Marcos Cabral Uso da Língua Tétum no ensino-aprendizagem do Português le na Universidade Nacional Timor Lorosa´e



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Anexo7: Transcrição 6


Ficheiro: voz 31 dos 55m45ss a 1h16m
E1: obrigada pela sua disponibilidade … queria perguntar, em primeiro lugar queria saber quais são as suas habilitações literárias?

Prof: depois da escola primária fiz quatro anos de campo Resende, comecei em 64 e terminei em 68 e depois dei aulas até 75, e durante a ocupação indonésia também fui professora frequentei o curso para poder aprender a língua indonésia, frequentei o curso de professores, e depois também fiz um curso universitário diploma 2, e no período da independência fiz a licenciatura terminei a licenciatura em 2005 e depois continuei o mestrado em Portugal, tirei o mestrado em 2010 continuei para o doutoramento que defendi em 18 de junho de 2015

E1: qual é a língua ou línguas que usa para ensinar?

Prof: eu fui professora de pré primária e nesse nível usava a língua local porque fui professora em Manatuto, tive que dar aulas em tétum e na língua galole, eu aprendi o galole com os alunos e os alunos aprendiam o português comigo, portanto falava em galole para explicar as lições em português, ou melhor falava em português e os alunos não compreendiam eu explicava em galole, e depois em Los Palos dava aulas em português e o que os alunos não compreendiam eu explicava em fataluco.

E1: quando começou a lecionar português e em que escola?

Prof: portanto, o português foi sempre a língua de ensino até 1975, eu comecei a dar aulas em 1968 até 1975 e sempre lecionei em português com recurso às línguas locais às línguas maternas dos alunos, no caso de haver alguma palavra que não compreendam, mas a língua de ensino foi sempre o português

E1: muito obrigado, queria saber também a professora dá aulas na UNTL, há quanto tempo dá aulas na UNTL? E a que níveis de escolaridade é que ensina?

Prof: eu terminei a licenciatura em 2005, defendi em 2005 e comecei logo nesse ano a dar aulas no ano propedêutico, como na fase de inserção profissional, ou seja ano de inserção profissional, depois desse ano passei a professora definitiva dando aulas na [FLUTL] a uma turma de Informática e a outra de Ciências Agrárias

E1: muito obrigado, quais são as áreas disciplinares que ensina?

Prof: eu normalmente tenho dado aulas sempre de língua portuguesa, mesmo nos níveis como como de zero, aos alunos da FLUTL no curso de Ciências Agrarias dava aulas de português mas com figuras relacionadas com o curso assim como também aos alunos de Informática, este ano, este semestre, o semestre que acabou além da língua portuguesa IV aos alunos do segundo ano também dei um seminário de investigação, lecionei um seminário de investigação

E1: muito obrigado, é a professora que prepara os seus próprios materiais didáticos? Em que se baseia?

Prof: eu preparo os materiais didáticos com base nos conteúdos que se chamam sebenta para a língua portuguesa, mas para o seminário de investigação tenho outros materiais arranjados por mim própria na internet, também tenho alguns livros, e dali a partir desses materiais é que eu preparo as aulas

E1: queria saber também quais são as maiores dificuldades que encontra a ensinar português?

Prof: isto é a dificuldade não só que eu encontro mas é uma dificuldade geral, todos os professores têm as mesma dificuldades encontram também as mesma dificuldades que é o nível de conhecimento da língua da parte dos alunos, os alunos não têm uma preparação suficiente quer dizer não têm os conhecimentos da língua ao nível do curso que frequenta

E1:em relação com a língua tétum, considera que conhecer a língua tétum pode ser um facto fulcral ou principal no processo do ensino e aprendizagem do português?

Prof: eu talvez ache o contrario, eu acho que o português, o tétum todos nos falamos tétum, eu não sou falante nativa do tétum mas falo tétum porque aprendi em Díli, mas o tétum é uma língua por assim dizer pobre que precisa do apoio de outras línguas para poder funcionar, neste sentido eu refiro-me ao tétum Díli, ao tétum praça que se apoia no português para poder funcionar para poder ser utlizado como língua de ensino, como língua de trabalho, como língua oficial

E1: obrigado Doutora, quais são a s línguas que fala em casa?

Prof: eu casa eu falo tétum, falo português e falo fataluku, a minha língua materna

E1: muito obrigado, eu acho que, não sei se a professora já ensinou noutros distritos ou não, mas queria saber quais são as maiores dificuldades a ensinar a língua portuguesa? Se sim porquê?

Prof: as maiores dificuldades que nós temos por exemplo eu fui professora servi por assim dizer três governos, o governos português em que a língua portuguesa o ensino da língua portuguesa nunca teve problemas a gente vai o português é língua de ensino se os alunos não compreendem usamos uma outra língua para explicar, depois foi a língua da resistência, fui professora também de português no Externato de São José, também não vi dificuldades porque os alunos aprendiam português tinham que aprender, o Externato de São José só foi encerrado em Junho de 1992 por causa do massacre de Santa Cruz e aquela história toda, e depois foi agora o período da independência, no período da independência é que eu estou a enfrentar maiores dificuldades relativamente ao ensino do português porque durante a ocupação da indonésia com a imposição do malaio o português ficou para trás e agora tanto professores como alunos têm que aprender o português que já passa a ter uma influência muito forte do malaio, e depois tem agora neologismos, do inglês e de outras línguas, porque agora a existência dos internacionais que também tem as línguas e essas línguas também influenciam a aprendizagem do português, eu acho que a dificuldade é esta

E1: muito obrigado, em que situações de aprendizagem precisa de recorrer ao tétum?

Prof: sobretudo na aprendizagem, em todas as situações quando é preciso recorre-se ao tétum, mas temos que ver também que nem todos os alunos falam tétum, se nos referimos a Díli ou se utilizamos Díli como exemplo como ponto de partida todos falam tétum, mas se formos a outros distritos o problema já não é o mesmo, portanto ou os alunos, até os professores, têm o tétum como primeira língua ou até como segunda ou terceira, porque há por exemplo os falantes de fataluku aprendiam falavam fataluku e aprendiam português não sabiam falar tétum, agora toda a gente fala tétum, antigamente isso não acontecia portanto o tétum pode facilitar a aprendizagem por um lado pode facilitar a aprendizagem por outro lado não porque nem todos os professores nem todos os alunos entendem o tétum têm os mesmo conhecimentos da língua tétum

E1: muito obrigado, em algumas destas situações de aprendizagem deparou-se com algum ou alguns alunos que não conseguia comunicar em nenhuma das línguas que domina?

Prof: ah... que línguas a que... a que línguas é que se refere?

E1: qualquer língua que os alunos dominam ou não, e que não conseguiam comunicar no processo de aprendizagem

Prof: isto talvez no início da escolarização, mas já nos níveis mais avançados, o português sim o português é de difícil compreensão, ou seja, os alunos chegam e não compreendem o português, vão aprender o português mas não compreendem, no entanto compreendem o tétum perfeitamente, o tétum é língua que toda a gente compreendem, portanto se os alunos não podem comunicar em português pelo menos comunicam em tétum, todos, os que chegam à escola comunicam em tétum

E1: na sua opinião quais lhe parecem ser as maiores motivações dos seus alunos em aprender português?

Prof: pelo menos eu quando dava aulas para motivar os alunos eu fazia competições de leitura, declamações, trabalhos escritos, os alunos escreviam jornais de parede, com textinhos, textos pequenos, faziam ilustrações de imagens, para poder motivá-los a aprender português, e também punha-os a ler algumas coisas, eu recebi muitos livros, pelo menos a embaixada enviou-me, eu quando estava a dar aulas quando estava a dirigir a escola de GUANULARA, da embaixada recebi dois camiões de livros, quem me mandou foi o Doutor Filipe Silva, mas depois em 2006 os donos foram lá buscar arrombaram tudo destruíram deitaram tudo abaixo não sei o que fizeram, portanto eu tinha... Estava muito à vontade com os livros no ensino da língua portuguesa, os alunos que eu tive também eram fantásticos e aprendiam muito bem porque eu os empurrava e eles iam fazer trabalhos de campo ou assistir a exposição e depois vinham e tinham que fazer o relatório das visitas que faziam, à biblioteca, e outros trabalhos, e eram motivados a trabalhar

E1: acredita que haverá interesse por parte da nova geração de jovens estudantes em aprender português? Porquê?

Prof: eu acredito mas … apelo pela motivação por parte dos professores, os professores têm que ser os grandes incentivadores dos alunos, têm que ser eles próprios a motivar o interesse dos alunos, a atiçar, a espicaçar esse interesse, em que sentido? Através dos trabalhos através de competições de leitura, declamações, de outras coisas que possam despertar o interesse dos alunos pela aprendizagem do português, porque só se só depende deixarmos que os alunos façam eles não vão fazer, o professor tem que ser o maior motivador da aprendizagem dos alunos, porque sem isso também depende já muito da vontade de cada um, se formos deixar que os alunos aprendam por si não vão a lado nenhum não avançam.

E1: uma última pergunta, sobre a relação com a língua tétum, o tétum é uma língua importante no processo de ensino aprendizagem?

Prof: o tétum sim, eu acho que aprender o tétum também pode ser um caminho para a aprendizagem do português mas o tétum, nós temos o INL que é a entidade responsável pelo tratamento das línguas, e tem que ser o INL a emitir a língua a ser ensinada, portanto o padrão do INL é que deve ser seguido na elaboração do material de ensino, porque fora disto não vamos ter o tétum aquele tétum que nós queremos mas vamos ter outro tétum que às vezes vai fugir muito ao tétum da nossa identidade, que faz parte da nossa identidade, portanto o tétum é importante mas tem que estar ao lado, andar de braço de mãos dadas com o português, porque se se desviar não vamos ter aquele tétum que nós queremos como marca da mossa identidade nós temos que fazer que, nós tamos numa metade da ilha em que a outra metade também fala tétum, e que este tétum pode muito influenciar o nosso tétum e daí o perigo do nosso tétum já não ser aquele tétum que marca a nossa identidade mas vai ser tétum um tétum Díli, misturado.


AGRADECIMENTOS FINAIS



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