Mba francisco Pinto Balsemão


Eng. Carlos Picoto – MICROSOFT



Baixar 6,11 Mb.
Página191/216
Encontro02.03.2019
Tamanho6,11 Mb.
1   ...   187   188   189   190   191   192   193   194   ...   216

Eng. Carlos Picoto – MICROSOFT




Considera que é prioritário ou demasiado cedo para investir na televisão Interactiva? Porquê?

Carlos Picoto: Atendendo a que há um forte nível de investimento nesta área, nomeadamente por parte de empresas ligadas à TV Cabo, que estão a fazer um esforço de investimento para lançar o projecto, acho que há todo o benefício em que as empresas que se podem associar a esta iniciativa façam os seus investimentos neste momento, nomeadamente, no desenvolvimento de programação interactiva.

A TV Cabo fará o seu reforço na implantação da infra-estrutura, mas podemos chegar ao fim com uma óptima infra-estrutura tecnológica, mas se não houver conteúdos não atraímos as pessoas. Obviamente que acho muito importante neste momento fazer um investimento na produção de conteúdos interactivos, e estamos a assistir a isso mesmo.



Qual será a grande motivação que irá trazer a televisão interactiva para os lares dos portugueses?

CP: Se conseguirmos produzir um conjunto de conteúdos interactivos que sejam atractivos – e há um conjunto de serviços que todos os Portugueses conseguem ver o valor acrescentado, como por exemplo, o acesso a serviços de Multibanco e de comércio electrónico a partir da televisão, e a navegação básica da Internet. Acho que estão reunidos um conjunto de funcionalidades básicas que podem vir a ser bastante atractivas.

Depois, há aspectos tecnológicos que tornam o dispositivo em si, a set-top box, muito interessante. A possibilidade da set-top box para além de dar acesso á televisão digital interactiva poder servir também como gravador video digital é algo que me parece um aspecto muito atractivo.



A Televisão Interactiva é uma versão enriquecida da Televisão ou uma versão pobre da Internet?

CP: É uma convergência dos dois meios. Não é uma versão pobre da Internet, mas dispõe de uma versão adaptada ao universo televisivo. O grau máximo de interactividade de um utilizador de televisão é a velocidade do zapping. A partir do momento em juntamos conteúdos enriquecidos também é importante que esses conteúdos tenham um aspecto televisivo, porque a maior parte dos conteúdos da Internet não está optimizado para a televisão.

Por outro lado, é também importante que esses conteúdos tenham uma grande rapidez de acesso, porque o utilizador de televisão quando muda de canal não está habituado a estar à espera de uns quantos minutos até que venham os conteúdos do próximo canal. Nesse sentido, é um paradigma diferente: é pegar nos conteúdos da Internet mas dar-lhe um aspecto melhorado, em grande parte será a tecnologia a resolver isso, mas é importante também produzir conteúdos optimizados para esse efeito.

Felizmente, já assistimos a algumas iniciativas, nomedamente, por parte de bancos que estão a desenvolver conteúdos optimizados para a set-top box e para as suas características. Em particular, estou a falar de um produto que esperamos seja lançado logo no início, o acesso ao home banking, com as funcionalidades típicas de um sistema deste género, mas optimizado para a set-top box.

A Televisão Interactiva é uma revolução ou uma evolução? Porquê?

CP: Diria que a evolução só por si, se olharmos para o panorama tecnológico à volta, a evolução só por si prende-se com a digitalização dos conteúdos. Aqui estamos a ir mais além, porque além de falarmos na digitalização estamos a falar na interacção, ou seja, levar a que os utilizadores interajam com esses conteúdos.

Não se pode dizer que seja propriamente uma revolução, andamos a falar de Televisão Interactiva há dez ou vinte anos. Todas as experiências que foram feitas até agora não foram realizadas em larga escala.

A nossa experiência Web TV nos Estados Unidos da América tem cerca de um milhão de utilizadores, mas aí não temos a experiência de banda-larga, não é uma experiência completamente digital, é sobre canais analógicos. Ainda não foi lançada uma experiência de interactividade que reunisse todas as condições como este que agora estamos a lançar: o facto de termos conteúdos de banda-larga, o facto de todos os canais de televisão que vamos utilizar serem digitalizados. Há um conjunto de serviços que se começam a juntar pela primeira vez e que eventualmente poderão ter um resultado diferente.

Não vejo ainda a televisão interactiva como uma revolução. Só poderemos começar a falar e revolução a partir do momento de grande adopção popular destes meios, quando mudar realmente os hábitos das pessoas, quando as pessoas - para além das horas que passam em frente à televisão - começarem a passar mais umas quantas horas só para não irem ao super-mercado.





Compartilhe com seus amigos:
1   ...   187   188   189   190   191   192   193   194   ...   216


©psicod.org 2017
enviar mensagem

    Página principal