Investigating reasons a youngster refuses do take drugs: subsidies to prevent the drugs in the school



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O JOVEM E OS VALORES

Essa categoria agregou uma quantidade maior de depoimentos, evidenciando que a família e a escola precisam trabalhar em parceria na formação dos valores das crianças e dos adolescentes. Segundo Tiba (2003), “os valores na vida de uma criança são de suma importância na prevenção às drogas e devem ser introduzidos pelos pais. Os principais são: disciplina, gratidão, religiosidade, cidadania e ética.” Contudo, Bouer (2003) acrescenta que “a vida moderna leva a criança a socializar-se mais cedo, sofrendo influências dos grupos que freqüenta, agregando, muitas vezes, valores que não foram desenvolvidos pelo núcleo familiar.”

Os valores na sociedade atual podem ser positivos ou negativos. Conforme o foco em estudo, com relação à recusa do uso de drogas pelos jovens, os depoimentos revelaram os seguintes itens: a responsabilidade com a própria vida, a coragem de recusar as drogas (de dizer não), o medo de ficar dependente de substâncias psicoativas, o desinteresse em experimentar drogas, a liberdade pessoal, a auto-estima, o equilíbrio emocional, a fé e a moral elevadas.

De acordo com alguns alunos, o sentimento de responsabilidade com a própria vida contribui com a decisão de recusar drogas. Os jovens sabem que a droga é uma ilusão de momentos felizes, não dura muito tempo e quando você vê acabou. Na vida existem momentos bons e ruins, não é uma droga que vai ajudar a esquecer os momentos ruins. A gente sabe que a vida é difícil para um adolescente, mas temos que enfrentar, sem drogas.

O adolescente precisa ser responsável pelos seus atos, evitando a impulsividade típica da juventude, pois refugiar-se nas drogas não ajuda a resolver seus conflitos internos. Além disso, ele necessita compreender que tudo tem solução, mas é importante ser crítico, ter uma dose elevada de paciência e recorrer à família e/ou escola, que poderão orientá-los e encaminhá-los a profissionais habilitados para um maior esclarecimento, como sugere esse aluno: a droga não me fará esquecer dos problemas da vida, pois quando passar o efeito todos os problemas estarão de volta, então o melhor é tratar com psicólogo que vão te ajudar a ver a realidade do problema.

Esse sentimento de responsabilidade é construído no jovem desde a infância junto à família e à escola. É recomendável que os pais deleguem algumas tarefas em casa para serem realizadas pela criança, adequando-as à faixa etária em que a mesma se encontra. Na escola, haverá uma continuidade do trabalho iniciado na família: os professores solicitarão tarefas ou materiais que os alunos precisarão realizar ou trazer sistematicamente, evidenciando o comprometimento e responsabilidade por si mesmos. Se for verificado que a criança não costuma cumprir suas tarefas, é necessário chamar a família, investigar os motivos e gerenciar a situação, evitando que esse jovem, ao crescer, torne-se um adulto irresponsável com a própria vida. Um dos alunos expressa muito bem essa idéia: bom, isso depende de cada pessoa, pois algumas têm seus princípios de não usar drogas, elas têm responsabilidade pelos seus atos e confiança em si próprias, não se deixando influenciar pela maioria dos jovens que estão perdidos e confusos.

Outro item que surgiu dos depoimentos nessa categoria é a coragem de recusar as drogas (de dizer não). Para isso, é preciso ser muito seguro, ter perspectivas na vida e ter inteligência emocional (GOLEMAN, 1995), para não se deixar influenciar pelos outros, pois as pessoas que não usam drogas em geral são chamadas de caretas ou outros pejorativos mais fortes. Embora elas estejam corretas em seus posicionamentos, costumam ser ridicularizadas pelos usuários, mas há quem prefira ser um jovem que tem capacidade de dizer não, e não se deixa influenciar pelos outros. Sem se esquecer que recusar todas as drogas desta sociedade acima de tudo é um ato de coragem e de humanidade.

Na escola é possível trabalhar essas habilidades que propiciam coragem e segurança nos adolescentes. Conforme Morin,



Promover habilidades diversificadas com a criança desenvolve aptidões mentais e eleva o grau de compreensão, ativando a inteligência geral, que opera e organiza a mobilização dos conhecimentos de conjunto em cada situação particular da vida, inclusive possibilitando que o jovem recuse drogas. MORIN (2001, p. 39).

A convicção mental de recusar drogas predispõe a uma força interior no adolescente, evidenciando na prática a sua decisão. O jovem sabe que droga é uma droga, só usa por burrice, eu não uso e não pretendo usar, tenho uma longa jornada pela frente, estou construindo o meu futuro, e não quero pôr tudo abaixo, por causa de uma droga.

Além disso, o jovem precisa valorizar o seu pensamento próprio, principalmente ao participar de eventos sociais noturnos, pois é lá que sua força de vontade é testada, diante do modismo, dos amigos ou dos falsos amigos, que o convidam para experimentar algo novo e diferente. Há algumas pessoas que têm vários motivos para querer ‘fugir da realidade’ e não se drogam. Outras têm tudo para serem felizes e a usam. Eu acho que é mais uma questão de dar valor à própria vontade do que à dos outros, saber escolher entre o bom e o ruim (que às vezes parece bom). A coragem de contrariar a opinião de um grupo, na adolescência, é um fator muito positivo e requer muita segurança em si mesmo, como é percebido nesse depoimento. O jovem evita drogas pelo fato de não ser covarde, de chegar a ponto de fazer as mesmas besteiras que o ‘amigo’ ou ‘colega’ fez para fugir das responsabilidades e realidades da vida.

O item seguinte refere-se ao medo de ficar dependente de substâncias psicoativas. Nesse caso o jovem possui informações, sabe que se experimentar pode gostar do prazer momentâneo causado pela droga e querer repetir o seu uso, estabelecendo ao longo do tempo, uma dependência física e/ou psicológica. Dessa forma, o sentimento de medo está contribuindo para que eles recusem as drogas. Como revela esse aluno, em geral é o medo de um dia experimentar, gostar e não conseguir se conter sempre que estiver diante da droga. E também, de não querer se envolver, pois as drogas hoje em dia são um ‘prato cheio’ para qualquer recaída na vida. Eu corri atrás para ver como é que era, mas depois eu não quis mais porque eu achei que eu ia me viciar fácil, me arrependo plenamente de ter experimentado.

Outro aspecto interessante observado nesse item é que além dos jovens terem medo de ficar dependentes, alguns salientaram que podem morrer precocemente ou tornarem-se pessoas frias e insensíveis: eu acho que a maioria dos jovens está consciente de que drogas fazem mal e ficam com medo de experimentar e tornar-se um viciado egoísta, isso se não morrerem antes da hora. A dependência de drogas é uma doença incurável, segundo diagnóstico da área médica, mas em alguns casos tratável. O tratamento requer a participação da família e de todos que convivem com o dependente, que, às vezes, é muito imprevisível em suas atitudes, gerando uma situação de ansiedade e conflitos difíceis de serem trabalhados. Há jovens que têm muito medo de experimentar drogas e ficar dependente. Eles têm medo da família, da sociedade, da discriminação, da rejeição e da vida cretina que a droga oferece, pois nunca se sabe o que pode acontecer.

O desinteresse em experimentar drogas, provavelmente, relaciona-se ao medo da dependência. Muitos jovens não sentem o mínimo interesse em usar drogas, por conhecer os prejuízos que as drogas causam. O instinto de autopreservação da vida funciona em algumas pessoas, fazendo que elas não tenham curiosidade em experenciar drogas, por entenderem que não vão acrescentar nada, ao contrário, vão destruir a si mesmas. Os motivos que me levam a não usar drogas é que eu não tenho interesse e nem curiosidade, vejo pessoas que usam e não acho muito bom elas estarem se destruindo, acho que alguns não conseguem controlar a curiosidade. Todavia, muitos usuários de drogas referem o prazer momentâneo que sentem no uso de drogas, enquanto alguns jovens afirmam: não tenho interesse em usar drogas. A informação que tenho das drogas me fazem recusar, embora alguns digam que é bom, eu não tenho necessidade delas, porque existem outros prazeres melhores que não causam problemas.

A educação da vontade parece ser um dos desafios do século XXI, não somente para recusar drogas que contenham alguma substância psicoativa, mas para evitar outros grandes problemas da nossa sociedade, como excesso de consumismo material (roupas, sapatos, brinquedos e utensílios domésticos), que são largamente oferecidos pela mídia diariamente, despertando uma vontade incontrolável nas pessoas, principalmente adolescentes, fazendo-as priorizarem o desnecessário. Mas nem todos se submetem a essa influência: eu não uso porque nunca tive vontade, não vejo necessidade de ter esse tipo de experiência. Usar para passar pelas dificuldades da vida não adianta, porque quando o efeito acabar os problemas estarão de volta, então tem que é agir logo.

Entre os valores essenciais para recusar as drogas insere-se a liberdade pessoal, ou seja, a capacidade de viver plenamente sem depender de substâncias psicoativas, que poderiam escravizar o corpo e a mente. Alguns alunos referiram isso: eu não uso drogas pelo simples fato de que eu prezo muito a liberdade. Ser livre, no aspecto de uso de drogas, significa não ser dependente de nenhuma substância, seja ela lícita ou ilícita. Quando a pessoa estabelece uma dependência de drogas, vira um escravo, pois só consegue realizar suas atividades diárias se usar a substância. Nesse caso, estando doente, o jovem dependente precisará de assistência médica e psicológica para sair dessa escravidão. Entretanto, como reconhece um aluno, isto pode ser evitado: não gosto de nada que tire a minha liberdade.

Recusar drogas fica mais fácil quando o adolescente tem sua auto-estima elevada, gostando de si mesmo, entendendo que não é perfeito, mas que possui muitas qualidades, sejam elas visíveis ou não. O que faz um jovem recusar as drogas é simplesmente amor à vida. Ele precisa acreditar em si mesmo, mesmo que a grande maioria não acredite.

Em geral, as pessoas que têm uma vida segura, um lar com uma família que elogie suas virtudes e um grupo social que as aceite e as valorize, tendem a ter maior auto-estima. Por isso, não adianta alguém que aprecie a arte juntar-se a um grupo que só queira jogar futebol, esse ser dificilmente será reconhecido no grupo, por falta de afinidade, e poderá sentir-se excluído, diminuindo a sua auto-estima. Isso pode desencadear uma busca por drogas. Mas as condições sociais em que o jovem vive, se ele tem um suporte da família, se ele luta pelos seus objetivos e vive com satisfação, faz com que ele recuse drogas. A satisfação interior pode ser reconstruída em qualquer etapa da vida. Isso quer dizer que a escola e a família precisam estar atentas ao nível de auto-estima do adolescente, para conversar e intervir se necessário, antes que ele se envolva com drogas. Um jovem com a mente trabalhando, produzindo conhecimento, que saiba encarar os momentos ruins da vida com uma visão global, sem autopiedade, recusará drogas com certeza.

De acordo com o artigo especial, publicado na revista Veja, em setembro de 2003, Seligman (2003, p. 89) sugere: “As pessoas podem nascer com características negativas ou ter tido uma criação que lhes inculcou outras piores, mas elas não precisam passar a vida inteira se sentindo presas a essas armaduras psicológicas”. Portanto, segundo ele, em qualquer idade existe possibilidade de modificar traços mentais negativos da personalidade que prejudicam o individuo, com apoio da psicologia comportamental positiva, proporcionando uma vida mais equilibrada.

Certamente o equilíbrio emocional contribui para que o adolescente recuse drogas. Embora essa fase de alterações hormonais e comportamentais seja suscetível a conflitos emocionais, a maioria consegue manter esse nível regulado. Os jovens que recusam as drogas são pessoas que tem um equilíbrio emocional, que pensam nos males que a droga provoca. O relacionamento familiar aberto e franco preserva o equilíbrio emocional, que repercute em um convivo agradável com as outras pessoas fora do lar. Com certeza são pessoas sensatas que não caem na conversa de ‘ficar legal’. Também pelo estado emocional, se tem uma relação boa com as pessoas em casa.

A crença espiritual, ou seja, a fé em Deus ajuda o indivíduo a recusar drogas, não por medo de punição, mas pelo sentimento de fraternidade e reconhecimento de terem sido criados para o bem. A tendência do uso de drogas é gerar violência, destruição e morte precoce. Assim refere um aluno: aprendi a olhar os usuários de drogas como pessoas doentes, que precisam de ajuda, e a fé faz a gente querer ajudar o próximo.

Ser solidário, ajudar o próximo, são alguns dos princípios da cidadania, esse deveria ser o valor moral mais trabalhado junto ao jovem, fazendo-o perceber que ele tem direitos, mas tem também deveres para com a sociedade. Um dos deveres de todo o cidadão é manter a ordem, evitando a destruição e a violência. Infelizmente as drogas, por provocarem alteração cerebral nos indivíduos, fazem com que eles ajam de forma contraditória ao seu pensamento quando em estado normal, e o resultado aparece em atitudes contrárias à moral e à cidadania. Depende muito da pessoa, se é uma pessoa fraca, que não tem moral, só se sente bem com uma turminha, será difícil recusar drogas. É importante ter a moral forte, para saber o que é certo e o que é errado.






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