Material para 2Ão e 3Ão site



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MATERIAL PARA 2ÃO E 3ÃO - SITE
01. (Unifesp) Uma linha de coerência se esboça através dos zigue-zagues de sua vida. Ora espiritualista, ora marxista, criando um dia o Pau-Brasil, e logo buscando universalizá-lo em antropofagia, primitivo e civilizado a um tempo, como observou Manuel Bandeira, solapando o edifício burguês sem renunciar à habitação em seus andares mais altos, Oswald manteve sempre intata sua personalidade, de sorte a provocar, ainda em seus últimos dias, a irritação ou a mágoa que inspirava quando fauve modernista de 1922. (Carlos Drummond de Andrade, Poesia e prosa.)

Carlos Drummond de Andrade identifica, no texto transcrito, uma linha de coerência na vida de Oswald de Andrade. Esta coerência se verifica, segundo o texto,

*a) nos aspectos ideológicos e político.

b) na criação poética.

c) na obra de ficção narrativa.

d) na defesa dos valores burgueses.

e) na personalidade forte e agressiva.
02. (Unifesp) Carlos Drummond de Andrade, ao opinar sobre Oswald de Andrade, vale-se da ironia, que fica evidente numa das observações que relaciona o lado político e ideológico, a personalidade e o comportamento em termos de classe social. A ironia de Drummond se manifesta com clareza no segmento

a) Uma linha de coerência se esboça através dos ziguezagues de sua vida.

b) criando um dia o Pau-Brasil, e logo buscando universalizá-lo em antropofagia.

c) primitivo e civilizado a um tempo, como observou Manuel Bandeira.

*d) solapando o edifício burguês sem renunciar à habitação em seus andares mais altos.

e) Oswald manteve sempre intata sua personalidade, de sorte a provocar, ainda em seus últimos dias, a irritação ou a mágoa.


03. (Fuvest) Em Vidas secas e em Morte e vida severina, os retirantes Fabiano e Severino

*a) são quase desprovidos de expressão verbal, o que lhes dificulta a comunicação até mesmo com os mais próximos.

b) encontram na relação carinhosa com os filhos sua única fonte permanente de ternura em um meio hostil.

c) surgem como flagelados, que fogem das regiões secas, mas se decepcionam quando chegam ao Recife.

d) são homens rústicos e incultos, que não possuem habilidades técnicas ou ofícios que lhes permitam trabalhar.

e) aparecem como oprimidos tanto pelo meio agreste quanto pelas estruturas sociais.


04. (Fatec – ADAP.) TEXTO I

Em pé, no meio do espaço que formava a grande abóbada de árvores, encostado a um velho tronco decepado pelo raio, via-se um índio na flor da idade.

Uma simples túnica de algodão, a que os indígenas chamavam aimará, apertada à cintura por uma faixa de penas escarlates, caía-lhe dos ombros até ao meio da perna, e desenhava o talhe delgado e esbelto como um junco selvagem.

Sobre a alvura diáfana do algodão, a sua pele, cor de cobre, brilhava com refl exos dourados; os cabelos pretos cortados rentes, a tez lisa, os olhos grandes com os cantos exteriores erguidos para a fronte; a pupila negra, móbil, cintilante; a boca forte mas bem modelada e guarnecida de dentes alvos, davam ao rosto pouco oval a beleza inculta da graça, da força e da inteligência.


TEXTO II

Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia.

Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou mais de seis anos não falando.

Ficava no canto da maloca, trepado no jirau de paxiúba, espiando o trabalho dos outros. O divertimento dele era decepar cabeça de saúva. Vivia deitado mas si punha os olhos em dinheiro, dandava pra ganhar vintém. E também espertava quando a família ia tomar banho no rio, todos juntos e nus. Passava o tempo do banho dando mergulho, e as mulheres soltavam gritos gozados por causa dos guaimuns diz-que habitando a água doce por lá.

Nem bem teve seis anos deram água num chocalho pra ele e começou falando como todos. E pediu pra mãe que largasse a mandioca ralando na cevadeira e levasse ele passear no mato. A mãe não quis porque não podia largar da mandioca não. Ele choramingou dia inteiro. (Texto com adaptações.)

Considere as seguintes afirmações acerca desses textos e some o que for correto.

*01) Os dois textos são descritivos: no Texto I predomina a descrição estática, de traços físicos da personagem; no texto II predomina a descrição dinâmica, de ações que caracterizam a personagem.

*02) Identifica-se o texto I como produto do Romantismo, especialmente pelo traço de idealização do herói exposto na linguagem.

*04) As marcas de estilo presentes no texto II são próprias do Modernismo: imitação do linguajar coloquial, palavras e construções da língua popular.

08) O resgate da temática indianista está presente nos dois textos, com o mesmo tratamento, prestigiando o elemento local e adotando igual ponto de vista na composição da singular identidade do homem brasileiro.


05. (Mack - ADAP) Considere as seguintes afirmações acerca da poesia modernista brasileira.

01) Valorizou a concepção idealizada da figura feminina.

*02) No tratamento de alguns temas, manteve um diálogo irreverente com a tradição literária.

04) Recuperou a imagem da “mulher fatal”, enaltecida pelos clássicos, mas em versos livres e brancos.

*08) Adotou uma linguagem prosaica, cujo ritmo fluente revela a marca da oralidade.

Assinale:


06. (UNIFESP-2005) Observe a figura.

A tela de Portinari - A criança morta - tematiza aspecto marcante da vida no sertão nordestino, frequentemente castigado pelas secas, pela miséria e pela fome. Os escritores que se dedicaram também a esse tema foram

a) Graciliano Ramos e José de Alencar.

b) Hilda Hilst e Jorge Amado.

*c) Rachel de Queiroz e João Cabral de Melo Neto.

d) José Lins do Rego e Carlos Drummond de Andrade.

e) Guimarães Rosa e Cecília Meireles.
07. (UNIUBE) “Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.

Minha mãe ficava sentada cosendo.

Meu irmão pequeno dormia.

Eu sozinho menino entre mangueiras

Lia a história de Robinson Crusoé,

Comprida história que não acaba mais.


No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu

a ninar nos longes da senzala ___ e nunca se esqueceu

chamava para o café.

Café preto que nem a preta velha

café gostoso

café bom.


Minha mãe ficava sentada cosendo

olhando para mim:

___ Psiu ... Não acorde o menino.

Para o berço onde pousou um mosquito.

E dava um suspiro ... que fundo!
Lá longe meu pai campeava

no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história

era mais bonita que a de Robinson Crusoé.”

A partir da leitura do poema “Infância”, de Carlos Drummond de Andrade, assinale a afirmativa INCORRETA.

a) O tratamento do tema da infância caracteriza-se pela emoção contida. O poeta recupera um tempo feliz, por meio de versos límpidos, serenos, discretos. Seu sentimento do mundo se manifesta na simplicidade de adjetivos como “gostoso”, “bom” e “bonita”, para que possa ser compartilhado pelo leitor comum.

*b) A imagem da negra servil no cotidiano da família tem um sentido crítico. Sua voz aguda, rotineira e cronológica, chamando para a refeição, ecoa como um grito de protesto. Seu gesto de revolta representa uma ameaça ao sistema patriarcal, cuja estabilidade é expressa na imagem da mãe que vela o sono do pequeno herdeiro.

c) O menino poeta vivencia a liberdade na ausência física e espiritual de seus familiares. O espaço da ficção e do imaginário sobrepõe-se ao espaço real das mangueiras como lugar das aventuras infantis. Sua situação de isolamento no seio da família o aproxima do herói Robson Crusoé.

d) A ordem familiar, marcada pela propriedade do pai, é recuperada pela memória afetiva numa perspectiva harmoniosa. O menino poeta insere-se, sem conflitos, no espaço íntimo e saudoso de sua origem rural, de que o café, como produto econômico e prática familiar, é um símbolo.
08. (ENEM) No poema Procura da poesia, Carlos Drummond de Andrade expressa a concepção estética de se fazer com palavras o que o escultor Michelangelo fazia com mármore. O fragmento abaixo exemplifica essa afirmação.

(...)


Penetra surdamente no reino das palavras.

Lá estão os poemas que esperam ser escritos.

(...)

Chega mais perto e contempla as palavras.



Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra

e te pergunta, sem interesse pela resposta,

pobre ou terrível, que lhe deres:

trouxeste a chave? (Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 1997, p. 13-14.)

Esse fragmento poético ilustra o seguinte tema constante entre autores modernistas:

a) a nostalgia do passado colonialista revisitado.

b) a preocupação com o engajamento político e social da literatura.

*c) o trabalho quase artesanal com as palavras, despertando sentidos novos.

d) a produção de sentidos herméticos na busca da perfeição poética.

e) a contemplação da natureza brasileira na perspectiva ufanista da pátria.


09. (Fatec) Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.


Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,

não direi os suspiros ao amanhecer, a paisagem vista da janela,

não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,

não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,

a vida presente.

Considerando o poema “Mãos dadas”, no conjunto da obra a que pertence (Sentimento do mundo - 1940), é correto afirmar que Carlos Drummond de Andrade

a) recusa os princípios formais e temáticos do primeiro Modernismo.

*b) tematiza o lugar da poesia num momento histórico caracterizado por graves problemas mundiais.

c) vale-se de temas que valorizam aspectos recalcados da cultura brasileira.

d) alinha-se à poética que critica as técnicas do verso livre.

e) relativiza sua adesão à poesia comprometida com os dilemas históricos, pois a arte deve priorizar o tema da união entre os homens.


10. (ADAP. )Considere as seguintes afirmações sobre o texto e some o que estiver correto.

01) Trata-se de um poema em que o eu lírico afirma seu desejo de que a poesia possa reconstruir aquilo que, tendo sido destruído no passado, permanece atual em sua memória.

02) O poeta manifesta a confiança de que sua nova poesia poderá superar os problemas pessoais que quase o levaram ao suicídio e o fizeram desejar isolar-se.

04) O poeta convoca outros poetas para que, juntos, possam se libertar das velhas convenções que prejudicam a poesia moderna.

*08) Os versos da 1ª estrofe indicam o anseio do eu lírico de que sua poesia se aproxime dos homens e ajude a transformar a vida presente.

*16) Na 2ª estrofe, o eu lírico nega que a poesia desse momento histórico deva tratar de temas sentimentais ou amorosos.

São corretas apenas as afirmações
11. (UFU) Leia o texto abaixo da obra Sentimento do mundo – 1940 de Carlos Drummond de Andrade

“Poetas de camiseiro, chegou vossa hora,

poetas de elixir de inhame e de tonofosfã,

chegou vossa hora, poetas do bonde e do rádio,

poetas jamais acadêmicos, último ouro do Brasil.

Em vão assassinaram a poesia nos livros,

em vão houve putschs, tropas de assalto, depurações.

Os sobreviventes aqui estão, poetas honrados

poetas diretos da Rua Larga.

(As outras ruas são muito estreitas, só nesta cabem a poeira, o amor, e a Light.)”

Tendo em vista a poesia acima, assinale a alternativa INCORRETA.

a) Paralelamente a temas líricos tradicionais, aparece no texto uma proposta de poetizar elementos até então não-poéticos, tais como produtos da modernização do início do século, como o bonde, a luz elétrica e o rádio.

*b) O eu-lírico pressupõe que a poesia assassinada pelos revolucionários poderá ser resgatada por um herói provinciano que virá do povo, apresentado como honrado e trabalhador, considerado “o último ouro do Brasil”.

c) A estrutura do poema demonstra o tema discutido: a libertação da poesia das regras tradicionais, por meio do uso de versos brancos e livres, e da enumeração caótica, como “poeira”, “amor” e “Light”.

d) O texto pressupõe um exercício metalingüístico que questiona as regras da poesia tradicional, instaurando uma nova poética do cotidiano, mais livre e ampla, o que fica demonstrado claramente na metáfora “Rua Larga”.
12. (ITA - ADAP) O poema abaixo, Epigrama 11 , de autoria de Cecília Meireles, faz parte do livro Viagem, de 1939.

A ventania misteriosa

passou na árvore cor-de-rosa,

e sacudiu-a como um véu,

um largo véu, na sua mão.

Foram-se os pássaros para o céu.

Mas as flores ficaram no chão. (MEIRELES, Cecília. Viagem/Vaga Música. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.)

Esse poema

*01) mostra uma certa herança romântica, tanto pelo teor sentimental do texto como pela referência à natureza.

02) mostra uma certa herança simbolista, pois não é um poema centrado no “eu”, nem apresenta excesso emocional.

*04) expõe de forma metafórica uma reflexão sobre algumas experiências difíceis da vida humana.

*08) é um poema bastante melancólico por registrar de forma triste o sofrimento decorrente da perda de um ente querido.

Estão corretas as afirmações
13. Sobre a prosa na segunda geração do modernismo, é correto afirmar, exceto:

a) O romance brasileiro produzido nas décadas de 1930 e 1940, período em que o país e o mundo viveram profundas crises, colocou-se a serviço da análise crítica de nossa realidade e teve na obra de Graciliano Ramos a principal expressão desse momento.

b) Ainda que distantes do experimentalismo estético proposto pelos modernistas de 1922, os romancistas de 1930 consideravam irreversíveis muitas de suas conquistas, tais como o interesse por temas nacionais, a busca de uma linguagem mais brasileira e o interesse pela vida cotidiana.

c) O romance de 1930 trilhou diferentes caminhos, sendo o regionalismo, especialmente o nordestino, o mais importante entre todos. Entre seus principais nomes, estão Graciliano Ramos e Rachel de Queiroz.

*d) A prosa na segunda geração do modernismo foi marcada pela preocupação com a descoberta e com a exploração de novas técnicas narrativas, além da sondagem do universo social e psicológico do ser humano. Entre suas principais obras, está Macunaíma, de Mário de Andrade.
14. (PUC-PR) Graciliano Ramos, cujos livros chegaram à publicação a partir de 1933, distingue-se no quadro amplo da literatura que a partir do Modernismo foi produzida. É marca de sua modernidade, que se constitui de maneira peculiar e distinta:

*a) a elevação da caatinga a espaço mítico de transcendência e superação do real.

b) a exaltação da cultura popular baiana.

c) a procura rousseauniana do ideal na simplicidade campestre, na vida rústica, mas gratificante do sertanejo.

d) a reconstituição saudosista do passado, sufocados o espírito crítico e o impulso para a reavaliação.

e) a via do despojamento, que o faz recusar o pitoresco, isentando-o de fraquezas populistas.


15. (UNIARAXÁ) Leia o fragmento abaixo transcrito da obra “Vidas Secas” e responda à questão a seguir:

Vivia longe dos homens, só se dava bem com animais. Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado, confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia. A pé, não se aguentava bem. Pendia para um lado, para o outro lado, cambaio, torto e feio. Às vezes, utilizava nas relações com as pessoas a mesma língua com que se dirigia aos brutos – exclamações, onomatopeias. Na verdade falava pouco. Admira as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas em vão, mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas. (Graciliano Ramos)

No texto, a referência aos pés:

a) Constitui um jogo de contrastes entre o mundo cultural e o mundo físico do personagem.

*b) Acentua a rudeza do personagem, em nível físico.

c) Justifica-se como preparação para o fato de que o personagem não estava preparado para caminhada.

d) Serve para demonstrar a capacidade de pensar do personagem.
16. (ENEM) “A velha Totonha de quando em vez batia no engenho. E era um acontecimento para a meninada… Que talento ela possuía para contar as suas histórias, com um jeito admirável de falar em nome de todos os personagens, sem nenhum dente na boca, e com uma voz que dava todos os tons às palavras!

Havia sempre rei e rainha, nos seus contos, e forca e adivinhações. E muito da vida, com as suas maldades e as suas grandezas, a gente encontrava naqueles heróis e naqueles intrigantes, que eram sempre castigados com mortes horríveis! O que fazia a velha Totonha mais curiosa era a cor local que ela punha nos seus descritivos. Quando ela queria pintar um reino era como se estivesse falando dum engenho fabuloso. Os rios e florestas por onde andavam os seus personagens se pareciam muito com a Paraíba e a Mata do Rolo. O seu Barba-Azul era um senhor de engenho de Pernambuco.” (José Lins do Rego. Menino de Engenho. Rio de Janeiro: José Olympio, 1980, p. 49-51 (com adaptações). Na construção da personagem “velha Totonha”, é possível identificar traços que revelam marcas do processo de colonização e de civilização do país. Considerando o texto acima, infere-se que a velha Totonha:

a) tira o seu sustento da produção da literatura, apesar de suas condições de vida e de trabalho, que denotam que ela enfrenta situação econômica muito adversa.

b) compõe, em suas histórias, narrativas épicas e realistas da história do país colonizado, livres da influência de temas e modelos não representativos da realidade nacional.

c) retrata, na constituição do espaço dos contos, a civilização urbana européia em concomitância com a representação literária de engenhos, rios e florestas do Brasil.

d) aproxima-se, ao incluir elementos fabulosos nos contos, do próprio romancista, o qual pretende retratar a realidade brasileira de forma tão grandiosa quanto a européia.

*e) imprime marcas da realidade local a suas narrativas, que têm como modelo e origem as fontes da literatura e da cultura européia universalizada.
17. (ENEM) “No decênio de 1870, Franklin Távora defendeu a tese de que no Brasil havia duas literaturas independentes dentro da mesma língua: uma do Norte e outra do Sul, regiões segundo ele muito diferentes por formação histórica, composição étnica, costumes, modismos linguísticos etc. Por isso, deu aos romances regionais que publicou o título geral de Literatura do Norte. Em nossos dias, um escritor gaúcho, Viana Moog, procurou mostrar com bastante engenho que no Brasil há, em verdade, literaturas setoriais diversas, refletindo as características locais.” (CANDIDO, A. A nova narrativa. A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo: Ática, 2003.)

Com relação à valorização, no romance regionalista brasileiro, do homem e da paisagem de determinadas regiões nacionais, sabe-se que:

a) o romance do Sul do Brasil se caracteriza pela temática essencialmente urbana, colocando em relevo formação do homem por meio da mescla de características locais e dos aspectos culturais trazidos de fora pela imigração
europeia.

b) José de Alencar, representante, sobretudo, do romance urbano, retrata a temática da urbanização das cidades brasileiras e das relações conflituosas entre as raças.

*c) o romance do Nordeste caracteriza-se pelo acentuado realismo no uso do vocabulário, pelo temário local, expressando a vida do homem em face da natureza agreste, e assume frequentemente o ponto de vista dos menos favorecidos.

d) a literatura urbana brasileira, da qual um dos expoentes é Machado de Assis, põe em relevo a formação do homem brasileiro, o sincretismo religioso, as raízes africanas e indígenas que caracterizam o nosso povo.



e) Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Simões Lopes Neto e Jorge Amado são romancistas das décadas de 30 e 40 do século XX, cuja obra retrata a problemática do homem urbano em confronto com a modernização do país promovida pelo Estado Novo.


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