de televisão interactiva, ou seja, interagir com a programação.

Sou da opinião, como os mais esclarecidos são dessa opinião, que a televisão interactiva deve ser uma experiência genuína de televisão interactiva em que as pessoas estão a interagir com a programação. Os leigos pensam que a mais-valia é aceder à Internet. É claro que é mais fácil e simples navegar na Internet numa set-top box do que num PC com um browser. Não sei como a TV Cabo vai situar a sua comunicação: se vai apostar na caixa que tem a Internet ou na caixa que tem televisão interactiva.

Julgo que em Portugal continua a haver uma curiosidade grande e natural acerca da Internet e esta é provavelmente uma forma de facilitar o acesso. Daí que tenha toda a lógica que um sistema como a Microsoft TV nasça e tenha como grandes apoiantes as empresas de telecomunicações, já com muitos interesses na Internet. Honestamente, continuo sem saber se vai ser um sucesso ou não.

JAS: Não me parece que a internet seja a melhor "proxy variable" para avaliar o potencial de crescimento da TV interactiva em Portugal. Se vamos avançar para analogias desse tipo, a taxas de penetração dos telemóveis em Portugal, parece-me uma variável muito mais fidedigna para ser analisada. Na minha opinião, sendo o telefone (á semelhança da televisão), um instrumento mais amigável, mais familiar e menos estranho ao consumidor do que o PC, penso que atingiríamos valores mais próximos da realidade se utilizássemos estes valores de referência em detrimento dos valores da internet em Portugal.

Alem de que o computador tem um custo que muitas pessoas infelizmente ainda não podem suportar, o que não acontece com os telemóveis, e (à que ter esperança) com as STB.

De qualquer forma a taxa de penetração da internet em Portugal tem crescido a passos largos.
A TV Cabo anunciou que teria 100 mil subscritores de televisão interactiva no primeiro ano de actividade e 1 milhão de utilizadores num prazo de três a cinco anos – considera estes números demasiado optimistas?

NM: A TV Cabo tem quase um milhão de clientes e acham que em 2004 vão ter o mesmo número de clientes com uma set-top box em casa. Parece-me razoável.

JAS: Mais uma vez, tudo depende do empenho financeiro na divulgação do sistema.




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