Irene da cruz santos


O Indivíduo e a Sociedade de Consumo



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3.3 O Indivíduo e a Sociedade de Consumo

Na sociedade atual, vivemos organizados em torno do consumo, “num tempo dos objetos, que intermediam as relações entre humanos e qualquer coisa, inclusive o sujeito estão à mercê de se tornar um objeto” (BAUDRILLARD, 1970 apud GARCIA, 1997).

Certos fatores fazem com que os indivíduos se diferenciem, um dos outros, m socialmente – acredita-se hoje no obter para ser algo; e aqueles, mais consumistas exigem maior atenção, sentem-se mais valorizados em relação aos que lhe são menos. Este fator, porém, é o maior responsável pela construção das diferenças sociais, obriga os seres a se tornarem iguais, “ao entrarem na moda”, ou seja, pelo vívio do consumo, deixam de ser autenticos para se tornar cópia de algo já pronto. Assim sendo, “[...] o sujeito consome isoladamente, na tentativa de obter prazer ou simplesmente para aliviar o mal-estar ao qual está submetido sem se dar conta de que apenas satisfaz uma exigência do sistema” (GARCIA, 2003, p.123).

Sabe-se que a informação chega ao ser de inumeras maneiras (TV, rádio, outdoors, revistas, etc.), estas, por sua vez, acabam por estimular o consumo de drogas, como o álcool, por exemplo. De acordo com Pinsky (2004), “estudos recentes comprovam que crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos, apontam que através de propagandas de bebidas alcoólicas, sentem vontade de consumir álcool”.

Os comerciais brasileiros estão sempre associados a momentos de vitória, social, esportiva, amorosa, por vezes através do cmpo da sexualidade e da nacionalidade. Neste sentido, acrescido da ideia de uma musa que apresenta o produto, tentando converncer o indivíduo a se deleitar, usar e abusar do entorpecente sabe-se que os veículos de comunicação exercem uma influência diretiva e ampla.

O uso de certas drogas lícitas, como o álcool, continuam sendo evocados de forma glamourizada – associadas à juventude, à beleza, ao sucesso de figuras públicas – e incentivado, como na recente publicidade do “experimenta”, 49 numa abordagem bem diferente dos clips das campanhas contra as drogas de uso ilícito: nesse caso o prazer é totalmente negado, predominando imagens de perigo, doença, escuridão, degradação física, horror, morte. Assim, permanece a confusão do verdadeiro e do falso, que não contribui para esclarecer as diferenças de uso que foram, e continuam sendo, construídas historicamente. O esclarecimento se compromete, assim como a construção de uma consciência de riscos (ACSELRAD, 2004, p.195).

A promessa da satisfação, da eliminação do mal-estar, faz com as drogas sejam um dos itens mais poderosos, em relação ao consumo “e fazem da parceria entre toxicômano e sua droga uma relação inabalável, extremamente destruidora e radicalmente contemporânea” (GONÇALVES, 2003).

De acordo com Freitas (2001), o ser humano é aconselhado, estimulado a usar entorpecentes para aliviar frustrações, estresse e mal-estar. As falsas aparencias são grandiosamente valozidas, isso faz com que os indivíduos estejam como num palco, interpretando personagens, que diante de um cenário social, apresentam atitudes de realização e triunfo.

Na onda do consumismo moderno, apregoa-se a posse material e o consumo intensivo de bens e produtos. Isso também estimula o uso crescente de drogas. Produtos antigos ou recentes, legais ou ilegais conheceram novas formas de fabricação e comercialização, indo ao encontro de novas motivações e novas formas de procura. Em detrimento de modos saudáveis de vida, enfatiza-se, com freqüência, certos ideais irreais de força, vigor e juventude, atrelados à idéia de um prazer imediato e permanente na “curtição” da vida (BUCHER, 1996, p.9).

Pode-se haver uma melhor análise sobre a toxicomania contemporânea através do monólogo encontrado no filme Trainspotting, do diretor Danny Boyle, que vai de encontro aos anseios da sociedade de consumo.

Escolha a vida. Escolha um emprego. Escolha uma carreira. Escolha uma família. Escolha a porra de uma televisão grande, escolha máquinas de lavar roupa, carros, aparelhos de CDs e abridores de lata elétricos. Escolha boa saúde, colesterol baixo e seguro dentário. Escolha novos pagamentos de hipoteca com juros fixos. Escolha um lar para começar a vida. Escolha seus amigos. Escolha roupas confortáveis e bagagem combinando. Escolha um terno completo de aluguel, numa variedade de tecidos horríveis. Escolha um “Faça você mesmo”, perguntando a você mesmo quem diabo você é numa manhã de domingo. Sentar naquele sofá assistindo a programas esportivos que embotam a mente e amassam o espírito, enchendo a boca de comida de lanchonete. Apodrecer no fim de tudo, dando o último suspiro numa casa miserável, nada mais do que o embaraço para os filhos egoístas que você gerou para que tomem seu lugar. Escolha o seu futuro. Escolha vida. Eu escolho não escolher a vida: escolho outra coisa qualquer. E as razões? Não há nenhuma. Quem precisa de razões quando se tem heroína? (TRAINSPOTTING, 1996, 00:03min).

Esta citação pode ser compreendida como retrato de uma geração viciada a consumir, como nenhuma outra, iludida a drogar-se, que se permite ser consumida pela sociedade de consumo, tem a droga como obejto maior, ou seja, a veem como a solução para todos os problemas, como gozo deliberado e eficaz. Assim a droga domina grande parte da sociedade.

Sendo assim, por um lado o discurso da toxicomania se destacaria como marginalidade, fundada na recusa dos ideais desta sociedade consumista, mas por outro, mesmo na recusa, estar-se-ia buscando o “objeto” que poderia libertar os sujeitos deste empobrecimento psicológico (MOURÃO, 2003, p. 114).

O que interessa, então, neste trabalho, é estabelecer de forma objetiva que a toxicomania é um fenômeno social, consumista que aliena o individuo, usuário, convencendo-o de ser o mais poderoso aliviador da sofregdão humana. Seu consumo pode reverter-se em distanciamento do mal-estar, convence que tem poder de disseminar a felicidade total e exclusiva, a qual o ser humano insiste em buscar. Assim, “a evitação do sofrimento e a busca de felicidade são cartas oferecidas ao sujeito pela ordem capitalista, que impõe a obrigação do gozo, tendo a droga como seu objeto por excelência” (Ibidem, 2003).

Ainda dentro desta concepção, a campanha incessante e maciça em relação ao uso das drogas, trasformou a toxinomania num dos maiores problemas sociais, atuais. Plastino (2003) discorre que “a toxicomania constitui também um sintoma, mas um sintoma no qual se exprimem fatores que, vinculados às múltiplas facetas da vida social, ultrapassam as motivações dos indivíduos singulares”.

A toxicomania não pode ser analisada como um fenômeno isolado, sendo conveniente considerá-la como um aspecto específico de um conjunto mais abrangente de comportamentos sociais caracterizados por um imaginário fortemente individualista (Ibidem, 2003 p. 133).

Portanto, esta temática tem por detrimento, dar a esta situação uma visão mais ampla, a fim de construir a concepção a cerca da ideologia dominante prefere ignorar; que á algo muito erradonas bases que sustentam nossa civilização.

Plastino (2003), afirma que a toxicomania não deve ser analisada separadamente da problemática, porque o número de usuários com comportamento autodestrutivo é irracional, entretanto, assim também são inumeras e irracionais as maneiras com que são realizadas as organizações sociais e econômicas.

Atualmente, a hegemonia dessas organizações condena grande parte dos seres humanos à miséria, numa posição em que poucos, em constante crescimento, ameaçam o futuro de vários, atuando como destruidores de nosso mundo em prol do progresso econômico.

Deve-se, então, questionar quais as qualificações essenciais à sociedade moderna e o que sustenta a construção desta sociedade. Na concepção sobre esta sociedade o indivíduo separa-se de sua natureza e “a sociedade como resultante de uma associação racional de indivíduos, ignorando assim, tanto nos indivíduos quanto nas sociedades, a significação de sua afetividade e sociabilidade naturais” (MORIN, 1999).

Na disassociação entre homem da natureza, o homem da modernidade transformou o objetivo em prática predatória (PLASTINO, 2003).

Ao analisar tal situação pode-se depreender que as consequências de tal processo, pode-se afirmar a que, os mais fracos são condenados e são os mais fortes que melhor sobrevivem, parece estar esgotando suas possibilidades de desenvolvimento (Ibidem, 2003).

A tendência é o surgimento de formas e condições de existência individualizadas, que compelem as pessoas – para sua própria sobrevivência material – a se tornarem o centro de seu próprio planejamento e condução da vida... De fato, é preciso escolher e mudar a própria identidade social, e assumir os riscos de fazê-lo... O próprio indivíduo se torna a unidade de reprodução do social no mundo da vida? (BAUMAN, 2001, p. 156).

Neste sentido, o modelo social apresentado, hoje, baseia-se num comportamento profundamente individualista e competitivo.

De acordo com Acselrad (2004), os seres convivem com certas limitações em relação ao prazer, contrário a isso, cresce, aceleradamente, a produção de substâncias psicoativas que acabam por agregar, e fazer com que o usuário erroneamente busque auxílio na solução dos problemas da vida, por via química.

Sendo assim, tal sociedade, tem criado cidadãos solitários, intolerantes, xenofóbicos. A dissolvição de métodos tradicionais das organizações sociais abriu caminhos para o crescimento de atitudes narcísicas, a exclusão do outro enquanto sociedade.

O individuo contemporaneo, apresentase cda vez mais, incapaz de contruir desafios advindos de suas próprias ações, uma vez que sempre que precisa compra instrumentos para solucionar os probleas, ainda que estes sejam simplórios. O homem, então, vê-se preso pelas maquinas que ele mesmo criou, abdica da socialização, da persistencia e até de sua inteligencia, pois seja lá o problema que possui, este pode ser facilmente resolvido com algum instrumento já criado. “Ele próprio se condena a abandonar seus sonhos, projetos e utopias de um mundo melhor” (PLASTINO, 2005).

A ilusão se apresenta neste fato. Uma falsa sensação de satisfação, através do consumo exacerbado. A crença de que algo é o melhor, o mais satisfatório, cai por terra todos os dias, sendo assim, a frustração torna-se ainda maior e a coisa degringola.

Diante disso, deve-se, na família, estabelecer meios lógicos e reais de eficácia, contra a dependência. Uma vez que é ela quem mais sofre mudanças, de acordo com a necessidade de cada uma. Por vezes, a convivência entre os membros acaba diminuindo, em relação a trabalho principalmente. Os seres, em construção de sua identidade acabam à mercê das escolas, das ruas. Sobre a primeira, cabe ressaltar que seu papel não é tão eficaz, uma vez que são pouquissimos profissionais a trabalhar com centenas de crianças diariamente, portanto não há um atendimento individualizado, como seria em casa, na presença dos pais. Assim sendo, a cada dia, cresce mais e mais o numero de jovens (crianças e adolescentes) envolvidos tanto no consumo quanto no tráfico de drogas, muitas vezes por falta de uma base familiar e social para auxiliá-los.

Tal realidade é a oferecida hoje. Uma realidade paseada no egocentrismo, individualismo, narcizismo, sem estrutura familiar, etco moral ou psicológica. Pessoas, que, encontram numa caixinha, numa lata, numa pedra, ou em qualquer outra substância psicoatva, a solução para suas necessidades. Não há perspectiva para o futuro, perdem a oportunidade de criar possiveis condições para o futuro. Preferem assumir seus papeis de vítimas sociais, tendo plena ciência que é da sociedade a culpa para estarem como estão.






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