Marcos Cabral Uso da Língua Tétum no ensino-aprendizagem do Português le na Universidade Nacional Timor Lorosa´e



Baixar 2,09 Mb.
Página40/44
Encontro21.06.2019
Tamanho2,09 Mb.
1   ...   36   37   38   39   40   41   42   43   44

Anexo 9: Transcrição 8



Ficheiro: voz 33 – Professora Portuguesa
E1: em primeiro lugar queria saber quais são as suas habilitações literárias?

Prof: as minhas habilitações literárias, fiz a minha licenciatura em 2004 na faculdade de letras da Universidade do Porto terminei em 2009, em ensino do português língua segunda língua estrangeira, depois em 2009 inscrevi-me no mestrado também na mesma área em português língua segunda língua estrangeira, e entretanto estou inscrita também em doutoramento mas infelizmente ainda não terminei na mesma área

E1: quando começou a lecionar português e em que escola?

Prof: eu mal terminei a mal terminei a licenciatura e comecei o mestrado em português língua segunda língua estrangeira acho que foi ainda não tinha terminado o mestrado comecei a dar aulas nos curso intensivos de português para estrangeiros na faculdade de letras, eram cursos intensivos que aconteciam na parte pós laboral, era entre as sete e as dez, eram três horas penso todos os dias, e esse foi o primeiro curso intensivo que dei na minha área, depois mais tarde tive outras experiências, português língua materna em escolas em Portugal, mas comecei a dar aulas ainda quando estava a fazer o meu mestrado

E1: a que níveis de escolaridade é que ensina aqui na UNTL?

Prof: eu estava a ensinar na Faculdade de Ciências Sociais e Políticas a dois cursos, o curso de administração pública e relações internacionais, e em ambos os cursos lecionava língua portuguesa, dava aulas de língua ao primeiro ano de cada curso

E1: é a professora que prepara os seus próprios materiais didáticos? Em que se baseia?

Prof: pois em relação aos materiais didáticos sem sou eu que os elaboro uma vez que não consigo encontrar nenhum material nenhum manual que me possa ajudar assim de uma forma portanto que me possa ajudar em tudo para criar materiais didáticos para as turmas que tenho, então o que eu faço geralmente é ver mais ou menos o nível de proficiência de cada turma e depois tentar adequar materiais baseado nos conhecimentos que esses alunos têm, e pronto acabo por fazê-los eu, acabo por montar eu as próprias aulas

E1: utiliza algum manual didático ou apoia-se em alguma ferramenta de ensino para dar as suas aulas?

Prof: às vezes o que acontece é juntar alguns manuais de língua estrangeira, por exemplo aquele o Português em Timor ou as Gramáticas Ativas, e pronto e às vezes vejo um ou outro exercício que aí esteja e tento adaptá-lo pra os meus alunos, para os alunos que tenho em aula e para o nível de proficiência que eles têm, outras vezes também costuma consultar o site da sapo timor que tem notícias sobre Timor e tento contextualizar um bocado o português aqui em Timor através de noticias e de textos relacionados com o contexto linguístico que aqui temos.

E1: quais são as maiores dificuldades que encontra a ensinar português?

Prof: uma das grandes dificuldades é, pronto é aquilo que a professora Edite já referiu, nós temos turmas muito grandes, eu também tenho ali na faculdade de ciências sociais e políticas tinha inicialmente uma turma de administração pública de sessenta e tal alunos depois tivemos oportunidade como tínhamos horário de dividir essa turma mas ainda assim cada uma das turmas tem cerca de trinta alunos, são muitos, são muitos tendo em conta que muitos deles nem sequer têm o mesmo nível de português alguns até têm um nível mais ou menos, mas outros zero não sabem não têm conhecimentos alguns de português, e isso torna-se complicado, acho que pelo menos haver testes diagnósticos que pudessem pôr os alunos em turmas distintas, e mais do que isso muitas vezes é também não possuir se calhar conhecimentos de tétum mais aprofundados para poder ajudar os alunos a perceber melhor algumas coisas que dou na disciplina da língua portuguesa

E1:considera que conhecer a língua tétum pode ser um facto fulcral no processo do ensino e aprendizagem do português?

Prof: pois exatamente é isso mesmo que eu estava a dizer em relação à última pergunta, considero sim, e aliás neste momento até estou a frequentar aulas de tétum porque me parece ser uma mais-valia quando ensino português, primeiro porque em termos de vocabulário ajuda-me bastante, não é, porque às vezes acontece estarmos a falar de um texto e os alunos bloquearem porque não percebem uma palavra e mesmo às vezes eu tentando explicar recorrendo a todas as formas possíveis sabendo ou tendo algum conhecimentos básicos de tétum ajuda-me a que a aula flua de outra maneira e mesmo que os alunos tenham outra motivação em aprender português

E1: se já ensinou noutros distritos ou não, mas queria saber quais são as maiores dificuldades a ensinar a língua portuguesa? Se sim porquê?

Prof: não foi o caso, eu só ensinei em Díli, só estive em Díli na UNTL

E1: em que situações de aprendizagem precisa de recorrer ao tétum?

Prof: pronto tem aqui várias, não é, eu também em quase todas elas cada vez que vejo que há necessidade tento recorrer ao tétum se achar que pode ajudar muitas vezes ou a maior parte das vezes recorro ao tétum para explicar vocabulário, até tenho esse cuidado quando estou a fazer uma aula portanto antes de entregar essa aula tenho o cuidado de pesquisar às vezes essas palavras, palavras sobre um determinado tema vamos imaginar por exemplo sobre a rotina, verbos levantar-se, acordar, deitar-se, tenho o cuidado de ver se existem essas palavras em tétum para depois quando estiver a dar essa aula se for necessário recorrer ao tétum para os alunos perceberem melhor aquilo que estou a tentar passar. Depois na interação oral entre professor e aluno às vezes, se o aluno não perceber tento fazer a passagem para o tétum para que ele me compreendam. Sempre que há dificuldades tento recorrer à língua materna que é o tétum na maior parte dos alunos.

E1: em algumas destas situações de aprendizagem deparou-se com algum ou alguns alunos que não conseguiam comunicar em nenhuma das línguas que domina?

Prof: pois aqui em Díli o que eu acho é que a maior parte dos alunos ou todos os alunos que eu tive enquanto professor falavam tétum portanto têm sempre a língua tétum como língua comum dentro da sala, e portanto a maior parte deles também já possui alguns conhecimentos de português então nunca tive assim uma dificuldade grande de que eles não conseguissem comunicar, às vezes não comunicam porque têm vergonha ou porque têm medo de errar, mas na maior parte dos casos conseguem compreender minimamente aquilo que está a acontecer em aula

E1: na sua opinião quais lhe parecem ser as maiores motivações dos seus alunos em aprender português?

Prof: em relação às motivações quando elas existem há alguns casos que não existem mesmo, mas quando existem motivações parece que tem haver também com o facto de português tem um estatuto importante em Timor a par do tétum é uma língua oficial também e isso conta, os alunos sabem isso, têm essa... dão essa importância e portanto consideram que é uma mais valia aprender português, e depois parece cada vez mais, aquilo que a professora Erica também referia, os trabalhos que dizem respeito ao Estado pedem falantes portanto pedem trabalhadores com conhecimentos de português, e sabendo isso acho que mais interesse os alunos têm em aprender português, parece que essas serão a maiores motivações. Claro que em casa se os pais falam português, são fluentes, se têm esse conhecimento do português desde pequenos mais uma razão para eles quererem ser proficientes na língua, portanto acho que essas são as maiores motivações dos alunos.

E1: acredita que haverá interesse por parte da nova geração de jovens estudantes em aprender português? Porquê?

Prof: vai ser uma luta difícil, mas eu penso que sim, penso que sim, primeiro porque cada vez mais se vê cursos de português em todo lado, há cursos de português ali a decorrer na embaixada de Portugal, há cursos de português na UNTL para todos os níveis de proficiência, a maior parte das licenciaturas pelo menos no primeiro ano têm uma disciplina de português que os alunos são obrigados a frequentar e a fazer essa disciplina se querem continuar os estudos, portanto eu acho que isso será uma grande motivação mais não seja pela presença do português aqui, que é grande, e depois parece também que o facto a Erica dizia na em relação à pergunta anterior, o facto de os trabalhos também pedirem exigirem conhecimentos em português também faz com que estes alunos continuem a ter interesse em estudar português, e pronto sendo também língua oficial parece que essas três razões são as mais importantes para que eles tenham motivação em estudar português, e ainda bem

.

AGRADECIMENTOS FINAIS





    1. Compartilhe com seus amigos:
1   ...   36   37   38   39   40   41   42   43   44


©psicod.org 2019
enviar mensagem

    Página principal