Marcos Cabral Uso da Língua Tétum no ensino-aprendizagem do Português le na Universidade Nacional Timor Lorosa´e


Importância do Bilinguismo/Multilinguismo em Timor-Leste



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1.5. Importância do Bilinguismo/Multilinguismo em Timor-Leste

Hoje em dia, os homens vivem numa situação em que as comunicações, cultura, educação e tecnologia obrigam as pessoas a adaptar-se a permanentes mudanças. Para se adaptarem a essas situações necessitam da habilidade de comunicar tanto na escrita como na oralidade. Neste momento, também é muito importante que os jovens, para se desenvolverem e terem hipóteses de mobilidade e melhor emprego, aprendam várias culturas através das línguas. O conceito de aquisição de uma L2 está mais relacionado com aquisição de uma outra língua com objetivo prático (por exemplo: trabalhar num país estrangeiro) e essa aquisição pode acontecer num ambiente mais ou menos formal.

Segundo Kramsch (2002, apud Pinto Castro (2013: 274) é de realçar, na alusão à educação de línguas estrangeiras, a relevância de que esta se reveste na atualidade, em comunidades cada vez mais multiculturais, a consciencialização dos jovens estudantes para a existência de outros valores e de outras formas de pensar e de usar as várias línguas.

As habilidades de aprender várias línguas de outros países, culturas e sociedades são muitos importantes, porque as pessoas não vivem sozinhas e devem fazer interação com os outros, por isso é muito importante dominar outras línguas. As pessoas que dominam mais de duas línguas faladas têm mais possibilidades de ter vários conhecimentos em termos das ciências e tecnologias.

Há vários conhecimentos que estão escritos em outras línguas que podemos utilizar como referências para desenvolver os nossos conhecimentos e melhorar o desenvolvimento do nosso país, por este motivo então as pessoas têm que compreender as línguas escritas do outro país. Reconhecemos que quanto maior o número de pessoas de um país que fala duas ou mais línguas, maior possibilidade de esse país se desenvolver.

Dominar outras línguas é muito importante, por exemplo uma nação que já tem a sua língua oficial, no momento em que os turistas forem visitar aquela nação então os seus povos devem comunicar com línguas em que os turistas falam. Logo podemos considerar, em termos de economia, que comunicar com turistas é muito importante. Não é possível desenvolver o turismo sem falantes de várias línguas estrangeiras que possam trabalhar no setor. Ora Timor tem excelentes condições para vir a melhorar a indústria do turismo, como fonte de rendimento.

Além disso, aprender a comunicar com outras línguas também é muito importante para desenvolver a vida profissional de cada um. Por exemplo, se quisermos fazer cooperação ou trabalhar com outros países desenvolvidos temos de falar outras línguas em que falam os outros interlocutores ou uma língua internacional falada, se quisermos viajar para outros países e não ter problemas.

Neste momento no nosso quotidiano, se não podemos falar uma língua estrangeira ou mais de um idioma, vamos perder oportunidades de educação. A maioria das empresas, serviços públicos, estados, estudantes utilizam várias línguas estrangeiras n a comunicação com empresas no exterior. Portanto, há muitas escolas que começam a ensinar às crianças outras línguas internacionais além de língua oficial. Então, a partir da explicação acima, podemos ver quais são os benefícios da aprender e dominar outras línguas estrangeiras.

Dominar uma ou mais línguas estrangeiras não é apenas mais fácil para se competir no mundo do trabalho, mas ser bilingue pode facilitar que as pessoas obtenham caminhos-chave no cérebro e pode melhorar a flexibilidade mental. Porque essa pessoa não se sente fechada e desanimada por causa de não conseguir falar outras línguas estrangeiras por isso é muito importante que as crianças comecem já a aprender outras línguas para serem bilingues.

Podemos concluir que, se as pessoas começam a aprender outras línguas desde crianças, podem ter facilidade para reorganizarem e desenvolverem as suas capacidades cognitivas para melhorar o seu desempenho ao longo da vida. O contacto entre as línguas acontece quando se verifica uma situação da coexistência de duas ou mais línguas numa mesma comunidade linguística. Deste facto, podem resultar efeitos de variação linguística que, em alguns casos, podem levar ao surgimento de novas línguas ou ao desaparecimento de uma língua materna por imposição de uma língua dominante.

Segundo o Conselho da Europa (2001, apud Pinto Castro (2013: 273), nos últimos anos, o conceito de plurilinguismo ganhou importância na abordagem da aprendizagem de línguas. Assim, distingue-se “plurilinguismo” de “multilinguismo” que é entendido como o conhecimento de um certo número de línguas ou a coexistência de diferentes línguas numa dada sociedade

Reconhecemos que dominar outras línguas não é uma tarefa fácil, por isso o falante necessita de um esforço máximo para estudar, falar, ler, escrever e ouvir bem. Além disso necessita também de comunicar com outras pessoas que já sabem ou têm habilidade em falar outras línguas.

Considera-se que é muito importante que as crianças comecem a aprender outras línguas tanto na família como na escola. Na realidade das famílias, existem crianças que têm pais com diferenças de línguas faladas ou pais de países diferentes, e se as crianças começam a aprender duas línguas faladas na família, essas crianças não vão ter dificuldades em comunicar na família e, mais tarde, fora dela, na vida social.

Para compreender outras línguas na escola, o aprendente necessita também de uma atenção séria, por exemplo, é preciso que siga uma lição de língua estrangeira a sério, ouvir com atenção a explicação do professor. Precisa de praticar as competências linguísticas ou pelo menos ter uma compreensão das noções básicas e tentar comunicar com outras pessoas que têm habilidades.

Em Timor-Leste, a maior parte das pessoas fala a língua tétum, que por ser a que é usada pela maioria dos habitantes do país, é língua nacional. Mas no nosso país vivem pessoas nativas que também falam outras línguas diferentes da língua tétum: português, inglês, indonésio e chinês, entre outras. Essas línguas são línguas estrangeiras para a comunidade linguística timorense. Por outro lado, Timor-Leste adotou como línguas oficiais/nacionais, isto é, línguas usadas no contacto de um cidadão com a administração, o tétum falado pela maioria da população e o Português pela minoria mais instruída. No entanto, em Timor-Leste, as populações falam diversas línguas locais (dialetos). Dada a diversidade de línguas e dialetos presentes no território de Timor, e por razões históricas e culturais, o governo optou pelo português, como segunda língua nacional. Em Timor-Leste, no entanto, a maioria dos timorenses aprendeu a falar a língua tétum como primeira língua na infância. Durante 24 anos, Timor foi ocupado pela Indonésia, o povo foi obrigado a usar a língua indonésia no seu dia-a-dia, o que levou a que, para muitos timorenses, esta língua seja a mais falada e até a língua materna. Neste período, devido a terem sido forçados a viverem noutras regiões que não a sua terra natal, aprenderam a língua materna dos outros locais, um dialeto como a língua segunda. A realidade em Timor-Leste é a de um país com várias línguas regionais e duas línguas oficiais: o tétum, que é uma língua nativa e o português, como segunda língua adotada por razões históricas, culturais e comerciais (para facilitar a comunicação com o exterior), como já explicamos anteriormente.

Como exemplo vejamos a minha experiência como aprendente de português: aprendi e comuniquei, somente, em dialeto makasae, em criança na terra natal, antes de ir para escola, aos 7-8 anos de idade, onde aprendi o português, ou seja, língua materna (L1) e língua segunda (L2) (em Laga). Em 1975, pelos 10 anos, deu-se a Invasão indonésia, fugi de Laga para a montanha e lá não havia escola. Voltamos a Laga 4 anos depois, voltei à escola e aí aprendi língua indonésia (5 anos), adquirindo uma nova língua L2. Acresce que na missa usava o tétum e Português. Mudei para Díli onde continuei os estudos em indonésio (15 anos) e fui para a ilha das Flores 3 anos, licenciar-me em religião católica. Voltei, aprendi tétum para comunicação, sem escola. Depois do referendo, em 1999, estudei português em cursos de formação (língua estrangeira). Este relato individual, cada timorense tem uma história de língua diferente em tempo, e conteúdo. Acresce que o próprio país viveu a Língua com muitos sobressaltos, com condicionantes culturais e históricas com muito peso. É muito difícil encaixar o problema das línguas em Timor numa classificação existente.

O problema da língua, em Timor-Leste, é uma questão muito complexa que carece de um estudo profundo e urgente para se definir, de forma mais clara, o estatuto das diferentes línguas presentes no território, e estabelecer planos de estudo e currículos escolares flexíveis a fim de se desenvolver uma igualdade real nas aprendizagens e oportunidades de todos os timorenses.




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