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EDUCAR A VONTADE

  • DESPERTAR AS FORÇAS ESPIRITUAIS NA CABEÇA.



Reflexões para o congresso mundial de professores e educadores 2008.

(Journal/ Páscoa 2007)

Christof Wiechert


A intenção desse artigo é estabelecer, mais uma vez, o que se almeja realmente com a indicação desse título. Em seguida, queremos nos dedicar à primeira parte "educar a vontade".

Tendo em vista essa dupla tarefa “formar a vontade - despertar a inteligência" ficamos muito admirados. Primeiramente, sobre a clareza, até agora inexistente, até a ousadia flagrante ou crassa de tal afirmação e, em segundo lugar estamos admirados que relativamente poucas pessoas têm adotado para si essa mudança radical dos paradigmas na educação. Pois nesse contexto se declara que apenas a vontade está liberada para a educação e que, pelo contrário, a compreensão, a inteligência não podem ser educadas diretamente, apenas indiretamente através do despertar.

No compêndio – O Estudo Geral do Homem: uma base para a pedagogia - Steiner apresenta esses fatos em palavras bem crassas, provocativas. Aqui pode ser feita pergunta, se essas palavras crassas, na visão de hoje, podem tornar-se compreensíveis?

Podemos ter a impressão de que, através das pesquisas cerebrais modernas são dados suportes para a compreensão das afirmações de Steiner. Quinze há vinte anos atrás, a compreensão geral era de que o desenvolvimento cerebral seguirá mais ou menos regras rígidas. Essas foram primeiramente definidas de forma empírica pelo grande pesquisador Jean Piaget (1896-1980). Gerações têm aprendido dele sobre as "fases sensíveis", que foram então usadas por Maria Montessori, no seu sistema educacional.

Ao contrário, a visão corrente hoje é outra. Hoje, se aceita a idéia de um cérebro que tem

plasticidade, que sempre se adapta, que sempre aprende. Para isso existe uma extensa literatura impressionante. O que ela nos diz? Ela nos ensina que as chances de desenvolvimento do cérebro não estão localizadas primariamente no cérebro, porém no mundo, portanto lá, onde o mundo lida com o vir a ser do ser humano. Para isso, existem projetos de pesquisas convincentes, que mostram que aquilo que a criança vivencia através das experiências no mundo atua de forma tremendamente forte sobre a formação do cérebro. Está garantida a segurança de contato após o nascimento e durante toda a infância, através de círculos que se ampliam e que são um enriquecimento? A criança é envolvida com sentimentos estáveis e ações significativas? Permite-se ao vir a ser do homem um desenvolvimento de viver num mundo infantil, ou logo é arremessado para dentro do mundo dos adultos? Tais perguntas e outras semelhantes são feitas não pelo pedagogo, porém pelo neurologista, pois todos esses fatores provocam um desenvolvimento adequado ao cérebro, ou não.

Até pouco tempo atrás, predominava o pensamento de que problemas comportamentais seriam causados por danos mínimos no cérebro ou por problemas de metabolismo cerebral. Hoje, porém, sabe-se que as funções danificadas do cérebro, via de regra, são provocadas pela maneira como o mundo, isto é, os seres humanos lidam com as crianças.

Observando do ponto de vista antropológico enxergamos realmente nessas pesquisas recentes uma atividade que atua de baixo para cima (externamente) e nesse âmbito a ‘desperta’ a vontade de maneira correta ou não. Está se revelando um ponto de vista completamente novo sobre o sistema nervoso; não mais apenas o suporte da inteligência, porém, um órgão bem humano, social. Naturalmente a constituição que a criança traz consigo do período de antes do nascimento tem igualmente uma parte significativa, pois nem todas as crianças bem educadas se tornam gênios, nem todas as crianças mal educadas apresentam problemas comportamentais. Porém, deve ser registrado que a formação e o desenvolvimento do homem neuro-sensorial, depende altamente dos sentimentos e das ações dos adultos responsáveis.

Em relação ao estado geral do sistema educacional podemos afirmar com certeza que ele tem um problema de vontade. Nas escolas existem grandes conflitos porque de todos os lados, professores, alunos e pais reclamam sobre fraqueza de vontade, “não há vontade suficiente”, “não se mantêm compromissos”, “fraca iniciativa” e assim por diante. Ela não poupa ninguém, essa fraqueza de vontade. Justamente nos países mais civilizados onde, devido à técnica, a vontade em geral não é mais necessária estar ancorada no aparelho de movimentam como condições de existência, surgem grandes problemas de fraqueza de vontade. (Para se certificar disso leiam-se autobiografias de pessoas de uma ou duas gerações atrás. O que essas pessoas realizavam fisicamente dificilmente hoje ainda é cobrado de alguém de nós.)

Tanto mais necessário é dedicar-se a uma educação cuidadosa da vontade. Mas que fique claro que uma educação cuidadosa da vontade nada tem a ver com disciplina, "impor-se", leis dracônicas, um catálogo "objetivo" de castigos, educação corporal exacerbada. Isso são desvios do caminho.

Três pontos de vista deverão aqui ser abordados para a educação da vontade. Existe vontade em três níveis, no pensar (vontade de pensar), no sentir e na própria vontade. Na criança os três níveis estão unidos entre si.

A vontade do pensar está relacionada com o esquecer e o recordar-se. Inicialmente o recordar ou o esquecer não são diferenciados. "Donde vem a lembrança? Vem do fato de a vontade, na qual nós dormimos, captar uma representação, em baixo, no inconsciente, trazendo-a à consciência" (Estudo Geral do homem; uma base para a pedagogia. 8a palestra de 29.08.1919. GA 293- pg. 98)

Em seguida é dito que a vontade como tal não é atingida. "... seria como se pretendêssemos admoestar a pessoa a ser sempre bem-comportada no sono, a fim de trazer esse bom comportamento para vida ao acordar pela manhã..." (Idem acima pg. 98) É preciso encontrar um atalho, nesse caso, através do interesse. Em seguida Steiner fala sobre o significado de um ensino que desperta o interesse na vontade da criança para o despertador da memória.

"Se uma criança percorreu tal ensino, este atingirá cada vez mais a vontade, quanto mais vivo for o interesse que provoque; e quando numa vida ordenada forem exigidas da memória representações de animais e idéias sobre eles, essa vontade adquirirá, em geral, a capacidade de extraí-las do subconsciente, do esquecimento. É apenas pelo fato de se atuar sobre o habitual da pessoa, sobre o costumeiro, que se põe em ordem sua vontade e, com isso, sua capacidade de lembrar”. (Idem acima pg. 98)

Observando as frases “... quando numa vida ordenada...” e "o habitual da pessoa..." aí se percebe a presença do que foi exposto na primeira parte deste artigo: o desdobramento da atividade cerebral (nesse caso a força de memória) necessita de uma vida ordenada e a atuação sobre o habitual da pessoa, significa, cunhar hábitos. Mas, como já exposto, Steiner acentua ainda mais este ponto de vista: "Pois a força da memória deve surgir do sentimento e da vontade, e não por meio de meros exercícios mnemônicos”. (Quando Rudolf Steiner percebeu que os alunos não haviam aprendido o suficiente, ele não sugeriu um exercício mnemônico para os alunos, porém advertiu os professores para ministrar aulas com mais sentimento). (Steiner, Rudolf: Conhecimento do Homem e a Estruturação do Ensino. Palestra de 12.06.1921 GA 302)

Concluindo, nós temos vida ordenada, a atuação na formação de hábitos e o papel do sentimento (aqui do interesse). É necessária uma vida ordenada, circunstâncias ordenadas; ordem não como meta em si (isso tem um efeito restritivo, constrangedor) e a atuação através da formação de hábitos. Mesmo aqui o caminho é estreito; facilmente as crianças tornam-se prisioneiras de seus hábitos, ao tornarem-se metas em si. Os alunos então permanecem presos em seus hábitos numa certa idade. Se de outro lado se valoriza muito pouco a força dos hábitos, então é possível acontecer certo abandono do social da classe (e parte dela).

É o próprio âmbito da formação da vontade. “O certo não consiste em impingir repreensões às crianças e preceitos de moral, mas dirigi-las para algo que se considere capaz de despertar nelas o sentimento para o correto, deixando fazê-las repetidamente. Tal ação deve tornar-se um hábito. Quanto mais permanecer como hábito inconsciente, tanto melhor é para o desenvolvimento do sentimento; quanto mais a criança estiver consciente e repetir a ação, a partir da devoção, porque isso deve ser executado, tanto mais estaremos elevando isso ao real impulso volitivo”.

Sendo assim, repetição mais inconsciente cultiva o sentimento; repetição plenamente consciente cultiva o autêntico impulso volitivo, porque realça a força de resolução”. (Steiner, Rudolf: Estudo Geral do homem; uma base para a pedagogia. 4a palestra de 25.08.1919 GA 293 pg. 62)

São palavras simples, mas não podemos repeti-las demais. O que são repetições conscientes? É o poema da manhã? É toda a "litania" na, assim chamada, parte rítmica? É o regar as flores sistematicamente ou manter limpo a sala de aula? Nós temos a tarefa, nós próprios, integrar totalmente essas duas atividades na realização da aula.

FORMAR A VONTADE

DESPERTAR O ESPÍRITO DA CABEÇA

Christof Wiechert

(Journal/ verão 2007)





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