Josiléia ribeiro dantas souza – Graduanda em Letras/Português -uespi patrick álisson de sousa – Graduado em Letras/Português uespi



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Tudo o que possuo está muito fundo dentro de mim.

Um dia,depois de falar enfim,ainda terei de que viver?

Ou tudo o que eu falasse estaria aquém e além da vida?” (PCS 1998,p 71).
Um dos aspectos mais importantes e inovadores na prosa de Clarice Lispector foi o fluxo de consciência, narrativa baseada na introspecção psicológica. Nele, os pensamentos das personagens são fielmente desvendados, misturando falas e ações com reminiscências, além de serem representados por uma sintaxe muitas vezes caótica que dá vazão a uma livre associação de ideias. No fluxo de consciência, o pensamento flui, e o escritor permite que a personagem perca-se em divagações e reações íntimas, como se pode comprovar no fragmento abaixo:

O que importa afinal: viver ou saber que se está vivendo? – Palavras muito puras, gotas de cristal. Sinto a forma brilhante e úmida debatendo-se dentro de mim. Mas onde está o que quero dizer, onde está o que devo dizer? Inspirai-me, eu tenho quase tudo; eu tenho contorno à espera da essência; é isso? (LISPECTOR, 1998, p. 69)



Fluxo de consciência, didaticamente falando, é a representação literária de todo o pensamento no seu estado corrente (cf. Leon Edel: The Modern Psychological Novel, 1964). Assim, seguindo a metáfora proposta por William James, se tomarmos a corrente de consciência como o fluxo de um rio, o monólogo interior "poderá ser uma represa onde a água remoinha durante algum tempo para depois voltar à corrente". O fluxo de consciência é um rio impetuoso ou uma corrente de palavras e imagens indistintas tão próximas quanto possível da variedade contraditória de elementos que atravessam constantemente a mente humana, um fluir desenfreado das sensações e pensamentos das personagens, da consciência, da vida subjetiva.

Segundo a afirmação de Oliveira (2003):

Fluxo de consciência é uma expressão migrante que carrega complexidade. Presente, principalmente, nas áreas da psicologia e da literatura, é usada para definir objetos distintos nesses dois campos do conhecimento. Os estudos pertinentes ao fluxo de consciência alcançam entendimentos diversificados ao ser pensado sob perspectivas específicas. (OLIVEIRA, 2003, p. 01).


Ao deparar-se com a citação acima, fica evidente que o fluxo de consciência, na literatura, inclui o inconsciente transformado em matéria discursiva e estética. E, em literatura que faz uso de técnicas verbais das mais diversas. Portanto, é um artificio utilizado, magistralmente, por escritores que dominam essa técnica e conhecem, a fundo, noções de do subconsciente humano, desnudando seus sentimentos, emoções e pensamentos mais ocultos. Essa técnica usada por Clarice em sua obra já havia sido praticada por outros escritores, como James Joyce, Virginia Woof, Marcel Proust e William Faulkner. No Brasil, foi precursora da técnica, que também pode ser encontrada na obra de escritores como Antônio Callado e Autran Dourado.




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