Interações em plataformas digitais e análise de memórias da cidade turística: uma proposta metodológica em Peirce e Foucault1


Key words: memories of the tourist city, interactivity on digital platforms, urban planning. Introdução



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Key words: memories of the tourist city, interactivity on digital platforms, urban planning.


  1. Introdução:

Como propõe Le Goff (1994), os meios de comunicação são espaços de produção de memórias. Em suas discussões, o autor atenta para táticas de governos que estabelecem vigilâncias e monitoramentos da memória coletiva a partir de suportes como televisão e rádio, que seguem a lógica da produção um-todos. No entanto, a atual cultura da convergência tem gerado novas tessituras interativas entre cidadãos e instituições. "A nova mídia opera sob princípios diferentes daqueles que reagiam a mídia de radiodifusão que dominou a política americana por tanto tempo: acesso, participação, reciprocidade e comunicação ponto-a-ponto, em vez de um-para-muitos" (JENKINS, 2009, p. 288).

As mídias digitais propõem uma democracia descentralizada, dispersa e contraditória. São ambientes em que o conteúdo também é produzido pelo usuário, e possuem grande capacidade de formação e disponibilização de bancos de dados, gerando uma memória digital. Palácios (2003) observa que as narrativas na internet propõem novos e inusitados modos de construções, reconstrução, atualização, permanência ou resgate da memória, apontando para diferentes sentidos sociais sobre um lugar, que já não tem mais fronteiras, ficando ao acesso de cidadãos de quaisquer lugares do mundo.

Espaços jornalísticos, páginas governamentais, redes sociais, aplicativos de dispositivos móveis, plataformas turísticas, entre outros, ampliam os fluxos sociais, políticos e econômicos e apontam para novas formas de culturas, colaborando para a constituição de diferentes memórias. No ciberespaço, é possível identificar fatos e experiências registrados nos campos afetivos e cognitivos de usuários, chegando a contextualizações sobre a história e perspectivas futuras de grupos de interesses de uma localidade, incluindo residentes ou não.

Em trabalho anterior (COSTA 2004; 2005), nota-se que as cidades virtuais potencializam o turismo, sugerindo uma consciência de modernidade, que para MacCannell (2003) é essencial ao entendimento da atividade. Entretanto, surge nova inquietação: como pensar o planejamento da cidade turística a partir de processos interativos no ciberespaço, considerando elementos de memórias coletivas sobre um destino? Como tentativa de resposta, este artigo traz uma perspectiva metodológica, tendo como referências interações sociais na Fanpage da Prefeitura Municipal de Salvador e descrições sobre o Airbnb3, além de experimentações na plataforma.

A questão é problemática central da proposta de doutoramento em curso. Parte-se do princípio de que a análise da memória coletiva a partir de dispositivos digitais pode constituir-se como suportes de transformações sociais, por meio de sistematizações que possibilitem a convergência das informações apreendidas em ações efetivas. Considera-se que os sítios delimitados para este estudo permitem percepções de práticas sociais, perspectivas, pulsões e afetividades de residentes e turistas, impulsionando uma correlação entre três áreas de investigação – comunicação, práticas turísticas, e memória coletiva.

Pelo caráter interdisciplinar, busca-se na semiótica peirceana a base para a elaboração metodológica, já que as categorias triádicas exigem interligações de conteúdos. Mas, considerando a infinitude do modelo de Peirce, a proposta completa-se com as regularidades discursivas estabelecidas por Foucault (2014). Acredita-se que esta correlação possibilita a identificação e compreensão de discursos sociais que representam culturas turísticas.

Como uma tentativa de melhor exposição da ideia, este artigo compreende três momentos. O primeiro – Cultura turística, interatividade e memória coletiva – traz uma contextualização sobre cultura turística na contemporaneidade, propondo a memória digital, no sentido atribuído por Palácios (2003), como suporte para a apreensão da memória coletiva. Em seguida – Uma sistematização em Peirce e em Foucault –, descreve-se o caminho percorrido para a formulação da perspectiva metodológica. No terceiro e último tópico – Da estratégia de investigação ao planejamento urbano – apresenta-se, passo a passo, a proposta metodológica, estabelecendo uma relação com o processo de elaboração e execução do planejamento da cidade turística.

A hipótese é de que a interatividade nestes ambientes coopera para identificação de três memórias diferentes sobre a cidade turística: uma memória idílica constituída a partir dos enunciados da gestão pública; uma memória dispare, formada por discursos não homogêneos, pautados pelas demandas dos residentes; e a memória pulsional, refletindo prazeres e angústias do turista referentes a expectativas e experimentações no centro receptivo. Infere-se que a análise e sistematização dos elementos dessas memórias cooperam para o planejamento urbano a curto e longo prazos, potencializando processos de governança e fomentando uma política da convergência.






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