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RUBIANE DE FÁTIMA RODRIGUES HUINKA

ZILNE MARA FARIAS LOUREIRO



PSICOTERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL

JOINVILLE

Setembro / 2009
RUBIANE DE FÁTIMA RODRIGUES HUINKA

ZILNE MARA FARIAS LOUREIRO



PSICOTERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL

Trabalho apresentado ao curso de Psicologia da Faculdade Guilherme Guimbala para obtenção da nota bimestral da disciplina de Teorias e Técnicas Psicoterápicas, ministrada pelo professor MS. Júlio Schuruber Junior.

JOINVILLE

Setembro / 2009

HISTÓRICO
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) “[...] emergiu da interpretação e integração de princípios e conceitos de importantes abordagens da psicoterapia e da aprendizagem” (BORBA, 2005, p. 23). Dentre as abordagens que contribuíram para o surgimento da TCC “[...] destacam-se a psicologia animal, o Behaviorismo Metodológico, o Neobehaviorismo, a Análise Experimental do comportamento, o Behaviorismo Radical, a teoria de Aprendizagem Social, a terapia Racional-Emotiva-Comportamental e a Terapia Cognitiva” (BORBA, 2005, p. 23). É necessário destacar as abordagens cognitiva e comportamental, que de fato deram origem a TCC, onde a ação terapêutica destas agem na alteração das relações entre o comportamento e seus determinantes ambientais ou cognitivos. Os terapeutas comportamentais e/ou cognitivos passam a utilizar das duas abordagens de forma integrada, se tornando orientação cognitivo-comportamental.

A TCC teve seu início entre as décadas de 60 a meados de 70, quando Aaron Beck entrou em conflito com o dogma freudiano e assim modificou o tratamento da depressão e de outros transtornos mentais com sua técnica cognitiva. Segundo Abreu (2002, p. 277) salienta que:


[...] a partir da década de 60 que o esforço de vários pesquisadores, dentre eles Michael Mahoney, Aaron Beck e Albert Ellis, fez com que os primeiros passos fossem efetivamente dados. [...] o foco de estudos de Mahoney, esteve voltado aos processos cognitivos, enquanto o trabalho de Beck estava focado no tratamento da depressão.
O termo terapia cognitiva inicialmente foi utilizado por Beck, que juntamente com Albert Ellis, Lazarus, Mahoney, e outros, se destacam por serem os primeiros a escreverem sobre o tratamento dos transtornos emocionais. O psicanalista Beck observou durante seus atendimentos “[...] certas características no processamento cognitivo de seus pacientes deprimidos e a relação destas como sintomas por eles apresentados” (RANGÉ, 1995, p. 89).

Para Dobson, Backs- Dermott, Dozois ( 2000 apud KNAPP, 2004, p. 44) “o desenvolvimento da terapia cognitivo comportamental se deu em um momento histórico em que as abordagens dominantes eram a psicanálise, o behaviorismo e, em menor escala, o humanismo”. Vários fatores que contribuíram para o desenvolvimento da terapia cognitivo-comportamental (KNAPP, 2004) auxiliando no seu crescimento e identificação:


Em primeiro lugar o fator que levou ao desenvolvimento foi “[...] a insatisfação com os modelos estritamente comportamentais do comportamento humano era cada vez mais evidente no final dos anos 60”. E segundo “[...] a medida que a insatisfação com o modelo restrito não-mediacional de estímulos e resposta do comportamento aumentava, o modelo psicodinâmico de personalidade e de terapia, que mantinha a posição de perspectiva alternativa mais forte, continuava sendo rejeitado”. O terceiro fator diz respeito “[...] as intervenções comportamentais ou não-cognitivas eram irrelevantes para alguns problemas, tais como o pensamento obsessivo. O enfoque em sintomas comportamentais para mudança nesses transtornos não era inadequado ou ineficaz; entretanto, problemas inteiros ou seus principais componentes ficavam sem tratamento”. O quarto fator para o desenvolvimento foi “[...] a crescente atenção dada aos aspectos cognitivos do funcionamento humano na psicologia em geral, com desenvolvimento, pesquisa, estabelecimentos de diversos conceitos mediacionais na psicologia experimental. [...] a crescente identificação de diversos terapeutas e teóricos como de orientação cognitivo-comportamental [...]” é o quinto fator. O último fator diz respeito a identificação “[...] nas pesquisas de resultados geralmente positivos das intervenções cognitivo-comportamental, as quais se mostraram igualmente ou mais eficazes do que as abordagens estritamente comportamentais.
Beck em 1970 fundou o Centro de Terapia Cognitiva, onde dirigiu até o ano de 1995, juntamente de seus discípulos e colaboradores desenvolveu a Terapia Cognitiva (TC) como um novo sistema de psicoterapia, foi influenciado pelo construtivismo, pela fenomenologia e por filósofos clássicos a expandir os limites e aprimorar os métodos da psicoterapia. Como nesta época estavam afastados a psicanálise e o behaviorismo radical por vários de seus adeptos, destacavam-se outras abordagens como esta em discussão. Neste sentido Rangé (1998 a apud BORBA, 2005, p. 28) enfatiza que “[...] houve uma mudança paradigmática do modelo de saúde existente na década de 60 e que representou a passagem do modelo médico para o modelo psicossocial”. No modelo médico existia a idéia de “curar” o paciente e a crescente insatisfação pela incapacidade de gerar diagnósticos válidos e fidedignos abrindo espaço para o modelo psicossocial, onde de fato a psicoterapia tradicional não conseguia transmitir sua efetividade (BORBA, 2005).

Entre as teorias comportamentais e cognitivas podem ser identificados alguns pontos em comum, tais como:


[...] a semelhança metodológica, no sentido de visarem um estudo objetivo, baseado em evidências, cientificamente comprovado, o desenvolvimento das hipóteses e práticas sistematizadas, que pudessem ser sistematizadas, que pudessem replicadas por outras pessoas, o pradigmatismo, pelo objetivo de aplicar o conhecimento desenvolvido, a perfeita compatibilidade entre as intervenções cognitivas e comportamentais, que maximizam de vida de uma pessoa, e a noção de que grande parte dos problemas apresentados por um indivíduo tem a ver com sua história de aprendizagem (BORBA, 2005, p. 29).
O surgimento da (TCC) no Brasil tem se proliferado nos últimos 15 anos, através de atendimentos clínicos e cursos nessa abordagem em clínicas e institutos. Por ser um “[...] modelo integrado, a fundamentação científica, o curto prazo, a eficácia e a aplicabilidade a uma ampla gama de transtornos, evidências que lhe tem assegurado o respeito de cientistas, clínicos e pacientes ao redor do mundo” (PSIQUE, ano I, nº3). Segundo Edela A. Nicoletti em seu artigo a evolução da terapia cognitiva no Brasil , o primeiro centro de orientação cognitiva se estabeleceu em 1992, em São Paulo, no Rio de Janeiro em 1996 nucleos de TCC se estabeleceram tendo como destaque o representante Bernard Range, sendo este conhecido por sua contribuição ao desenvolvimento da Terapia Comportamental no Brasil. Recentemente em Florianópolis foi criado o Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) coordenado pelo psicólogo Marco Callegaro (PSIQUE, ano I, nº 3).

Em meados da década de 70 ocorreu o grande desenvolvimento e reconhecimento da terapia comportamental devido ao surgimento de técnicas novas especialmente no tratamento de fobias, obsessões e disfunções sexuais (LIMA e WIELENSKA, 1993 apud BAHLS e NAVOLAR, 2004, p. 7). De acordo com Hawton et al. (1997), foi nesta época que Lang, Rachman e outros desenvolveram a idéia de que um problema psicológico poderia ser compreendido sob três enfoques diferentes (ou “três sistemas”) ligados entre si tais como os sistemas comportamental, cognitivo/afetivo e fisiológico. Esta idéia representou uma quebra com a visão unitária dos problemas psicológicos que até então existia” (BAHLS e NAVOLAR, 2004, p. 7).

Hammen e Glass (1975 apud Hawton et al., 1997), desenvolveram estudos com pacientes depressivos e perceberam que apesar de os pacientes realizarem com maior freqüência atividades agradáveis (ao contrário do que se pensava a partir de trabalhos anteriores), era comum que avaliassem negativamente tais atividades e o seu desempenho em realizá-las. Estes fatos chamaram a atenção para influência dos fatores cognitivos na forma como um indivíduo reage aos fatores do meio e na constituição das psicopatologias, contribuindo assim para que muitos terapeutas comportamentais passassem a utilizar também conceitos e técnicas cognitivos na prática clínica” (BAHLS e NAVOLAR, 2004, p. 7).




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