Mba francisco Pinto Balsemão



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Como seria a "sua" televisão interactiva perfeita?

FMB: Cada vez vejo menos televisão, mas gostava que fosse um canal que me ajudasse a enriquecer culturalmente: eu ia mais para o lado nobre da questão e não para o lado mercantilista. Não me excitava de sobremaneira estar a ver um anúncio com o último carro da Peugeot e poder automaticamente marcar um “test drive”, por exemplo.
Quais os tipos de serviços ou de programas que vão levar a que os Portugueses subscrevam a televisão interactiva? Qual sua opinião sobre os Electronic Program Guides (EPG) e as tele-compras?

FMB: O EPG é muito interessante, mas também pode ser muito baralhante. Como é sabido, o EPG vai permitir customizar, e escolher o que se pode ver ao longo do dia. Para já, os horários dos canais têm que ser respeitados, o que nem sempre acontece. O EPG tem que ser algo extremamente simples – o que é muito difícil.

Quanto às tele-compras, onde podemos ver o potencial grau de sucesso é na Internet. O e-commerce não é famoso em Portugal. Se calhar as compras em Portugal são mais espaçadas: uma ou duas vezes por mês as famílias abastecem-se nas grandes superfícies, e até é uma festa, e depois recorrem aos pequenos retalhistas para as pequenas compras do dia-a-dia. Não sei se as tele-compras e o e-commerce vem de encontro às necessidades e hábitos das famílias “normais”.



Obviamente que faz sentido para as pessoas que vivem sozinhas, que têm uma vida muito activa, que não têm tempo e que saem das grandes cidades ao fim-de-semana. A minha dúvida é se vale a pena montar estruturas grandes dimensionadas para ter muitos milhares de clientes e serem só meia dúzia as pessoas que vão efectivamente fazer compras.
Em sua opinião, quanto é que os Portugueses estão dispostos a pagar para ter acesso a este novo media?

FMB: O menos possível.. Provavelmente, a estratégia será comercializar a um preço razoável e, se não “pegar” então fica de graça, sendo as receitas do negócio extraídas dos anunciantes e não dos espectadores.
Das cinco grandes plataformas de televisão interactiva, qual a que considera mais ajustada ao mercado português? - Microsoft TV, OpenTV, CanalPlus Mediahighway, Liberate, Power TV

FMB: A única que eu conheço relativamente bem é a Microsoft TV. Para Portugal, se a Microsoft está cá em força, é lógico que eles ou estão muito enganados ou estão a adaptar efectivamente a plataforma a Portugal.
Em Portugal, quais são ou serão os lideres da indústria da televisão interactiva?

FMB: Eu não falo em líderes, mas em players e depois logo se vê quem vai ser o player mais importante . Os players são os anunciantes, os canais de televisão, os operadores de TV por cabo, os clientes/espectadores e as produtoras especializadas em conteúdos para a TV Interactiva.
A SIC tem um departamento de desenvolvimento de televisão interactiva?

FMB: Formalmente, a SIC não tem um departamento de televisão interactiva.
Há quem diga que a estratégia da SIC para a televisão interactiva seria conciliar o futuro web site SIC On-Line com os serviços e programas de televisão interactiva, ou não é assim?

FMB: Não, agora não, mas se calhar daqui a seis meses a resposta poderá ser sim. Neste momento, a SIC On-Line está a ser encarada como um negócio clássico de Internet, mas pode-se vir a falar de uma maior convergência com a televisão.
Recentemente, veio a público a notícia de que o futuro canal SIC Notícias seria o primeiro canal interactivo em Portugal – no que é que vai consistir?

FMB: Basicamente, o serviço interactivo do SIC Notícias vai ter duas vertentes: uma mais informativa, em que a pessoa está a ver uma reportagem e pode ter acesso a mais informação; e outra mais comercial, relacionada com os anúncios.
Uma das grandes dúvidas de todos os players envolvidos neste negócio é qual o modelo de negócio – em sua opinião, como é que esta questão vai ser resolvida nos próximos tempos?

FMB: Por um lado, temos os anunciantes, que são quem põe realmente o dinheiro nestas coisas. Resta saber se eles estão dispostos a embarcar nesta aventura, se estão dispostos a ter mais custos. A dúvida é se eles vão canalizar mais investimento publicitário para estes serviços ou se vão apenas desviar parte do orçamento normal. É obvio que o modelo de negócio poderá ser alterado em função da real distribuição do investimento. Nessa percentagem que é incrementada ou desviada, vai haver novos players que vão tentar comer um pedaço – os operadores das redes de transporte. Por isso, o modelo de negócio é alterado porque há mais um intermediário.

O valor acrescentado que é oferecido ao anunciante – em que um anúncio deixa de ser um filme e passa a ser uma ferramenta de marketing com mais potencial de retorno – é que poderá ser capturado pelos operadores das redes de telecomunicações.


Defina numa frase a posição do Grupo Impresa/ SIC sobre o desenvolvimento da televisão interactiva em Portugal?

FMB: Wait and see… Há muita que gente que agarra nas ideias como se fossem as melhores ideias – e ainda bem, porque muitas vezes até têm razão. Mas as novas ideias também têm que ser vistas de uma maneira serena, mais calma e prudente. Não é pura e simplesmente ir para a frente com as coisas novas achando que é a melhor tecnologia do mundo. É lógico que a televisão interactiva é mais do que uma tecnologia, é toda uma mudança de hábitos. Mas nós não vamos ficar totalmente à espera: aliás, uma prova é que vamos ter um dos primeiros canais interactivos.

Agora, antes de inundar o mercado é preciso testá-lo. E neste caso, há uma oportunidade para o fazer e para pensar. A nossa posição é de estar numa fase de planeamento e brainstorming, mais do que numa fase de execução. Estamos mais activos a nível intelectual do que operacional.






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