Marcos Cabral Uso da Língua Tétum no ensino-aprendizagem do Português le na Universidade Nacional Timor Lorosa´e


Prática letiva – atividades desenvolvidas



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3.4. Prática letiva – atividades desenvolvidas


As aulas foram realizadas no Departamento da Língua Portuguesa (DLP), numa turma, de nível A1., que foi escolhida pela senhora diretora do DLP.

Não é fácil iniciar a aprendizagem de uma língua estrangeira cuja estrutura gramatical é muito diferente da língua materna. Para dominá-la de forma eficaz, é preciso ter muita dedicação, trabalho escrito, prática oral e saber reconhecer as dificuldades e aceitar as críticas.

Quando comecei a planificar as unidades letivas, ao mesmo tempo, procurei pôr em prática os meus conhecimentos em relação, por exemplo, à escolha dos materiais adequados e a capacidade de reformular questões básicas.

Começamos por descrever o público-alvo. A planificação da prática letiva destinou-se especificamente a uma turma do nível A1.1. Gostaríamos de referir desde logo que, em termos do nível de aprendizagem, a turma era muito variada, isto é, havia alunos que aprendiam muito rapidamente enquanto outros necessitavam de mais tempo para acompanhar o desenrolar da aula. Apesar disso, durante a prática letiva, observei, em geral, uma turma dinâmica e os alunos a envolverem-se pessoalmente, embora alguns revelassem dificuldades quer na compreensão quer na realização das atividades propostas na aula.

Quanto ao tema escolhido para esta prática, tendo em conta o nível de conhecimento dos aprendentes uma vez que era muito inicial, optei pelos temas que a Professora regente me sugeriu. Achei muito pertinente trabalhar o tema da “Família” com o apoio de textos e, principalmente, imagens.

As aulas foram dadas em português, e os alunos foram motivados a participar e interagir utilizando principalmente o português. O tétum era utilizado quando os alunos não compreendiam as explicações em português, principalmente conteúdos gramaticais e lexicais. Caso um aluno não fosse capaz de interagir na aula em português, o professor permitia o uso de tétum de forma a manter os alunos motivados. Os alunos têm muito receio de falar mal e cometer erros, pelo que é importante o professor manter os alunos motivados e dar espaço para todos se exprimirem.



As atividades desenvolvidas nas aulas foram: compreensão oral, escrita de textos, descrição de imagens, jogos de mímicas e exercícios de conteúdos gramaticais.
Na prática letiva 1, foi trabalhado o texto com o título “ A Lenda do Crocodilo”9. Os aspetos gramaticais tratados foram: o uso do pretérito imperfeito do indicativo, o adjetivo, a preposição, os artigos definidos e indefinidos e os possessivos. Surgiram algumas dificuldades na compreensão de vocabulário. Por exemplo, sobre o significado da palavra “flutua” que entretanto foi explicada em tétum “Mout”. De seguida, os alunos responderam a perguntas sobre a interpretação e compreensão do texto e estabeleceram o significado de palavras retiradas do texto. A maioria dos alunos teve dificuldades em decifrar o significado das palavras, mas para isso recorreu-se à língua tétum que tem um papel fundamental na compreensão do português. Na parte final da aula os alunos recontarem a lenda do crocodilo oralmente e notou-se que os alunos não usaram o tétum para responder ao exercício.
Na prática letiva 2 foi trabalhado o texto com o título “A Família Martins”. Os alunos leram-no com atenção e silenciosamente durante cinco minutos. Depois passei à leitura do texto em voz alta. Terminada a leitura, os estudantes questionaram o significado de palavras que desconheciam (por exemplo: pastelaria, cereais, ginásio, entre outras). De seguida, os estudantes responderam a questões sobre a compreensão do texto com Verdadeiro e Falso, justificando com expressões do texto. A aula seguiu com a aplicação de vocabulário e exploração da estrutura gramatical da frase simples, tratando-se aspetos como as horas, os antónimos, os verbos (chamar, tomar, escrever, comer, ter, beber e gostar) no Presente do Indicativo. Outros dos aspetos verbais tratados nesta aula foram: os verbos SER e ESTAR no Presente do Indicativo, também a frase no singular e no plural, as preposições e locuções de lugar (em cima, ao lado, entre e em frente) e por último os alunos descreveram as suas casas na oralidade. Para explicar a diferença entre verbo ser e verbo estar usei o tétum traduzindo estar como dadaun e ser como katak.
A prática letiva 3 começou com a apresentação de imagens em PowerPoint e uma discussão entre os alunos acerca das imagens sobre a “rotina diária”. De seguida, foi distribuído um texto aos alunos. Em primeiro lugar, eles tinham de associar as imagens às ações do dia a dia. Depois, os alunos ouviram o texto e completaram os espaços com as palavras que faltavam. O terceiro exercício desta aula consistia em formar frases. Depois de tratado o tema sobre a rotina diária, os alunos leram novamente o texto e responderam a questões de interpretação. Descreveram a sua rotina no tempo Presente e no Pretérito Perfeito Simples. Observaram as imagens que contavam o que a Mariana faz habitualmente, de manhã, à tarde e à noite. A partir daí, os alunos descreveram algumas imagens usando as preposições e locuções (contraídas ou não com o artigo): ao lado de, debaixo de, dentro de, em frente de, entre. Na parte final desta aula, os alunos fizeram um jogo relacionado com o tema da aula que consistia em tirar um cartão com uma imagem relacionada com a rotina diária e reproduzir através de mímica para que os outros colegas adivinhassem.
Na prática letiva 4, foi trabalhado um texto com o título “A família da Maria” e pediu-se a alguns alunos para lerem o texto em voz alta. De seguida, explicou-se o significado das palavras que os alunos não conheciam. Depois da leitura do texto, os alunos fizeram exercícios de Verdadeiro e Falso sobre a compreensão do texto e ainda um exercício com palavras cruzadas. De seguida, os alunos completaram uma árvore genealógica com os elementos das suas famílias. Nesta aula foram ainda trabalhados os pronomes possessivos para formar frases com os pronomes pessoais sobre o tema da família. No final, os alunos descreveram a sua família, respondendo a perguntas, tais como: Como se chamam os teus pais? Que idade têm? Quais são as profissões deles?, etc. Alguns alunos tiveram dificuldades de entender as perguntas, então foram repetidas em tétum quer pelos colegas, ou caso necessário, com ajuda do professor dizendo: O nia aman e inan naran sa ? Tinan hira?10

A prática letiva 5 foi começada com uma imagem sobre a “Família do Armindo” em PowerPoint e os alunos caracterizaram-na oralmente. Após a observação da imagem apresentada anteriormente, responderam às questões que se seguiram assinalando a opção correta. Depois, realizaram exercícios de uma ficha de trabalho11 sobre o Presente do Indicativo, com os verbos ter, querer, ir, andar, ser, trabalhar, fazer, cuidar, morar e viver. De seguida, os estudantes também responderam a perguntas sobre o tema da família. Descreveram uma imagem sobre o retrato físico de uma família e as suas características psicológicas. No final, os alunos jogaram ao jogo “quem é quem?”. Descreveram fisicamente e psicologicamente um colega sem dizer o nome dele e apresentaram aos outros colegas. Este momento da aula foi caracterizado pela interação e dinamismo de todos os estudantes.


No final, observei que os alunos que inicialmente usavam pouco o português para interagir, passaram a usá-lo mais e a recorrer menos ao tétum.




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