Mba francisco Pinto Balsemão



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Dr. Luís Rodrigues – TVI



Considera que é prioritário ou demasiado cedo para investir na televisão Interactiva? Porquê?

LR: É importante começar a trabalhar agora, para daqui a um ano e meio dois anos ter uma televisão interactiva digna desse nome em Portugal. Neste momento estar a investir é mais em know-how do que em tecnologia ou em conteúdos. Ainda estamos num processo de aprendizagem.
O que pensa do anúncio da TV Cabo em lançar comercialmente a televisão interactiva em Março de 2001? Considera este um prazo optismista?)

LR: Julgo que é demasiado optimista que eles possam consegui-lo. Um milhão de subscritores não tem hoje a TV Cabo. Nem todas as pessoas que têm TV Cabo vão querer ter televisão interactiva. Se por hipotese, 50 por cento o fizessem, então a TV Cabo teria que ter 2 milhões de subscritores, o que não me parece realista no espaço de tempo que estamos a falar. Dois milhões de casas passadas já têm, mas as pessoas a aderirem ao serviço é outra situação…
Qual será a grande motivação que irá trazer a televisão interactiva para os lares dos portugueses?

LR: É exactamente essa a pergunta que todos nós andamos a fazer. Uma das coisas que é preciso ter noção é que não existe no mundo inteiro um caso claro de sucesso de televisão interactiva. Mesmo o caso do sistema interactivo no Reino Unido – Open – , as contas da Open não foram brilhantes. Mas esse é um caso que aparenta ter sucesso, no meio de quatro ou cinco que até agora não resultaram. Portanto temos que ter muito cuidado em aprender o que é vai motivar os consumidores. O que nos outros países se pensava que motivava, não funcionou. Estar já a dizer o que vai motivar em Portugal é prematuro.

Não conheço suficientemente bem os casos dos outros países, mas suspeito que há uma dinâmica do consumidor que, de facto, ainda não percebemos bem. A televisão é um veículo, um meio, que se vê mais em família e em grupo. O computador e a Internet são utilizados de forma individual. A interacção com a televisão, nesta perpectiva, é muito complicada. É difícil que duas pessoas sentadas no mesmo sofá concordem em ver a mesma coisa sobre a Internet.

A televisão tem uma dinâmica de grupo. No outro dia, discutíamos a questão do e-mail na televisão. O meu e-mail é para eu ler. Sei que tenho toda a confiança com a minha mulher, mas às vezes até posso receber uma mensagem que não estava à espera e a culpa não é minha, e ainda posso ser questionado por isso. Do seu filho adolescente então nem se fala. Não quero passar por isso, e acho que ninguém quer. Essa dinâmica ainda não a compreendemos totalmente.

Em segundo lugar, quem fez o trabalho até agora ainda não foi suficientemente claro para as pessoas sobre o que terão a ganhar com a televisão interactiva. O focus foi demasiado na tecnologia, e menos no que é que o consumidor tem a ganhar com isso. É preciso não esquecer que está a ser pedido às pessoas que invistam uma quantidade razoável de dinheiro em caixas – set-top boxes – e por aí fora, portanto eles vão querer uma boa razão para o fazer.



Em terceiro lugar, há demasiada tecnologia no mundo para a mente humana ser capaz de acompanhar. Vidé os casos dos operadores de rede fixa em Portugal: de repente surgiram dez novos, todos mais ou menos a mesma coisa e as pessoas ficaram assustadas. Não perceberam o que iam ganhar e, neste momento, temos dez novos operadores pouco à vontade. E esse é um caso que não queremos que se passe com a televisão interactiva e com outras novas tecnologias.
Os baixos níveis de penetração da Internet irão levar a que a maioria dos Portugueses optem pelo acesso a serviços e produtos interactivos por via televisão interactiva e não via PC?

LR: Essa é uma das vantagens que vai ser importante mais tarde: primeiro temos que passar por uma fase intermédia. Julgo que pode acontecer que o consumidor pense que isso é melhor do que gastar 300 contos num computador. Mas também pode acontecer o contrário: a baixa taxa de penetração da Internet pode indiciar uma baixa taxa de penetração da televisão interactiva. Não nos vamos esquecer do país onde estamos: é um país ainda muito de telenovelas e futebol.
A televisão interactiva é uma versão enriquecida da televisão ou uma versão pobre da Internet? Porquê?

LR: Se há que colocar as coisas exactamente nesses termos, julgo que é mais uma versão pobre da Internet. O modo como a questão está colocada deriva muito da forma como as pessoas vêm a televisão interactiva – como fazendo a ponte entre as duas coisas. Vão todos co-existir, cada um vai ter o seu papel e não é necessariamente a ponte.
Em sua opinião, a televisão interactiva vai ser a médio prazo uma realidade incontornável tal como é hoje a televisão a cores? Corrobora a afirmação de que daqui a cinco ou dez anos, todos terão acesso à televisão interactiva ?

LR: Não discuto que vai ser uma questão incontornável – vai lá estar. Mas agora daqui a dez ou vinte anos é mais discutivel. Depende de quem vai fazê-lo ver dinheiro ao fundo do túnel. Não sei se será em cinco anos porque ainda não analisámos em detalhe nenhum modelo de negócio. A televisão interactiva é uma nova tecnologia, é um novo mundo e as pessoas demoram tempo a habituar-se.
Qual a importância relativa das fontes de receitas para o negócio – a publicidade, as subscrições e o t-commerce?

LR: Julgo que se vão fazer compras através da televisão mas não sei quanto é que será necessário para rentabilizar o negócio. É preciso não esquecer que, os portugueses gostam muito de ir à mercearia falar com o vizinho, saber a vida do outro ou ao shopping ver e ser visto.
Por favor, indique se concorda ou discorda com as seguintes opiniões, e explique porquê:

"A televisão interactiva não é uma revolução mas uma evolução"

LR: Concordo. Para a mente das pessoas não há revoluções – e é isso que determina o sucesso ou insucesso das tecnologias.
"A televisão interactiva tem uma longa história de insucesso e não vai ocupar o lugar da televisão nem o da Internet"




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