Julian Ochorowicz a sugestão Mental



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Primeira experiência – O Dr. Gibert deve adormecer o sujeito de seu gabinete, rua Saint-Quentin, e ordenar-lhe mentalmente que saia para a rua. Começo da ação às 5:50. Execução provável, 6:05.

Às 6 horas em ponto chegamos aonde se encontra o pavilhão, mas permanecemos escondidos.

Esperamos um quarto de hora em vão; a paciente não desce para a rua. Experiência malograda.

Entramos no pavilhão pela porta do jardim e subimos ao primeiro piso, sem encontrar ninguém.

Dois de nós descemos para a cozinha, sob o pretexto de perguntar se Gibert não chegou ainda, e encontramos a paciente sentada, sem movimento, mas acordada. Passamos para um quarto do primeiro piso, onde falamos sobre a experiência, considerando-a fracassada. Alguns minutos depois a paciente, Sra. B., entra no salão, situado na frente de nosso quarto, do outro lado da casa, onde nós a encontramos sentada numa poltrona, em letargia. Parece que é sempre o caso, quando é o Dr. Gibert que a adormece. Nesse momento ele não está presente.

O sujeito responde às questões de Janet, que nos últimos tempos a tem adormecido mais frequentemente do que Gibert. A Sra. B. conta, em sonambulismo, que ali pelas 6 horas ela se sentiu mal e ia adormecer, quando uma campainha a acordou e ela foi para a cozinha; que em seguida ela não resistiu ao sono e voltou para o salão. “Foi o Dr. Gibert que me preparou essa”, disse ela, acrescentando: “Não me atormente!”.

Aproveitamos o sonambulismo para fazer algumas experiências, que o sujeito interrompe todo o tempo, dizendo: “Onde está o Sr. Gibert? Eu preciso achá-lo”. Ela tenta nos escapar para descer à rua. Nós impedimos.

Uma hora depois Janet a acorda. Ela não se lembra de nada, mas tem dor de cabeça. Mostrando-se muito inquieta, chamamos Gibert, que a acalma.

Apesar dessas condições desfavoráveis, uma nova experiência é decidida para 15 minutos depois. Sabíamos que a Sra. B. estaria dormindo seu sono natural.

Segunda experiência – “Fazer passar a Sra. B., à distância, do sono natural para o sonambulismo e vir encontrar Gibert no seu gabinete.”

O êxito dessa experiência era pouco provável. De resto, era a primeira vez que se tentava agir durante o sono normal. Também malogrou.



Terceira experiência – Gibert devia adormecer a Sra. B. de sua casa ao meio dia menos 10, exercendo a ação mental durante 10 minutos. A Sra. B. deveria dormir e ficar no salão.

Ao meio dia e 7 chegamos ao pavilhão sem fazer ruído e sem bater na porta. Ela estava lá. Para não influenciá-la com nossa presença, mandamos a cozinheira perguntar se ela não iria descer para o almoço.

A Sra. B. passeia vivamente pelo quarto e diz que não está passando bem. Desce dez minutos depois. Nós a observamos de longe. Não adormece, mas notamos, de longe, que ela não está em seu estado normal. Parece que não vê o que se passa em torno de si e não sabe o que quer fazer. Entra num quarto, depois em outro e um minuto depois cai em letargia.

Mesmas perguntas, mesmas respostas. “É sempre o Sr. Gibert... mas eu não vou atender... (rindo) vou pôr minhas mãos na água fria. Mas onde está o Sr. Gibert? Por que não aparece?”.

Fazemos uma série de experiências. Ela reconhece todas as pessoas presentes tocando os polegares de cada um. Impossível arrancar-lhe uma explicação para essa manobra. Depois de tocar meu polegar, ela declara que eu teria muita influência sobre ela e que poderia dominá-la facilmente.

Depois desse momento, ela parece realmente sentir minha presença e sofrer uma espécie de atração de minha parte. Querendo verificar a realidade desta influência, eu concentro meu pensamento e ordeno-lhe que me dê a mão. Ela se agita, se inclina na minha direção e me dá a mão. Repito a experiência três vezes com o mesmo sucesso, num estado mais ou menos aproximado do monoideísmo.

No sonambulismo ativo a experiência deu resultado algumas vezes, desde que eu tivesse tomado a precaução de escolher um momento de inação. Agindo quando ela conversava vivamente com o Sr. Janet ou outra pessoa, eu não obtinha nada. Tive também ocasião de observar que numa concentração muito forte de meu pensamento, ela se agitava muito, produzindo espasmos e uma tensão geral que perturbavam a nitidez da transmissão. Ao contrário, um pensamento formulado nitidamente, mas sem uma pressão mental especial, produzia uma ação todas as vezes que o sujeito ficasse acessível a estas influências misteriosas.

Fiz experiências com tensão, que não deram resultado. Numa delas fiquei no fundo do quarto, escondido atrás de Janet, e ordenei à sonâmbula que se pusesse de joelhos. Uma agitação forte se manifestou, ela parecia procurar alguma coisa, seus olhos se abriram e ficaram abertos sem inteligência. O estado no qual ela se encontrava nesse momento era análogo ao que provocou Donato quando se fazia seguir pelos seus pacientes. Era, pois, um estado de fascinação, mas com uma notável diferença: o estado de fascinação é monoidéico. Ele é eminentemente passivo. Este estado é sensível às influências visuais, à imitação dos gestos, o sujeito mantendo-se em calma. Se, ao contrário, o sujeito, atraído pelo seu olhar, seguir seus passos, a calma desaparece, apodera-se dele uma espécie de febre, seu pensamento fica absorvido demais para permitir a ação de novas influências. Esta não é a monoideia passiva, mas a monoideia ativa, a monomania hipnótica.

Agindo mentalmente à distância e sem ser visto pelo sujeito, produzi um estado análogo, porém mais agitado e menos determinado, menos fixo. Seu estado mental podia ser dominado por um só pensamento.

Ela começou a se erguer, em seguida julguei vê-la olhar firmemente, cabeça baixa, como querendo se ajoelhar; mas parou esse movimento. Eu mudei meu pensamento, ordenando-lhe que viesse a mim e se pusesse de joelhos diante da poltrona. Ela caminhou na direção da poltrona e nesse momento eu pronunciei as palavras: “De joelhos! No chão!”. Esta última expressão me inquietou e eu me arrependi, pois ela poderia se machucar. Então recomecei a ordem: “De joelhos!”.

Nesse momento a Sra. B. se inclinou e caiu para trás, em letargia, nos braços de Janet.

Outras experiências foram feitas, sempre sem que eu a tocasse, mas não deram resultado.





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