Marcos Cabral Uso da Língua Tétum no ensino-aprendizagem do Português le na Universidade Nacional Timor Lorosa´e



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2.2.3. Observação de aulas


A observação de aulas decorreu na Faculdade de Ciências Sociais na Universidade Timor Lorosae. Foram observadas aulas da disciplina de português do primeiro ano de duas turmas do ano letivo 2015/2016. A turma B encontrava-se a frequentar o curso de Administração Pública, a turma A encontrava-se a frequentar o Curso de Matemática, Física e Química, e, junto com esta turma, havia alunos do curso de português promovido pelo Instituto Nacional de Formação de Docentes e Profissionais da Educação de Timor-Leste (INFORDEPE). Ambas as turmas tinham entre trinta a quarenta alunos. As aulas foram lecionadas por professoras estrangeiras de nacionalidade portuguesa, supervisionadas pela professora Dra. Bárbara Gama Nadais e Dra. Maria Filomena Martins.

Foram observadas doze aulas com o objetivo de recolher o máximo de informações decorrentes do processo de ensino-aprendizagem de língua portuguesa, sem necessariamente avaliar a prática educativa dos professores em causa.

A observação de aulas é crucial como instrumento de formação do professor, nomeadamente para conhecer as vantagens e desvantagens de determinadas estratégias, materiais e práticas utilizadas pelos professores. A observação como uma técnica de recolha de dados é por si própria objetiva, porém a objetividade nem sempre está presente, na medida em que o tratamento das informações recolhidas depende do ponto de vista do observador. Por outro lado, há um grande foco no nível de proficiência dos alunos, o qual pode ser avaliado utilizando critérios mais objetivos.

A observação desempenha um papel fundamental na melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem, constituindo uma fonte de inspiração e motivação e um forte catalisador de mudança na escola (Reis, 2011: 11). É através de observação mútua que se pode avaliar e melhorar o processo de ensino e aprendizagem, ouvindo críticas, elogios e sugestões dos seus pares, no sentido de melhorar as práticas pedagógicas.

A observação é um processo desprovido de um fim em si mesmo, mas que estando “ao serviço dos sujeitos e dos seus complexos de inteligibilidade do real, fornece os dados empíricos necessários a uma análise crítica posterior” (Dias & Morais, 2004: 50). Foi realmente com este espírito de análise crítica que se pretendeu observar as aulas de língua portuguesa, procurando elementos que ajudassem a pensar numa planificação de unidade didática e a resolução dos problemas decorrentes da sala de aula, procurando aprender e compreender o que implica ser professor de língua estrangeira.

A observação de aulas foi efetuada através do método de observação direta. Nesta observação, procura-se analisar o processo de ensino em contexto de aula, desde a atuação do professor, dos objetivos da aprendizagem estabelecidos, das estratégias utilizadas e dos materiais ou recursos utilizados para desenvolver a aula, bem como analisar e observar o comportamento do aluno no que concerne à sua disposição em sala de aula e ao seu nível de compreensão dos conteúdos. A observação de aulas teve como primeira finalidade familiarizar-me com o processo de ensino-aprendizagem, bem como permitir recolher as informações necessárias para preparar as unidades letivas que lecionei em seguida.

Procurei também observar qual o papel da língua tétum no contexto da aula de língua portuguesa. Foi observado que as professoras utilizam quase sempre a língua portuguesa na sala de aula, e só em alguns casos a língua tétum. Note-se que estas professoras são as mesmas que constituem o grupo 3 da recolha de dados.

Durante a observação, no que respeita ao conhecimento da língua portuguesa dos alunos, observou-se que a maioria dos estudantes respondiam bem às perguntas feitas em português, mas no entanto tinham algumas dificuldades na interação com a professora. Nestas situações, a professora procurou recorrer à Língua Materna (tétum) que ela conhecia e também pediu a alguns aprendentes que tinham vantagens na compreensão do português para completaram as informações para os outros compreenderem melhor. O recurso ao tétum surgiu na exploração de vocabulário, na interação na sala de aula e na explicação de conteúdos gramaticais.

Em geral, as professoras utilizavam uma linguagem acessível ao nível dos alunos o que proporcionava um ambiente favorável para a aprendizagem.

Tendo em conta o âmbito específico deste trabalho, selecionei algumas situações em que esteve presente o recurso à língua tétum no decorrer da aula, as quais passo a descrever.







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