Mba francisco Pinto Balsemão



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Qual o maior competidor da Microsoft TV - a plataforma OpenTV, CanalPlus Mediahighway, Liberate ou Power TV?

CP: Sem dúvida que o competidor mais directo é a Open TV, que tem mais set-top boxes no mercado e tem um produto maduro.

Uma diferença fundamental que se põe entre essas experiências a que nós pretendemos ver implementada é o acesso á Internet. Nós acreditamos que a produção de conteúdos fundamental a ser usada na televisão é aquela que hoje em dia as pessoas estão a desenvolver para a Internet. Ao contrário destas iniciativas que têm bancadas próprias de desenvolvimento de conteúdos, onde é preciso desenvolver conteúdos especificamente para as set-top boxes, nós preferimos uma abordagem mais de acordo com os standards HTML, Java Script.

Por outro lado, grande parte dessas set-top boxes são low end set-top boxes, ou seja, as capacidades de processamento são fracas, o que também faz com que as caixas tenham um baixo custo e tenham permitido uma massificação tão rápida. Mas depois também não permitem funcionalidades mais avançadas como o Digital Video Recording, e outras que nós consideramos que vão ser muito importantes num futuro próximo.
Aparentemente, em 2002 Portugal vai ter Televisão Digital Terrestre e, possivelmente, a entidade gestora será um consórcio formado pela SIC, TVI e RTP. Concerteza terão serviços e produtos de televisão interactiva, baseados numa das diversas plataforma disponíveis. A Microsoft já foi contactada nesse sentido?

CP: É cedo para falar disso. A plataforma do terrestre, assim como a do satélite, tem um problema à partida: não tem um canal de retorno estabelecido. Pode ser por ADSL ou por linha telefónica, ou como se quiser, mas tem esse problema de base, portanto é natural que vá para um modelo semelhante ao do satélite, em que os dados estão a circular num data carrocel e é uma espécie de tele-texto evoluído. Uma vez que se aproveita um canal de down stream para as caixas, carrega-se o conteúdo para as caixas, o que dá uma sensação de interactividade.

À partida, não é dos meios mais interessantes para fazer evoluir os conteúdos interactivos. O cabo para já tem a vantagem de ter o canal de retorno. Depois, tem a vantagem esse canal de retorno ser de banda-larga, ou seja, através do qual se pode oferecer conteúdos ricos. Nunca vou ter essa hipotese com a Televisão Digital Terrestre.

Por outro lado, o consórcio - que seria ainda formado por um operador de telecomunicações e uma entidade financeira - eventualmente terá que oferecer um milhão de caixas no primeiro ano. Para fazer entrada no mercado, segundo consta, o preço da licença não era excessivamente caro, mas obrigava a massificação com a introdução de caixas. Um operador terá que fazer isso à partida e, eventualmente, terá que optar por uma caixa de modelo económico, que se adapta ao facto de se ter que colocar um milhão dessas caixas na rua. Está muito incipiente qual é o modelo económico para explorar isto tudo.

Como seria a "sua" televisão interactiva perfeita?

CP: Perfeita seria aquela que funcionasse sempre que eu desejasse. Assim como o utilizador hoje em dia se senta no sofá e liga a televisão tem uma experiência controlada – carrega num canal e vê aquele canal – ao passar para um universo de televisão interactiva as coisas têm que acontecer com a mesma ligeireza. Se aparece um convite para ver um anúncio interactivo, estou à espera que quando carrego no “go interactive” imediatemente aparece o conteúdo desse anúncio, não estou á espera de um page error a dizer para tentar mais tarde porque o servidor está ocupado. Portanto, tem que ser algo que seja muito previsível: carrego e estou à espera de ver conteúdos e não erros. Principalmente, tem que ser um serviço fiável, para introduzir em todo o serviço critérios de exigência para que quem vá produzir conteúdos tenha em conta esta situação, como preparar a infra-estrutura para esse fim.

Por outro lado, a minha funcionalidade preferida é a gravação de video digital, portanto, a possibilidade de programar a gravação de programas, e a hipotese de ter o pay-per-view e de comprar filmes para visualização posterior. Do ponto de vista da interactividade, gostava de ter acesso a serviços básicos, como acesso à Internet, o home-banking e operações de cartão de crédito. Mas a minha killer application é o digital video recording.


Relativamente aos atrasos da implementação da plataforma Microsoft TV, veio a lume que a UPC e a AT&T estavam descontentes com a Microsoft – os protocolos estão em vias de ser cancelados?

CP: Os casos da UPC e da AT&T são diferentes. No caso da UPC havia um compromisso entre a UPC e a Microsoft para lançar um piloto em Setembro deste ano. Esse piloto seria, à partida, com dois fornecedores de set-top boxes - a Philips e a GI que, entretanto, foi comprada pela Motorola. O lançamento comercial com a AT&T nunca seria este ano, portanto está previsto para Março de 2001, e o fornecedor é a Motorola.

O que se passou com a UPC é que estavamos a trabalhar de perto com o fornecedor de hardware dos dois projectos – a Motorola -, e a UPC decidiu que não ia comprar caixas à Motorola numa primeira fase, para o projecto de Setembro em Amesterdão, e que só ia utilizar caixas da Philips. As caixas da Philips não estavam no mesmo grau de desenvolvimento da Motorola e não foi possível concretizar o projecto face a essa decisão. No meio de várias mudanças da estrutura de direcção da UPC – que é uma empresa muito grande -, apesar de termos investido nesta empresa não há um acordo de exclusividade da plataforma Microsoft TV nos dois casos. A AT&T desde o início assinou connosco e também com a Sun para o fornecimento de software para as set-top boxes, juntando numa mesma set-top box software da Microsoft e da Sun.

O que vem depois a público é que a UPC vai lançar a plataforma Liberate na Áustria, e está no seu perfeito direito de o fazer uma vez que não está em condições de lançar a Microsoft TV, devido aos produtores de hardware por que optou. No entanto, já anunciou que vai avançar com a Microsoft TV e a Motorola para uma outra cidade Europeia, sendo assim o primeiro operador na Europa a lançar a Microsoft TV.

O caso da AT&T é algo mais complexo, porque o grau de exigência de funcionalidades a lançar desde o primeiro dia são bastante mais evoluídos do que a UPC, e têm vindo a introduzir novas funcionalidades no serviço. Isso tem provocado algumas mudanças de planenamento – é fácil compreender que temos um calendário para ter algo disponível numa determinada data, se foi acordado no ponto zero que era isto que estvamos a fazer. A partir do momento que o cliente pede mais uma série de funcionalidades acaba por prejudicar a data de início. O que é curioso é que nenhuma dessas funcionalidades estão minimamente disponíveis na plataforma Liberate que eles estão a negociar. No momento, o maior negócio que nós temos é com a AT&T.



A Televisão Interactiva vai ser um sucesso em Portugal?

CP: Estamos a reunir as condições que farão da Televisão Interactiva um sucesso. Quero acreditar que vai ser um sucesso, caso contrário teria alguma dificuldade em explicar os últimos meses de trabalho intenso neste projecto. Julgo que estão reunidas não só as condições tecnológicas como em termos de desenvolvimento de conteúdos. Tivémos uma adesão espectacular das empresas Portuguesas de desenvolvimento de conteúdos. Tenho uma lista de 20 empresas que se caracteriza por terem TV no nome – desde Go TV, Inter TV, Content TV – que estão a desenvolver conteúdos.



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