Marcos Cabral Uso da Língua Tétum no ensino-aprendizagem do Português le na Universidade Nacional Timor Lorosa´e


Língua Não Materna, Língua Segunda e/ou Língua Estrangeira



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1.4. Língua Não Materna, Língua Segunda e/ou Língua Estrangeira


Para melhor compreendemos o lugar do português em Timor e a sua relação com outras línguas maternas, deveremos esclarecer alguns conceitos prévios.


  1. Língua Não Materna

Português Língua Não Materna abrange todos os tipos de aquisição tal como acontece com o inglês ou qualquer outra língua não materna.

Português Língua Não Materna divide-se nos seguintes aspetos:



  • Português como língua falada por filhos de emigrantes portugueses que residem ou regressaram de um país de emigração, onde não falam português;

  • Filhos de imigrantes residentes em Portugal e imigrantes que cá trabalham;

  • Falantes de línguas estrangeiras como caso do português falado, por exemplo, por um falante timorense que aprender Português no momento da escolarização.

Português Língua Não Materna também tem as diferentes formas de aquisição ou de aprendizagem, como:



  • Português Língua Herança (LH)

  • Português Língua Segunda (L2)

  • Português Língua Estrangeira (LE)

Em Timor-Leste, existem muitas situações como as referidas acima. Segundo Flores (2013:37), a multiplicidade de termos com que nos podemos referir a uma língua aprendida depois da L1 “reflete a falta de consenso entre os linguistas para caraterizar a L1, de emigrantes de segunda geração e consequentemente, descrever as diferenças entre língua materna e a língua de herança”. De forma idêntica, a situação linguística dos aprendentes timorenses de português é complexa e múltipla.

Em Timor-Leste verifica-se uma grande diversidade de diferentes situações linguísticas, por exemplo:

- Há crianças que em sua casa começam com uma língua local/materna (por e.g. Makasae) também com tétum ou língua maioritária e só quando forem à escola começarão a língua portuguesa ou língua segunda, L2.

- Há crianças que em sua casa falam tétum e língua Indonésia pelo facto de os pais a falarem por causa da ocupação e mantêm essa língua, por influência da televisão e só na escola aprendem português.

- Há crianças que desde pequenas falam tétum e Português no contacto: o tétum como LM e o Português com L2.

- Na escola secundária, os alunos falam entre eles no recreio ou em situações sociais em tétum e no caso de haver um colega estrangeiro, falam na língua deles, em geral Indonésio ou Inglês.

- Nas aulas, só compreendem o português escrito e os alunos não compreendem o português falado na aula, então, em geral, recorre-se ao tétum, para captar o sentido das palavras portuguesas.

Concluindo, em Timor é muito raro o português ser língua materna.

Há linguistas que referem que a geração que viveu a falar indonésio não gosta da língua portuguesa. Do nosso ponto de vista, não nos parece ser verdadeiro, pois em geral todo o timorense gosta e pretende falar bem em português, que é a língua de herança cultural da história de Timor.

Nós não defendemos que o falante mostre competência equivalente aos falantes nativos que isso seja por uma aquisição influente ou atrito, mas sim como “o resultado de um processo natural de mudança linguística (Pires 2011, apud Flores, 2013: 40).

Nós pensamos que se queremos que em Timor a língua portuguesa passe do seu papel de língua de herança cultural a língua falada e sentida por todos, teremos de “expor” todo o timorense à língua portuguesa por meio dos objetos de comunicação: televisão rádio, jornais e os livros etc. Assim, a língua de herança passaria mais fácil e eficazmente a língua nacional, isto é, falada fluentemente por qualquer timorense.

Na situação linguística de Timor-Leste, existe essencialmente uma coexistência de tétum e Português, língua local e língua de herança cultural, que serão sempre influentes uma na outra e a exposição do tétum ao português deverá ser um processo de evolução e enriquecimento do tétum sem desvalorizar o papel de língua de herança e identidade que será sempre o do português de Timor no mundo. Uma coisa que é preciso saber é que, no tempo de ocupação da Indonésia, todas as línguas dos estrangeiros puderam ensinar-se nas escolas mas só houve uma única língua, a portuguesa, que o ocupante proibiu.






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