Instituto de Educação infantil e juvenil



Baixar 1.19 Mb.
Página1/3
Encontro05.09.2018
Tamanho1.19 Mb.
  1   2   3

Instituto de Educaçãoinfantil e juvenil ano

Inverno, 2017. Londrina, ______ de ____________________.

Nome: _______________________________________________________


ÓRFÃOS DA CANA
Seu sonho era ter uma vida melhor. Para isso, deixava sua família por até nove meses por ano e viajava mil quilômetros até o "eldorado". Hoje, 34 anos depois da primeira viagem, acumula dores no corpo e não consegue mais trabalhar. Ainda que conseguisse, não encontraria as vagas de antigamente.
Aos 47 anos, Natalino Lopes Moreira é um exemplo dos migrantes do Vale do Jequitinhonha (MG) e de Estados do Nordeste que tentavam ganhar a vida em lavouras de cana-de-açúcar do interior de São Paulo, especialmente na região de Ribeirão Preto, uma das mais ricas do país.
Eram milhares. Mas, com o aumento vertiginoso da mecanização das lavouras, foram praticamente expulsos dos canaviais. Além de Natalino, uma legião de Geraldos, Raimundos e Josés viu suas vidas tomarem outros rumos por causa das máquinas.
Não foram derrotados só pela tecnologia, mas perderam espaço também devido a um acordo que restringiu a queima da palha da cana, responsável por fumaça, fuligem e gases tóxicos, e obrigou as usinas a se mecanizarem cada vez mais.

Desempregado, o ex-boia-fria Natalino Lopes Moreira, 47, não consegue mais trabalhar por dores no corpo


A assinatura do protocolo agroambiental, entre Estado, usinas e fornecedores de cana, completou dez anos. Usinas e fornecedores se comprometeram a antecipar o fim da queima nas lavouras de São Paulo para 2014, em áreas mecanizáveis, e para 2017, nas não mecanizáveis. Por lei, o fim da queima estava previsto para 2021 e 2031, respectivamente.
Por dois meses, a Folha acompanhou as condições de vida e de trabalho de atuais e ex-boias-frias no interior de São Paulo, no Vale do Jequitinhonha (MG) e no Maranhão, e encontrou uma legião de ex-cortadores enfrentando desemprego e problemas de saúde em suas cidades de origem.
As máquinas surgiram na década de 1990, mas não tinham a tecnologia atual e eram muito caras –ainda hoje custam mais de R$ 1 milhão. Foram incorporadas com rapidez a partir de meados da década passada, cinco séculos após a chegada das primeiras mudas de cana ao país. O setor viveu um boom, e os usineiros chegaram a ser chamados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de "heróis".

"Em 2004, tive um problema grave na coluna, deitava no chão para ver se ela voltava, mas não deu e vim embora. Com mulher e cinco filhos, precisava tentar de novo. Tomava remédio direto e nem cirurgia espírita ajudou", disse Moreira, que mora em Berilo (MG) e cortava em média 16 toneladas de cana. Por dia.