Marcos Cabral Uso da Língua Tétum no ensino-aprendizagem do Português le na Universidade Nacional Timor Lorosa´e



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Conteúdos gramaticais

Ao nível de conteúdos gramaticais, observou-se em todas as aulas dificuldades na compreensão dos mesmos. Estas dificuldades devem-se em primeiro lugar às diferentes características das línguas faladas pelos alunos e da língua alvo de aprendizagem. Em tétum, como em muitos dos outros dialetos de Timor-Leste, não existe um sistema de conjugação verbal tão complexo como o do português. Os verbos são palavras invariáveis, ou seja, não são flexionadas, e encontram-se reduzidas à forma do infinitivo. Para expressar as marcas de pessoa, número, tempo e aspeto, são utlizadas outras expressões como advérbios, pronomes, locuções verbais, entre outras.

Este facto torna muito difícil a compreensão do sistema de conjugações verbais. Observou-se que os alunos tinham dificuldade em compreender o uso dos diferentes tempos; nestas situações foi preciso a professora recorrer ao tétum para explicar os diferentes tempos e pessoas e números dos verbos. No entanto, esta estratégia foi apenas utilizada na interação entre os alunos e na explicação oral de significados, pois a professora não tinha conhecimentos suficientes da língua tétum para exemplificar claramente as diferenças e resolver as dúvidas dos alunos decorrentes da comparação entre línguas que estes estavam a fazer.

Observou-se também dificuldades no emprego correto de preposições e artigos. Em geral o uso de preposições não gera grandes dificuldades, pois têm as mesmas características gramaticais que em tétum, ou seja, são palavras invariáveis, sendo apenas uma questão de compreensão de significados e seus contextos de uso. No entanto, as contrações da preposição por ou de com os artigos definidos o e a, que podem flexionar em género e número, geram muitas dificuldades de escrita e de compreensão oral e escrita. Aqui a questão prende-se com a dificuldade de compreensão do sistema de flexão em género e número que é muito diferente em tétum e que se agrava com a inexistência de artigos definidos que antecedem o substantivo. Nestas situações, a professora apenas recorre ao tétum para explicar significados das preposições, utilizando principalmente exemplos de uso em português.


  1. Fonética

Numa aula em que se trabalhou sobre texto escrito, e em que se desenvolveram atividades de compreensão escrita e produção oral, observou-se que, na atividade de leitura, os alunos tiveram dificuldades na pronúncia de determinados sons. A professora utilizou apenas o português para potenciar a compreensão dos sons, e não recorreu a explicações de fonética da língua. Penso que talvez tivesse sido bom explicar quais sãos os sons que não existem no tétum e que os alunos não conhecem e, por isso, não sabem pronunciar. Mas só o estudo contrastivo das duas línguas, por quem conheça ambas, permite a distinção desses sons.




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