I conferência o concílio vaticano II e a dimensão missionária da igreja no Vaticano II



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I Conferência
O CONCÍLIO VATICANO II

E A DIMENSÃO MISSIONÁRIA DA IGREJA

A dimensão missionária da Igreja no Vaticano II
1. Em 7 de dezembro de 1965 os Padres Conciliares do Vaticano II promulgaram o Decreto sobre a Atividade Missionária da Igreja “Ad Gentes”. O Concílio sublinhava a vocação missionária da Igreja como parte integrante de sua essência. O Concílio teve uma peculiar atenção aos problemas humanos precisamente a partir da própria vocação católica para a missão. Ultimamente a atividade missionária da Igreja tanto “ad intra”, isto é, nos países de antiga cultura ocidental, como Ad Gentes (resto do mundo) produziram frutos escassos. Pôde-se constatar o alargamento da divisão entre a fé cristã e a vida das pessoas, entre a fé e a cultura. Em relação a missão “Ad Gentes” foram feitos notáveis esforços, principalmente, por parte das antigas Igrejas Particulares na Europa, mas nem sempre eram realizados com o apoio global de todas as outras Igrejas Particulares e com a devida inteligência.
2. Sentia-se a necessidade de colocar em uma mais profunda relação a missiologia com a eclesiologia. Necessitava-se também animar missionariamente toda a Igreja para recuperar em suas raízes o motivo do seu existir: a Missão. A Igreja surgia como o Povo messiânico que anunciava a todos os homens e a todos os povos os dons de Deus1. A proposta da Ad Gentes parte da posição eclesiológica exposta na Lumen Gentium, onde a missão se modela e parte do sinal do mesmo mistério trinitário. O decreto Ad Gentes recolhe tal postura e a coloca como ponto de partida no seu número 2: “A Igreja peregrinante é missionária pela sua própria natureza, já que procede da missão do Filho e da missão do Espírito Santo, segundo o desígnio de Deus Pai”2. Com Jesus Cristo, o Verbo Encarnando, este amor do Pai se coloca concretamente na história humana como seu centro e significado, como a força que move a complexa realidade do homem. Por isso Jesus Cristo é o centro da Missão, o seu sujeito e o seu objeto ao mesmo tempo: o “cardus” sob o qual gira a Missão3. Em outras palavras: o Verbo eterno de Deus e Jesus de Nazaré são inseparáveis, uma mesma Pessoa divina. O surgimento de Jesus de Nazaré não é um algo a mais que não esgotaria a automanifestação eterna de Deus, como sustentam alguns escritores, também católicos, tratando o tema da “salvação e as religiões não cristãs”. Para eles Jesus de Nazaré seria uma manifestação a mais do Logos eterno de Deus. Conjuntamente a isso se estaria em igualdade as outras religiões e seus fundadores. A única forma sólida de desarmar esta posição, que já o Concílio indica com toda sua postura, foi retomada por João Paulo II no seu Magistério, na Encíclica cristológica Redemptor Hominis e a Redemptoris Missio, como também em outros importantes documentos do Magistério eclesial como a Dominus Iesus, isto é, a predestinação dos homens em Cristo à salvação (cf. Ef 1,3-14; Col 1,15-20.26; Rm 8,28-30; Its 2,13-14; 1Cor 2,7), Magistério esse continuado em forma sempre mais insistente pelos dois Pontífices sucessivos: Bento XVI e agora pelo Papa Francisco, Deus gerou desde toda a eternidade seu Filho e, “por meio d’Ele todas as coisas foram criadas” (cf. Cl 1,16). A criação é a primeira fase na execução da Encarnação que culmina na livre missão de Jesus e na sua morte e ressurreição. O destino de todos os homens está no arquétipo Jesus glorioso à direita do Pai. Deus cria para que existam “filhos no Filho”. Além disso, sendo Cristo anterior a Adão, isto é, sendo Cristo o arquétipo do qual Adão é imagem, se compreende que toda a natureza humana só poderá encontrar a sua plenitude naquele que lhe serve de modelo. Assim se pode entender porque a Igreja (Corpo de Cristo mesmo e espalhada em todo o mundo) não pode abandonar a missão, para que todo o universo se torne Corpo de Cristo na “anakefalaiosis” do fim dos tempos, quando Jesus será definitivamente Senhor (Kyrios) de tudo e de todos. Por tudo isso Jesus Cristo é o único Salvador. “A realidade é Cristo (Cl 2,17). E se o mundo existisse à margem de Cristo, se Cristo fosse um projeto a mais do Pai como poderia ser qualquer outro fundador de religiões, a fé cristã na redenção de Cristo não teria nenhum sentido e a missão ainda menos. Toda a história do acontecimento cristão se perderia em algo sem sentido. O fato que o mundo exista por Cristo não nega, porém, que o mundo tenha sua autonomia, mas afirma que tudo, antes ou depois, se incorpora a Cristo em virtude da qual tudo foi feito, como afirma o “corpus paulinum”. Isto é o que vem sublinhado com força na Redemptoris Missio em seu primeiro capítulo.
3. A Igreja reconhece, acolhe, vive e anuncia este acontecimento de salvação4. Ela mesma confessa no tempo da história e no espaço do mundo o mesmo Mistério, prolongado, tangível e encontrável pelos homens (cf. 1Jo 1,1-4). Não é uma abstração. Por isto existem as concretizações das Igrejas particulares e locais: “A Igreja Particular chamada a representar no modo mais perfeito a Igreja Universal, deve ter plena consciência que foi enviada também àqueles que não creem em Cristo e que vivem próximo a ela no mesmo território, para servir-lhe de orientação em direção a Cristo mediante o testemunho de vida de cada um dos seus fiéis e de toda a comunidade”5. Em outras palavras, o Concílio enxerga a necessidade que cada Igreja Particular não se esqueça da sua vocação missionária e católica. Que cada uma, sem deixar de ser toda a Igreja, revele o mistério total da Igreja. Neste sentido também as Normas para uma melhor distribuição do clero no mundo promulgadas pela Congregação para o Clero de 25 de março de 1980 recordam aos bispos que: “a Igreja particular não pode se fechar sobre si mesma, mas deve se abrir às necessidades de todas as outras Igrejas...; diminuiria o seu impulso vital se, concentrando-se somente em seus próprios problemas, se fechasse diante das necessidades das outras Igrejas. Pelo contrário, recupera novo vigor todas as vezes que abre seus horizontes aos outros”6. Por isso recorda o documento: “A graça da renovação não pode crescer na comunidade, se não existe abertura aos espaços da caridade até os confins da terra, demonstrando em relação aos distantes a mesma solidariedade que existe para os próximos”. Esta dimensão missionária deverá caminhar progressivamente e laboriosamente nas Igrejas Particulares da América Latina, bastante atormentadas por problemas sociais e eclesiológicos e com tendência a se apegarem a esses grandes problemas, reduzindo também a missão a uma dimensão mais social que eclesiológica universal, mais ad intra que ad extra (Ad Gentes). Por isso mesmo, a dimensão missionária deve caminhar, sobretudo superando uma visão exclusivamente centrada sob os próprios problemas internos e abrindo-se a missão univrsal. Neste processo de crescente abertura terá um notável papel seja as Conferências Gerais do CELAM como os Congressos Missionários Latino-americanos. Assim o lema do seu Congresso Missionário (COMLA-IV), celebrado em Lima (fevereiro de 1991) será muito significativo: “América Latina, pela tua fé envia missionários”, não obstante a pobreza de sacerdotes e religiosos.



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