Irene da cruz santos



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2 REFERENCIAL TEÓRICO

Dentro da área sobre a dependência química, o profissional do Serviço Social trabalha com grande empenho na prevenção e recuperação dos usuários. Deve, pois, intervir nas relações sociais, dia a dia, de sua população usuária através de ações sócio-educativas, voltando-se também numa perspectiva emancipatória, defendendo, preservando e efetivando direitos sociais (YAZBEK, 2004).

De acordo com Kawall (2003, p.21):

O Serviço Social faz parte da base do processo de recuperação do dependente químico, tendo em vista que é o Assistente Social o responsável por grande parte dos trabalhos desenvolvidos com os pacientes e seus familiares, envolvendo não só o tratamento durante a internação, mas também os projetos de prevenção, recuperação e manutenção da abstinência.

Assim sendo o assistente social, ou melhor, profissional de serviço social, deve ao atuar, garantir o acesso e continuidade, em relação a aplicabilidade, dos serviços propostos para a reabilitação de tais, através do diálogo com outros profissionais, em comunhão com a equipe de trabalho, de forma interdisciplinar e no auxílio e acompanhamento dependente químico.

Nesta concepção, Kowalsky (1997, p.24), acrescenta que:

[...] é necessário que se invista em profissionais qualificados, que entendam tanto do efeito das drogas no organismo como das suas implicações sociais, pois muitos ainda tendem a se “preocupar” apenas com o aspecto social numa ótica e na outra apenas o biológico, e acabam não compreendendo o movimento das drogas no organismo humano. Em um contexto familiar e social de uma maneira totalizante, ressaltamos que todo o profissional deve estar sempre buscando uma compreensão tanto em relação aos aspectos causais no organismo humano, bem como as suas implicações sociais.

Assim sendo, necessita-se de que se construam projetos que garantam ampliação de direitos sociais inerentes a sociedade, necessário a todos os usuários dependentes. Na competência, relacionada à dependência química, a segregação, fatores relacionados à desigualdade e a falta de justiça devem ser destacadas dentro e fora das instituições de saúde. Deve-se observar que os problemas devem ser tratados de formas individuais. Questões relacionadas em atitudes de caráter são punições que auxiliam no afastamento e isolamento social do usuário dependente deve ser extinto. Diante disso, o profissional deve estar intrinsecamente comprometido para com o cidadão, no que diz respeito à luta contra alguns estigmas sociais.

Segundo CORRÊA:

Na luta por cidadania, a prática do Serviço Social é revigorada no contato com os usuários e com as famílias, a intervenção profissional possibilita suscitar uma reflexão no sentido de clarificar a problemática do sofrimento mental. Acredita-se que os resultados alcançados e a intervenção do Serviço Social, passem a contribuir no processo de transformações societárias, através de um posicionamento crítico-reflexivo do Assistente Social, permitindo que os sujeitos se vejam enquanto cidadãos atuantes da vida coletiva (CORRÊA et al. 2002, p.21).

De acordo com isso, podem-se construir grupos de atividades operacionalizadas por meio de formatação de Programas, que auxiliem na execução de projetos, pensados na interdisciplinaridade. Baseado nos ideais de Mioto (2003), o eixo articulador das ações que se adota na instituição são os Processos Sócio-Assistenciais.

Processos Sócio-Assistenciais: consistem no desenvolvimento de ações diretamente com os usuários, especialmente com famílias e segmentos sociais vulneráveis. Seu objetivo é contribuir para que, junto com os usuários, se consiga responder às demandas colocadas na perspectiva da cidadania e dos direitos (MIOTO, 2003 apud LIMA, 2004).

Perante isso, tal atendimento deve ser direto e eficaz em determinados indivíduos e também em grupos maiores que compartilham a mesma dificuldade, e querem que a recuperação seja realizada, para assim alcançarem melhor qualidade de vida.

Sabe-se que as drogas são substâncias capazes de produzir alterações nas sensações físicas, psíquicas e emocionais. Desse modo, energéticos, café, refrigerantes, chocolates, dentre muitos outros alimentos, contêm substâncias que podem ser consideradas drogas, pois alteram de alguma forma as sensações de quem as ingere. Estas, porém, se ingeridas em quantidade moderada não representam nenhuma ameaça para o ser humano. Entretanto, em excesso elas produzem efeitos diversos.

Elas são utilizadas para diversos fins desde a antiguidade, entretanto com finalidades diferentes: por vezes podem ser utilizadas para curar doenças, outras para obter prazer. Entre as drogas lícitas estão os medicamentos em geral, o álcool e o cigarro, além dos elementos já citados. Já entre as principais drogas ilícitas estão a maconha, a cocaína, o ecstasy, o crack, a heroína, etc. Há outras substâncias que causam dependência, mas que são vendidas livremente para outros fins como a cola de sapateiro e o hypnol. Há diversas outras drogas que também são utilizadas da mesma maneira e algumas delas ainda nem são conhecidas pelo ministério da saúde e pelas autoridades judiciais. Neste tocante, as más influências e a falta de estrutura familiar corroboram, como mostra a figura 01:

Figura 01: Vícios Crescentes



Fonte: http://examen2anexaadriana.blogspot.com.br/2011/04/causas-de-la-drogadiccion.html

A progressão da dependência causa ilusões, que tornam os usuários incapazes de atingir um grau elevado de percepção para sua situação real. Tais ilusões podem ser momentâneas, como blecautes ou lembranças falhas. Passam por várias nuances e raramente recordam-se delas. Assim também, os mesmos sempre se mantêm na defensiva, afastam-se da sociedade, ficam agressivos, intolerante e, por muitas vezes, tornam-se paranoicos.

O senso comum, por suas visões, define que o uso de drogas é um comportamento diferente, desviante da “norma social” vigente. Porém, essa mesma norma social não permite a existência desses comportamentos dentro da pureza de sua normalidade, pois considera que o “anormal” afeta o bom funcionamento de uma sociedade.

Importante salientar que os objetivos da Política Nacional sobre Drogas estabelece que faz-se necessário conscientizar a sociedade brasileira sobre os prejuízos sociais e as implicações negativas representadas pelo uso indevido de drogas e suas consequências, além de educar, informar, capacitar e formas pessoas em todos os segmentos sociais para a ação efetiva e eficaz de redução da demanda, da oferta e de danos, fundamentada em conhecimentos científicos validados e experiências bem-sucedidas, adequadas a nossa realidade.

Para o professor Fernando Beltrão, em entrevista recente, frisa que “a dependência química começa através do álcool”. Segundo ele, alguns relatam que iniciaram por meio de um simplório como pode cerveja e, com o tempo, passaram a tomar vodca, uísque, progredindo (ou regredindo, nesse especifico caso) para além dos finais de semana, o que acarreta na desunião familiar, no isolamento dos adolescentes/jovens e, consequentemente, sofrimento de todos que vivenciam os dramas do usuário, conforme ilustra a figura 02 abaixo:



Figura 02 – Desestrutura Familiar

Fonte: http://www.dooda.com.br/saude/sinais-do-alcoolismo-conheca/

Nota-se, de forma nitida, que o alcoolismo é a porta que causa essa dependência compulsiva do consumo, que consequentemente, causa a perda do controle por parte do dependente de bebidas. Tal tipo de distúrbio é causado pela ingestão demasiada e descontrolada de bebidas em períodos que são relativamente curtos o suficiente para caracterizar uma espécie de rotina. Quando o indivíduo chega nessas condições estão no grupo de alcoolismo.

Por conseguinte, as evidencias dos nitidos sinais de alcoolismo são vários e a maioria pode ser facilmente percebidos pelo cônjuge, parentes e amigos da pessoa. Abaixo, serão listados alguns, como:



  • Uma pessoa com sintomas de alcoolismo atribui uma grande importância a bebida;

  • Expressar em quase todas as conversas quais os tipos de bebida que gosta de consumir, as quantidades, as maneiras, os recordes pessoais;

  • Quando não tem oportunidade de completar sua rotina de bebida, percebe-se alteração de humor, tremores, suor, náuseas e nervosismo.

  • Por infinitas vezes, o alcoolismo reflete na família em constantes brigas familiares e a desestruturação do lar como era anteriormente ao vício.

A figura 03 abaixo evidencia a prisão que os usuários enfrentam, mesmo que estando livres:

Figura 03: Pseudoliberdade



Fonte: http://www.docbuzz.fr/2012/05/03/123-baclofene-dans-le-sevrage-alcoolique-100-millions-de-comprimes-vendus-sans-aucune-etude-clinique-serieuse-mais-avec-le-consentement-de-lafssaps/

P
“(...) no mundo todo, cerca de 200 milhões de pessoas – quase 5% da população entre 15 e 64 anos – usam drogas ilícitas, pelo menos, uma vez por ano, dentre estas, a mais consumida é a maconha,” (UNODC, 2006.)
ode-se notar que o consumo de drogas é um caso notadamente relevante entre os jovens do Brasil, diversos tipos de substâncias psicoativas são consumidas por quase toda a sociedade, para variadas finalidades, o fato é que, pelos dados do Escritório da Nações Unidas contra Drogas e Crime, a grande maioria da população já usou ou experimentou algum tipo de droga na vida.

Faz-se importante ressaltar que a criminalização atinge somente a parcela vulnerável da sociedade, os desempregados, rejeitados pelo mercado de trabalho ou mesmo aqueles que possuem alguma ocupação, mas mesmo assim enquadram-se dentro do “farrapo”. Em contrapartida, os “bem vistos”, realizam suas práticas tóxicas imunes, a tal ponto que ALVES considera que o delito de porte de drogas para o consumo é o crime que provavelmente apresenta as maiores cifras ocultas.






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