Mba francisco Pinto Balsemão



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Qual será a grande motivação que irá trazer a televisão interactiva para os lares dos portugueses?

FMB: Sinceramente, não sei. Há sempre os early-adopters, ou pseudo-elite que compra tudo o que é novo, porque é moda, porque têm dinheiro e são curiosos. As pessoas que são mais novas e que trabalham nestes sectores têm a tendência para olhar para a realidade sem pensar se este tipo de novidades interessam ao cidadão comum. Pode-se dizer que 20 por cento da população gasta 80 por cento, mas não se deve pensar só assim. Há uma panóplia de targets, de grupos-alvo. Podemos estar a falar de uma considerável população que pode não ter tanta apetência para as novas tecnologias.

Há muita tendência para nós que estamos nestes sectores em pensarmos que isto é óptimo e excelente, mas não sei até que ponto não estaremos a complicar a vida das pessoas. Veja, por exemplo, o caso dos telemóveis, que vingaram exactamente por serem fáceis de operar e por satisfazerem uma necessidade básica do ser humano: comunicar com outra pessoa, ainda por cima em qualquer hora e em qualquer lugar. Há duas coisas que não se devem perder de vista: uma é que as pessoas estão habituadas a pagar pelas chamadas do telemóvel, e outra é que o serviço básico de voz não vai descer assim tanto como certas pessoas pensam.

Em Portugal, não sei até que ponto as pessoas estão interessadas em evoluir demasiado do ponto de vista tecnológico. É um pouco como aquela figura do “ estar inclinado para trás , estar inclinado para a frente” (lean back, lean forward – referência às posições assumidas pelo espectador de televisão e pelo utilizador de um PC, respectivamente). Não sei até que ponto não é demasiado complicado para uma família, ou para uma pessoa sozinha, estar a ver um programa que lhe interessa, estar a ver anúncios no intervalo desse programa e depois começar a navegar e a distrair-se. Obviamente que a emissão continua e que não vão fugir do canal.

É um pouco extemporâneo estar a assumir que as pessoas vão aderir. É lógico que daqui a vinte anos, quando todos os que estão a nascer agora ficarem completamente viciados, aí se calhar concordo que se vá tornar um fenómeno de massas.

Não sei se hoje há mercado, e se os segmentos de mercado que existem são suficientes. Será que o ponto de equilíbrio do sucesso só vai ser ultrapassado quando a televisão interactiva se tornar um fenómeno de massas? Mas tem que se começar por algum lado…
Em sua opinião, a geração sub-trinta ou sub-trinta-e-cinco seria o mercado-alvo da televisão interactiva?

FMB: Nitidamente. Para as pessoas mais velhas já o zapping faz imensa confusão, sair de um canal para o outro já é confuso. Agora, imagine-se o que é colocar por cima disso mais menus e ecrãs, mais decisões e opções.

A tecnologia é importantíssima, mas o mais importante é passar uma mensagem exactamente de não-tecnologia: de simplicidade e de facilidade, de vivência. Não é as empresas dizerem “compre isto porque tem um processador XPTO”. Mas sim: “experimente isto porque lhe facilita a vida, é uma ferramenta que lhe poupa tempo e chatices, é mais barato, , não tem burocracias, etc.… Se calhar é mais produtivo, eficiente e eficaz apelar às pessoas pelo lado pessoal do que pelo lado tecnológico.


Por favor, indique se concorda ou discorda com as seguintes opiniões, e explique porquê:

"A televisão interactiva não é uma revolução mas uma evolução"

FMB: Vai ser uma revolução para os agentes do mercado. Para os utilizadores será mais uma evolução, porque vão poder usar a televisão de um modo mais activo. A revolução vai ser mais na maneira de fazer negócios.
"A televisão interactiva tem uma longa história de insucesso e não vai ocupar o lugar da televisão nem o da Internet"

FMB: Longa história não pode ter. Se tivesse que dizer sim ou não, se disso dependesse a minha vida, eu diria que sim, que não vai ocupar, antes pelo contrário, irá reforçar o lugar de importância da televisão.

"A televisão e o computador irão convergir num só medium"

FMB: Voltamos à velha história do lean forward e do lean back. Ver computador é um acto mais unipessoal, portanto não estou necessariamente a partilhar aquilo que estou a fazer e, além disso, tenho de estar constantemente a tomar decisões interactivas para fazer aquilo que pretendo. Certamente sou eu que estou a comandar a máquina, e se eu tivesse alguém ao meu lado essa pessoa teria as suas próprias vontades, decisões e objectivos. Ver televisão é um pouco ao contrário: é um acto de entretenimento puro , feito de maneira mais relaxada, mas também um acto mais social, em que posso estar sozinho ou com outras pessoas.

Deste modo, a convergência poderá acontecer, mas mais uma vez acho que os utilizadores desta convergência serão a geração mais nova. O que nos acaba por levar, cada vez mais, ao isolamento do indivíduo. Se além de navegar na Internet e trabalhar no computador sozinho, também vou utilizar a televisão sozinho, então é porque vivo sozinho.



"As aplicações interactivas vão enriquecer e melhorar a actual oferta de programas de televisão"

FMB: Do ponto de vista dos conteúdos, pura e simplesmente, acho que não vai melhorar significativa-mente a actual oferta de programas. Agora, julgo que vai ser uma melhoria muito forte do ponto de vista comercial. Logicamente que a televisão interactiva não vai ser só anúncios e poder-se-á dentro do próprio programa interagir com algo que não é comercial, mas didáctico, informativo e educativo.

Julgo que vai haver dois tipos de objectivos: um objectivo mais pedagógico, mais institucional, ligado à educação e esse por definição é um serviço público; e outro objectivo mais comercial, que vai ser mais mercantilista e muito menos nobre.



"A Europa está em posição para ser o líder mundial em televisão interactiva"

FMB: Como é um fenómeno cultural, o que interessa é se vinga ou não vinga. Agora dizer se vinga na Europa e não nos Estados Unidos da América não é importante.



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