LiçÕes de história para a escola primária: a série de leitura graduada “pedrinho” de lourenço filho décadas de 50/70 do sécul



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A SÉRIE DE LEITURA GRADUADA “PEDRINHO” DE LOURENÇO FILHO: O BRASIL EM LIÇÕES (DÉCADAS DE 50/60 DO SÉCULO XX). 1

Maria Teresa Santos Cunha

Universidade do Estado de Santa Catarina/UDESC

mariatsc@gmail.com
PALAVRAS-CHAVE: Série de Leitura Graduada, Lourenço Filho, Livros, História da Educação.
EIXO 5: Impressos, Intelectuais, História da Educação, História do Tempo Presente

Manuais Escolares - As Séries de Leitura Graduada

Portadores de um corpo de saberes e conhecimentos, os manuais escolares a partir dos finais do século XIX, especialmente com o advento da República, foram signos de uma nova cultura material escolar2. Como expoentes do ideário da educação escolarizada com seus modos peculiares de edição, encadernação, disposição e circulação, estes manuais foram se consolidando como um produto editorial específico com características próprias.

As Séries de Leitura Graduada, conhecidas como manuais escolares ou livros de leitura, foram produzidas a partir dos finais do século XIX e inícios do século XX, quando da institucionalização da escola graduada, nos chamados grupos escolares e seu uso estendeu-se até inícios da década de 1970, na educação escolarizada. Como objetos culturais foram instrumentos mediadores para a divulgação e circulação de saberes destacando-se na consolidação dos processos de construção da leitura escolar e significaram tanto um material para uso de professores e alunos, como um indicador de todo um modo de conceber e praticar o ensino. Pode-se considerar que as Séries de Leitura Graduada se firmaram como manuais escolares e como objetos da cultura escolar e nessa condição foram gradativamente integrados aos processos da alfabetização, da aprendizagem da leitura e da escrita e do desenvolvimento do ensino primário. Sua presença atesta a vontade de fortificar e de complementar a ação da escola, seja por sua distribuição facilitada pelo poder público, seja pela ampliação do parque gráfico nacional, desde a primeira metade do século XX. Promover e incentivar a leitura através desses manuais, na escola, se constituiu em um objetivo da educação desde os inícios da República que, ao adotar a laicidade do ensino, precisava se contrapor à ação da Igreja Católica, detentora de grande parte da escolarização e que se pautava pela preocupação em orientar para os perigos que poderia trazer uma ampla divulgação de livros.

Esta situação favoreceu a produção e circulação dos chamados Livros de leitura que começaram a ser, sistematicamente, utilizados nas escolas públicas e privadas e citam-se, como pioneiras, as chamadas Séries de Leitura Graduadas de autores como Felisberto de Carvalho (1892); Romão Puigari e Arnaldo Barreto (1895); Francisco V. Mendes Viana (1908); Thomaz Galhardo (1910/1920) e Antônio Firmino Proença (1920/1930)3 . Em Santa Catarina, a conhecida e muito utilizada Série Fontes, já foi alvo de estudos acadêmicos. (PROCHNOW, 2009; TEIVE, 2008) que destacam seu papel decisivo na função do ensino. Sob estas condições, pode-se dizer que as Séries Graduadas de Leitura fizeram parte do movimento de reformulação da escola implantado pela República, que personificou o manual escolar como um dos principais meios de formação do caráter e instrumentalizador da leitura e da escrita.

Estudos mostram que elas ligavam-se aos pressupostos da pedagogia nova e do método intuitivo, também conhecido como “lições de coisas”, preconizavam a observação e o aguçamento dos sentidos para o conhecimento do mundo e “contrapunham-se às práticas mnemônicas e às constantes repetições comuns do método tradicional”(TEIVE, 2008, p.116), vigentes até o final do século XIX, e que se pautavam nas longas repetições orais de textos decorados. Elas mantinham nos seus volumes a continuidade e o gradativo aprofundamento das lições, conforme o ano ou série a que se destinavam, ideias caras à pedagogia moderna, como a aprendizagem por atividades ancorada na liberdade, a importância do jogo, a necessidade da escola ressoar a vida, pautada pela experiência.

Desde os anos iniciais do século XX, educadores brasileiros se mobilizaram para elaborar livros de leitura a serem adotados nas escolas primárias do país, pois estavam preocupados com a formação do jovem, a partir das séries iniciais da escola. As propostas pedagógicas defendidas pelo ideário educacional brasileiro a partir da década de 1920 e sistematizadas na década de 1930 pelo movimento conhecido como Escola Nova4, tinham na escolarização da leitura um foco de atenção e de excelência. Inspirado nas ideias políticas de igualdade entre os homens e do direito de todos à educação, o Manifesto foi assinado por muitos intelectuais, em 19325. Estas mudanças no âmbito da educação, alavancaram políticas para o livro escolar que começou a fazer parte, cada vez mais, da vida cotidiana dos alunos e seu consumo se consolidou ao fazer-se objeto pessoal e individual e com lugar privilegiado nas aulas.

Pode-se considerar que nas três primeiras décadas do século XX havia, entre os autores de livros escolares a ideia, sempre recorrente, de construir bons alunos e bons cidadãos republicanos patriotas que se tornariam estandartes da República6. Dos meados da década de 1940 em diante, é possível encontrar nas lições dadas a ler em manuais escolares, uma sutil mudança: os cidadãos republicanos deveriam ser, também, cidadãos criativos e rápidos com condições de se transformar em trabalhadores operosos e empreendedores que valorizassem o progresso científico e industrial, atributos fundamentais às novas condições políticas e sociais que se impunham com a industrialização e urbanização nacionais que se consolidavam a partir dos anos 50, do século passado.7 È nesta clave de objetivos e perseguindo este papel esperado que se insere a Série de Leitura Graduada Pedrinho, de autoria do Prof Manoel Bergström Lourenço Filho, aqui objeto de estudo.



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