Honorvel Lama Cirurgio Mdico



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Qual é a cor?

  • É clara ou turva, e com que nitidez posso ver através dela?

  • Ela gira sobre certas áreas, ou se localiza quase permanentemente sobre um ponto?

  • É uma faixa contínua de cor, mantendo a sua forma, ou flutua e apresenta cumes agudos e vales profundos?

  • Devemos também verificar se não estamos pré julgando uma pessoa, porque é muito simples olhar uma aura e imaginar que estamos vendo uma cor turva quando, na verdade, ela não o é de modo algum. Pode ser que os nossos próprios pensamentos errados façam com que uma cor pareça turva, pois é preciso lembrar: ao contemplarmos a aura de outra pessoa, que estamos a fazê-lo, olhando através da nossa própria Aura (com os nossos defeitos)!

    Existe uma relação entre os ritmos musicais e mentais. O cérebro humano é uma massa de vibrações com impulsos eléctricos que se irradiam de todas as partes do mesmo. Um ser humano emite uma nota musical dependendo da cadência de vibrações do mesmo. Exactamente como se pode chegar perto de um cortiço e ouvir o zumbido de todo um bando de abelhas, também é possível que alguma outra criatura escute os seres humanos. Todo o ser humano tem a sua própria nota básica, constantemente emitida de modo bem semelhante àquele pelo qual um fio telefónico emite vibração, ao vento. Além disso, a música popular é de tal natureza que se acha em acordo simpático com a formação da onda cerebral, e está em simpatia com a harmonia da vibração corporal. Podemos obter uma “melodia de sucesso”, que põe todos a cantarolá-la e assobiá-la. As pessoas dizem que tem “tal ou qual melodia” percorrendo constantemente seu cérebro. As melodias de sucesso são aquelas que se combinam com as ondas cerebrais humanas por algum tempo, antes que sua energia básica se dissipe.

    A música clássica apresenta uma natureza mais permanente. Trata-se de música que faz com que a nossa forma ondular auditiva vibre de maneira agradável, em simpatia com a música clássica. Se os dirigentes de uma nação querem influenciar, os seus seguidores têm de compor, ou mandar compor, uma forma especial de música, a que chamamos “hino nacional”. Ouve-se o hino nacional e sentem-se todos os tipos de emoções, após o que nos pomos em pé, pensamos coisas boas do nosso país, ou más e até ferozes quanto aos outros países.

    Isso é devido simplesmente ao fato de que as vibrações a que chamamos som levaram as nossas vibrações mentais a reagirem de um certo modo. Assim é que se torna possível “pré- encomendar” certas reacções num ser humano, executando determinados tipos de música para o mesmo efeito. Uma pessoa de pensamentos profundos, que apresenta picos altos e pontos de grande profundidade na sua forma ondular cerebral, gosta de música do mesmo tipo, isto é, música que tenha passagens elevadas e momentos profundos. Mas uma criatura desmiolada prefere a música desmiolada, que é mais ou menos um tilintar, o que num gráfico ficaria representada de modo mais ou menos preciso por um simples salutar.

    Muitos dos maiores músicos são aqueles que consciente ou subconscientemente executam a viagem astral e chegam aos reinos além da morte. Eles ouvem “a música das esferas”. Sendo músicos, essa música celestial causa uma vasta impressão sobre eles, prende-se à sua memória, de modo que quando voltam à Terra encontram-se imediatamente num “estado de espírito disposto à composição”. Vão correndo para um instrumento musical, ou ao pentagrama, e imediatamente escrevem, tanto quanto se recordam, as anotações da música que ouviram no astral. Em seguida, dizem sem se lembrarem bem que compuseram esta ou aquela obra musical!

    O sistema diabólico de publicidade subliminar, no qual a mensagem publicitária é posta de relance a passar no écran de televisão, com uma rapidez demasiada para que os olhos conscientes a vejam, valem-se da semi percepção da pessoa, ao mesmo tempo em que não chega às percepções conscientes. O subconsciente é posto em alerta, por solavanco, pelo fluxo de padrões ondulares que lhe chegam, e o subconsciente, formando nove décimos do todo, vem mais tarde a levar o consciente a sair e comprar o artigo assim anunciado, embora conscientemente — a pessoa saiba que nem sequer deseja tal objecto.

    Um grupo inescrupuloso de pessoas, como os dirigentes de um país que não tenha o bem-estar de seu povo como meta maior, poderia, na verdade, levar esse povo a reagir a qualquer ordem subliminar, utilizando tal forma de publicidade.

    LIÇÃO 7
    Esta será uma lição curta, porém muito importante. Sugiro que você a reveja com muito, muitíssimo cuidado, mesmo.

    Muitas pessoas, ao tentarem ver a aura, mostram-se impacientes, esperam ler algumas instruções escritas, erguer o olhar da página impressa e ver auras diante dos seus olhos espantados. A coisa não é tão simples assim! Muitos dos Grandes Mestres levam uma vida toda, antes de conseguirem ver a aura, mas nós asseveramos que, desde que a criatura seja sincera e pratique de modo consciencioso, a aura poderá ser discernida pela maioria das pessoas.

    Afirma-se que a maioria das pessoas pode ser hipnotizada; de modo exactamente igual, a maioria das pessoas, com prática, e essa “prática” realmente quer dizer “perseverança”, pode ver a aura.

    Temos de frisar repetidas vezes que quem quiser ver a aura com o maior pormenor tem de fitar um corpo nu, pois a aura é consideravelmente influenciada pela roupa. Como exemplo, suponhamos que uma pessoa diga: “Oh! Eu vestirei tudo inteiramente limpo, que acabou de chegar da lavanderia, de modo que isso não interfira com minha aura!” Bem, com toda a probabilidade, algumas partes da roupa foram manuseadas por alguém na lavanderia. O trabalho de lavanderia é monótono, e as pessoas que se dedicam a trabalhos assim passam o tempo a reflectir, de um modo normal, sobre o estado das suas próprias vidas. Em outras palavras, estão um pouco “fora de si”, e enquanto dobram de uma forma mecânica as roupas, ou as tocam, seus pensamentos não estão no que fazem, mas nas suas próprias questões particulares. As impressões vindas da sua aura entram na roupa, e então, quando você a enverga e olha para si vai verificar que está com as impressões dos outros. Difícil de crer? Pois examinemos a questão da seguinte maneira: você tem um íman, e toca esse íman de modo inteiramente ocioso com o canivete. Em seguida, descobre que o canivete recolheu a influencia áurica do iman. Acontece a mesma coisa, em grande parte, com os seres humanos, pois um deles pode recolher a influência áurica de outro. Uma mulher pode ir a algum teatro, sentar-se ao lado de alguém que lhe é desconhecido, e dizer depois:

    Oh, preciso tomar um banho! Sinto-me contaminada por ter estado ao lado daquela pessoa!” Se você quiser ver a aura verdadeira, com todas as suas cores, terá de olhar para um corpo nu. Se olhar para um corpo feminino, verificará que as cores são mais distintas. Francamente, detestamos dizê-lo, mas muitas vezes, com o corpo feminino, as cores mostram-se mais fortes

    mais brutas, se assim o preferirem mas, qualquer que seja o modo de designá-lo, continuam sendo mais fortes e mais fáceis de ver. Alguns de nós poderíamos encontrar dificuldade em sair e descobrir uma mulher que dispa as roupas sem fazer qualquer objecção, e assim sendo, por que não usa o seu próprio corpo para fazê-lo? Você deve estar a sós para isso, deve estar a sós no retiro de, por exemplo, uma casa de banho. Assegure-se de que o mesmo tem uma luz ambiente fraca. Se a luz for brilhante demais decididamente tem que ser fraca! pendure uma toalha próxima a essa fonte de luz, de modo que embora HAJA iluminação, esta seja bem diminuta. Aqui, cabe uma palavra de advertência: assegure-se de que a toalha não esteja demasiadamente próxima à lâmpada, para que não se incendeie; você não está procurando incendiar sua casa, mas reduzir a luz.

    Se conseguir uma dessas lâmpadas Osglim, que não usam corrente assinalada no medidor, verificará que a mesma é muito adequada.

    Uma lâmpada Osglim consiste de um globo de vidro claro. No suporte de vidro dentro do globo existe um bastão curto, ao qual está afixada uma chapa redonda. Outro bastão vem do suporte de vidro e se estende quase à parede superior do globo, e dele pende uma espiral bruta de fio bastante pesado. Quando essa lâmpada é inserida num bocal e acesa, apresenta um brilho avermelhado. Vamos incluir uma ilustração do tipo de lâmpada, porque, naturalmente, “Osglim” é uma marca comercial, e esse nome pode variar, conforme o lugar (Figura 7).

    Com a “Osglim” acesa, e sua iluminação bastante fraca, tire todas as roupas e olhe para si próprio, num espelho de um tamanho que para ver todo o corpo. Não tente ver coisa alguma por momentos, e basta ficar à vontade. Tenha a certeza de estar com uma cortina escura por trás de si, quer negra (de preferência) ou cinzento-escura, de modo que fique com o que se chama um pano de fundo neutro, isto é, um pano de fundo que não apresenta qualquer cor a influenciar a aura. Espere alguns momentos enquanto estiver fitando a si próprio no espelho, de modo inteiramente ocioso. Olhe para sua cabeça; para ver uma cor azulada ao redor das têmporas? Olhe para o corpo, dos braços aos quadris, por exemplo. uma chama azulada, muito parecida com a do álcool? Todos viram o tipo de lâmpada que os joalheiros utilizam, e que queima álcool metilico, ou álcool etílico, ou qualquer líquido espirituoso. A chama é de coloração azulada, muitas vezes cintila com uma cor amarela nas suas extremidades.



    A chama etérica é assim. Quando vir isso, estará fazendo progresso. Poderá não ver na primeira, segunda ou terceira vez em que experimentar. Do mesmo modo, também um músico nem sempre tem os resultados que deseja na primeira, segunda ou terceira vez em que executa uma peça difícil de música. O músico perseverou, e você deverá fazer o mesmo. Com a prática, conseguirá ver o etérico. Com mais prática, conseguirá ver a aura. Mas, é preciso que o repitamos incessantemente, é muito mais fácil e muito mais claro com um corpo nu.

    Não pense que haja qualquer coisa errada no corpo nu. Dizem que “O homem é feito à imagem de Deus”. Assim sendo, o que de errado em ver “a imagem de Deus” sem roupa? Lembre-se de que, “para o puro, todas as coisas são puras”. Você está olhando para si próprio, ou para outra pessoa, por motivo puro. Se tiver pensamentos impuros, não conseguirá ver o etérico ou a aura, e apenas aquilo que estiver procurando!

    Continue olhando para si, olhando para ver esse etérico. Você verificará, com o tempo, que poderá vê-lo. Às vezes, uma pessoa estará procurando a aura, sem ver coisa alguma, mas ao invés disso sentirá comichão nas palmas das mãos, ou nos pés, ou mesmo em alguma parte do corpo. Trata-se de uma sensação peculiar, essa comichão, sendo inteiramente inconfundível.

    Quando sentir isso, será sinal de que está a caminho de ver, significando que você está impedindo a si mesmo de ver, por tensão demasiada; terá de descansar, terá de “acalmar-se”. Se descansar, “descarregando-se”, ao invés de ficar com comichão, e talvez contracções, verá o etérico, ou a aura, ou ambos.

    A comichão, na verdade, é uma concentração da sua própria força áurica, dentro de suas palmas (ou qualquer que seja o centro).

    Muitas pessoas, quando assustadas ou tensas, suam nas palmas das mãos, ou nas axilas, ou em outras partes do corpo. Nesta experiência psíquica, ao invés de transpirar, você sente comichão. É, repetimos, bom sinal. Significa e queremos repetir também isto que está fazendo demasiado esforço, e quando você estiver pronto a descansar, o etérico e talvez a aura também se apresentarão diante do seu olhar bastante espantado.

    Muitas pessoas não conseguem ver sua própria aura com precisão completa, porque olham através dela ao fitar um espelho. O espelho destorce as cores, de certo modo, e reflecte (também passando pela aura) essa faixa destorcida de cores, de modo que o pobre observador imagina que tem cores mais turvas do que realmente acontece. Pense num peixe nadando na profundeza de um tanque de água, olhando para alguma flor suspensa a poucos palmos acima da superfície. O peixe não perceberia as cores do mesmo modo como nós, e teria a visão da

    flor destorcida pelas ondulações na água e pela limpidez ou turvação da água. Do mesmo modo, se você estiver a olhar as profundidades da sua própria aura, vendo a imagem reflectida nas profundidades da mesma, poderá enganar-se um pouco.

    Por esse motivo é melhor, quando isso se mostra conveniente, fitar outra pessoa.

    O seu auxiliar deve estar realmente disposto a isso, inteiramente colaborador(a). Se você estiver olhando a forma nua de alguma pessoa, é frequente que a mesma assim fitada se mostre nervosa ou embaraçada. Nesse caso, o etérico se encolhe, ficando quase todo no corpo, e a própria aura se fecha bastante, falsificando as cores. É necessária a prática para conseguir fazer um bom diagnóstico, mas o principal é ver, inicialmente, qualquer cor, não importa se verdadeira ou falsa.

    O melhor é conversar com o ou a voluntária, e faça uma conversa sem qualquer importância, até mesmo ociosa, a fim de pô-la à vontade e mostrar que nada vai acontecer. Assim que a sua auxiliar se puser à vontade, o seu etérico recuperará as proporções normais e a própria aura fluirá para fora, a fim de preencher completamente o saco áurico.

    Isto, de muitos modos, pode ser comparado ao hipnotismo: o hipnotizador não sai por aí, simplesmente atacando uma pessoa, e que a hipnotize nesse mesmo lugar. Em geral, uma série de sessões; o hipnotizador inicialmente o paciente, e eles formam uma espécie de rapport. ou base comum uma compreensão mútua, se assim o desejarem e o hipnotizador poderá até mesmo experimentar um ou dois truques de menor importância, tais como ver se o paciente responde ao hipnotismo elementar. Após duas ou três sessões, o hipnotizador põe o paciente inteiramente em transe.

    De modo bastante parecido, você fará o mesmo com a sua voluntária, e em primeiro lugar, não lhe fitaria o corpo, quase não o olharia, mostrando-se natural, como se a outra pessoa estivesse inteiramente vestida. E então, talvez na segunda ocasião, a auxiliar estivesse mais confiante em si, mais descansada. Na terceira sessão, você poderia olhar realmente para o corpo, ou para o contorno do corpo e ver por exemplo — aquela débil névoa azul? Aquelas faixas de cores rodopiando ao redor do corpo e aquele halo amarelo? Aquele jogo de luzes, do cimo da cabeça, desdobrando-se como um lótus que se desdobra, ou em fala ocidental coisa semelhante a um fogo de artificio, cintilando em cores diversas.

    Esta é uma lição curta; mas é uma lição importante. Agora, sugiro que espere até estar cómodo, sem qualquer preocupação no espírito, sem sentir fome, sem ter comido demais, e então para a sua casa de banho, tome um banho se quiser livrar-se de qualquer influência advinda da sua roupa, e depois pratique de modo a que possa ver sua própria aura.

    É tudo uma questão de pratica!

    LIÇÃO 8
    Nas lições anteriores, examinamos o corpo como centro do etérico e da aura; passamos do corpo para fora, examinando o etérico e, depois, fizemos uma descrição da aura, com suas estrias de cor, indo ter à pele áurica externa. Tudo isso é de extrema importância, e eu o aconselho a voltar e reler as lições anteriores, pois nesta, e na lição número nove, vamos preparar o terreno para deixar o corpo.

    A menos que você tenha conhecimentos claros sobre o etérico, a aura, e a estrutura molecular do corpo, poderá encontrar algumas dificuldades.

    O corpo humano consiste, como vimos, de uma massa de protoplasma. É uma massa de moléculas espalhadas por um certo volume de espaço, de modo muito semelhante àquele pelo qual um universo ocupa um volume de espaço. Agora, vamos caminhar para dentro, afastando-nos da aura, afastando-nos do etérico, entrar no corpo, pois esse corpo de carne é apenas um veículo, apenas “um conjunto de roupas a indumentária de um actor que vive o papel que lhe destinaram, no palco do mundo”.

    expusemos que dois objectos não podem ocupar o mesmo espaço. Isso é razoavelmente correcto, quando pensamos em tijolos, ou madeira, ou pedaços de metal, mas se dois objectos tiverem uma vibração diferente, ou se os espaços entre os seus átomos e neutrões e protões tiverem amplidão suficiente, nessas condições um outro objecto pode ocupar o mesmo espaço. Você poderá achar esse facto difícil de compreender, de modo que vamos apresentá- lo de um modo diferente, dando talvez dois exemplos. Eis o primeiro:

    Se você apanhar dois copos e os encher até a borda com água, verificará que, se colocar um pouquinho de areia digamos, uma colher de chá em um dos copos cheios, a água transbordará e escorrerá pelo lado, demonstrando que nesse caso a água e a areia não podem ocupar o mesmo espaço, de modo que uma tem de ceder. Sendo mais pesada, a areia vai para o fundo e com isso faz erguer o nível do copo, até ao ponto em que a água transborda.

    Voltemos ao outro copo que também foi enchido com água até à borda enchido ao mesmo nível que o primeiro. Se, agora, colocarmos vagarosamente açúcar no copo, verificaremos que será possível colocar até seis colheres de chá, cheias de açúcar, no copo, antes que a água transborde! Se o fizermos devagar, veremos o açúcar desaparecer; em outras palavras, ele se dissolveu.

    Ao dissolver-se, as suas próprias moléculas ocupam o espaço entre as moléculas da água, e assim não ocupam mais espaço. Apenas quando todo o espaço entre as moléculas da água for preenchido com moléculas de açúcar é que o açúcar em excesso se acumula no fundo e acaba por fazer com que a água transborde. Neste caso, temos a prova clara de que dois objectos podem ocupar o mesmo espaço.

    Passemos a outro exemplo. Examinemos o sistema solar. Trata-se de um objecto, uma entidade, um “algo”. Existem moléculas, ou átomos, aos quais chamamos mundos, andando pelo espaço. Se é verdade que dois objectos não podem ocupar o mesmo espaço, então não poderíamos enviar um foguete da Terra ao espaço! Tampouco poderiam pessoas de outro universo entrar no nosso, porque se o fizessem estariam ocupando o NOSSO espaço. Assim sobre condições adequadas é possível que dois objectos ocupem o mesmo espaço.

    O corpo humano, consistindo de moléculas com certa quantidade de espaço entre os átomos, também acomoda outros corpos, corpos ténues, corpos espirituais, ou aquilo a que chamamos corpos astrais. Esses corpos ténues são precisamente o mesmo, em composição, que o corpo humano, isto é, consistem de moléculas. Mas exactamente como a terra, o chumbo, a madeira, consistem em um certo arranjo molecular moléculas de certa densidade os corpos espirituais possuem moléculas em número menor, e mais distantes entre si. Desse modo, é inteiramente possível que um corpo espiritual se ajuste a um corpo carnal, no contacto mais íntimo, sem que nenhum dos dois ocupe espaço necessário ao outro.

    O corpo astral e o corpo físico estão ligados pelo Cordão de Prata. Este é uma massa de moléculas vibrando em velocidade tremenda, e de certo modo se apresenta semelhante ao cordão umbilical que liga a mãe ao filho; na mãe, impulsos, impressões e nutrição vão dela à criança por nascer. Quando a criança nasce e o cordão umbilical é cortado, a criança morre para a vida que conheceu antes, isto é, torna-se uma entidade separada, uma vida separada, não faz parte da mãe, de modo que “morre” como parte desta, e adquire a sua própria existência.

    O Cordão de Prata liga o Eu Maior e o corpo humano e as impressões vão de um para o outro, durante cada minuto da existência do corpo carnal. Impressões, ordens, lições e, às vezes, até mesmo alimentação espiritual descem do Eu Maior para o corpo humano.

    Quando a morte ocorre, o Cordão de Prata é rompido e o corpo humano fica como um traje abandonado, enquanto o espírito prossegue.

    Não é aqui o lugar para examinar a questão, mas devemos afirmar que existe um certo número de “corpos espirituais”. Estamos abordando o corpo de carne e o corpo astral, neste momento. Em toda a nossa forma actual de evolução, existem nove corpos separados, cada qual ligado ao outro por um Cordão de Prata, mas estamos a tratar agora mais da viagem astral e de questões intimamente relacionadas com o plano astral.

    O homem, portanto, é um espírito encerrado por um período breve num corpo de carne e osso, encerrado a fim de que possa aprender lições e adquirir experiências, experiências essas que não poderiam ser adquiridas pelo espírito sem o uso de um corpo. O homem, ou o corpo carnal do homem, é um veículo que se impulsionado, ou manipulado, pelo Eu Maior. Alguns preferem utilizar o termo “Alma” mas nós usamos “Eu Maior”, por ser mais conveniente (sendo a Alma uma questão diferente, na verdade). O Eu Maior é o controlador,

    o dirigente do corpo que está num plano ainda mais elevado. O cérebro do ser humano representa uma estação de relês, um centro telefónico, uma fábrica completamente automatizada, se assim o preferirem. Recebe mensagens do Eu Maior e converte as ordens do mesmo em actividade química ou actividade física, que mantém o veículo vivo, faz com que os músculos trabalhem, e causa certos processos mentais. Ele também retransmite ao Eu Maior as mensagens e impressões das experiências adquiridas.

    Fugindo às limitações do corpo, como um motorista que de vez em quando abandona o automóvel, o Homem pode ver o mundo Maior do Espírito e avaliar as lições aprendidas enquanto se acha encerrado na carne, mas aqui estamos a falar do físico e do astral com, talvez, menções curtas ao Eu Maior. Mencionamos o astral, de modo particular, porque, enquanto se acha nesse corpo, o Homem pode viajar a lugares distantes em um piscar de olhos, pode ir a qualquer lugar, em qualquer momento, e pode até mesmo ver o que velhos amigos ou parentes estão fazendo. Com prática, o Homem ou a Mulher! pode visitar as cidades do mundo e as grandes bibliotecas do mundo. Torna-se fácil, mediante a prática, visitar qualquer biblioteca e consultar qualquer livro, ou qualquer página de um livro. A maioria das pessoas julga que não pode abandonar o corpo e pensa assim porque no mundo ocidental foi muitíssimo condicionado, durante toda a vida, a desacreditar em coisas que não possam ser apalpadas, desmanteladas ou retalhadas e, depois, debatidas em termos que nada significam.

    As crianças acreditam em fadas e duendes; essas coisas existem, naturalmente, que nós, que as podemos ver e conversar com elas, chamamo-las Espírito da Natureza. Muitas crianças de pouca idade têm companheiros invisíveis como se fossem brinquedos. Para os adultos, as crianças vivem em um mundo a fingir, conversando animadamente com amigos que não podem ser vistos pelo adulto céptico. A criança sabe que esses amigos são verdadeiros.

    À medida que a criança cresce os mais velhos riem-se, ou zangam-se por causa das suas imaginações. Os mais velhos, que esqueceram sua própria infância e o modo como os seus pais agiram, chegam ao ponto de bater na criança por ser “mentirosa” ou por mostrar-se “excessivamente imaginativa”. Com o tempo, a criança é hipnotizada passando a crer que não existem tais coisas como Espíritos da Natureza (ou fadas) e, a seu turno, essas crianças

    crescem formam famílias próprias e não estimulam os seus próprios filhos a ver ou brincar com os Espíritos da Natureza!

    Vamos afirmar, de modo inteiramente afirmativo, que os povos do Oriente e o povo da Irlanda sabem que não é assim; existem Espíritos da Natureza, quer se chamem “fadas”, ou duendes qualquer que seja o nome que lhes demos —, são verdadeiros; fazem boas obras, e o Homem, em sua ignorância e arrogância ao negar a existência destas entidades, nega a si próprio uma situação fabulosa e um repositório maravilhoso de informações, pois os Espíritos da Natureza ajudam aqueles de quem gostam, e ajudam aqueles que acreditam neles.

    Não existem limites ao conhecimento do Eu Maior. Existem limites muito verdadeiros às capacidades do corpo o corpo físico.

    Quase todos na Terra deixam o corpo, quando encontram-se adormecidos. Ao despertar dizem que tiveram um sonho, porque, também neste caso, os seres humanos aprenderam a acreditar que esta vida sobre a Terra é a única que importa, é-lhes ensinado que não realizam viagens quando se encontram adormecidos. Assim é que experiências maravilhosas são racionadas e transformadas em “sonhos”.

    Muitas pessoas crêem poder deixar o corpo à vontade e viajar a distâncias bem grandes, com rapidez, regressando ao corpo horas após, com conhecimento completo de tudo que fizeram, do que viram e pelo o que passaram. Quase qualquer pessoa pode deixar o corpo e efectuar uma viagem astral, mas é preciso acreditar que o pode fazer, sendo inteiramente inútil para quem emite pensamentos contrários, de descrença, ou pensamentos de que não possa fazer isso. Na verdade, é notavelmente fácil viajar no astral, quando se passa pelo primeiro obstáculo, o medo.

    O medo é o grande travão. A maioria das pessoas tem de suprimir o medo instintivo de que abandonar o corpo significará morrer.

    Algumas pessoas têm um receio mortal de que, se deixarem o corpo, talvez não consigam voltar a ele, ou de que alguma outra entidade entrará no mesmo. Trata-se de coisas inteiramente impossíveis, a menos que a criatura “abra o portão” através do medo. Quem não receia não pode sofrer nenhum malefício. O Cordão de Prata não pode ser rompido quando estamos a fazer uma viagem astral, e ninguém pode invadir o corpo, a menos que alguém faça um convite definido, ao ficar apavorado.

    Sempre pode-se SEMPRE regressar ao corpo, exactamente como sempre acordamos, após noite após noite de sono. A coisa única a recear é o ter medo; o medo é a única coisa que ocasiona o perigo. Todos sabemos que as coisas por nós receadas raramente acontecem!

    O pensamento é o nosso maior obstáculo, após o medo, porque ele, ou a razão, apresenta um problema verdadeiro. Esses dois, o pensamento e a razão, podem impedir que escalemos montanhas altas; a razão nos diz que um escorregão far-nos-á cair, estraçalhando-nos.

    Assim o é que devemos reprimir o pensamento e a razão. Infelizmente, eles possuem fama. O “pensamento”! Você pensou sobre o “pensamento”? Que é o “pensamento”? Onde você pensa? Você está pensando com a parte superior da cabeça? Ou com a parte de trás da mesma? Está pensando sobre as suas sobrancelhas? Ou nos ouvidos?

    Você pára de pensar, quando fecha os olhos? Não! O seu pensamento está onde quer que você se concentre; você pensa sempre onde quer que se concentre. Este facto simples e elementar pode ajudá-lo a sair do corpo e entrar no astral, pode ajudar seu corpo astral a vagar tão livre quanto a brisa. Pense nisso, releia esta lição, até estas palavras, e pense sobre o pensamento; pense como o pensamento muitas vezes o deteve, porque você pensou em obstáculos, pensou em medos que não conhecia. Você pode, por exemplo, ter estado sozinho(a) na casa, à meia-noite, enquanto a ventania uivava fora, e pode ter pensado em ladrões, ter imaginado alguém oculto por trás de uma cortina, pronto a saltar sobre você. O pensamento, em tais casos, pode causar muitos malefícios! Pense, reflicta um pouco mais sobre o “pensamento”.

    Você está com dor de dentes e, com relutância, vai ver o dentista. Ele diz que você precisa extrair um dente, e você tem medo de que isso doa; senta-se na cadeira do dentista, tomado pelo medo, cheio de medo a imaginar a dor.
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    Assim que o dentista apanha a seringa para dar uma injecção, você automaticamente se contrai, até mesmo empalidece. Tem a certeza de que vai doer, tem a certeza de que vai sentir aquela agulha entrando, e depois virá aquele safanão horrível, aquando o seu dente estiver a sair, ensanguentado. Talvez você receie que vai desmaiar com o choque, de modo que assim é que está alimentando o medo, e faz com que o seu dente doa cada vez mais, pensando e concentrando todo seu poder de focos, de pensamento naquele lugar, antes ocupado pelo dente! Toda a sua energia se acha dedicada a fazer com que esse dente doa ainda mais.

    Agora, quando você pensa despreocupadamente, onde está o pensamento, então? Na cabeça? E como você sabe disso? Você o sente ali? O pensamento encontra-se no lugar no qual nos concentramos, nos focamos. O pensamento está dentro de você apenas porque você pensa em si mesmo, e porque você julga que o pensamento deva estar dentro de si. O pensamento acha-se onde você quiser que ele esteja; o pensamento está no lugar aonde você ordena que ele vá.

    Examinemos mais uma vez essa afirmação, a de que “o pensamento está onde você se concentra (se focaliza)”. No calor da batalha, homens levaram tiros ou golpes e não sentiram nenhuma dor. Por algum tempo, talvez nem sequer tenham tomado conhecimento de que se encontravam feridos, e somente quando dispuseram de tempo para pensar nisso é que sentiram a dor, e talvez tenham entrado em colapso com o choque daí decorrente! Mas o pensamento, a razão, o medo são os freios que reduzem a marcha da nossa evolução espiritual, são apenas o ruído fatigado da máquina que se desacelera, distorcendo as ordens do Eu Maior.

    O homem, quando se desembaraça dos seus próprios medos e restrições estúpidas, poderia ser quase um super-homem, com poderes muito aumentados, tanto musculares quanto mentais. Aqui temos um exemplo: um homem franzino e tímido com desenvolvimento muscular inteiramente insignificante desce da calçada e vai atravessar uma rua com um intenso tráfego. Os seus pensamentos estão distantes, muito distantes, talvez nos seus negócios, ou talvez no tipo de estado de alma em que sua esposa vai ficar, quando ele chegar a casa, à noite. Pode até mesmo estar a pensar nas contas que tem por pagar! Uma buzinadela repentina de algum veículo que se aproxima, e o homem sem pensar um salto, voltando à calçada, numa pirueta prodigiosa que, normalmente, seria inteiramente impossível até mesmo para o atleta mais bem treinado! Se esse homem tivesse ficado embaraçado pêlos processos do pensamento, teria agido tardiamente e o carro o teria atropelado. A falta do pensamento permitiu ao Eu Maior, sempre vigilante, galvanizar os músculos com uma descarga de substâncias químicas (tais como a adrenalina), que fizeram o cidadão saltar muito além de sua capacidade normal, permitindo naqueles momentos um surto de actividade para além da velocidade do pensamento consciente.

    No mundo ocidental, ensinaram à humanidade que o pensamento, a razão “distingue o homem dos animais”. O pensamento incontrolado faz com que o homem se situe abaixo de muitos animais, mesmo para a viagem astral! Quase qualquer um concordaria em que os gatos, para darmos apenas um exemplo, podem ver as coisas que o ser humano não enxerga. A maioria das pessoas teve alguma experiência com animais que olham para um fantasma e têm percepção de incidentes muito antes que o ser humano comece a percebê-los. Os animais usam um sistema diferente da “razão” e “pensamento”. Agora vos digo:

    Nós podemos fazer o mesmo!

    Em primeiro lugar, porém, temos de controlar nossos pensamentos, temos de controlar todas essas pontas soltas e cansativas de pensamento ocioso, que constantemente passam pelas nossas mentes. Sente-se em algum lugar, onde fique cómodo(a), onde possa descansar completamente, e aonde ninguém o/a venha perturbar. Se quiser, apague a luz, pois esta é um obstáculo para estes casos.

    Mantenha-se sentado, ociosamente, por alguns momentos, pensando apenas nos seus pensamentos; observando os seus pensamentos, vendo como eles continuam a se apresentar sub-repticiamente na sua consciência, cada qual berrando a pedir atenção, aquela briga com o

    camarada no escritório, as contas por pagar, o custo de vida, a situação mundial, aquilo que você gostaria de dizer a seu empregador — ponha tudo isso de lado!

    Imagine-se visualizando-se em estar sentado num quarto completamente escuro, no topo de um arranha-céu; e à sua frente uma grande janela, coberta por uma cortina negra, cortina essa sem feitio ou padrão, com nada que possa representar uma distracção. Concentre-se nessa cortina (continue a imaginar e a visualizar).

    Agora, antes de continuar, assegure-se de que não ocorrem pensamentos alguns na sua consciência (que é essa cortina negra) e se algum quiser intrometer-se, empurre-o de volta, mande-o embora, que se retire imediatamente.

    Você pode fazê-lo, trata-se apenas de uma simples questão de prática. Por alguns momentos, os pensamentos tentarão tremelicar à volta dessa cortina negra, pelo que você os fará sempre recuar, fazendo-os ir à força. De seguida, volte a concentrar-se sobre a sua cortina e visualize- se a levantá-la, de modo a que possa espiar tudo que esteja para além dela.

    Mais uma vez, quando fitar essa cortina negra e imaginária, descobrirá que toda espécie de pensamentos estranhos tende a intrometer-se, procurando abrir caminho à força, chegando ao foco de sua atenção. Faça-os recuar, empurre-os de volta com esforço consciente, recuse-se a permitir que tais pensamentos se intrometam (sim, sabemos que dissemos isso antes, mas estamos procurando fazer-nos entender bem). Quando você conseguir sustentar uma ausência de pensamentos completa (meditação) por um curto período de tempo, notará que um “estalo”, como se um pedaço de pergaminho fosse rasgado, e conseguirá ver, bem distante deste mundo comum (aquele em que diariamente percepcionamos), chegamos a um mundo de dimensão diferente, onde o tempo e a distância apresentam um significado inteiramente novo. Praticando desta forma, você descobrirá que consegue controlar os seus pensamentos, como acontece nos casos dos Adeptos e dos Mestres.

    Experimente, pratique, porque se você quer progredir, precisa praticar, mais e mais, até subjugar, irradicar os pensamentos ociosos.

    LIÇÃO 9
    Na lição anterior, examinamos as etapas finais com o pensamento.

    Dissemos que o “pensamento está onde quisermos que esteja”. Essa é uma fórmula que realmente nos poderá ajudar a sair do corpo e efectuar a viagem astral. Vamos repeti-la.

    O pensamento está onde quisermos que ele esteja. Fora de você, se você o quiser assim. Vamos praticar um pouco. Aqui, mais uma vez, você necessitará de estar onde se encontre inteiramente a sós, onde não haja distracções. Você vai tentar retirar-se de seu corpo. Você deve estar a sós, ficar à vontade, e sugerimos que, para isso, você se deite numa cama. Verifique e tome providências para que ninguém o importune e estrague sua experiência. Quando estiver instalado, respirando lentamente, pensando nesta experiência, concentre-se num ponto a uns seis palmos à sua frente, feche os olhos, concentre-se, ORDENE a si mesmo pensar que você mesmo seu Eu verdadeiro, seu Eu astral está a observar o seu corpo, à distância de seis palmos. Pense! Pratique! Faça-se concentrar. E então, com a prática, você sentirá repentinamente um choque ligeiro, quase eléctrico, e verá seu corpo deitado, os olhos fechados, a uns seis palmos de distância (este é o Grande poder da Visualização).

    De início, será um grande esforço conseguir este resultado.

    Você poderá sentir-se como se estivesse dentro de uma grande bola de borracha, empurrando, empurrando. Você empurra e se esforça, e nada parece acontecer. Quase parece acontecer. E então, finalmente, e de repente, você rompe o balão, e uma leve sensação de estalo, quase como se, na verdade, estivesse a furar um balão de brinquedo infantil. Não se alarme, não lugar ao susto, porque se continuar livre do susto ou medo, prosseguirá e não terá qualquer problema no futuro, mas se ficar com medo, voltará ao corpo físico e terá de recomeçar tudo em alguma outra data. Se você voltar ao corpo, de nada adianta tentar mais por aquele dia, pois será raro obter êxito. Você estará a precisar de dormir descanse antes de voltar a tentar.

    Vamos mais além, imaginando que você tenha saído do corpo, mediante este método simples, imaginando que está de pé, ali, olhando para seu organismo físico, e sem saber o que fazer de seguida.

    Não se ao trabalho de olhar para seu corpo físico por algum tempo, pois voltará a vê-lo com muita frequência! Ao invés disso, experimente o seguinte:

    Deixe-se flutuar no aposento, como uma bolha de sabão num voo lento, pois agora você não estará sequer com o peso da bolha de sabão! Não pode cair, não pode magoar-se. Deixe que o seu corpo físico permaneça à vontade. Você, naturalmente, terá providenciado isso, antes de libertar seu corpo astral do envoltório carnal. Ter-se-á certificado de que seu corpo carnal está inteiramente à vontade. Se não adoptar essa precaução, poderá descobrir, ao regressar, que está com um braço rígido, dormente, ou o pescoço a doer.

    Tenha a certeza de que não haja beiras duras que estejam a comprimir algum nervo, pois, por exemplo, se você houver deixado o corpo físico de modo que um braço esteja estendido sobre a orla do colchão, poderá haver alguma pressão sobre um nervo, o que mais tarde ir-lhe-á dar a sensação de “alfinetadas e agulhadas” ou dormência. Mais uma vez, portanto, certifique-se de que seu corpo físico esteja inteiramente à vontade, antes de empreender qualquer tentativa de deixá-lo e trocar a sua consciência para o corpo astral.

    Agora, deixe-se flutuar, levar, deixe-se flutuar pelo aposento, mova-se ociosamente, como se fosse uma bolha de sabão flutuando na corrente de ar. Examine o tecto e os lugares que, em condições normais, não conseguiria ver. Acostume-se a essa viagem astral elementar, porque enquanto não estiver acostumado a vagar ociosamente por um aposento não poderá aventurar-se com segurança no exterior.

    Vamos explicar de outra maneira. Na verdade, essa viagem astral é fácil e não apresenta problema algum enquanto você acreditar que a consegue efectuar. Sobre nenhuma circunstância, em estado nenhum, você deve sentir o medo, pois não é esse o lugar para o medo; na viagem astral você está seguindo para a liberdade. Somente quando regressa ao

    corpo é que você irá sentir-se aprisionado, envolto em argila, sobrecarregado por um corpo pesado que não corresponde muito às ordens espirituais. Não, não lugar para o medo na viagem astral, e o medo no Astral é uma coisa inteiramente estranha.

    Vamos repetir as instruções para a viagem astral, com um palavreado ligeiramente diferente. Você está deitado de costas numa agradável cama. se assegurou de que todas as partes de seu corpo estejam cómodas, não havendo projecções que atinjam os nervos, as suas pernas nem sequer estão cruzadas, porque se assim se achassem, no ponto em que se cruzam você poderia ficar com entorpecimento mais tarde, porque teria interferido com a circulação do sangue. Repouse calmamente, com satisfação, porque não existem influências perturbadoras e tampouco você está preocupado. Pense apenas em fazer com que seu corpo astral saia do corpo físico.

    Ponha-se cada vez mais à vontade. Imagine uma forma fantasmagórica, correspondendo a seu corpo físico, a grosso modo, desligando-se suavemente do corpo carnal, flutuando, subindo, como uma leve pena solta à brisa suave de verão. Deixe que suba, mantenha os olhos fechados pois, de outra forma, nas duas ou três vezes iniciais você poderá ser sobressaltado a tal ponto que estremecerá, e esse estremecimento será violento o bastante para o “puxar” do astral para o seu lugar normal (dentro do corpo).

    É frequente as pessoas terem um sobressalto, de modo peculiar, exactamente quando estão adormecendo. Com frequência enorme, esse sobressalto é tão violento que faz com que voltem à consciência completa. Tal sobressalto é causado por uma separação demasiadamente brusca do corpo astral e do físico, pois, como dissemos, quase todos efectuam viagens astrais à noite, ainda que seja elevado o número de pessoas que não se lembra conscientemente dessas jornadas. Mas voltemos ao nosso corpo astral.

    Pense nele gradualmente, separando-se com facilidade do corpo físico, e ascendendo a uma distância de três ou talvez quatro palmos acima do corpo físico. Ali, ele repousa sobre você, oscilando suavemente. Você pode ter tido uma sensação de oscilação, exactamente quando estava para adormecer, era a oscilação astral. Como dissemos, o corpo está a flutuar acima de você, talvez oscilando um pouco, e ligado a você pelo Cordão de Prata, que vai do seu umbigo ao umbigo do corpo astral (Figura 8).

    Não olhe com demasiada atenção, porque o advertimos de que se ficar sobressaltado e se se contorcer subitamente, fará com que o corpo volte, e terá de recomeçar tudo, numa outra ocasião. Suponhamos que você tenha dado ouvidos à nossa advertência, e não se contorça; nesse caso, o seu corpo astral permanecerá flutuando no ar por alguns momentos, sem que você tome alguma providência, quase sem pensar, respirando levemente, pois é sua primeira saída. Lembre-se de que é a sua primeira saída CONSCIENTE, e que precisa ter cuidado.

    Se não tiver medo, se não se contorcer, o corpo astral ir-se-á afastar devagar,

    flutuando, e irá até a extremidade ao lado do leito, onde, com suavidade completa, sem qualquer choque, baixará gradualmente, de modo que os pés toquem o chão, ou quase o toquem.

    E então, tendo terminado o processo de efectuar “uma aterragem macia”, o seu corpo astral poderá olhar o físico, e retransmitir o que veja.

    Você terá uma sensação bastante incómoda por estar a olhar o seu próprio corpo físico, e queremos advertir que muitas vezes isso constitui uma experiência humilhante. Muitos de nós fazemos uma ideia inteiramente errónea da aparência que temos. Você se lembra da primeira vez em que ouviu sua voz? ouviu sua voz gravada? Na primeira vez em que isso ocorreu, você pode ter duvidado francamente de que fosse realmente a sua voz. Algumas pessoas ficam com uma voz tão diferente que julgam que alguém fez algum truque, ou que o gravador estivesse com defeito.

    A primeira vez em que ouvimos nossa voz não acreditamos nela, ficamos espantados e mortificados. Mas espere, até ver o seu corpo pela primeira vez! Você ficará lá, no seu corpo astral, com a consciência inteiramente transferida para o corpo astral, e olhará aquele corpo físico deitado. Ficará horrorizado; não lhe agradará a forma do corpo nem a tez, e terá o choque de ver as linhas do rosto e dos traços fisionómicos; e se você se adiantar um pouco e fitar sua mente, verá certos maus pensamentos e fobias, que poderão fazê-lo dar um pulo para trás, voltando ao corpo, tal o susto! Mas suponhamos que você supera esse primeiro encontro assustador consigo próprio e então? Terá de decidir para onde vai, o que quer fazer, o que deseja ver. O ideia mais usual é ir visitar alguma pessoa que você conheça bem, talvez um parente próximo, que more numa cidade vizinha. Em primeiro lugar, deve ser sempre uma pessoa que você visite com frequência, porque terá de visualizar a pessoa com detalhes consideráveis, e terá de visualizar onde ele ou ela reside, e o modo preciso para chegar lá. Lembre-se de que isto é novidade para você novidade por fazê-lo conscientemente, é o que pretendo dizer — e quer seguir o itinerário exacto que seguiria se estivesse a ir corporalmente, fisicamente.

    Deixe o seu aposento, para a rua (no astral, naturalmente, mas não se preocupe com isso, pois as pessoas não o conseguirão ver), siga o caminho que tomaria normalmente, antes de fixar diante de você a imagem da pessoa que deseja visitar, e como deve chegar lá. E então, com muitíssima rapidez, muito mais rapidamente do que o veículo mais rápido conseguiria ir, estará na casa do seu amigo ou parente.

    Com a prática, conseguirá ir a qualquer parte, e os mares, oceanos e montanhas não constituirão obstáculo ou barreira à sua trajectória. As terras do mundo e as cidades do mundo serão suas, para que as visite.

    Algumas pessoas pensam:

    Oh! Suponhamos que eu vá e não possa voltar. E o que acontece, então?”

    A resposta é: você não conseguirá perder-se. É inteiramente impossível perder-se, é de todo impossível prejudicar-se ou descobrir que alguém se apoderou do seu corpo. Se alguém se aproximar do seu corpo, enquanto estiver a fazer uma viagem no astral, este retransmite um aviso, e você é puxado, com a velocidade do pensamento. Nenhum mal poderá acontecer-lhe, e o único mal é o medo. Assim sendo, não tenha medo e experimente, e com a experiência virá a realização de todas as suas ambições nos reinos acedidos pela viagem astral.

    Quando estiver conscientemente no astral, você verá as cores com mais brilho do que acontece quando as com os olhos físicos. Tudo tremeluzirá com vida, e você poderá ver até mesmo partículas de “vida” ao redor de si, como pintas no ar. Essa é a vitalidade da terra, e ao passar por ela você adquirirá vigor e coragem.

    Existe uma dificuldade: Você não pode levar coisa alguma consigo, e não pode trazer coisa alguma de volta! É possível, naturalmente, sobre certas condições e isso somente vem com muita prática — que você se materialize diante de um clarividente.

    Mas não é fácil ir a uma pessoa e levar-lhe um diagnóstico do seu estado de saúde, porque você precisa ter a capacidade para falar de coisas que se vêem, compreendem-se somente no astral. Você pode ir por exemplo a uma loja, examinar as mercadorias e decidir que voltará para comprar algo no dia seguinte, pois isso é inteiramente permissível pelas leis astrais. Muitas vezes, quando visita uma loja no astral, você verá os defeitos e o mau estado de alguma mercadoria posta à venda por preços elevados! Quando estiver no astral e quiser regressar ao físico, deve manter-se calmo, deve pensar no corpo carnal, pensar que vai voltar

    e que vai entrar nele. Ao fazê-lo, haverá uma sensação de velocidade, ou talvez uma transferência instantânea de qualquer ponto onde esteja, para um lugar a três ou quatro palmos acima de seu corpo deitado. Verá, então, que está presente, oscilando, ondulando de leve, exactamente como aconteceu quando deixou o corpo. Deixe-se baixar muitíssimo devagar, e deve ser devagar porque os dois corpos precisam estar absolutamente sincronizados.

    Se você o fizer certo, entrará no corpo sem qualquer sobressalto, tremor, sem qualquer sensação senão a de que o corpo é uma massa fria e pesada.

    Se você for desajeitado e não alinhar com exactidão os dois corpos, ou se alguém o vier interromper, que fará você voltar com um solavanco, verificará que terá alguma dor de cabeça, do tipo focalizado. Nesse caso, deve procurar dormir, ou retornar novamente ao plano astral, porque somente quando os seus dois corpos estiverem juntos em alinhamento exacto conseguirá livrar-se da dor de cabeça. Não é uma coisa para se preocupar, porque a cura está em dormir, ainda que seja por alguns momentos, ou sair conscientemente de novo para o astral e calmamente retornar.

    Ao voltar a seu corpo carnal, você poderá notar que o mesmo está endurecido. Poderá descobrir que a sensação é bem semelhante à que temos quando vestimos uma roupa pesada, que ficou molhada na véspera, e que ainda se acha húmida e pesada. Até nos acostumarmos com isso, regressar ao corpo, não é uma sensação muito agradável e você verá que as cores gloriosas que viu no mundo astral se apresentam diminuídas. Muitas das cores você não conseguirá ver, de modo algum, no corpo carnal, e muitos dos sons que ouviu no astral são inteiramente inaudíveis quando nos encontramos no corpo físico. Mas, não importa, você está na Terra para aprender algo, e quando houver aprendido aquilo que foram os objectivos da sua vinda à Terra, estará livre dos laços, livre dos elos da Terra, e quando deixar o seu corpo carnal de modo permanente, tendo rompido o Cordão de Prata, irá para reinos muito além do mundo astral.

    Pratique essa viagem astral, pratique mais e mais. Afaste de si todo o medo, porque se você não tiver medo, então nada a recear, nenhum mal lhe poderá acontecer, e terá apenas prazer.

    LIÇÃO 10
    Nós dissemos: “Nada a recear senão o medo”. Temos de frisar de novo que, se a pessoa se mantiver sem medo, não perigo de espécie alguma na viagem astral, por mais longe ou mais rapidamente que se vá. Mas, alguém pode perguntar: o que há a temer lá.

    Dediquemos esta Lição à questão do medo e ao que não se deve temer!

    O medo é uma atitude muito negativa, atitude essa que corrói as nossas melhores percepções. Seja lá o que for que temamos, qualquer forma de medo causa malefício.

    As pessoas podem temer que, entrando no estado astral, talvez não consigam regressar ao corpo. Sempre é possível regressar ao corpo, a menos que a pessoa esteja realmente a morrer, que tenha chegado ao fim do tempo que lhe foi concedido sobre a Terra e isso, como o leitor concordará, nada tem a ver com a viagem astral. Devemos reconhecer que é possível alguém ficar com tanto medo que fique paralisado, e nesse caso não consegue fazer coisa alguma. Em tal situação, uma pessoa pode estar no corpo astral e chegar a uma intensidade tão grande de terror que mesmo esse corpo astral não se consiga mover. Isso, naturalmente, retarda o regresso ao corpo físico por algum tempo, até que o impacto maior do medo desapareça. O medo se desgasta e desaparece, como o leitor sabe, uma sensação pode ser mantida por certo período de tempo. Desse modo, uma pessoa que tenha medo simplesmente retarda o regresso inteiramente a salvo ao corpo físico.

    Não somos a única forma de vida no plano astral, assim como os humanos não são a única forma de vida sobre a Terra. Neste nosso mundo, temos criaturas agradáveis, como gatos, cachorros, cavalos e pássaros, para falar apenas de alguns; mas também existem criaturas desagradáveis, como aranhas que mordem ou serpentes peçonhentas. Existem coisas desagradáveis como germes, micróbios e outros seres daninhos e maléficos. Quem olhou germes ao microscópio com grande ampliação, terá visto criaturas tão fantásticas que será levado a imaginar a estar a viver nos dias dos dragões e das histórias de fadas.

    Também no astral, existem muitas coisas e mais estranhas do que qualquer outra que possamos encontrar na Terra.

    No plano astral, conheceremos criaturas notáveis, ou pessoas e entidades notáveis. Veremos os Espíritos da Natureza; estes, por falar nisso, são quase invariavelmente bons e agradáveis. Mas existem criaturas horríveis, que devem ter sido vistas por alguns dos autores da mitologia e das lendas, porque são criaturas como os demónios, os sátiros e outros diversos adversários de que falam os mitos, e com vários aspectos. Algumas dessas criaturas são elementais, de baixo nível, que posteriormente poderão tornar-se seres humanos, ou talvez ingressar no reino animal. Seja o que forem, nesta etapa de desenvolvimento elas se apresentam inteiramente desagradáveis.

    Vale a pena fazer uma pausa momentânea para indicar que os bêbedos, aqueles que vêem “elefantes rosa” e diversas outras aparições notáveis, estão realmente vendo o tipo de criatura de que falam! Os bêbedos são criaturas que expulsaram o seu corpo astral do corpo físico, mandando-o para os planos mais baixos do mundo astral. Ali, vêem criaturas verdadeiramente espantosas, e quando o beberrão recupera os sentidos, mais tarde na medida em que o consegue! fica com uma recordação muito vívida das coisas que viu. Embora embriagar-se inteiramente seja um dos métodos de entrar no mundo astral e lembrar-se dele, não é método que recomendemos, porque nos leva apenas aos planos mais baixos e degradados do mesmo. Existem agora diversas drogas, utilizadas pela profissão médica principalmente nos hospitais, destinadas aos enfermos, mentais e que apresentam efeito semelhante. A mescalina, por exemplo, pode alterar de tal maneira as vibrações da pessoa que a mesma se literalmente projectada do corpo físico e catapultada ao mundo astral. Também nesse caso não se trata de método a ser recomendado. As drogas e outras formas de sair do corpo físico são realmente perniciosas, e causam mal ao Eu Maior.

    Mas voltemos a nossos “elementais”. O que queremos dizer, com essa palavra? Bem, os elementais são uma forma primária de vida espiritual. Encontram-se numa etapa acima das

    formas de pensamento. E as formas de pensamento são apenas projecções da mente consciente ou inconsciente do ser humano (as pragas rogadas são um exemplo), e possuem apenas pseudovida própria. Um exemplo de formas de pensamento são aquelas que foram criadas pêlos antigos sacerdotes egípcios, para que os corpos mumificados dos grandes faraós e rainhas famosas, pudessem ficar protegidos contra aqueles tentassem profanar os seus túmulos. As formas de pensamento são construídas com a intenção de repelir os invasores, e de os atacar. Vão agir na consciência daqueles que se intrometam e, ao fazê-lo, causam um pavor tão grande que o candidato a ladrão irá fugir do lugar. Mas em muitos casos, estamos a falar de elementais e não de formas de pensamento, pois as mesmas são entidades sem mente, que simplesmente foram encarregadas pelas sacerdotes de cuidarem dos mortos, ou também postas a executar certas tarefas, como a guarda de túmulos contra os invasores.

    Estamos tratando no momento, dos elementais.

    Esses, como afirmamos, são entidades espirituais que se encontram nas primeiras etapas de desenvolvimento. No mundo astral, eles correspondem a grosso modo à posição ocupada pêlos macacos no mundo humano. Os macacos são criaturas irresponsáveis, traquinas, frequentemente malvadas e perversas, e não dispõem de grande poder de raciocínio próprio. São, ao que poderíamos dizer, apenas amontoados animados de protoplasma. Os dementais, ocupando mais ou menos a mesma posição no mundo astral, como a dos macacos no humano, são formas que se movem mais ou menos sem objectivo, tagarelam e adoptam expressões horripilantes e estranhas, fazendo gestos ameaçadores ao ser humano empenhado na viagem astral mas, naturalmente, não podem fazer-lhe coisa alguma. Tenha isso sempre presente: eles não lhe podem fazer mal.

    Se você teve o infortúnio de ir a um hospital de doentes mentais e ver casos realmente graves de desarranjo mental, terá recebido um choque pelo modo como alguns dos piores casos se aproximam de si e fazem gestos ameaçadores, ou possivelmente destituídos de sentido. Eles babam, mas se encontrarem decisão e frontalidade, por serem criaturas com mentalidade muito inferior, sempre recuam. Quando você segue pêlos planos astrais inferiores, poderá encontrar algumas dessas entidades, algumas dessas criaturas estranhas e exóticas. Às vezes, se o viajante for tímido, essas criaturas se aglomeram ao redor e tentam amedrontá-lo. Não existe mal nisso, pois são inteiramente inofensivas, na verdade, a menos que se tenha medo delas. Quando estiver iniciando a viagem astral, você terá duas ou três dessas entidades inferiores a aproximar-se, para ver como você se sai, de modo bem semelhante a um certo tipo de pessoa que gosta de olhar para aquele que está aprendendo a dirigir e que sai sozinho com um automóvel pela primeira vez. Os espectadores sempre esperam que algo fantasmagórico ou animado aconteça, e às vezes, se o aprendiz estiver embaraçado, ele (ou como é mais comum, ela) colidirá com um poste da rua, ou com alguma outra coisa, para o grande deleite dos espectadores. Estes, como espectadores, não desejam o mal, são simplesmente sensacionalistas procurando uma emoção. O mesmo acontece com os elementais, seres que estão à cata de divertimento fácil. Gostam de ver o desconforto dos seres humanos e, portanto, se você demonstrar algum medo, sentirão deleite e continuarão com sua gesticulação, suas atitudes ferozes e ameaçadoras. Na verdade, nada podem fazer a qualquer ser humano, pois se assemelham mais a cachorros que sabem latir, e latidos não fazem mal. Além disso, conseguirão incomodá-lo enquanto você, por causa do seu medo, permitir que o façam.

    Não tenha medo, pois nada lhe poderá acontecer. Você deixa o corpo, entra no plano astral, e em noventa ou noventa e nove vezes, em cada cem, não verá qualquer dessas entidades baixas. as verá, se tiver medo delas. De modo normal, você se erguerá muito acima de seu reino, pois elas se conglomeram ao fundo do plano astral, de modo bastante parecido com aquele pelo qual os vermes se reúnem no fundo de um rio ou mar.

    Quando você se ergue nos planos astrais, assiste a muitas ocorrências notáveis. À distância, poderá ver faixas grandes e brilhantes de luz. Elas vêm de planos de existência que se acham além do seu alcance, por enquanto. Lembra-se do nosso teclado? A entidade humana,
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    enquanto se encontra na carne, consegue perceber apenas três ou quatro “notas”, mas ao sair do corpo e entrar no mundo astral você estendeu o seu alcance de “notas” um pouco para cima, estendeu esse alcance o bastante para perceber que existem coisas maiores à sua frente. Algumas dessas “coisas” são representadas pelas luzes brilhantes, tão brilhantes que você realmente não consegue ver o que sejam.

    Mas vamos contentar-nos, por enquanto, com o astral médio.

    Ali, você poderá visitar os amigos ou parentes, as cidades do mundo e ver os grandes edifícios públicos, poderá ler livros em línguas estrangeiras pois, lembre-se, no plano astral médio todas as linguagens serão suas conhecidas. Você precisará praticar a viagem astral. Aqui temos uma descrição do que ela é, descrição que poderá transformar-se numa experiência também sua, mediante a prática.
    O dia terminara e as sombras da noite haviam caído, deixando o crepúsculo purpúreo, que gradualmente se tornava mais e mais escuro, até que o céu, afinal, adquiriu a cor índigo e então ficou negro. Pequenas luzes haviam surgido ao derredor, as luzes azul-esbranquiçadas iluminavam as ruas, as luzes amareladas que eram as do interior das casas, talvez mudando de coloração por causa das persianas ou cortinas pelas quais passavam. O corpo estava repousando na cama, inteiramente consciente, inteiramente à vontade. De modo gradual, veio uma leve sensação de desconjuntamento, uma sensação como se algo estivesse flutuando, movendo-se. Veio a mais leve das comichões pelo corpo, e gradualmente se fez a separação. Acima do corpo inclinado, formou-se uma nuvem na extremidade de um Cordão de Prata luzidio, a nuvem se movimentou, como uma massa indistinta, parecida com um borrão de tinta a flutuar no ar. Devagar, ela adoptou a forma de um corpo humano, ergueu-se a uma distância de três a quatro palmos, onde oscilava e balançava. Por alguns segundos, o corpo do astral se ergueu mais, e depois os pés baixaram. Devagar foram ter ao chão, de modo que a figura se encontrava em pé, ao da cama, olhando para o corpo físico que acabara de deixar e ao qual ainda se achava presa.

    No aposento, as sombras se apresentavam nos cantos, como animais estranhos e acuados. O Cordão de Prata vibrava e brilhava, com luz azul-prateada opaca, e o próprio corpo astral estava retratado com luz azul. A figura no astral olhou ao redor, e depois para o corpo físico que descansava comodamente no leito. Os olhos estavam fechados, agora, mas a respiração era tranquila e leve, não havia movimento, nenhuma contorção; o corpo parecia repousar comodamente. O Cordão de Prata não vibrava, de modo que não havia qualquer indicação de inquietude.

    Satisfeita, a forma astral ergueu-se silenciosa e vagarosamente no ar, passou pelo tecto do aposento, e pelo telhado fino, indo ter ao ar da noite. O Cordão de Prata alongou-se, mas não diminuiu em grossura. Era como se a figura astral fosse um balão cheio de gás, amarrado à casa, que fosse o corpo físico. A figura astral ergueu-se até estar a vinte, cinquenta, cem metros acima dos telhados. Ali, ela se deteve, flutuando ociosamente, olhando ao redor.

    Das casas de toda a rua, e das ruas além, vinham as luzes azuis e débeis que eram os Cordões de Prata de outras pessoas. Elas se estendiam para cima, desaparecendo a uma distância imensurável.

    As pessoas sempre viajam à noite, quer saibam disso ou não, mas apenas as favorecidas, as que praticam, voltam com pleno conhecimento do que fizeram.

    Essa forma astral flutuava acima dos telhados, olhando ao redor, decidindo aonde ir. Finalmente, resolveu visitar uma terra distante, muito distante. No mesmo momento em que essa decisão foi tomada, ela partiu em velocidade fantástica, seguindo quase com a rapidez do pensamento pelo país, atravessando os mares, e ao atravessar o mar, as grandes ondas do mesmo pareciam subir, tendo as cristas brancas na parte superior. Em certo ponto de sua jornada, ela espiou para um grande transatlântico que atravessava o mar turbulento, todas as luzes acesas e com som de música vindo dos tombadilhos. A forma astral prosseguiu, sobrepujando o tempo. A noite deu lugar ao anoitecer anterior; a forma astral estava-se

    emparelhando com o tempo, a noite deu lugar ao anoitecer e este, a seu turno, foi ultrapassado e tornou-se a parte inicial da manhã. Essa parte final da manhã foi deixada para trás, e logo se tomou meio-dia. Finalmente, à luz brilhante do sol, a figura astral viu aquilo que tinha vindo ver, a terra tão distante, uma terra tão amada, com pessoas a quem tanto amava. Com suavidade, a figura astral baixou à terra e se misturou, sem ser vista, ou sem ser ouvida, entre aqueles que se encontravam no corpo físico.

    Por fim, veio um puxamento insistente, um retorcimento do Cordão de Prata. A grande distância, numa terra diferente, o corpo físico que fora deixado para trás, percebia estar a amanhecer, e estava chamando seu corpo astral. Por alguns momentos, este permaneceu por ali, mas, afinal, o aviso não podia ser mais ignorado. A forma de sombra subiu ao ar, pairou imóvel por momentos como um pombo que regressa ao pombal, e depois seguiu pêlos céus, reluzindo sobre a terra, sobre a água, de volta ao lugar atravessando o tecto. Outros cordões também tremiam, outras pessoas regressavam aos corpos físicos, mas essa forma astral de que falamos desceu, passando pelo telhado e pelo tecto, indo ter sobre a figura adormecida do seu corpo físico. Devagar, com leveza, baixou e se colocou precisamente sobre aquele corpo. Devagar, com suavidade, com cuidado infinito, desceu e entrou nesse corpo físico. Por momentos, houve uma sensação de frio intenso, uma sensação de entorpecimento, de peso imenso a comprimir o corpo. Desaparecera a leveza, a sensação de liberdade, as cores vistas no astral; ao invés disso, reinava o frio. Era como se um corpo quente estivesse envergando roupas molhadas e frias.

    O corpo físico se agitou, os olhos abriram-se. E fora, surgiam as primeiras faixas leves do amanhecer, acima do horizonte. O corpo se agitou e disse:

    Lembro-me de tudo a que assisti, durante a noite.

    Você também pode fazê-lo, você também pode viajar no astral, pode ver aqueles a quem ama, e quanto mais fortes os laços entre você e aqueles a quem ama, maior a facilidade com que poderá viajar. Para isso, necessita de prática e mais prática. De acordo com as antigas histórias orientais, nos dias da remota antiguidade, toda a humanidade podia viajar no astral, mas devido ao facto de que tantas pessoas houvessem abusado desse privilégio, o mesmo foi retirado. Para aqueles que são puros em pensamento, para aqueles que são puros na mente, a prática trará a libertação quanto ao peso embaraçoso e enjoativo do corpo, e permitirá ir aonde quiser.

    Você não o conseguirá em cinco minutos, nem em cinco dias.

    Terá de “imaginar” que o poderá fazer. Você é aquilo que acredita ser. Você pode fazer aquilo que acredita poder fazer. Se acreditar realmente, se acreditar sinceramente que pode fazer uma coisa, nesse caso poderá fazê-la. Creia, e com a prática você viajará no astral.

    Volto a dizer que não deve ter medo enquanto estiver no astral, pois ali ninguém poderá prejudicá-lo, por mais terrível ou horripilante que seja o aspecto das entidades inferiores que possa ver, embora talvez não as veja. Elas nada poderão fazer-lhe, a menos que você tenha medo. A ausência do medo garante sua protecção absoluta.

    Assim sendo, você quer praticar, quer decidir aonde vai? Deite-se na sua cama; deverá estar sozinho nela, naturalmente, e dizer a si próprio que, esta noite, vai a tal ou qual lugar, ver fulano ou beltrano, e, quando despertar de manhã, lembrar-se-á de tudo o que fez. A prática é o que faz com que isso se realize.

    LIÇÃO 11
    A questão da viagem astral apresenta, naturalmente, importância vital, e por esse motivo pode haver vantagem em dedicarmos esta Lição a uma soma maior de observações a esse passatempo fascinante.

    Sugerimos que você leia com cuidado esta Lição percorrendo-a pelo menos tão meticulosamente como fez com as Lições anteriores, e decida então escolher um anoitecer, com alguns dias de antecedência, para a sua Experiência. Prepare-se, pensando que nesse anoitecer escolhido, você vai sair do corpo e continuar inteiramente consciente, inteiramente cônscio de tudo quanto acontece.

    Como sabe, muita coisa a preparar e que decidir com antecedência o que se pretende fazer. Os Antigos utilizavam “encantamentos”, ou seja, em outras palavras, repetiam um mantra (isto é, uma forma de oração) que tinha como objectivo a subjugação do subconsciente. Repetindo esse mantra, o consciente que constitui apenas uma décima parte de nós conseguia emitir uma ordem imperativa ao subconsciente. Você poderia utilizar um mantra como o seguinte:

    No dia tal e qual, vou viajar no mundo astral, e vou permanecer inteiramente consciente de tudo que fizer, inteiramente consciente de tudo quanto vir. Lembrar-me-ei de tudo, quando estiver novamente no corpo. Farei isso, sem fracassar”.

    Você deve repetir esse mantra em grupo de três, isto é, deve dizê-lo, repeti-lo, e então repeti-lo mais uma vez. O mecanismo da coisa é mais ou menos o seguinte: afirma-se algo, e isso não basta para alertar o subconsciente, porque estamos sempre a dizer coisas, e temos a certeza de que o subconsciente julga que a parte consciente de nós é muito faladora! Tendo enunciado nosso mantra uma vez, o subconsciente não fica em alerta, de modo algum. Na segunda vez, as mesmas palavras são pronunciadas, e devem sê-lo de modo inteiramente idêntico, sendo quando o subconsciente começa a dar atenção. À terceira afirmação, o subconsciente poderíamos dizer fica a analisar do que se tratará, colocando-se então inteiramente receptivo ao nosso mantra, que é recebido e armazenado. Suponhamos que você faça suas três afirmações pela manhã, repetindo-as (quando estiver a sós, naturalmente) ao meio-dia, outra vez à tarde, e mais uma vez antes de deitar-se para dormir. É como bater num prego; está o prego, e enfiamos a ponta do mesmo na madeira, mas um golpe não basta, é preciso continuar a desferir-lhe golpes, até que se ache devidamente cravado na madeira. De modo bastante parecido, as afirmações ministram golpes que enfiam a afirmação desejada na percepção do subconsciente.

    Não se trata de um novo método, de modo algum, pois é tão antigo quanto a própria humanidade; os povos muitíssimos antigos, de dias muito distantes, sabiam muitas coisas sobre os mantras e as afirmações (principalmente positivas). Somos nós, na idade moderna, que nos esquecemos, ou talvez nos tenhamos tornado cépticos quanto a tudo isso. Por esse motivo, é importante que você faça as suas afirmações para si próprio, e não permita que mais ninguém tome conhecimento delas, pois se outras pessoas cépticas tiverem conhecimento das mesmas, irão troçar de si e talvez provoquem o surgimento de duvidas. Foram os risos e as dúvidas das pessoas que impediram os adultos de ver os Espíritos da Natureza (elementais) e de poder conversar telepaticamente com os animais. Lembre-se disso.

    Você terá decidido qual o anoitecer de um dia adequado, e no dia em questão, quando chegar, deve fazer todos os esforços para permanecer tranquilo, em paz consigo próprio e com todos os demais. Isso tem importância vital. Não deve haver qualquer conflito interno em você, conflito esse que o leve a ficar agitado. Como exemplo, suponhamos que você haja tido uma discussão acalorada com alguém nesse dia, ficará pensando no que teria dito se dispusesse de mais tempo para pensar, e pensará em coisas que lhe foram ditas, e toda a sua atenção não estará focalizada na viagem pelo astral. Se você estiver perturbado ou agitado durante o dia proposto, transfira sua experiência em tentar realizar a viagem astral para outro dia em que esteja mais sossegado.

    Mas supondo que tudo tenha corrido tranquilamente e que no decurso do dia, você esteve a pensar seriamente na viagem astral, assim como aconteceria no caso de uma viagem para ver alguma pessoa amada, residindo tão longe de você que seria um acontecimento especial viajar até lá; para seu quarto, dispa-se devagar, mantendo-se calmo e respirando com firmeza e descontraidamente. Quando estiver pronto para se deitar, certifique-se de que sua roupa de dormir esteja inteiramente cómoda, isto é, não deve estar apertada ao redor do pescoço, nem ao redor da cintura, pois a roupa apertada incomodam o corpo físico e podem causar um sobressalto em algum momento mais crítico. Assegure-se de que o seu quarto esteja com uma temperatura agradável, isto é, não se encontre muito quente ou demasiado frio.

    Se tiver pouca roupa na cama tanto melhor, porque você não quererá sentir-se oprimido pelo peso excessivo de qualquer material a cobrir o seu corpo.

    Apague a luz do quarto, após ter verificado, naturalmente, que as cortinas foram fechadas, de modo que nenhum raio de luz possa vir ter aos seus olhos em qualquer momento. Com tudo isso satisfatoriamente realizado, deite-se de modo cómodo.

    Refastele-se, deixe-se amolecer, relaxe-se completa e inteiramente. Não adormeça (se o conseguir evitar), embora o sono, se você houver repetido o seu mantra correctamente, não se preocupe, porque ainda assim irá lembrar-se. Aconselhamo-lo a permanecer bem desperto (se puder), porque essa primeira viagem fora do corpo é realmente muito interessante.

    Deitado de modo confortável de preferência de costas imagine que está a forçar a saída de um outro corpo do seu, imaginando que a forma fantasmagórica do astral está sendo expulsa.

    Você consegue senti-la erguendo-se, como uma rolha a subir no meio da água, e a sente retirando-se das próprias moléculas do seu corpo carnal. O formigueiro é muito leve, e virá então o momento em que ele quase cessará. Tenha cuidado, nesta altura, porque o movimento seguinte será uma sacudidela, se você não tiver cuidado, e se você se sacudir com violência o corpo astral voltará ao físico com impacto.

    A maioria das pessoas, na verdade quase poderíamos dizer todas, passou pela sensação de cair, exactamente no momento do sono. Estudiosos afirmaram que isso se trata de um vestígio dos dias em que os homens foram macacos. Na verdade, essa sensação de queda é causada por uma contorção que faz com que o corpo astral, que começou a flutuar, CAIA de volta ao corpo físico. Com frequência, ele fará com que a pessoa volte a acordar-se com sobressalto, mas em qualquer caso geralmente uma sacudidela ou sobressalto violento, e o corpo astral volta, sem ter saído pouco mais do que alguns quantos centímetros do físico.

    Se você perceber que a possibilidade de uma sacudidela, você não se sacudirá, de modo que você deve saber da existência das dificuldades, para poder superá-las. Após a cessação do formigamento leve, não faça movimento algum, e virá uma friagem repentina, uma sensação como a de que algo o abandonou. Você pode ter uma impressão de que existia alguma coisa logo por cima e (para dizer às claras) como se alguém estivesse deixando cair um travesseiro em cima de você. Não se perturbe, e, se não se deixar perturbar, logo verá que está olhando para si próprio, talvez da extremidade da cama, ou mesmo do tecto. olhando para baixo.

    Examine-se com tanta calma quanto conseguir, nessa primeira ocasião, porque você jamais se viu tão claramente como acontece nessa primeira excursão. Olhe para si próprio, e certamente terá uma exclamação de espanto, quando descobrir que seu aspecto é muito diferente daquele que imaginava. Nós sabemos que você se observa ao espelho, mas a pessoa não um reflexo verdadeiro de si, mesmo no melhor dos espelhos. As direitas e esquerdas se invertem, por exemplo, e há outras distorções. Não há nada como colocar-se frente a frente consigo próprio! Tendo-se examinado, você deve praticar o movimento pelo aposento, examinando um armário, ou uma cómoda, observando a facilidade com que você pode ir a qualquer parte. Examine o tecto, aqueles lugares que normalmente não alcança. Por certo encontrará muita poeira nos lugares inacessíveis, e isso lhe será uma experiência útil: procure deixar impressões digitais na poeira, e verificará que não consegue. Os seus dedos, a sua mão e o seu braço afundam-se pela parede, sem qualquer sensação.

    Quando estiver satisfeito, vendo que pode mover-se à vontade, olhe entre o seu corpo astral e o físico. Está vendo como cintila o seu Cordão de Prata? Se esteve em alguma ferraria antiga, recordar-se-á do modo pelo qual o metal vermelho e quente cintilava, soltando fagulhas, quando era batido pelo malho do ferreiro, mas neste caso, ao invés das fagulhas vermelho-cereja, estas fagulhas serão azuis, ou mesmo amarelas.

    Afaste-se do seu corpo físico, e verificará que o Cordão de Prata se estende sem qualquer esforço, sem qualquer diminuição de diâmetro. Volte a olhar o seu corpo físico, e então para onde planejara, pense na pessoa ou no lugar e não faça nenhuma esforço para isso; limite-se a pensar na pessoa e no lugar.

    Você se erguerá pelo tecto, verá sua casa e a rua por baixo. E então, se for a sua primeira viagem consciente, seguirá com bastante vagareza até o destino. Você estará indo devagar o suficiente para reconhecer o terreno por baixo. Quando estiver acostumado a viajar conscientemente no astral, marchará com a velocidade do pensamento, e, quando o fizer, não encontrará limites às suas andanças no astral.

    Quando tiver muita prática na viagem astral, você poderá ir a qualquer parte, não apenas nesta Terra. O corpo astral não respira ar, de modo que você pode ir ao espaço exterior, pode ir a outros mundos ou outros planos, coisas que muitas pessoas fazem. Infelizmente, devido às condições actuais, elas não se lembram dos lugares onde estiveram. Com a prática, você o fará conscientemente e recordando-se depois.

    Se achar difícil concentrar-se na pessoa que pretendeu visitar, sugerimos que tenha uma fotografia da mesma, não fotografia emoldurada, porque se estiver com uma no leito você poderá rebolar e quebrar o vidro, cortando-se. Que seja uma fotografia comum e sem moldura; segure-a nas suas mãos. Antes de apagar a luz, olhe prolongadamente para o retrato, e depois apague a luz e procure reter uma impressão visual da pessoa cujos traços fisionómicos se acham na mesma. Isso facilitará as coisas.

    Algumas pessoas não conseguem fazer viagens astrais se estiverem demasiado cómodas, bem alimentadas ou aquecidas. quem somente consiga efectuar viagens astrais conscientemente quando não se sente cómoda, quando tem frio ou fome, é verídico. Por exemplo, pessoas que comem deliberadamente algo que lhes cria indisposição! E é quando conseguem fazer a viagem astral sem qualquer dificuldade. Supomos que o motivo para isso está em que o corpo astral fica inteiramente farto do desconforto causado no corpo físico.

    No Tibete e na Índia, existem eremitas que são encerrados entre quatro paredes, que nunca vêem a luz do dia. Esses eremitas recebem alimentação talvez de três em três dias, e apenas o suficiente para que a vida se mantenha no corpo, para que a chama débil e tremelicante da vida não se extinga. Esses homens conseguem fazer a viagem astral continuamente, e viajam na formal astral a qualquer lugar onde existe algo a aprender. Viajam de tal modo que podem conversar com telepatas, viajam de modo que talvez possam influenciar as coisas no bom sentido. É possível que você, nas suas próprias viagens astrais, encontre homens assim, e se isso acontecer será realmente uma bênção, pois eles pararão, dando-lhe conselhos, dizendo-lhe como fazer mais progressos.

    Leia e releia esta Lição. Voltamos a repetir que somente a prática e a são necessárias para que também você possa viajar no astral, libertando-se por algum tempo dos problemas deste mundo.

    LIÇÃO 12
    É tão mais fácil empenhar-se na viagem astral, clarividência e actividades metafísicas semelhantes, se um alicerce adequado for preparado com antecedência! O preparo metafísico requer uma prática considerável, prática constante. Não é possível ler algumas instruções impressas e depois passar imediatamente, sem prática, a uma viagem muito longa, no plano astral. É preciso praticar constantemente.

    Pessoa nenhuma deve contar que um jardim floresça, a menos que as sementes tenham sido plantadas em terreno adequado. Seria invulgaríssimo que uma bela flor nascesse de uma rocha granítica.

    Da mesma forma, parece que não podemos esperar que a clarividência, ou qualquer outra arte oculta, desabroche onde a mente se mostra fechada e selada, onde a mente está em tumulto constante de pensamentos irregulares e sem importância. Mais adiante, vamos examinar de modo mais completo a quietude, porque o atravancamento actual de pensamentos sem importância e o ruído constante do rádio e da televisão realmente estão a abafar os talentos metafísicos.

    Os Sábios de Antigamente exortavam: “Fica quieto, e saberás que estou dentro”. Os sábios antigos dedicavam quase toda a vida à pesquisa metafísica, antes de registrarem uma palavra no papel.

    Também eles se retiravam para regiões desertas, indo para onde não houvesse ruído da chamada civilização, onde estivessem livres de distracções, onde ninguém deixasse cair um balde, ou uma garrafa!

    Você tem a vantagem de que pode beneficiar-se muito das experiências de todas as vidas dos homens na antiguidade, e pode valer-se de tudo isso sem ter de passar a maior parte da vida no estudo! Se for sério, e se não o fosse não estaria lendo isto, quererá preparar-se, aprontar-se para o desdobramento rápido do espírito, e o melhor meio de consegui-lo é estar à vontade, antes demais.

    A maioria das pessoas não faz ideias do que queremos dizer com a expressão “pôr-se à vontade”. Acham que se se afundarem em uma cadeira, basta, mas não acontece assim. Para ficar à vontade, você deve deixar todo o seu corpo tornar-se mole, deve ter a certeza de que todos os músculos estão sem tensão. Não pode haver coisa melhor para entendê-lo do que examinar um gato, ver como o mesmo “se espreguiça”, completamente. O gato virá, dará algumas voltas, e depois ir-se-á arrumar num monte mais ou menos informe. O gato não se preocupa em absoluto se alguns centímetros da perna estiverem de fora, ou se o aspecto que tenha é desgracioso; o gato vai descansar, afrouxar-se, pôr-se à vontade, e tal intuito é o pensamento único em sua mente. O gato sabe colocar-se no chão e adormecer instantaneamente.

    É provável que todos saibam que um gato pode ver coisas que os seres humanos não enxergam. Isso se deve a que as percepções do gato encontram-se mais altas, em relação ao nosso “teclado”, e assim ele pode ver o astral a todo o momento, e uma viagem no astral, para um gato, não é mais do que, para nós, a travessia do aposento.

    Vamos, portanto, simular um gato, de forma a podermos construir a nossa estrutura de conhecimento metafísico sobre base sólida e duradoura.

    Você sabe como pôr-se à vontade? Você consegue, sem outra instruções, tomar-se flexível, capaz de recolher impressões? Eis como o faríamos: deitamo-nos numa posição qualquer desde que seja cómoda. Se você quiser deixar as pernas abertas, ou os braços abertos, deixe-os, então. Toda a arte de pôr-se à vontade está em ficar completa e inteiramente cómodo(a). Será muito melhor se você o fizer no retiro do seu próprio quarto, porque a maioria das pessoas, principalmente as mulheres, não gosta de pessoa alguma a observá-las. Então para ficar à vontade você tem de esquecer-se de tudo quanto é considerado desgracioso e, na verdade, de quaisquer convenções, simplesmente esqueça e ignore.

    Imagine que seu corpo é uma ilha povoada por pessoas muitíssimo pequenas, sempre obedientes às suas ordens. Você pode, se quiser, pensar que o seu corpo é alguma vasta instalação industrial, com técnicos altamente preparados e obedientes cuidando dos diversos controles e “centros nervosos” que formam seu corpo. E então, quando quiser pôr-se à vontade, diga a essa gente que a fábrica está a ser fechada; diga-lhes que seu desejo actual é o de que o deixem, de que “parem tudo”, as suas máquinas e seus “centros nervosos”, e que se retirem por algum tempo.

    Deitado confortavelmente, imagine de modo deliberado toda uma série numerosa de pequenos seres nos seus dedos do pé, nos pés, nos joelhos em toda a parte do corpo. Imagine-se olhando para baixo, vendo seu corpo, e todas as pequenas criaturas que estão criando tensão nos seus músculos e fazendo com que os nervos estremeçam e se movimentem. Olhe para elas, como se você fosse uma figura imensa, alta no céu, fitando essa gente, e depois diga-lhes o que pensa. Diga-lhes que saiam dos seus pés, abandonem suas pernas, ordene-lhes que se afastem de suas mãos e braços, diga-lhes que se juntem no espaço entre seu umbigo e a extremidade de seu osso esterno. O esterno, será bom que o repitamos, é a extremidade do osso central do peito. Se você passar os dedos pelo meio do corpo, entre as costelas, descobrirá que há uma extremidade de material duro, e esse é o esterno. Desça mais um pouco os dedos, e ele termina. Assim, entre esse ponto e o umbigo, temos o lugar designado. Ordene a todas essas pessoas minúsculas que se reunam ali, imagine que as descendo dos seus membros, subindo o corpo, em fileiras cerradas, como operários deixando uma fábrica movimentada ao final do dia.

    Chegando ao ponto designado, eles terão abandonado as suas pernas e braços, pelo que tais membros estarão destituídos de tensão, até mesmo de sensibilidade, pois essas pequeninas criaturas são as que fazem o seu maquinismo funcionar, as que alimentam as estações de retransmissão e os centros nervosos. Os seus braços e pernas, a essa altura, não estarão precisamente entorpecidos, mas sem qualquer sensação de tensão, sem qualquer sensação de cansaço. Poderíamos dizer que eles quase “não estão lá”.

    Agora, faça com que toda essa gente miúda se reúna no lugar determinado, como uma turma de operários presente num comício político! Olhe para eles, na sua imaginação, por alguns momentos, deixando que o seu olhar os englobe a todos e então, com firmeza e confiança, diga-lhes que se vão, diga-lhes que abandonem o seu corpo, até que você os chame de volta. Diga-lhes que subam pelo Cordão de Prata, distanciando-se de você. Eles o devem deixar em paz, enquanto você medita, enquanto você descansa, enquanto está à vontade.

    Imagine para si mesmo que o Cordão de Prata se estende, distanciando-se do seu corpo físico e indo ter aos grandes reinos do Além.

    Visualize que o Cordão de Prata é como um túnel, como um Metro, e imagine os viajantes na hora de ponta, numa cidade como Londres, Nova York ou Moscovo imagine que eles estejam todos deixando a cidade ao mesmo tempo, seguindo para os subúrbios, pense que os transportes os estão a levar a todos para longe de si. E a (sua) cidade fica em relativa tranquilidade. FAÇA com que esses pequenos seres atendam com prática, é muito fácil! e então ficará totalmente sem tensões; os seus nervos não estremecerão, os músculos não estarão tensos. Continue deitado e sossegado, deixe a sua mente “tiquetaquear”. Não importa em que esteja pensando, não importa até mesmo que esteja pensando. Deixe que isso seja assim por alguns momentos, enquanto respira devagar, com firmeza, e depois arrede esses pensamentos de modo bem semelhante àquele pelo qual despediu os seus “operários da fábrica”.

    Os seres humanos ocupam-se de tal maneira com seus pensamentozinhos, que não têm tempo para as coisas maiores da Vida Maior. As pessoas acham-se tão ocupadas com a vida, com o futebol, com as compras, ou com o que acontece na televisão, que não dispõem de tempo para tratar das coisas realmente importantes. Todas essas coisas quotidianas e mundanas são inteiramente triviais. Terá alguma importância, daqui a cinquenta anos, que Fulano de Tal estivesse vendendo vestidos por menos do que eles custam hoje? Mas para você, daqui a

    cinquenta anos, terá importância o modo pelo qual progredir agora, pois nenhum homem ou mulher jamais conseguiu levar um vintém desta vida, mas todos os homens e todas as mulheres levam o conhecimento que adquiriram nesta, para a vida seguinte. É esse o motivo pelo qual as pessoas estão, aqui, e se você pretende levar conhecimentos de valor para o outro lado, ou apenas um amontoado inútil de pensamentos sem relação uns com os outros, temos uma questão que deve merecer sua maior atenção. Assim sendo, este Curso terá utilidade para você, e poderá afectar todo o seu futuro!

    É o pensamento a razão o que mantém os seres humanos na sua situação actual, muito inferior. Os homens falam de sua razão, e dizem que ela os distingue dos animais; distingue, realmente distingue! Que outras criaturas, senão os seres humanos, atiram bombas atómicas sobre as outras? Que outras criaturas estripam publicamente os prisioneiros de guerra, ou os privam de seus pertences úteis? Você consegue imaginar alguma outra criatura, senão um ser humano, que mutile homens e mulheres, de modo tão espectacular? Os seres humanos, a despeito de sua decantada superioridade, encontram-se em muitos aspectos abaixo das mais inferiores feras da selva. Isso se porque os seres humanos têm valores errados, os seres humanos anseiam apenas pelo dinheiro, anseiam pelas coisas materiais desta vida mundana, enquanto as coisas que têm importância após esta vida são as imateriais, e é isso que estamos procurando ensinar a você!

    Desligue-se dos seus pensamentos, agora que você está a ficar à vontade, torne a sua mente receptiva. Se você praticar e insistir na prática, descobrirá que pode desligar os pensamentos vazios e infinitos que o atravancam, e ao invés disso perceber realidades verdadeiras, perceber coisas de planos diferentes de existência, mas coisas tão completamente estranhas à vida na Terra tão agradavelmente estranhas, é bom que se diga que não existem termos concretos com os quais descrever o abstracto. Somente a prática é necessária para que também você possa ver coisas do futuro.

    Existem certos grandes homens que conseguem entregar-se ao sono por alguns momentos e, em questão de minutos, voltarem a despertar revigorados, e com a inspiração rebrilhando nos olhos. São gente que sabe desligar os pensamentos à vontade, sintonizando e recolhendo o conhecimento das Esferas. Você também o poderá fazer, com prática!

    É muitíssimo prejudicial, na verdade, para aqueles que desejam o desenvolvimento espiritual, empenhar-se na roda ordinária, inútil e vazia da vida social. As festas sociais, eis algo que dificilmente pode ser superado como passatempo pior, para quem procure desenvolver-se.

    A bebida, o álcool prejudicam o juízo psíquico da pessoa, podem até levá-la ao astral inferior, onde será torturada pelas entidades que se deleitam em apanhar os seres humanos que estejam numa etapa na qual os mesmos nem sequer conseguem pensar com clareza. Acham isso divertidíssimo. Mas as festas e as actividades sociais comuns, como a tagarelice destituída de sentido a que se entregam mentes vazias, procurando ocultar o facto de que nada têm na cabeça, constituem uma visão penosa para quem está a tentar progredir. Você somente poderá fazer progresso se afastar-se dessa gente de mentalidade rasa, cujo pensamento maior é o de quantas bebidas consegue beber em qualquer reunião desse tipo, e que prefere tagarelar imbecilmente acerca das dificuldades das outras pessoas.

    Acreditamos na comunhão das almas, acreditamos que duas pessoas possam estar fisicamente juntas, em silêncio, sem a necessidade de qualquer palavra pronunciada, que elas comungam telepaticamente por afinidade. O pensamento de uma delas evoca uma resposta na outra. foi notado que, em certos momentos, duas pessoas muito idosas e que tenham vivido juntas por muitos anos, como marido e mulher, antecipam-se aos pensamentos um do outro. Essa gente idosa, realmente apaixonada, não se empenha em tagarelice tola ou em conversa fiada; eles se sentam juntos, recolhendo em silêncio a mensagem que vai de um cérebro ao outro. Aprenderam, tardiamente, quais os benefícios que advêm da comunhão silenciosa, aprenderam “tarde demais” porque as pessoas idosas se acham, literalmente, ao final da jornada da vida. Você o poderá fazer, enquanto é jovem.

    É possível, a um grupo pequeno de pessoas, pensando de modo construtivo, alterar todo o curso dos acontecimentos mundiais. Infelizmente, é difícil demais obter um pequeno grupo de pessoas que se mostre tão altruísta, tão pouco centralizadas em si mesmas, que consiga desligar os seus próprios pensamentos egoístas e concentrar-se apenas no bem do mundo. Estamos dizendo, agora, que se você e os seus amigos se reunirem e formarem um círculo, cada qual sentado confortavelmente e à vontade, e um de frente para o outro, poderão causar grande bem a si próprios e a outras pessoas.

    Cada pessoa deve ter os dedos do a se tocarem. Cada pessoa deve ter as mãos entrelaçadas. Nenhuma delas deve tocar a outra, naturalmente, cada uma deve ser como uma unidade física separada.

    Lembre-se dos antigos judeus, os judeus muitíssimo antigos; ele abiam bem que, se estivessem regateando, deviam permanecer de pé, com os pés juntos, as mãos entrelaçadas, porque nesse caso as forças vitais do corpo eram conservadas. Um judeu antigo, ao tentar fazer um negócio difícil, sempre conseguia sair-se melhor se permanecesse de pé, e o oponente sentado. Ele não se punha em tal posição devido a qualquer subserviência aduladora, como muitas pessoas imaginam, mas por saber como conservar e utilizar suas forças corporais. Tendo alcançado o seu objectivo, podia separar e abrir as mãos, ficar em com as pernas afastadas, pois não precisava mais de conservar as forças para o “ataque”, era vencedor. Tendo alcançado seu objectivo, podia ficar à vontade.

    Se cada um de vocês, no seu grupo, mantiver os pés e mãos juntos, cada qual conservará a energia do corpo, é uma coisa semelhante a fazer um circuito eléctrico.

    O seu grupo deve sentar-se em círculo, todos mais ou menos olhando para o espaço ao centro desse círculo, de preferência algum lugar no soalho, porque as cabeças estarão ligeiramente baixas, e isso é mais repousante e natural. Não falem — basta ficarem sentados.

    Assegurem-se de que NÃO FALARÃO. Vocês terão escolhido o tema dos pensamentos, de modo que nenhuma conversa é mais necessária. Sentem-se assim por alguns minutos. Gradualmente, cada qual sentirá uma grande paz a invadi-lo, cada qual se sentirá como se fosse invadido por uma luz interna. E alcançará o esclarecimento espiritual verdadeiro, sentindo-se “Unido com o Universo”.

    Os cultos de igreja são realizados com esse intuito. Lembre-se de que os primeiros sacerdotes de todas as igrejas eram psicólogos bastante bons, sabiam como formular as coisas a fim de obterem os resultados desejados. É sabido que não se pode conter uma multidão humana em sossego, sem lhes dar direcções constantes, de modo que existe a música e o pensamento dirigido, na forma de orações.

    Se um sacerdote de qualquer tipo ao estar em pé, onde todos os olhos possam focalizar-se nele, enquanto diz certas coisas, terá conquistado a atenção de todas as pessoas na plateia ou congregação, e os pensamentos das mesmas estarão dirigidos a um intuito comum. Trata-se de um modo inferior de fazê-lo, destinado a um controle de massas mantendo-as sintonizadas numa mensagem, e assim as pessoas não dedicam o tempo ou energia necessários a um desenvolvimento pessoal e maior em outras direcções.

    Você e os seus amigos podem, se assim o quiserem em grupo, obter resultados muito maiores espiritualmente, sentando-se em circulo, e permanecendo sentados, em silêncio.

    Fiquem sentados, em silêncio, cada qual procurando pôr-se à vontade, cada qual pensando em coisas puras ou pensando no tema que foi designado. Não dêem importância às contas do armazém, que ainda não foram pagas, não cogitem de quais vão ser as modas da estação seguinte; pensem, ao invés disso, em erguer suas vibrações, de modo que possam perceber a natureza boa e a grandeza que estão na vida por vir.

    Nós falamos em demasia, todos nós deixamos que os cérebros tagarelem como máquinas destituídas de real e útil pensamento. Se nos pusermos à vontade, se permanecermos sozinhos mais tempo e falarmos menos, quando em companhia dos outros, nestas ocasiões, começam a surgir os pensamentos de uma pureza maior. Poderão vir em torrente, erguendo as nossas almas. Algumas das pessoas idosas do interior, que passavam o dia sozinhas, apresentavam

    uma pureza muito maior de pensamentos do que qualquer pessoa vinda das cidades do mundo. Os pastores, embora não sejam de modo algum criaturas educadas, apresentavam um grau de pureza espiritual que seria invejado por muitos sacerdotes de elevado grau. Isto se deve ao fato de que tenham tido tempo para estarem a sós, tempo para pensar, meditar, e quando se cansavam de meditar, suas mentes esvaziavam-se, e os pensamentos maiores, vindos do “além”, iam ter às mesmas.

    Por que não praticar meia hora, todos os dias? Pratique, sentado ou reclinado, e lembre-se de que você deve estar sempre inteiramente à vontade. Deixe que sua mente pare. Lembre-se: “Fica quieto, e saberás que estou dentro”.

    Outro dito é: “Fica quieto, e conhecerás o Eu interior”. Pratique desse modo. Liberte-se de qualquer pensamento, liberte-se de preocupações e dúvidas, e descobrirá que em questão de um mês, você terá melhor posição corporal, sentir-se-á erguido, será uma pessoa inteiramente diferente.

    Não podemos encerrar esta Lição sem voltar a nos referir às festas e à conversa ociosa. Em algumas escolas ensina-se que devemos dedicar-nos à “conversa fiada”, a fim de sermos bons anfitriões. A ideia em que tal suposição repousa parece, a grosso modo, ser a de que os convidados jamais devem ser deixados em silêncio por um momento, para evitar que os seus próprios pensamentos pessoais se turvem a tal ponto que tenham a visão tumultuada. Nós estamos a dizer, ao contrário disso, que ao proporcionar silêncio estaríamos proporcionando uma das coisas mais preciosas nesta Terra, pois no mundo moderno não existe silêncio, temos o rugido constante do tráfego, os uivos constantes das aeronaves em sobrevoo, e todo aquele clamor insensato do rádio e televisão. Isto pode, mais uma vez, levar à Queda do Homem. Você, proporcionando um oásis de sossego, paz e tranquilidade, pode fazer muito mais por si próprio e pelos seus semelhantes.

    Quer experimentar por um dia, e ver até que ponto ou medida você consegue evitar o ruído? Veja se consegue falar o menos possível. Diga apenas o que for necessário, evitando tudo quanto se mostre irrelevante, tudo que seja apenas mexerico e tagarelice sem sentido. Se o fizer consciente e deliberadamente, terá um choque enorme ao fim do dia, percebendo o quanto fala, em condições normais, e que na verdade não tem a mínima importância.

    Discorremos bastante sobre a tagarelice e o ruído, e se você quiser praticar o silêncio descobrirá também que temos razão. Muitas das Ordens Religiosas têm Ordens de silêncio, muitos dos monges e monjas recebem ordem de manter silêncio, e as autoridades não o fazem como punição, mas por saberem que somente no silêncio é que se podem ouvir as vozes do Grande Além.

    LIÇÃO 13
    Quem, numa ou em outra oportunidade, não imaginou qual será o objectivo da vida sobre a Terra?

    É realmente necessário ter tanto sofrimento, tanta dificuldade?” Na verdade, como é claro, torna-se necessário que haja sofrimento, dificuldades e guerras. Nós depositamos confiança demasiada nas coisas desta Terra, inclinamo-nos a pensar que não exista coisa tão importante quanto a vida sobre a mesma. Na verdade, sobre a Terra, somos apenas actores em um palco, mudando de roupagem a fim de nos adequarmos ao papel que temos a desempenhar, e ao final de cada acto, nos retiramos por algum tempo regressando para o acto seguinte, talvez em indumentária diferente.

    As guerras são necessárias. Sem elas o mundo logo estaria superpovoado. As guerras são necessárias, para que haja oportunidades de auto-sacrifício e para que o Homem se erga acima dos limites da carne, prestando serviço aos demais. Encaramos a vida como é vivida neste mundo, julgando-a a única coisa importante. Na verdade, é o que menos importa.

    Quando nos encontramos no espírito, somos indestrutíveis. Somos imunes às vicissitudes e doenças. Assim, o espírito que tem de adquirir experiência, motiva um corpo de carne e ossos

    o que não passa de um amontoado de protoplasma animado para que as lições possam ser aprendidas. Sobre a Terra, o corpo é um fantoche, abanando-se e contorcendo-se de acordo com as ordens do Eu Maior que, por intermédio do Cordão de Prata, as ordens e recebe as mensagens.

    Examinemos as coisas de um modo bastante diferente, por momentos. Uma pessoa que vem à Terra, talvez pela primeira vez, é uma criatura indecisa, parecida com uma criança pequena, e não consegue fazer qualquer plano por si própria. Assim, é preciso que os planos sejam feitos para ela, por outras pessoas. Nós não nos preocupamos com aqueles que não tenham atingido a evolução, pois se você está estudando este Curso, isso demonstra que atingiu uma etapa de evolução na qual consegue planejar mais ou menos o que tem de aprender. Examinemos o cenário, antes de se chegar à Terra.

    Uma pessoa uma entidade morreu e regressou para mais perto do seu Eu Maior, aos planos astrais, regressou de uma vida sobre a Terra. A entidade terá visto todos os erros, todas as faltas e defeitos dessa vida, e terá decidido, talvez sozinha, talvez em companhia de outras, que certas lições não foram aprendidas e que terão de ser empreendidas novamente. Assim é que os planos são feitos, de acordo com os quais a entidade descerá mais uma vez encarnando num corpo. Primeiro é realizada uma procura em cima, atrás de uma família que possa ter as condições necessárias e um tipo de ambiente necessário ás lições e missões a serem realizadas. Isto é, se uma pessoa tem que se acostumar-se a lidar com dinheiro, nascerá de pais ricos, ou se uma pessoa tem de levantar-se da “sarjeta” nascerá em circunstâncias realmente muito pobres. Poderá, até mesmo, ter de nascer aleijado ou cego, dependendo do que esteja para ser aprendido, mas tudo é previamente escolhido e aceite, portanto não reclame, pois as provações e felicidades foram todas previamente escolhidas por si e estão escondidas pelo véu que esconde as memórias anteriores.

    Um ser humano, na Terra, é como uma criança num sala de aula. Pensemos nisso, em termos de salas de aula. A criança encontra-se numa sala assim, em companhia de muitas outras.

    Por algum motivo, essa criança não se sai tão bem, não aprende as lições, de modo que ao final do ano obtém resultados muito fracos nos exames.

    Os professores resolvem que, com base na sua atitude geral e notas obtidas durante o ano, e o fracasso geral no próprio exame, ela não está à altura, não se encontra pronta para uma promoção passando a um grau superior. Assim, a criança sai da escola durante as férias (morte), ao encerramento do ano lectivo (está no astral a preparar-se para uma nova vida e vinda), com o conhecimento de que, quando a escola recomeçar, terá de voltar para a mesma classe de antes! Para passar por tudo o que não superou!

    Com a retomada das actividades escolares, porque a criança não foi promovida (nós), volta a aprender as mesmas lições, para ter outra oportunidade.

    Mas todos aquelas que estudaram de modo mais assíduo, prosseguem e chegam a uma turma mais adiantada, e talvez sejam tratadas com mais consideração pêlos professores, porque essas crianças são as que se esforçaram, e que aprenderam as lições e fizeram progresso.

    A que ficou para trás sente-se envergonhada com os membros novos da turma, tende a adoptar ares de superioridade por algum tempo, demonstrando que, embora não haja passado para a turma mais adiantada, isso foi porque não o quis fazer. Se, ao final desse ano de estudo (final da vida), o menino não demonstrar qualquer sinal de progresso, pode acontecer que os professores realizem uma reunião, e na mesma chegam à conclusão que o menino é de mentalidade inferior, recomendando então que seja transferido para um tipo diferente de escola (outro plano, outro lugar no universo).

    Se as crianças na escola se estiverem saindo-se bem e progredindo de modo satisfatório nos estudos, chegará o momento em que terão de decidir o que vão ser, na vida de adultos. Pretenderão ser médicos, advogados, carpinteiros ou motoristas? Qualquer que seja a escolha, terão de passar pêlos estudos necessários. Um candidato a médico terá de estudar coisas diferentes das que um motorista tem de aprender, e em consulta com os professores, os estudos necessários são providenciados.

    O mesmo acontece no mundo espiritual; antes que um ser humano nasça, diversos meses antes que isso ocorra, na verdade, em alguma parte do mundo espiritual realiza-se uma reunião. Aquele que vai entrar num corpo humano é examinado, com assessores, os modos pelos quais certas lições possam ser aprendidas, de maneira bastante aproximada àquela como um estudante, na Terra, examinará a maneira como estudar para obter sua capacitação desejada. Os assessores espirituais poderão dizer que o estudante a ponto de entrar na escola do mundo, da vida e se tornará o filho ou a filha de um certo casal, ou mesmo de um casal solteiro! Haverá um debate para saber-se o que deve ser aprendido e que dificuldades terão de ser atravessadas, pois é um facto triste o de que a dificuldade ensina à pessoa mais depressa e de modo mais permanente do que a bondade. Deve-se também notar que o facto de uma pessoa se achar actualmente em uma condição social mais baixa, não significa que ela seja inferior no mundo espiritual.

    Muitas vezes a pessoa estará em actividades braçais em certa vida, a fim de que possa aprender certas lições específicas, mas na vida futura, ela será uma entidade bastante elevada. É lamentável que sobre a Terra uma pessoa seja julgada pela quantidade de dinheiro que possua, ou o que os seus pais tenham sido, e isto, naturalmente, constitui um absurdo trágico. Equivale a julgarmos um aluno, ou o progresso que este faz, pela quantia em dinheiro que o pai possua, ao invés de avaliar o garoto pelo progresso que o mesmo de facto realiza. Estamos repetindo que ninguém, até agora, conseguiu levar um vintém além da barreira da morte, mas todo o conhecimento é levado, todas as experiências adquiridas ficam armazenadas e são levadas para a vida do além. Assim, aqueles em cuja opinião o facto de possuírem um milhão de dólares ou mais vai levá-los a um lugar na primeira fila do céu e estão a caminho de uma decepção triste e desagradável. O dinheiro, a posição, a raça e a cor não têm qualquer importância; a coisa única que importa é o grau de espiritualidade alcançado pela pessoa!

    E regressemos ao nosso espírito que está a ponto de entrar noutra encarnação; quando os pais adequados forem encontrados é quando, no momento apropriado, o espírito entrará no corpo em formação, da criança por nascer, e com essa entrada no corpo haverá o apagamento instantâneo das memórias conscientes da vida anterior a essa entrada (chama-se a isso o véu). Seria naturalmente terrível se a criancinha possuísse recordação de quando era, talvez, muito intimamente relacionada à sua mãe ou pai! Seria trágico e doloroso, se a criança conseguisse lembrar-se de que, na vida anterior, tinha sido um grande rei, e era agora a mais pobre das criaturas pobres. Por esse motivo, juntamente com muitos outros, é um acto de misericórdia que a pessoa média não consiga lembrar-se de sua vida passada, mas quando passa novamente por esta vida e regressa ao mundo espiritual, tudo TUDO — é recordado.

    Muitas pessoas se prendem do modo mais rígido ao antigo preceito: “Honra teu pai e tua mãe”. Embora isso seja realmente um sentimento dos mais louváveis, devemos esclarecer que um grande número de pessoas sobre a Terra jamais voltará a ver pai ou mãe, quando entrarem no mundo espiritual. Nos dias antigos, era muito necessário que os sacerdotes fizessem todo o possível para conquistar a colaboração dos pais, a fim de que os jovens de ambos os sexos não abandonassem as tribos, porque a riqueza das mesmas, naqueles dias, estava assentada nos jovens. Quanto mais numerosa fosse a tribo, tanto maior era a facilidade para subjugar as tribos menores. Assim é que os sacerdotes exortavam as crianças a obedecerem aos pais, e estes, de modo particular, obedeciam aos sacerdotes.

    Vamos declarar, de modo bem claro, que realmente concordamos em que os pais devam ser “honrados”, desde que o mereçam.

    Desejamos declarar, igualmente, que se um pai for prepotente, ou sem bondade, ou tirânico, nesse caso esse pai rejeitou e desdenhou todos os direitos a ser “honrado”. Não necessidade alguma de obter obediência servil, aquela que algumas “crianças” dedicam aos pais. Algumas “crianças” são criaturas adultas e casadas, e talvez tenham vivido meio século por conta própria, mas ainda assim tremem de medo ou apreensão, quando o nome de um pai é mencionado. Com frequência, isso leva a uma neurose, e ao invés de acarretar o amor, talvez traga o medo e um ódio mal disfarçado. Ainda assim, essas “crianças” com meio século ou mais de idade, talvez sentem-se culpadas, porque foram criadas na crença de honrar pai e mãe.

    Para os que assim se vejam aflitos gostaríamos de voltar a dizer, e de modo bastante claro, enfático, que se não se sente feliz com os pais, você jamais voltará a vê-los no mundo espiritual. Neste, existe a Lei da Harmonia, sendo inteiramente impossível que você conheça alguém com quem seja incompatível. Desse modo, se estiver casado e o seu matrimónio houver sido efectuado na base de conveniência, casamento que você teme desfazer com medo do que os vizinhos venham a dizer, jamais voltará a ver seu cônjuge no mundo espiritual, a menos que ele ou ela se modifique de maneira tão radical (ou você se modifique!) que se tornem ambos compatíveis.

    Temos de repetir mais uma vez, de modo que não haja possibilidade de incompreensão: se você e seus pais forem incompatíveis, e não se derem, se não forem felizes juntos, se não se adaptarem uns aos outros, nesse caso não se encontrarão em qualquer outro plano de existência. O mesmo se aplica aos parentes, ou marido e mulher.

    Eles devem, e do modo mais definido, ser compatíveis e estar em harmonia completa, antes que possam encontrar-se outra vez. É esse um dos motivos pêlos quais se torna necessário aos espíritos possuir um corpo físico, para aprender lições, porque somente no corpo físico duas entidades antagónicas podem ser levadas a um contacto, de modo que procurem “aparar as arestas” e chegar à compreensão mútua.

    Mais adiante, em outra lição, examinaremos os problemas de Deus ou Deuses, e das diferentes formas de crença religiosa. Os seres humanos pensam, erroneamente, que são a mais alta forma de existência. Isso é de todo incorrecto, sendo também ideia fomentada pelas religiões organizadas. O pensamento religioso nos ensina que o Homem é feito à imagem de Deus; assim sendo, se o Homem é feito à imagem de Deus, não pode haver coisa mais elevada que o Homem! Na verdade, em outros mundos existem formas altíssimas de vida. Deus não é uma cavalheiro idoso e benevolente, que nos fita bondosamente pelas páginas de algum livro. Deus é uma coisa muito verdadeira, um Espírito vivo, que nos guia a todos, mas não necessariamente do mundo que nos ensinaram.

    Nesta lição, finalmente, pense em sua própria relação com os seus pais, ou com seu cônjuge, ou com os parentes. Você é feliz com eles? Realmente feliz? Ou está vivendo à parte? Você aceitaria viver com qualquer uma dessas pessoas de modo permanente, por todo o resto da existência? Lembre-se de que quando esteve na escola havia um bom número de pessoas na mesma turma, e havia professores. Você tinha de respeitar os professores, mas eles não se acham permanentemente associados à sua vida, eles foram meio temporários, gente nomeada

    para supervisionar sua educação. Também os seus pais são criaturas a quem você escolheu com permissão deles, num mundo espiritual para patrocinarem e supervisarem o seu desenvolvimento. Se as pessoas amam sinceramente os pais, e não porque algum ensinamento religioso lhes diz que devam fazer isso, nesse caso terão por certo a maior de todas as alegrias ao saberem que se encontrarão com os mesmos no “outro lado”. As condições, nesse outro lado, serão feitas por você, aqui na Terra.

    LIÇÃO 14
    Todos gostamos de que façam as coisas por nós, de que nos dêem as coisas. Provavelmente todos nós reconheceríamos que oramos, pedindo ajuda! Trata-se, é claro, de uma coisa natural nas questões humanas querer a assistência de outrem. O homem sente-se inseguro quando sozinho e quer a imagem do “Deus-Pai”, ou a imagem da “Mãe”, a fim de poder sentir-se protegido, poder sentir que pertence a uma grande Família. Mas, para que se possa receber, é preciso dar, antes. Não se pode receber sem dar, pois o acto de dar a atitude de abrir a mente possibilita a você tornar-se receptivo àqueles que estão prontos a dar-lhe o que deseja receber!

    Quando dizemos “dar”, não estamos obrigatoriamente a falar de dinheiro, embora seja comum dar dinheiro, uma vez que para a maioria das pessoas isso é o que mais desejam receber. O dinheiro, na nossa época actual, significa segurança quanto às privações, alívio quanto ao medo de passar fome, libertação quanto ao pagamento de impostos! O dinheiro pode ser dado, e deve ser dado sobre certas condições, mas “dar” significa também dar de si, estar pronto a servir aos demais. Podemos e devemos dar dinheiro, bens, assistência ou consolo espiritual àqueles que disso necessitam. É preciso ver, mais uma vez, que, se não dermos, não poderemos receber.

    Existem muitas concepções erróneas a respeito de “dar”, “esmola”, “pedir”, e questões semelhantes referentes à chamada “caridade” no mundo ocidental. Parece que as pessoas imaginavam haver algo vergonhoso, algo degradante em terem de solicitar ajuda de outrem. Mas isso não é assim, de modo nenhum. O dinheiro não passa de uma mercadoria que nos é emprestada enquanto nos achamos sobre a Terra, uma mercadoria com a qual podemos comprar felicidade e auto-aperfeiçoamento, ajudando os outros com esse dinheiro, ao invés de guardá-lo ou entesourá-lo inutilmente, em algum cofre.

    É esse, infelizmente, o mundo do comércio, onde a medida do homem se determina pelo dinheiro que tenha no banco e pelo espectáculo de ostentação que ele promova, com esse dinheiro. O homem muito bem vestido, ou a mulher em iguais condições, que dão para a sua própria satisfação a fim de construírem uma fachada falsa não são criaturas espirituais ou generosas, mas pessoas que gastam sem qualquer pensamento em dar, gastando egoistamente para que seu próprio ego se fortaleça. No mundo ocidental, um homem é julgado na medida em que sua esposa se vista bem, pelo tipo de carro que possua e dirija, pelo tipo de casa onde resida; ele pertence a este ou àquele clube? Nesse caso, deve ser um homem de recurso, porque somente as pessoas milionárias podem pertencer ÀQUELE CLUBE! Dizemos mais uma vez que se trata de um mundo de valores falsos, pois e repitamo-lo sem cessar, de modo que ter ao seu subconsciente nenhum homem ou mulher jamais conseguiu levar um alfinete ou vintém, ou mesmo um palito de fósforo queimado para a outra margem do Rio da Morte; tudo o que podemos levar é o que se ache dentro do nosso conhecimento, tudo que podemos levar é a soma total das nossas experiências, boas e más, generosas e mesquinhas, que será destilado a tal ponto que apenas a essência dessas experiências permanecerá. E o homem que tenha vivido para si próprio, sozinho sobre a Terra, embora sobre a Terra talvez fosse um milionário, quando vai para “o outro lado” encontrar-se-á em bancarrota espiritual.

    No Oriente é comum, é muitíssimo comum a visão da dona de casa que vai ter à porta ao final do dia, e ali encontra o monge de manto, com sua humilde tigela de esmola. Isso faz parte da vida no Oriente, a tal ponto que todas as donas de casa por mais pobres que sejam providenciam ter alguma sobra de comida para ser dada ao monge-mendigo que depende de sua generosidade. Considera-se realmente uma honra para a casa o facto de que um monge venha pedir-lhe sustento. Contrariamente à crença comum no Ocidente, entretanto, um monge não é apenas um parasita ou mendigo, não é um homem deambulante com medo de trabalhar, e que vive do que os outros possuem. Você sabe como são realmente essas situações que acontecem ao anoitecer no Oriente?

    Suponhamos, no Oriente, um país tal como a Índia, onde esse processo de dar aos monges é realmente comum: como o foi na China e no Tibete, antes que os comunistas se apoderassem do poder. Vamos então, examinar uma aldeia na Índia. As sombras da noite caem e se estendem pelo chão. A luz adquire uma tonalidade azulado-purpúrea, as folhas dos baobás farfalham de leve, quando os ventos da noite descem dos Himalaias. Sem ruído, pela estrada empoeirada, vem um monge envergando roupas esfarrapadas, trazendo consigo tudo quanto possui no mundo. Tem o manto, as sandálias nos pés, e na mão traz seu rosário. A bandoleira, passada pelo ombro, tem o cobertor, que lhe serve de cama. Mais outros pequenos pertences que se encontram guardados no seu manto. Na mão direita tem um cajado, não para defender-se de animais ou de seres humanos, mas para que possa afastar os espinhos e ramos que, de outra forma, impediriam a sua marcha; ele também o utiliza para sondar a profundidade de um rio, antes de procurar atravessá-lo.

    O monge se aproxima de uma casa, e enquanto o faz procura no peito do manto, e retira a sua tigela bastante usada, luzidia, uma tigela de metal que tem as marcas do tempo e se tornou lisa, de tanto uso. Ao se aproximar da casa, a porta é repentinamente aberta e uma mulher se apresenta em atitude respeitosa, tendo nas mãos um prato de comida. Com modéstia, ela olha

    sem encarar o monge pois isso seria uma impertinência, e olha para baixo, a fim de mostrar que é modesta, recatada e de bom nome. O monge vai ter com ela, e estende a tigela, segurando-a com as duas mãos.

    No Oriente, naturalmente, sempre se segura uma tigela ou copo com as duas mãos, porque segurá-los com apenas uma seria “demonstrar desrespeito” à comida, artigo precioso, pelo que vale a atenção das duas mãos. Assim sendo o monge segura a tigela firmemente com as duas mãos. A mulher põe ali uma quantidade generosa de alimento, e depois se volta e afasta-se, sem trocar uma palavra, sem trocar um olhar, pois dar de comer a um monge é uma honra, e não um encargo, alimentar um monge é pagar em pequena medida, a dívida que todas as pessoas sentem ter contraído para com aqueles que se acham nas Ordens Santas.

    A mulher da casa acha que ela e a sua moradia foram honradas pelo facto de que aquele Homem Sagrado tenha batido à sua porta, e acha que foi rendido tributo à sua culinária, fica pensando se algum outro monge talvez tenha dito palavras bondosas a respeito da alimentação que ela tenha proporcionado, e que mandou outro monge àquele lugar. Nas outras casas, as mulheres podem estar olhando com uma expressão de bastante inveja, pelas janelas, através cortinas, imaginando o motivo pelo qual não foram escolhidas para a visita do monge.

    Tendo a tigela cheia, o monge vagarosamente se afasta, segurando ainda o receptáculo com as duas mãos, e atravessa novamente a estrada, indo ter ao abrigo de alguma árvore. Ali ele se senta, como se sentou durante a maior parte do dia, e faz a refeição nocturna, a única do dia. Os monges não comem além do necessário, vivem de modo frugal e comem apenas o suficiente para manter o vigor e a saúde, mas não têm o bastante para se tornarem glutões.

    Uma quantidade demasiada de comida impede o desenvolvimento espiritual, e a comida demasiadamente rica ou os alimentos fritos prejudicam a saúde física. Se alguém se desenvolver espiritualmente, deve viver como o fazem os monges, comendo o suficiente, porém isso, comendo com simplicidade para que o corpo fique alimentado, mas não alimentos ricos, de modo que a mente seja saciada e o espírito trancado no receptáculo de argila que é o corpo.

    Devemos explicar que o monge, tendo recebido a comida, não precisa sentir-se tomado de gratidão. Desde tempos imemoriais um Modo de Vida surgiu no Oriente; o monge é alimentado como direito, não é um mendigo, não é um encargo público, não é um homem irrequieto ou um parasita.

    Durante o dia, antes da refeição nocturna, o monge terá permanecido sentado, por horas seguidas, sobre uma árvore, à disposição de todos que o procuram, à disposição de todos os que necessitam dos seus serviços. Aqueles que estão a precisar do consolo espiritual, terão vindo procurá-lo, querendo auxílio, bem como os que tenham parentes doentes, ou mesmo aqueles que desejam escrever urgentemente uma carta. Há, igualmente, alguns que vêm ver o
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    monge para saberem se ele tem alguma notícia de seres amados, em algum lugar muito distante, pois o monge está sempre seguindo a de uma cidade para outra, de uma para outra aldeia, atravessando os campos, atravessando o país de uma fronteira à outra. E o monge presta os seus serviços gratuitamente, seja o que for que lhe peçam, por mais tempo que tal serviço exija. É um Homem Santo e homem educado; sabe que muitos dos aldeões que necessitam dele e da ajuda que oferece prazerosamente não lhe podem pagar, pois são pobres demais, sendo certo e justo que, como foi preciso estudar para adquirir o seu conhecimento, e como traz consolo espiritual às pessoas, não teve o tempo ou o direito de trabalhar manualmente e ganhar a vida. Assim é que se torna um dever, um privilégio e uma honra para as pessoas a quem ele haja ajudado que venham, a seu turno, ajudá-lo e paguem em medida pequena, com a comida da qual o monge necessita para manter juntos o corpo e a alma.

    Após a refeição, o monge descansará por algum tempo e depois, pondo-se em e limpando a tigela com areia fina, apanhará o seu cajado e seguirá pela noite adentro, muitas vezes viajando sobre a luz de uma lua tropical brilhante. O monge viaja e vai longe, e depressa, dormindo pouco. É um homem respeitado em todos os países budistas.

    Também nós devíamos estar prontos a dar, para podermos receber. Nos dias da antiguidade havia uma lei divina segundo a qual todos os homens deviam dar um décimo dos seus bens, para que o bem assim se operasse. Esse “décimo” tornou-se conhecido como “dízimo”, tornando-se logo uma parte integral da vida. Na Inglaterra, por exemplo, as igrejas podiam taxar um dízimo sobre todas as propriedades, sobre tudo que uma pessoa possuísse. Tal dinheiro era dedicado ao sustento da igreja e proporcionava a remuneração dos titulares, para que assim vivessem. É interessante observar que uns dez anos [escrito em 1965], na Inglaterra, surgiu uma série de processos nos tribunais, nos quais os proprietários hereditários fizeram grande agitação, a fim de que os dízimos impostos pela Igreja da Inglaterra fossem postos de lado. Os proprietários hereditários queixavam-se de que a obrigação de pagarem um décimo de sua renda os estava a arruinar. Na verdade, estavam sendo arruinados porque não davam prazerosamente, uma vez que, se não se der de boa vontade, é melhor não dar, em absoluto.

    Hoje em dia os padrões mostram-se bastante diferentes do que foram, em anos idos. As pessoas não mais vivem de dízimos, e tampouco pagam dízimos, o que é uma pena. É essencial, para quem quiser progredir espiritualmente, que pague o “dízimo” para o bem dos outros e especialmente porque “para o bem dos outros” traz muito benefício a quem o faz. Em suma, somente podemos progredir e ser ajudados, se ajudarmos os outros.

    Temos conhecimento de muitos homens de negócio, muito sagazes, e sem grande inclinação espiritual, que prazerosamente dão uma décima parte da sua renda pelo bem dos outros e, de modo ainda mais especial, para o seu próprio bem. Eles não o fazem por serem religiosos, mas porque a experiência comercial concreta e os seus livros de contabilidade lhes ensinaram que, agindo assim, “jogando o pão sobre as águas”, ele volta multiplicado mil vezes!

    Os que emprestam dinheiro e que, em algumas partes do mundo são conhecidos como “companhias financeiras” nem sempre são notados por sua espiritualidade, ou generosidade. No entanto, se um desses cavalheiros, emprestadores de dinheiro- financiadores tem suficiente no “dízimo”, deve haver algo muito proveitoso no esquema, e sabemos que muitíssimos homens de negócio, gente bem sucedida nesse sector, agem dessa maneira.

    As leis ocultas se aplicam tanto ao não-espiritual quanto ao espiritual. Não importa se uma pessoa estuda muito e lê muitos livros espirituais, isso não a torna espiritual!

    Pode estar apenas lendo e enganando-se, levando-se a pensar que o é. O assunto que esteja lendo pode passar directamente por seus olhos e desaparecer no ar, sem ter por um instante ficado nas células de memória do seu cérebro, mas ainda assim tal criatura fará referência a si própria, chamando-se de “uma grande alma” e acredita realmente que esteja progredindo. Na verdade, é em geral uma criatura cheia de si, e de todo indisposta a ajudar o próximo, ainda que, se o fizesse, estaria a ajudar-se muitíssimo a si própria.

    Voltamos a repetir que é correcto, adequado e proveitoso à pessoa dar ajuda a outras. Diga-se de passagem que isso traz grande ajuda à pessoa que dá!

    O dízimo significa, como dissemos, uma décima parte. Significa também um Modo de Vida, porque quem dá também recebe. Enquanto escrevemos isso, estamos pensando em uma pessoa que recebeu muita ajuda, muita assistência; ajuda e assistência que custavam dinheiro, tempo e conhecimento especializado. Assim que um problema era solucionado para essa pessoa, outros surgiam como um largo bando de estorninhos num campo recém-semeado. Nós dissemos: “Para receber, você deve dar, antes”. A pessoa ficou muitíssimo ofendida e nos fez compreender que era generosíssima e fazia todo o possível para ajudar as outras, como os jornais do lugar poderiam atestar. O nosso argumento é de que se uma pessoa precisa ter as suas “boas acções” registradas nos jornais locais, nesse caso, tal criatura não está dando do modo correcto.

    Existem muitos meios pêlos quais podemos dar. Podemos, além de dedicar uma décima parte da renda às boas obras, ajudar os demais nas suas necessidades espirituais, ou ajudá-los com o consolo necessário, quando lhes advêm os maus tempos. Ao dar aos outros, damos a nós mesmos. Assim como um negócio deve ter bom movimento, para poder prosperar, precisamos ter um bom movimento nas dádivas, em ambos os sentidos.

    Devemos dar para ajudar aos outros, devemos dar para que possamos ser ajudados.

    É inútil orar para que alguma coisa nos seja dada, a menos que demonstremos ser dignos, dando àqueles que necessitam. Pratique isso, pratique o dar, decida o quanto pode dar, o que pode dar e como, e tendo determinado o modo, o motivo e a ocasião, ponha-o em prática, experimente isso por três meses. Você verá que ao final de três meses estará compensado, quer espiritual, quer financeiramente, ou em ambos os sentidos.

    Pedimos que estude isso, e volte a estudar e lembre: “Dá, para poderes receber”, “Joga teu pão sobre as águas”.

    LIÇÃO 15
    Existe um costume antigo em todo o mundo, o de guardar os “tesouros amados” da pessoa no sótão da casa “tesouros” aos quais as pessoas se prendem, por serem “recordações dos velhos tempos”.

    Muitas vezes, ficam semi-esquecidos no sótão até que provavelmente quando você estiver procurando alguma outra coisa você suba as escadas, e comece a remexer em tudo, no meio da semi-escuridão empoeirada, bolorenta e cheia de teias de aranha.

    Aqui está um velho manequim de costureira, fazendo com que a pessoa se recorde irresistivelmente da passagem dos anos, pois um vestido feito por essas medidas não mais lhe serviria! Eis uma caixa, ou mais do que uma caixa, com cartas antigas. O que são elas atadas com fita azul? Ou rósea? Quando se olha ao redor, descobrem-se coisas das quais a pessoa quase se esquecera, coisas que fazem reviver recordações afectuosas e lembranças de tempos tristes, também.

    E você? Também examina o seu sótão? Ele vale uma visita de vez em quando, pois algumas coisas úteis são guardadas no sótão, coisas que fazem voltar as recordações; coisas que aumentam o conhecimento geral da pessoa. Foram problemas com que nos defrontamos em dias idos, e que se viram postos de lado sem qualquer esforço, mediante novos conhecimentos; por experiência que se adquiriu lições aprendidas através dos anos.

    Nesta Lição, porém, e de modo particular, não vamos pedir-lhe que você suba ao seu sótão; vamos, isto sim, sugerir que venha connosco. acompanhando-nos pelas escadas de madeira com um velho corrimão, subindo aqueles degraus rangentes que dão a impressão de que se vão partir a qualquer momento. Venha connosco ao NOSSO SÓTÃO examinar as coisas, pois esta Lição e a subsequente estarão nos compartimentos de nosso “sótão”. Nele, temos todos os tipos de informações que talvez não se ajustem em uma lição separada, mas apresentarão interesse indubitável para você, bem como valor.

    Assim sendo, pense no nosso sótão, continue a ler e veja que parte disto se aplica a você, que parte disto esclarece pequenas dúvidas, pequenas incertezas que poderão ter preocupado a sua mente ou perseguido você por algum tempo.

    Realizamos uma longa procura quando estávamos preparando esta Lição, fomos investigar em diversos cantos, contrariando um bom número de teorias e levantando muita poeira! Concentremo-nos nas pessoas que se concentram em demasia. Você pode trabalhar com afinco demasiado, como sabe. Temos perfeita noção do dito antigo:

    Ninguém morreu por trabalhar demais”, mas estamos afirmando que se alguém trabalha demais na concentração anda para trás.

    No nosso trabalho, é frequente recebermos cartas de estudantes afirmando: “Mas eu me esforço tanto, concentro-me muito, e tudo que consigo é uma dor de cabeça. Não obtenho qualquer dos fenómenos que o senhor mencionou!”

    Sim, temos um pequeno “tesouro”, e podemos parar um pouco para examiná-lo: Pode-se frequentemente fazer demasiado esforço. Trata-se de uma singularidade da humanidade ou, o que talvez seja mais preciso, um defeito do cérebro humano, no sentido de que quem se esforça demais não faz progresso algum; na verdade, ao nos esforçarmos em demasia, criamos o que somente pode ser chamado como “uma retro-alimentação negativa”.

    Todos conhecemos pessoas que se matam a trabalhar, que realmente seguem a vida sempre a esforçar-se, e esforçam-se muito mais do que qualquer outra pessoa, mas que não chega à parte alguma, encontrando-se sempre num estado de confusão e incerteza. Também quando sobrecarregamos os nossos cérebros, geramos uma carga excessiva de electricidade que impede o pensamento para além desse ponto!

    Você pode não ser engenheiro de electrónica, mas se a electrónica e a electricidade fossem utilizadas no estudo dos cérebros humanos, nesse caso tais estudos seriam grandemente facilitados. O cérebro humano tem muita coisa em comum com a electrónica. Você sabe, por exemplo, como funciona a válvula comum usada nos rádios? Existe um filamento aquecido

    por uma bateria ou pela corrente eléctrica instalada. Esse filamento, ao ser aquecido, emite electrões de um modo inteiramente descontrolado. Os electrões se desprendem, seguem em torrente, como uma multidão enlouquecida que vai assistir a alguma partida de futebol. E se deixarmos que esses electrões sigam o seu impulso, sem os controlarmos de modo algum, eles se mostrarão inteiramente inúteis no rádio ou na electrónica. E na válvula temos um envoltório de vidro. O filamento acha-se dentro do envoltório e, ao se aquecer, os electrões irradiam-se para toda a parte, mas isso de nada adianta; queremos que eles sejam colhidos no que é conhecido por “placa”, que se encontra bem próxima do filamento. Do modo como as coisas são, se houvesse apenas o filamento e a placa, o processo de colher os electrões seria incontrolável, haveria distorção no programa de rádio ou em qualquer coisa que quiséssemos recepcionar. Os engenheiros descobriram que se interpusessem o que chamam “uma grade” entre o filamento e a placa, e pusessem na grade uma corrente negativa, conseguiriam controlar o fluxo de electrões entre filamento e placa.

    Assim é que essa grade, que realmente é uma grade muitas vezes é um entrançado de fios

    age como o que é conhecido como “influência de grade”. Se aplicarmos polarização demasiada na grade, nenhum electrão virá do filamento para a placa, sendo todos repelidos por esta. Mas, alterando a influência da grade, levando-a a um valor apropriado, o controle pode ser o desejado.

    Voltemos ao nosso cérebro, antes que você se canse do rádio!

    Quando nós nos concentramos em demasia, quando realmente forçamos o cérebro por causa de um problema, é frequente aplicarmos uma “polarização negativa de grade”, que tem o efeito de inibir inteiramente o pensamento. Por isso, não nos devemos esforçar em demasia, precisamos ser sensatos nesse caso e lembrar, em todos os momentos, o antigo provérbio chinês, “devagarzinho, devagarzinho, é que se apanha macaquinho”.

    Devemos executar nossa concentração de tal maneira que o cérebro não se fatigue. Faça apenas o que estiver dentro de sua capacidade, siga “o caminho do meio”. O Caminho do Meio é um Modo de Vida oriental. Significa que você não precisa ser mau demais, porém, por outro lado, não precisa ser bom demais, deve ficar mais ou menos no meio. Se você for mau demais, a polícia o apanhará; se for bom demais, tornar-se-á um presunçoso, ou não poderá ficar nesta Terra, porque é um facto que até mesmo as Grandes Entidades que vêm a este mundo triste o nosso— têm de adoptar alguma forma de incapacidade, algum capricho de carácter, de modo que enquanto estiverem sobre a Terra não serão perfeitas, porque nada perfeito pode existir neste mundo imperfeito.

    Vamos dizer mais uma vez que você não se deve esforçar em demasia, mas fazer as coisas naturalmente, dentro da razão, dentro da sua capacidade. Não precisa andar por oferecendo- se servilmente a qualquer coisa dita pêlos outros. Use o seu senso comum, adapte uma coisa ou afirmação até acomodar-se a ele. Podemos dizer que “isto é um pano vermelho”, mas você poderá vê-lo de modo diferente, pode julgá-lo róseo, laranja, ou até mesmo púrpura-claro, dependendo das condições em que você viu esse pano; a sua iluminação pode ser diferente da nossa. Por esse motivo não se esforce em demasia, nem adira com servilismo demasiado a coisa alguma. Use o senso comum, use o caminho do meio, porque este é um método muitíssimo útil!

    Experimente esse caminho do meio, a trilha da tolerância, a trilha do respeito aos direitos alheios e pela qual terá os seus próprios direitos serão respeitados. No Oriente, sacerdotes e muitos outros estudam o judo e outras formas de luta, não porque tais sacerdotes sejam pessoas violentas, mas porque ao aprenderem o judo e formas semelhantes de luta, aprendemos a controlar-nos, adquirimos autocontrole, e acima de tudo aprendemos a ceder caminho, para que possamos vencer. Veja o judo: nele, não se utiliza a força própria para vencer uma batalha, mas a força do próprio adversário, para que ele seja derrotado. Até uma pequenina mulher, que tenha praticado judo, pode derrotar uma massa bruta enorme masculino ou feminino que a ataque.

    Quanto mais forte o homem, tanto mais feroz o seu ataque, tanto mais fácil será derrotá-lo, porque sua própria força faz com que ele caia pesadamente.

    Vamos utilizar o judo, ou a força da oposição, a fim de desvalorizarmos os nossos problemas. Não se canse, nem se esgote, considere maduramente um problema que o esteja incomodando, não fuja à questão, como tanta gente faz. Muitos receiam encarar um problema, dão a volta pelas orlas do problema, sondando-o de modo experimental, mas sem jamais chegarem a solução alguma. Por mais desagradável que a questão seja, por mais culpado que você se sinta com relação a alguma coisa, chegue à raiz de seu problema, descubra o que o perturba, o que o assusta. E depois, quando houver examinado consigo próprio todos os aspectos do problema, DURMA COM ELE! Se você “dormir sobre uma coisa”, ela será passada a seu Eu Maior, que tem uma compreensão muito mais ampla do que a sua, pois o Eu Maior é uma grande entidade, na verdade, comparada ao ser humano. Quando o seu Eu Maior, ou mesmo o seu subconsciente, puder examinar o problema e obter uma solução, é frequente que passe essa solução para o seu consciente, indo ter à sua memória, de modo que quando você desperta pode exclamar, com espanto e satisfeitíssimo, que agora tem a resposta para aquilo que o estava perturbando e que, a partir de então, não o perturbará mais.
    Você gosta do nosso sótão? Vamos passar a um outro pequeno “tesouro”, que está largado por ali, apanhando muita poeira. é hora de o olharmos, arejá-lo e deixá-lo ver mais uma vez a luz do dia. Que está neste embrulho? Vamos abrir e ver!

    Um número demasiado de pessoas julga, hoje em dia, que ser verdadeiramente bom é ser realmente infeliz. Pensam, redondamente enganados, que é preciso andar por com o semblante triste e sombrio, de quando se é “religioso”. Tais criaturas receiam sorrir, não por que isso lhes desmanchasse a expressão patibular ou sofredora, mas porque poderia — o que é muito pior! desmanchar a fachada do seu fino verniz de crença religiosa! Todos nós conhecemos o velho ou velha de cara sombria, que tem medo de sorrir, ou medo de tirar o menor prazer que seja, da vida, para que não se desgrace todo, assando no inferno, por ter deslizado um só instante!

    A religião, a verdadeira religião, é uma coisa alegre. Promete-nos vida além desta Terra, promete-nos recompensa para tudo pelo que nos esforçamos, promete-nos que não existe morte, nada com que preocupar-nos, nada a recear. Na maioria dos seres humanos existe o medo à morte, guardado bem fundo, e isso ocorre porque, se alguém se lembrasse das alegrias da vida posterior, seria tentado pôr fim a esta, passando à felicidade. Seria o mesmo como o menino que foge à aula, fazendo gazeta, o que não conduz ao progresso!

    A religião, se realmente acreditamos nela, promete-nos que quando formos para além dos confins deste mundo não estaremos em companhia daqueles que realmente nos afligem, não mais encontraremos aqueles que nos irritam os nervos, que a azedam nossa alma! Rejubilemo-nos na religião, pois, se tivermos a verdadeira religião, isso realmente será motivo de alegria, e uma coisa pela qual devemos rejubilar-nos.

    Temos de reconhecer, com grande tristeza, que muitas pessoas estudantes do ocultismo ou da metafísica se encontram entre os piores pecadores. Existe um culto oh, não vamos dar nomes! que tem a certeza íntegra de que eles, e apenas eles, são os Eleitos; eles, e apenas eles, serão salvos para povoar o seu ceuzinho próprio. Os demais pobres mortais pecadores, sem dúvida serão destruídos por diversos métodos inteiramente desagradáveis. Nós não endossamos esta teoria, em absoluto, acreditamos que, enquanto alguém CRER, é tudo que importa. Não faz diferença se alguém acredita na religião, ou no ocultismo; deve-se, isto sim, CRER.

    O ocultismo não é mais misterioso ou complicado do que tábuas de multiplicação ou uma excursão na história. Consiste apenas em aprender coisas diferentes, aprender coisas que não pertencem ao mundo físico. Não devemos entrar em êxtase se descobrirmos repentinamente como um nervo faz funcionar um músculo, ou como podemos sacudir o dedo grande do pé, pois isso seriam questões comuns. Assim sendo, por que motivo deveríamos entrar em êxtase

    e julgar que os espíritos estão todos sentados ao redor de nós, se sabemos como passar a energia etérica de uma pessoa a outra?

    Peço o favor de observar que dissemos “energia etérica”, o que é uma expressão traduzida do inglês, ao invés de utilizarmos “prana” ou qualquer outro termo oriental; preferimos, quando escrevemos um Curso em determinada linguagem, abster-nos a essa linguagem!

    Rejubile-se! Quanto mais você aprender sobre o ocultismo e sobre a religião, tanto mais ficará convencido da verdade da Vida Maior que está à frente de todos nós, além do túmulo.

    Quando passamos ao túmulo, simplesmente deixamos o corpo para trás, do mesmo modo como podemos deixar um fato antigo, que será apanhado pelo homem do lixo. Nada existe a recear no conhecimento metafísico, e tampouco existe algo a recear na religião, pois se você tiver a religião certa, quanto mais aprender sobre ela tanto mais convencido ficará de que se trata da religião. As religiões que prometem o fogo do inferno e a condenação, se você sair do caminho para eles estreito, não estarão prestando bons serviços aos seus adeptos. Nos dias de antigamente, quando as pessoas eram mais ou menos selvagens, talvez fosse permissível empunhar um cacete e procurar assustar alguns, fazendo-os ver as coisas direito, mas agora tal processo pode ser outro.

    Qualquer pai concordará em que é muito mais fácil controlar os filhos pela bondade do que mediante ameaças constantes. Os pais que sempre ameaçam chamar um policia ou o bicho-papão, ou vender os filhos, são aqueles que causam uma neurose nos mesmos, e mais tarde, à sua descendência. Mas os pais que podem controlar mediante firmeza e bondade, e fazem com que os filhos vivam na alegria, são aqueles que produzem bons cidadãos. Nós endossamos inteiramente a opinião de que é preciso utilizar a bondade e a disciplina; a disciplina jamais deve representar severidade ou sadismo.

    Voltemos a rejubilar-nos na religião, sejamos os “filhos” dos “pais” que ensinam com amor, com paixão, e com compreensão.

    Afastemos todas as falsidades, toda a degradação do terror, castigo e condenação eterna. Não existe coisa tal como “condenação eterna”, ninguém é jamais abandonado, não existe coisa tal como uma pessoa ser banida do Mundo Espiritual! Todas as pessoas podem ser salvas, por piores que tenham sido; ninguém precisa ser rejeitado.

    O Registro Akáshico, que estudaremos depois, diz-nos que se uma pessoa for tão horrivelmente que nada possa ser feito por ela, por enquanto, é simplesmente retardada na sua evolução, e mais tarde recebe uma nova oportunidade de seguir por “outra rodada de existências”, de modo muito parecido àquele pelo qual uma criança, que brincou na aula e não passou nos exames finais, não é promovida a uma turma mais adiantada, com os companheiros, mas fica para estudar as matérias outra vez.

    Ninguém diria que uma criança vai ser assada sobre fogo lento, ou atirada a demónios famintos que a mastiguem, apenas porque perdeu parte dos seus estudos ou gazeteou algumas vezes. Os professores que lhe são destinados podem falar-lhe com muito mais firmeza do que talvez agrade a essa criança, mas a não ser por isso, nenhum mal lhe acontecerá, e se for expulsa dessa escola, logo estará a entrar em noutra, ou encontrará problemas com um policia! O mesmo acontece com os seres humanos na Terra. Se você perder esta oportunidade, não fique demasiadamente desalentado, pois terá outra. Deus não é sádico, Deus não está à procura de destruir-nos, mas de ajudar-nos. Realizamos um grande mal ao invocar Deus, quando pensamos que Ele esteja sempre de alerta, para nos reduzir a fanicos ou atirar-nos aos demónios, caso erremos. Se acreditamos em Deus, acreditemos na misericórdia, porque crendo na misericórdia nós a teremos, e devemos demonstrar também misericórdia pelo próximo!

    Enquanto estamos neste tema, vamos examinar outra caixa, na qual muita poeira caiu, porque no passado parece que ninguém se interessou por ela. Reviremo-la, para ver o que diz.

    De acordo com o Registro Akáshico, o povo judeu é uma raça que, em existência anterior, não conseguiu fazer nenhum progresso.

    Eles faziam tudo que não deviam ter feito e deixaram por fazer as coisas que deviam ter sido realizadas. Dedicaram-se a todos os prazeres da carne, tornaram-se excessivamente amantes da comida, comida gordurosa e oleosa, de modo que seus corpos se tornaram saturados e empanturrados, os seus espíritos não puderam mais entrar no astral à noite, ficando presos aos seus envoltórios carnais grosseiros. Essa gente, a quem hoje chamamos “judeus”, não foi destruída, nem submetida à condenação eterna. Ao invés disso, foi posta num novo ciclo de existência, de modo bem semelhante àquele pelo qual as crianças que brincam na aula podem até mesmo ser expulsas dessa escola, por comportamento insubordinado, partindo para uma nova escola e recomeçando numa turma diferente. O mesmo aconteceu com os judeus. No ciclo actual da existência. E existe gente que está nesse ciclo pela primeira vez, e quando entra em contacto com os judeus fica perplexa, confusa e receosa. Não compreendem o que há de diferente no judeu; percebem que existe algo de diferente; percebem que um judeu tem mais conhecimento, e parece que não pertence à Terra, de modo que o homem ou a mulher que está a entrar neste primeiro ciclo pensa e receia.

    E aquilo que uma pessoa receia, tende automaticamente a perseguir. Assim é que os judeus, sendo uma raça antiga, se vêem perseguidos porque têm de abrir caminho neste novo ciclo de vida. Algumas pessoas invejam os judeus os seus conhecimento, resistência, e acontece igualmente que as pessoas tendem a destruir aquilo que invejam. Mas não estamos a tratar de judeus ou gentios, e sim da alegria na religião; alegria e prazer fazem-nos aprender algo que não aprenderíamos mediante o terror. Não e jamais será ocioso repeti-lo! coisas tais como tormentos eternos, não existem coisas tais como fogos que vão queimar nossa pele e fazer-nos arder diabolicamente. Examine o seu pensamento, examine aquilo que lhe foi ensinado, e veja como é muito mais razoável que você tenha alegria e amor na sua crença religiosa. Você não é responsável por ter um pai sádico, que o vai espancar ou lhe ensina que o vai mandar para as trevas perpétuas. Ao invés disso, está lidando com Grandes Espíritos, que passaram por tudo isso muitíssimo antes de os seres humanos serem imaginados; eles passaram por tudo, conhecem as respostas, conhecem os problemas e têm compaixão. Assim sendo do nosso tesouro no sótão, dizemos: “Rejubile-se na religião”, sorria para sua religião, acalente um sentimento eterno quanto ao seu Deus, qualquer que seja o nome que Lhe dê, pois Ele está sempre pronto a mandar ondas curativas a você, se você conseguir expulsar esse terror e medo do seu sistema.

    Agora, porém, é chegado o momento de deixarmos este nosso sótão e descermos novamente a escada, a escada dos degraus que rangem. Mas logo na Lição seguinte o convidaremos a ir ter connosco mais uma vez ao “sótão” pois, olhando ao redor, vemos que um bom número de pequenas coisas lançadas ao chão, ou nas prateleiras em volta, e que serão de interesse e proveito. Vamos encontrar-nos no sótão, na próxima Lição?

    LIÇÃO 16
    Assim é que voltamos a encontrar-nos em nosso sótão! Limpamos o lugar um pouco e descobrimos novos objectos. Alguns deles talvez façam um pouco de luz para alguma dúvida que você teve por algum tempo. Olhe isto, para começar. Aqui está uma carta que recebemos algum tempo. Ela diz... quer que a leia para você?

    O senhor escreve muito sobre o medo. Diz que nada a recear, senão o medo. Em sua resposta à minha pergunta, disse ser o medo o que me mantinha atrasado, o que me impedia de progredir. Eu não tenho consciência do medo, não me sinto temeroso, e assim sendo, o que pode ser?”

    Sim, temos um problema bastante interessante. O medo o medo é a única coisa que pode impedir a marcha de alguém. Vamos então observá-lo? Sente-se por momentos, vamos examinar este problema do medo.

    Todos nós temos certos medos. Algumas pessoas sentem receio da escuridão, outras de aranhas e de cobras, e alguns de nós podemos ter consciência dos nossos medos, isto é, temos medos que se encontram em nossas consciências. Mas espere um momento! nossa consciência é apenas uma décima parte do que somos, nove décimos de nós são subconscientes, e nesse caso o que acontece se o medo estiver no nosso subconsciente?

    Muitas vezes fazemos coisas levados por alguma compulsão oculta ou nos abstemos de fazer algo, devido também a uma compulsão oculta. Não sabemos o motivo pelo qual uma certa reacção, não sabemos o motivo pelo qual não conseguimos fazer outra. Nada existe, à superfície, nada que possamos “identificar”. Agimos irracionalmente, e se formos a um psicólogo e nos deitarmos no seu sofá por bastante tempo, muitas horas, isso finalmente poderá sair do nosso subconsciente, o conhecimento de que temos um medo devido a algo que nos aconteceu quando éramos criancinhas. O medo estaria oculto, oculto à nossa percepção, funcionando em nós, perturbando-nos, enquanto se acha instalado em nosso subconsciente, como o térmita a atacar uma estrutura de madeira. Essa estrutura, diante de qualquer inspecção superficial, pareceria boa, impecável, e então, quase da noite para o dia, ruiria sobre a influência desses insectos. O mesmo acontece na questão do medo. Ele não precisa de ser consciente para mostrar-se activo e na verdade age mais quando é subconsciente porque não sabemos da sua presença por e, sem sabermos disso, nada que possamos fazer para impedir sua acção.

    Durante todo o tempo da nossa vida temos estado sujeitos a certas influências condicionadoras. Uma pessoa que foi criada como cristã terá aprendido que certas coisas “não se fazem”, outras são claramente proibidas. No entanto, as pessoas de uma religião diferente, criadas de modo diverso, podem fazê-lo. Assim é que, examinando a questão do medo, temos de verificar quais foram nossos antecedentes raciais e familiares.

    Você tem medo de ver um fantasma? Por quê? Se a Tia Matilde foi criatura bondosa e generosa, e o amou muito, enquanto viveu, não motivo algum para supor que ela amá-lo menos, agora que deixou esta vida e passou a uma etapa melhor de existência. Assim sendo, por que recear o fantasma da Tia Matilde?

    Temos medo do fantasma, porque é algo estranho para muitos de nós, receamos o fantasma porque aprendemos na nossa religião que não existem tais coisas e que não se pode ver um fantasma, a menos que se seja santo, ou companheiro dos santos, ou coisa parecida. Nós receamos aquilo que não compreendemos, e vale a pena pensar que, se não houvesse passaportes ou dificuldades linguísticas, seria menor o número de guerras, porque temos medo dos russos, ou dos turcos, ou dos afegãos, ou de alguma outra coisa, porque não os compreendemos, não sabemos o que os impulsiona, ou o que pretendem fazer contra nós.

    O medo é uma coisa terrível, uma doença, um flagelo, algo que corrói nosso intelecto. Se tivermos certas reservas com relação a alguma coisa, então devemos empreender a procura da explicação para isso. Como exemplo, por que motivo certas religiões ensinam que não existe coisa tal como a reencarnação? Um exemplo óbvio é o seguinte: Antigamente, os sacerdotes

    dispunham de um poder completo e governavam o povo pelo terror, pelo pensamento da condenação eterna. Todos aprendiam que tinham de fazer desta vida a melhor possível, porque não haveria outra oportunidade. Sabia-se que, se as pessoas tivessem conhecimento da reencarnação, poderiam tender a afrouxar, nesta vida, e pagar por isso na seguinte. Por exemplo em relação a isto, costumava ser inteiramente permissível, na China, muito tempo atrás, contrair uma dívida nesta vida para, ser paga na seguinte! Também vale a pena observar que a China entrou em decadência porque o povo acreditava a tal ponto na reencarnação que não se importava muito com esta vida, passando a sentar-se em qualquer lugar, levando seus canários em gaiolas para debaixo das árvores, à noite, achando que compensariam isso na vida seguinte, porquanto a de vida de então seria algo semelhante a uma estancia de férias! Bem, obviamente não deu certo, de modo que toda a cultura chinesa entrou em decadência.

    Mais uma vez, examine-se a si próprio, examine seu intelecto, a sua imaginação. Faça consigo mesmo uma “análise profunda” e descubra o que o seu subconsciente está procurando engarrafar, prender, o que o torna tão receoso, tão preocupado, tão “assustado” em relação a certas coisas. Quando você descobrir isso, descobrirá também que não existe mais o receio.

    É o medo que impede as pessoas de fazerem a viagem astral. Na verdade, como bem o sabemos, a viagem astral é uma coisa notavelmente simples, não requer esforço algum, é tão simples quanto a respiração, mas, ainda assim, a maioria das pessoas tem medo dela. O sono é quase a morte, um lembrete da morte, um lembrete de que com o tempo passaremos a um sono profundo, e ficamos em longos pensamentos, querendo saber o que nos acontecerá quando a morte, ao invés do sono, nos chamar. Imaginamos se, durante o nosso sono, alguém virá cortar o Cordão de Prata, e que ficaremos perdidos. Tal não pode acontecer, não perigo na viagem astral, o único perigo está no medo, no medo que você conhece e mais perigo ainda no medo que não conhece. Voltamos a sugerir, e o repetimos, que é preciso aprofundar esse problema do medo.

    Aquilo que você conhece e compreende não é temível, de modo que convém passar a compreender o que você está a recear.

    dedicamos muito tempo àquele pequeno incidente. Não foi assim? Devemos prosseguir, pois existe muito ainda com que ocuparmos a nossa atenção, existe muito ainda a examinar, antes que possamos fechar as cortinas desta lição, e passar à seguinte. Olhe ao redor, olhe ao redor do nosso sótão. alguma coisa que, de modo particular, atraia sua atenção? Você aquele ornamento, ali adiante? COISA DO OUTRO MUNDO, não é? Oh! Talvez tenhamos dado início a algo, dizendo isso!

    Do outro mundo!” Existem muitas expressões corriqueiras que são realmente descritivos do que acontece. Alguém pode dizer que viu algo tão belo que era “do outro mundo”. Como é verdadeira essa afirmação! Quando passamos além dos confins desta existência fundamentada em moléculas de carbono, com todas as suas dores, vicissitudes e tribulações, ouvimos sons, vemos cores, e passamos por experiências que, de um modo inteiramente literal, são “de outro mundo”. Aqui, estamos confinados na caverna da nossa própria ignorância, estamos confinados pêlos elos e correntes dos nossos próprios apetites e desejos, dos nossos próprios pensamentos errados. São numerosos os que vivem ocupados “procurando estar em igualdade com os vizinhos”, ficando assim sem tempo para olharem realmente ao seu redor. Temos o redemoinho mundano da existência, em que temos de ganhar a vida, existem as obrigações sociais. Depois de tudo isso, precisamos de uma certa quantidade de sono, de modo que, de acordo com as aparências, a nossa vida é planeada num redemoinho, numa corrida louca, e nunca existe tempo para coisa alguma. Mas espere um pouco existe qualquer necessidade para toda essa correria? Não podemos, de algum modo, conseguir ao menos meia hora por dia, dedicando-a à meditação? Se meditarmos, conseguiremos sair deste mundo. Poderemos, com alguma prática, entrar no astral e no mundo seguinte. A experiência é animadora, eleva as pessoas. Quando erguemos o nosso pensamento espiritual, aumentamos a nossa cadência de vibrações, e quanto mais alto percebemos, na nossa “escala de piano” lembra-se dela? — tanto mais bela será a experiência pela qual passaremos.
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    Do outro mundo” devia ser nosso objectivo, naturalmente. Queremos sair deste mundo, quando houvermos aprendido nossas lições, mas não antes. Volte a olhar para as nossas experiências na sala de aula. Muitos de nós ficamos saturados ao estarmos numa sala de aula abafada, num dia quente de verão, ouvindo a voz monótona de um professor, falando de matérias que realmente não nos interessavam. Quem queria saber a respeito da ascensão e queda de determinado Império? Achávamos que estaríamos muito melhor fora, desejávamos acima de tudo sair daquela sala de aula, daquele aposento quente e abafado, onde a voz monótona que não parava. Mas não o podíamos fazer. Se houvéssemos saído dali a correr, teríamos sofrido um castigo, vindo dos professores; e se houvéssemos deixado de lado os nossos estudos, não teríamos passado nos exames e, ao invés de sermos promovidos à série seguinte, teríamos ficado para trás naquela mesma sala de aula monótona, com outra batelada de alunos que nos encarariam como curiosidades e imbecis, porque havíamos “sido reprovados”.

    Não vamos, portanto, “sair deste mundo” de modo permanente, enquanto não tivermos aprendido aquilo que viemos aprender.

    Podemos confíantemente sentir alegrias, bem-estar e perfeição espiritual, quando deixarmos este mundo por aquele que é muito mais esplêndido. Devemos ter sempre presente que estamos aqui como quem cumpre uma sentença penal, sobre condições particularmente melancólicas. Não podemos ver quanto esta Terra é horrível enquanto nos achamos aqui, mas se pudermos sair e olhá-la, teremos um choque, e não desejaremos regressar. É esse o motivo pelo qual um número tão grande de nós não consegue realizar a viagem astral, porque, a menos que se esteja preparado, o regresso é realmente uma experiência desagradável, pois toda a alegria se acha no outro lado. Aqueles de nós que fazem a viagem astral anseiam pêlos dias da nossa libertação, mas também providenciamos para que, enquanto nos acharmos na nossa “cela de prisão”, tenhamos o melhor comportamento possível, pois se não nos comportarmos bem, perderemos nosso “dia de remissão”.

    Assim sendo, vamos fazer o melhor que pudermos na Terra, de modo a que, quando passarmos desta vida, estejamos preparados e prontos para as coisas maiores da vida no além. Isso vale o pequeno esforço necessário, o de vivermos aqui.

    Parecemos estar ainda muito ocupados no nosso sótão, remexendo as coisas, tirando a poeira de algumas que estiveram separadas muito tempo, mas prossigamos para a outra extremidade do aposento e examinemos outro pequeno artigo...
    Muitas pessoas julgam que os “videntes” estão sempre a olhar para a aura dos outros, sempre a ler os pensamentos alheios. Que engano! A criatura dotada de capacidade telepática, ou do poder de clarividência, não está sempre a ler os pensamentos ou examinando a aura dos amigos ou inimigos. Algumas das coisas que poderíamos ver seriam desagradáveis demais, incómodas demais.

    Algumas delas, na verdade, fariam explodir o balão da importância que imaginamos ter! Existe muito mais a fazer. Estamos pensando, neste momento, em certa pessoa que às vezes nos visita; ela início a uma frase, pronuncia três ou quatro palavras, e depois se desvia, dizendo: “Mas não preciso dizer-lhe coisa alguma, preciso?

    Você sabe tudo, bastando-lhe olhar para mim, não é assim?” Pois não é assim! Podíamos “saber tudo”, mas isso seria moralmente errado. Não tenha receio dos videntes, ocultistas, clarividentes e outros, pois, se forem gente de boa moral, não estarão examinando os seus casos particulares, mesmo que sejam convidados a isso. Se não forem gente de boa moral, não o poderão fazer, também! Queremos dizer-lhe, a esta altura, que o “vidente” de alguma ruela, que lê sua sorte por uma ninharia, não tem qualquer capacidade verdadeira de “ver”.

    É geralmente uma mulher velha e pobre, que não consegue ganhar dinheiro de outra maneira. É provável que, em alguma época da sua vida, tivesse a capacidade de clarividência, mas não se pode fazer dessas coisas uma base comercial, não se pode contar coisas a uma pessoa, usando a clarividência, em troca de dinheiro, porque o simples facto da transferência de
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    dinheiro faz com que a capacidade telepática se debilite. E a vidente da ruela não pode “ver” sempre; ainda assim, se receber dinheiro, precisa apresentar alguma espécie de espectáculo. Sendo uma psicóloga bastante boa, embora não diplomada, deixará que você fale, e depois lhe dirá as coisas que você próprio contou, e você, deixando-se enganar pelo título de “vidente”, exclamará com espanto que ela lhe disse precisamente o que você queria saber!

    Não receie de que os clarividentes possam estar a examinar as suas coisas íntimas; imagine você, por acaso, haveria de sentir-se bem estando na sua própria casa, talvez a escrever uma carta, e alguém entrasse no aposento, espiasse por cima do seu ombro, e lesse o que estava a escrever? Você gostaria de que essa pessoa examinasse os seus pertences, apanhando isto e lendo aquilo, e passando a saber tudo a seu respeito, passando a saber de tudo quanto você tem, tudo em que pensou? Você gostaria de pensar que uma pessoa estivesse todo o tempo ouvindo todas as suas conversas telefónicas? Claro que não! Vamos dizer mais uma vez que uma pessoa de bom carácter não seus pensamentos por todo o tempo, e a criatura de mau carácter, digamo-lo de modo mais positivo, não tem essa capacidade! se acha uma lei do oculto; a criatura de mau carácter não é clarividente. Você pode ouvir contar muita coisa a respeito de uma pessoa que isto, aquilo, e o que mais seja. um desconto de novecentos e noventa e nove por cento a tudo isso!

    Um clarividente sempre aguarda que você lhe diga sobre o que deseja falar. O clarividente não se intrometerá no retiro dos seus pensamentos ou da sua aura, nem mesmo que seja convidado a fazê-lo. Existem certas leis do ocultismo que têm de ser obedecidas de um modo muito rigoroso, pois se alguém as violar, poderá ser punido de um modo bastante parecido com aquele pelo qual alguém será punido se transgredir uma lei humana, na Terra.

    Diga ao clarividente o que quer dizer e ele ou ela saberá se você está a dizer a verdade. E nós vamos até esse ponto, reconhecendo isso! Diga ao clarividente o que bem desejar, mas tenha a certeza de que está a falar a verdade, pois de outra forma não estará fazendo mais do que enganar a si próprio, que de modo algum enganará o clarividente!

    Assim sendo lembre-se mais uma vez de que um bom “vidente” não “lerá os seus pensamentos” e o mau NÃO O PODE FAZER!
    Temos, agora, outro pequeno artigo que poderíamos examinar.

    É o seguinte: você não se com seu cônjuge? Pois pode ser esse o “obstáculo” que tem de superar na Terra. Afirmemos isso da seguinte maneira: os cavalos são inscritos para as corridas, e se um deles ganha repetidamente, e parece não fazer esforço para obter tais vitórias, impõem-lhe uma desvantagem (“handicap”). Você pode encarar-se como um cavalo! Talvez tenha andado com demasiada rapidez e demasiada facilidade nas suas últimas “lições”, caso em que pode ser-lhe imposta a desvantagem de um cônjuge inapropriado. Faça o melhor que puder, enquanto puder, lembrando-se de que, se seu cônjuge é realmente incompatível, nessas condições e você jamais, jamais entrará em contacto com ele ou ela, na vida além desta Terra. Se um homem apanha uma chave de parafuso, ou um martelo, isso é apenas a ferramenta que se adapta à necessidade do trabalho a ter de se executar. O cônjuge pode ser encarado como uma ferramenta que nos capacita a executar determinada tarefa, aprender uma certa lição. Um homem pode apanhar uma chave de parafusos ou um martelo, porque essa ferramenta o capacita a efectuar um trabalho que tem a fazer. Mas você pode ter a certeza de que um homem não se ligará ao martelo ou à chave de parafuso a tal ponto que o deseje levá-lo para “o outro lado”.

    Muita coisa foi dita e escrita a respeito da “glória da humanidade”, mas nós vamos dizer que os seres humanos não são a mais elevada forma de vida. Os seres humanos sobre a Terra, por exemplo, são na verdade uma multidão bem miserável, sádica, egoísta e interesseira. Se assim não fossem, não estariam na Terra, porque as pessoas vêm à mesma para aprenderem a ultrapassar exactamente essas coisas. Os seres humanos são maiores, na verdade, quando passam à vida do além. Mas voltemos a verificar que compreendemos o seguinte: se temos um cônjuge inadequado ali, ou pais inadequados, pode ser que isso tenha acontecido porque

    NÓS o planejamos, como algo que teríamos de ultrapassar, superar. Uma pessoa pode receber uma vacina ou inoculação e pode, por exemplo, tomar deliberadamente uma dose de varíola (mediante inoculação) a fim de proteger-se de uma dose mais severa, e talvez fatal, vinda depois.

    Assim é que nosso cônjuge, ou os nossos pais podem ter sido escolhidos para que aprendêssemos certas lições, ligando-nos a eles. Mas não teremos de encontrá-los outra vez, depois de terminarmos esta vida; na verdade, não os poderemos encontrar se forem incompatíveis connosco, pois, é preciso repetir, quando nos encontramos no outro lado da morte, vivemos em harmonia, e se as pessoas não se acharem em harmonia connosco, não poderão associar-se a nós.

    Muitos de nós podemos, na verdade, consolar-nos com esse pensamento!

    As sombras da noite estão-se aproximando, entretanto; o dia está chegando ao fim. Achamos que não devemos ocupá-lo por mais tempo, pois você terá muito a fazer, antes que a noite caia. Vamos deixar o sótão e fechar a porta com suavidade, fechá-la com todos os “tesouros” ali contidos. Desçamos aqueles degraus rangentes e velhos, mais uma vez, e tomemos os nossos caminhos separados em paz.

    LIÇÃO 17
    Você viu alguma pessoa achegar-se a você, transbordando de agitação, e então, quase agarrar-lhe o casaco e explodir: “Oh! Meu CARO! Passei por uma coisa TERRÍVEL, ontem à noite! Sonhei que estava andando na rua sem roupa. Fiquei embaraçadíssimo!” Isso aconteceu em diversas formas e versões a diversas pessoas. Pode-se ter um “sonho”, no qual nos vemos repentinamente transportados a uma sala de estar, cheia de gente elegantemente vestida, descobrindo então que nos esquecemos de vestir qualquer coisa. Ou podemos ter um sonho, no qual nos encontramos em em alguma esquina, quer envergando uma indumentária estrambótica, ou sem indumentária alguma. Isto é possível, pode ter sido uma experiência astral verdadeira. Aqueles de nós que vêem as pessoas fazendo viagens astrais passam por alguns encontros espantosos e divertidos. Mas este Curso não é um discurso sobre coisas espirituosas e, ao invés disso, destina-se a ajudá-lo no que, afinal de contas, é uma ocorrência puramente normal.

    Dediquemos esta Lição aos sonhos, pois estes, de uma forma ou de outra, acontecem com todos, a todos. Desde tempos imemoriais os sonhos têm sido encarados como presságios, sinais, ou prodígios, e existem até aqueles que pretendem ler a sorte de acordo com os sonhos da pessoa! Outros acham que os sonhos são apenas invenções da imaginação, quando a mente se acha temporariamente divorciada do controle do corpo, durante o processo do sono. Isso é uma suposição inteiramente errónea, mas vamos tratar dos sonhos..

    Como dissemos nas lições anteriores, consistimos de, pelo menos, dois corpos. Vamos lidar apenas com dois corpos, agora: o físico e o astral imediato, mas, naturalmente, existem muitos outros corpos. Quando vamos dormir, o nosso corpo astral gradualmente se separa do físico, flutuando acima do que se acha deitado. Com a separação dos dois corpos, a mente realmente se separa. No corpo físico fica todo o mecanismo, de modo muito semelhante àquele pelo qual se pode ter uma estação radiofónica transmissora, mas quando o locutor sai do ar, não quem emita mensagens. O corpo astral, flutuando agora acima do físico, rumina por alguns momentos, decidindo aonde ir e o que fazer. Assim que tenha tomado a decisão, o corpo astral se inclina, os pés para a frente, e se instala, geralmente aos pés da cama. E então, como um pássaro que abandona o ramo onde se acha pousado, o corpo um pequeno salto para cima e desaparece, distanciando-se na outra extremidade do Cordão de Prata.

    A maioria das pessoas, principalmente no Ocidente, não percebem as verdadeiras ocorrências da sua viagem astral, não têm lembranças de qualquer incidente particular, mas ao regressarem podem estar tomadas de uma sensação cálida de amizade, ou podem dizer: “Oh, sonhei com fulano ou beltrano ontem à noite. Ele estava com aspecto tão bom!” Com toda a probabilidade, a pessoa realmente visitou “fulano ou beltrano” ou quem quer que tenha sido, porque essa viagem é uma das mais simples empreendidas, e realizada com mais frequência; por algum motivo peculiar, parecemos sempre gravitar para lugares conhecidos, parecemos gostar de ir a lugares que tenhamos visitado antes, e a polícia, na verdade, costuma afirmar que os criminosos sempre regressam à cena de seus crimes!

    Nada de notável no facto de que visitemos os amigos porque todos nós deixamos o corpo físico, todos nós fazemos viagens astrais, e precisamos ir a alguma parte. Até que estejamos “educados” no assunto, não percorremos os reinos astrais, mas nos prendemos tenazmente aos lugares conhecidos sobre a superfície da Terra. As pessoas que não adquiriram conhecimentos sobre a viagem astral podem visitar amigos no exterior, ou uma pessoa com grande desejo de ver determinada loja ou localidade irá e a verá, mas ao regressar à carne, e acordadas, pensarão se pensarem! que foi tudo um sonho.

    Você sabe por que sonha? Todos nós temos experiências que são excursões pela realidade.

    Os nossos “sonhos” são tão verdadeiros quanto uma viagem da Inglaterra a Nova York, por avião ou navio, ou de Aden a Acra, por meios semelhantes, mas ainda assim os chamamos “sonhos”. Antes de nos adentrarmos mais na questão dos sonhos, relembremos que desde o Concílio de Constantinopla, no ano 60, quando os dirigentes da Igreja Cristã resolveram o que

    seria incorporado na “cristandade”, grande parte dos ensinamentos dos Grandes Mestres foram destorcidos ou suprimidos. Podíamos fazer alguns comentários bastante mordazes sobre tudo isso, com base em informações obtidas no Registro Akáshico, mas nosso objectivo ao preparar este Curso é o de ajudar as pessoas a se conhecerem, e não pisar nos calos de outrem, por mais falsos que esses “calos” de crenças possam ser! Contentemo-nos em dizer que no Hemisfério Ocidental, por diversos séculos, as pessoas, do modo mais definido, não aprenderam coisa alguma sobre a viagem astral, porque a mesma não se acha em qualquer parte da religião organizada. E por falar nisso, permitam-nos dizer que estamos a falar aqui de “religião organizada”!

    Da mesma forma, no Hemisfério Ocidental a maioria das pessoas não acredita nas fadas, nem nos Espíritos da Natureza, e as crianças que vêem fadas e Espíritos da Natureza, e que indubitavelmente brincam com tais entidades, são ridicularizadas ou repreendidas pêlos adultos, que não o deviam fazer, pois nisto, como em muitos outros casos, a criança é muito mais esperta e está muito mais desperta do que o adulto. A própria Bíblia Cristã declara que “a menos que sejas como uma criancinha, não conseguirás entrar no Reino do Céu”. Podíamos dizer o mesmo, de forma diferente, afirmando: “Se tiveres a crença de uma criança, não contaminada pela descrença adulta, poderás ir a qualquer parte, em qualquer momento”.

    As crianças, sendo ridicularizadas, aprendem a disfarçar o que realmente vêem. Infelizmente, perdem logo a capacidade de ver outras entidades, devido a essa necessidade de ocultarem as suas capacidades reais. Acontece uma coisa bem parecida, no caso dos sonhos. As pessoas passam por acontecimentos quando o seu corpo físico se encontra adormecido, pois naturalmente o corpo astral jamais dorme, e quando este regressa ao primeiro pode haver um conflito entre os dois; o astral conhece a verdade e o físico acha-se contaminado e exacerbado por noções preconcebidas, incutidas desde a infância até à idade adulta. Mediante o condicionamento, os adultos não se põem frente à verdade, de modo que surge um conflito; o corpo astral saiu e fez coisas, sentiu coisas, viu coisas, mas o físico não deve acreditar nisso, porque todo o ensinamento do povo ocidental está em descrer em tudo o que não possa ser seguro nas mãos, reduzido a pedaços, a fim de que se compreenda como funciona. Os ocidentais querem provas, provas e mais provas, e por todo o tempo procuram provar que a prova está errada. Assim é que temos um conflito entre o físico e o astral, o que resulta e leva à necessidade de racionalização.

    Neste caso, os sonhos assim chamados são racionalizados em alguma espécie de experiência, frequentemente com os resultados mais estrambólicos que se possam imaginar!

    Vamos voltar ao assunto: poderíamos passar por todas as espécies de experiências incomuns, quando em viagem astral. O nosso corpo astral gostaria que despertássemos com recordação clara de todas essas experiências, porém, mais uma vez, o corpo físico não o pode permitir, de modo que se forma um conflito entre os dois corpos, e algumas imagens notavelmente distorcidas vêm das nossas memórias, coisas que não poderiam acontecer. Sempre que algo sucede no astral, e que seja contrário às leis físicas da Terra física, forma-se um conflito, e assim a fantasia se instala, temos pesadelos, ou vêem os acontecimentos mais incomuns que se possa imaginar. No estado astral, podemos levitar, flutuar e subir, viajar a qualquer parte e ver qualquer pessoa, ir visitar qualquer uma das cidades do mundo. No físico, não é possível atravessar o mundo em um piscar de olhos, ou mesmo erguer-nos acima de nosso trabalho, e assim é, como repetimos, que no conflito entre o corpo físico e o astral surgem apresentações tão extremamente distorcidas das nossas experiências na viagem astral, que na verdade nulificam qualquer benefício que o astral nos esteja a pretender proporcionar. Obtemos os chamados sonhos, que não fazem sentido, sonhamos com toda a espécie de tolices, ou é o que dizemos quando nos encontramos no plano físico, mas as coisas consideradas tolice nesse plano são comuns no astral.

    Voltemos às nossas considerações iniciais a respeito de andar pela rua sem qualquer roupa no corpo. Um bom número de pessoas passou por essa experiência altamente embaraçosa, em sonho, mas, naturalmente, não se trata de sonho algum! Isso advém do facto de que quando
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    alguém faz a viagem astral pode esquecer, por completo, de usar roupas astrais! Se uma pessoa não “imagina” a indumentária necessária, teremos o espectáculo de alguém viajando no astral, inteiramente nu. Muitas vezes a pessoa deixa o corpo físico e se ergue no espaço numa grande pressa, muito animada por ter-se libertado do enorme peso da carne. Sair do corpo foi a realização principal que não deixou oportunidade para pensar em outras coisas.

    O corpo natural, ao que devemos recordar, é um corpo sem roupa, pois a roupa constitui uma convenção inteiramente humana que na realidade não faz sentido. Podemos fazer uma digressão momentânea, aqui, para dizer-lhe outra coisa que talvez o deixe intrigado.

    Nos dias da antiguidade remota, o homem e a mulher podiam ver o astral um do outro. Nessa época, os pensamentos eram evidentes a todos, a motivação das pessoas apresentava-se inteiramente aberta e, vamos dizê-lo mais uma vez, as cores da aura brilhavam de um modo mais vívido e forte ao redor dessas partes que as pessoas hoje mantêm cobertas! A humanidade, e especialmente as mulheres, mantém certas áreas do corpo cobertas, porque não querem que outros leiam os seus pensamentos e tomem conhecimento das suas motivações, o que talvez não seja sempre desejável. Mas isto, como dissemos, é uma digressão, e tem pouco a ver com os sonhos; serve, entretanto, para dar-lhe motivo de pensar sobre o porquê da roupagem.

    Quando se está em viagem astral, “imagina-se” geralmente o tipo de roupa que se usaria de modo normal durante o dia. Se essa “imaginação” for omitida, um clarividente que receba o visitante astral pode acolhê-lo e verificar que o mesmo não tem nada a cobrir o corpo. recebemos pessoas que nos visitaram no astral, e não estavam a usar nada, ou talvez uma camisa de pijama, ou peça “do outro mundo”, que desafia qualquer descrição e possivelmente não se encontraria em qualquer catálogo de lingeríe dos nossos dias. É também um facto que as pessoas demasiadamente conscientes quanto à roupa muitas vezes se imaginam sonham

    envergando aquilo que não usariam de modo algum, quando no corpo físico. Mas nada disso importa, pois estamos mais uma vez afirmando que a indumentária é apenas uma convenção da humanidade, e não supomos que, chegados ao céu, estejamos usando roupas como acontece aqui na Terra, ou nos apresentemos assim.

    Os sonhos, portanto, são uma racionalização de acontecimentos vivos, verdadeiros, ocorridos no mundo astral, e como dissemos antes, quem estiver no astral com uma profusão muito maior de cores com uma clareza muitíssimo maior. Tudo é mais vivo, tudo é maior do que tenhamos visto em vida, e até para ver os ínfimos detalhes. E as cores são de uma gama que muito ultrapassa qualquer coisa existente nesta Terra. Vamos dar um exemplo.

    Seguimos na nossa forma astral, atravessando a terra e o mar, indo ter a um país distante. O dia era brilhante, com um céu azul vívido, e o mar por baixo apresentava suaves ondas, de cristas brancas, mas não nos atingia, naturalmente. Descemos sobre uma areia dourada e nos detivemos para examinar a maravilhosa estrutura em formato de diamante. Cada ponto da areia rebrilhava como uma jóia à luz do sol. Seguimos com suavidade, sobre folhas ondulantes das algas marinhas, espantando-nos diante dos marrons e verdes delicados, e dos pneumatocistos, que pareciam tornar-se roxo-dourados.

    À nossa direita havia uma rocha de coloração esverdeada, e por momentos pareceu feita do jade mais puro. Podíamos ver parte dela, além da superfície externa, e ver também as veias e estrias, bem como algumas criaturas diminutas e semelhantes a fósseis, que haviam ficado presas nessa rocha, milhões de anos antes. Ao andarmos por ali, olhamos ao redor com olhos que pareciam ser novos, olhos que viam como nunca antes. Podíamos ver o que pareciam ser globos transparentes de cor, flutuando na atmosfera, globos esses que eram realmente a força viva do ar. As cores eram maravilhosas, fortes, variando, e a nossa visão mais aguçada podía ver até onde a curvatura da Terra o permitia, sem que perdêssemos qualquer detalhe.

    Nesta velha e pobre Terra nossa, enquanto envoltos pela carne, somos relativamente cegos, temos uma gama limitada de cores e uma percepção pobre das tonalidades das mesmas. Sofremos de miopia, estigmatismo, e outros defeitos que nos impedem de ver as coisas como realmente são. Aqui estamos, quase destituídos de sentidos e percepções, e somos coisas
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    pobres, muito pobres nesta Terra, envoltos como nos encontramos em uma capa de argila, sobrecarregados de desejos, ressentimentos, empanturrados com o tipo errado de alimentação, mas quando saímos para o mundo livre do astral, podemos ver e ver com a maior clareza

    as cores, como jamais as vimos na própria Terra.

    Se você tem um “sonho” no qual pôde ver com clareza surpreendente, e no qual ficou deliciado pela variedade notável de cores, nesse caso sabe que não teve um sonho comum, mas está racionalizando uma verdadeira viagem astral que efectuou.

    Existe outra questão que impede muita gente de recordar os prazeres auferidos no astral. É o seguinte: quando se está no astral, vibra-se com uma cadência, uma frequência muitíssimo mais alta do que quando se está no corpo. É uma coisa simples quando deixamos o corpo, porque a diferença entre vibrações não importa, em absoluto (porque está tudo em sintonia), quando se vai “sair”. Mas os obstáculos ocorrem quando regressamos ao nosso corpo, e se soubermos o que esses obstáculos são a partir de agora, poderemos conscientemente examiná-los e ajudar o veículos astral e físico a que cheguem a algum tipo de acordo.

    Imaginemos que estamos no astral, o nosso corpo carnal ficou embaixo. Ele está vibrando em certa velocidade, quase “tiquetaqueando”, enquanto o astral estremece com vida, com vitalidade porque não estamos mais presos à doença, ao sofrimento, nesse outro plano! Talvez seja mais fácil, se pusermos as coisas em termos terrestres.

    Vamos imaginar que estamos lidando com os problemas de uma pessoa, dentro de um transporte publico. Esse veículo viaja, talvez, a trinta ou quarenta quilómetros por hora, e o passageiro deseja urgentemente saltar, mas o transporte, infelizmente, não pode ser parado. Assim é um problema para o passageiro, que terá de saltar do veículo de modo a que chegue à estrada sem se magoar ou ferir de maneira alguma. Se for descuidado, magoa-se seriamente, mas se souber como, poderá fazê-lo com facilidade, pois é comum vermos pessoas a fazê-lo. Temos de aprender, pela experiência, a saltar do transporte quando o mesmo se encontra em movimento e também temos de aprender a entrar no corpo, quando as velocidades dos dois veículos são diferentes!

    Quando regressamos das viagens astrais, nosso problema é entrar no corpo. Estamos novamente vibrando no astral, em uma frequência muito mais alta do que no físico, e como não podemos desacelerar um, ou acelerar quase nada, temos de esperar até que possamos “sincronizar uma harmonia” entre os dois.

    Com a prática, poderemos fazê-lo, poderemos acelerar de leve o corpo físico e desacelerar levemente o corpo astral, de modo que, embora eles continuem em vibrações amplamente diversas, surja uma harmonia fundamental uma compatibilidade de vibrações entre os dois, o que nos permite “entrar” seguramente. temos uma questão de prática, instintiva, prática de memória racial, e quando o conseguimos fazer, conseguimos também conservar todas as nossas recordações.

    Você acha isso difícil de realizar? Nesse caso, imaginemos que o seu corpo astral é uma agulha de fonógrafo, de gira discos. O seu corpo físico é um disco de vinil que gira a digamos 48 r.p.m.(rotações por minuto). O nosso problema está em colocar a agulha no disco que está a rodar, de modo que atinjamos uma determinada palavra ou uma determinada nota musical ali gravada num ponto concreto numa faixa especifica. Se você pensar nas dificuldades de colocar essa agulha em contacto com o disco, de modo que a palavra ou nota musical anteriormente determinada seja alcançada, poderá avaliar a dificuldade com que (sem prática) voltamos do astral, com as recordações intactas (estamos a falar das memórias dos sonhos).

    Se formos desajeitados ou não tivermos prática, e regressarmos sem estarmos “em sincronia”, despertamos sentindo-nos inteiramente “descadeirados”, contrariamo-nos com tudo, temos dores de cabeça, talvez nos sintamos doentes e enjoados. E isso é devido a que os dois conjuntos de vibração foram unidos com um violento impacto, assim como se consegue o ruído e uma sacudidela, se mudarmos as mudanças de um automóvel sem nenhum cuidado. Se voltarmos com a cadência errada de vibrações, talvez verifiquemos que o corpo astral não
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    se ajusta com exactidão ao físico, ficando inclinado para um ou para o outro lado, e o resultado é totalmente deprimente. Se tivermos o infortúnio de passar por esta situação, a única cura consiste em voltar a dormir ou descansar, tão tranquilamente quanto possível, sem nos movermos, sem pensar se o conseguiremos, mantendo-nos completamente imóveis e procurando fazer com que o corpo astral se liberte mais uma vez do físico. O corpo astral ascenderá, pairando poucos palmos acima do físico e, então, permitimos que ele volte ao corpo físico realizando um alinhamento perfeito. E assim não nos sentimos doentes ou deprimidos. Tente sempre descansar, mesmo que seja por dez minutos. É melhor usar esses dez minutos para voltar a sentir-se bem do que saltar do sitio aonde estava o seu corpo e ficar indisposto porque não conseguirá sentir-se melhor enquanto não tenha dormido outra vez e permitido a seus dois veículos entrarem em alinhamento completo.

    Às vezes, alguém desperta pela manhã com recordações de um sonho muitíssimo peculiar. Talvez seja sobre algumas ocorrências históricas, ou pode ser, de modo inteiramente literal, algo “do outro mundo”. Pode muito bem ter ocorrido que, por algum motivo específico ligado a seu treinamento, você tenha entrado em contacto com o Registro Akásico (do qual trataremos numaLição posterior), e que tenha visto o que aconteceu no passado, ou, o que é mais raro, o que provavelmente acontecerá no futuro. Grandes videntes que fazem profecias podem, com frequência, viajar para o futuro e ver as probabilidades, não realidades, pois estas ainda não aconteceram, mas as probabilidades podem ser conhecidas e previstas. Você verá, com base nisto, que quanto mais se cultive a recordação do que ocorre no astral, tanto maior a quantidade de benefícios que podemos obter, porque de nada adianta aprender alguma coisa com grande esforço e dificuldade se as vamos esquecer de todo, nos minutos seguintes.

    Acontece, com frequência, que alguém desperta de manhã com um péssimo mau génio, odiando o mundo e tudo quanto o mesmo contém. São necessárias muitas e muitas horas para sair desse estado de alma realmente negro e sombrio. Existem uma série de motivos para surgirem estas atitudes; um deles é que no estado astral podemos fazer coisas agradáveis, ir a lugares agradáveis e ver gente feliz. Normalmente, entra-se no astral como forma de divertimento para o corpo astral, enquanto o físico dorme e se recupera. No corpo astral, têm- se uma sensação de liberdade, uma falta completa de restrições e impedimentos, uma sensação realmente maravilhosa.

    E vem, então, o chamamento de volta à carne para começar um outro dia de de quê? Sofrimento? Trabalho difícil? Seja o que for, geralmente é algo desagradável. E assim é que regressar, ser retirado dos prazeres do astral, que representa verdadeira infelicidade, e daí surge o mau génio ao despertar.

    Outro motivo, e não tão agradável, é que quando estamos na Terra, somos como crianças que estão numa sala de aula, aprendendo ou tentando aprender as lições que nós mesmos planeámos aprender, antes de virmos à Terra. Quando vamos dormir, chega a oportunidade do corpo astral poder “deixar a escola” e voltar para casa, ao fim do dia, do mesmo modo como as crianças regressam às suas casa ao fim do dia. Muitas vezes, porém, uma pessoa satisfeita consigo própria e tomada de complacência na Terra, pensando ser alguém muito importante, vai dormir e desperta de manhã com um estado de alma o pior possível. Isso geralmente acontece porque a pessoa viu no astral o que realmente está a fazer da sua vida na Terra, e que é um revoltante disparate; que o seu ar impertigado e a complacência não o estão a levar a lado nenhum. O facto de que alguém tenha muito dinheiro e enormes propriedades não quer dizer obrigatoriamente, em absoluto, que esteja a fazer bom trabalho. Nós vimos à Terra para aprender coisas específicas, assim como quem vai à escola ou à faculdade para aprender coisas específicas. Seria de todo inútil, para dar-lhe um exemplo, que um estudante se matriculasse num curso para a obtenção de um diploma em teologia, e então, sem qualquer motivo explicável, viesse a descobrir que ia ser destinado a recolher todo o lixo nalguma cidade desse país. É enorme o número de pessoas a julgar que se estão saindo extraordinariamente bem na vida porque acumulam dinheiro e bens a enganar e a passar por cima dos outros, cobrando preços excessivos, explorando as pessoas e fazendo “maus
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    negócios”, para os semelhantes. Essa gente que tem “consciência de classe”, ou os “novos ricos”, não está a ter sucesso algum, mas sim realizarem um fracasso retumbante com as suas vidas a serem vividas na Terra. Existe o momento em que todos irão enfrentar a realidade, e a realidade não se acha nesta Terra, pois este é o Mundo de Ilusão, onde todos os valores estão errados, e onde, para fins de ensino, acredita-se que o dinheiro e o poder temporal, a posição, quero dizer, seja tudo quanto se julga que importa. Nada pode estar mais longe da verdade do que isso, pois os monges mendigos da Índia e de todas as outras partes possuem mais valor espiritual para a vida futura do que o rico cheio de poder que empresta dinheiro a juros exorbitantes a pessoas pobres, que atravessam dificuldades e estão realmente a sofrer. Esses homens sem escrupulos (que são na realidade emprestadores de dinheiro!) arruinam os lares e o futuro dos que tenham a infelicidade de se atrasar nos pagamentos extorsivos.

    Sucede que um desses ricos de muito poder e outros de sua laia vão dormir, e suponhamos que, por algum motivo particular, consigam libertar-se da carne e chegar ao ponto de poderem ver o tipo de desastre em que estão a incorrer. É ENTÃO que eles voltam, com uma recordação inteiramente chocante, e voltam com a percepção do que realmente são, e a decisão de que vão “virar outra página”.

    Infelizmente, quando voltam ao plano físico, sendo pessoas sem moral ou consciência, não conseguem lembrar-se de nada pelo que dizem terem passado numa noite agitada, gritam com os subordinados, e de modo geral, abusam de todos. É assim que cedem à “tristeza das manhãs de segunda-feira”, sendo triste reconhecer que isto não ocorre apenas nas manhãs de segunda-feira, mas em todos os dias!

    A tristeza das manhãs de segunda-feira”. Sim, temos uma expressão que descreve algo verídico, e por motivos especiais. A maioria das pessoas tem o de trabalhar de um modo regular, ou pelo menos ocupar-se com um número regular de horas de trabalho durante uns tantos ou quantos dias da semana; ao final da semana, um período de descanso, uma modificação formativa e, com frequência, também de posição.

    As pessoas dormem mais tranquilamente ao fim da semana, de modo que o corpo astral sai e viaja, mais longe, chega aonde talvez possa ver o tipo de trabalho que o corpo físico efectua na Terra, e quando regressa, para que o corpo físico possa trabalhar na manhã de segunda-feira, geralmente predomina o abatimento que é a causa da “tristeza da manhã de segunda-feira”.

    outra classe de pessoas que deve merecer nossa atenção, ainda que por alguns momentos apenas; são os que dormem pouco. Essa gente se mostra infortunada o bastante por ter tanta coisa na sua consciência astral e então o corpo astral não deseja, em absoluto, deixar o físico e ir enfrentar as coisas. Muitas vezes um alcoólico terá medo de adormecer devido às entidades muitíssimo interessante que se reúnem à volta do seu corpo astral. falamos sobre os “elefantes rosas” e outros componentes da fauna que circundam este tipo de pessoas.

    O corpo físico, em tais casos, permanecerá acordado, e que causará muito sofrimento nos planos físico e astral da pessoa. Provavelmente você conheceu alguma pessoa que está irritada o tempo todo, sempre em movimentando e irrequieta, sobressaltada e sem conseguir descansar por um só momento. Com demasiada frequência, essas pessoas são aquelas que têm tanto na mente na sua consciência que não se atrevem a descansar, pois começariam a pensar e a compreender o que realmente são, e o que estão realmente a fazer e o que não estão a realizar. Assim é que se

    cria o hábito a pessoa não dorme, não descansa, pois impede ao seu Eu Maior a oportunidade de este entrar realmente em contacto com o físico.

    Essa gente é como um cavalo que tomou o freio nos dentes e está saltando selvagicamente, sendo um perigo para todos. Se as pessoas não conseguem dormir, não podem aproveitar a vida na Terra, e por não aproveitá-la, como consequência, terão de retornar outras vezes para superarem as reais missões das suas vidas.

    Você gostaria de saber se um sonho é uma invenção da imaginação ou uma recordação destorcida, provinda de uma jornada astral? O meio mais fácil é perguntar a si próprio se as

    coisas com mais nitidez nesse sonho. Se isso acontece, existe então uma recordação real da viagem astral.

    As cores eram mais vivas do que qualquer coisa que se lembre de ter visto na Terra? Também nesse caso se trata de uma viagem astral. Com frequência você verá a figura de uma pessoa amada, ou receberá uma forte impressão da mesma; isso é porque pode ter visitado essa pessoa durante a viagem astral, e se for dormir tendo diante de si uma fotografia de uma pessoa amada, poderá ter a certeza de que vai viajar para quando fechar os olhos e se puser à vontade. Examinemos o outro lado da moeda. Você pode ter despertado de manhã, está contrariado e bastante enervado, pensando em determinada pessoa com que está em desarmonia acentuada. Talvez tenha ido dormir pensando nela, pensando em alguma disputa, alguma questão na qual você e ela estiveram discutindo. E pode tê-la visitado no astral e ela, também no astral, debateu com você uma solução para os problemas. Vocês podem ter chegado a um acordo sobre a matéria, e decidido, nos seus corpos astrais, que na Terra se lembrariam da solução e chegariam a um acordo amistoso. Ou, por outro lado, a batalha pode ter sido de uma intensidade ainda maior, de modo que quando voltaram à Terra estavam com antipatia ainda maior entre si. Mas à parte de terem ou não chegado a um acordo amistoso, se ao voltar ao plano físico, você sentiu um solavanco forte ou não se sincronizou bem com o corpo físico, nesse caso todas as boas intenções, todos os bons acordos ficariam arruinados e destocidos, e ao despertar, a sua recordação seria a de desarmonia, desagrado e uma frustrada fúria e amargura.

    Os chamados sonhos são janelas que dão para o outro mundo, os outros Planos não físicos. Cultive os seus sonhos, examine-os, e quando for dormir à noite decida que vai “sonhar “realidades”, isto é, decida que quando despertar pela manhã, terá uma recordação clara e nítida de tudo o que aconteceu durante a noite. Isso pode ser feito, é feito, mas infelizmente apenas no mundo ocidental, onde existe tanta dúvida, onde se ouvem tantos gritos exigindo provas, é que as pessoas consideram ser difícil. Algumas pessoas no Oriente entram em transe que, afinal de contas, é apenas outro método de sair do plano físico. Outras adormecem, e ao despertarem estão com a resposta para os problemas que as deixavam perplexas. Também você pode fazer isso, também você, com a prática e com o desejo sincero de fazê-lo visando apenas o Bem, pode “sonhar verdade” e escancarar essa janela, que acesso a uma fase mais esplêndida da existência.

    LIÇÃO 18
    faz algum tempo que nos conhecemos mutuamente, por intermédio deste Curso. Talvez devamos fazer uma pausa, para avaliar a nossa posição e olhar ao nosso redor, pensar no que lemos e presumivelmente no que aprendemos. É essencial parar, de vez em quando, para uma recreação. Vocêpensou que “recreação” é, na verdade, “recriação”?

    Mencionamos este ponto porque está todo ligado ao cansaço; porque quem se cansa não consegue executar melhor o seu trabalho. Você sabe o que acontece, quando se cansa?

    Não precisamos de ter um grande conhecimento sobre fisiologia para compreender o motivo pelo qual ficamos entorpecidos e doridos, pois sobrecarregámos os músculos.

    Vamos imaginar que temos repetido um certo movimento, talvez o de erguer um peso grande, com o braço direito.

    Bem, após algum tempo os músculos do braço direito começam a doer, e temos uma sensação das mais peculiares nos músculos, e se continuarmos por demasiado tempo, surgirá a dor, em vez de apenas só o cansaço. Vamos então examinar isso com mais detalhes.

    Durante este Curso, temos frisado que toda a vida é de origem eléctrica. Sempre que pensamos, geramos uma corrente eléctrica; sempre que movemos um dedo, mesmo um dedo, enviamos uma corrente eléctrica na forma de impulsos nervosos que “galvanizam” o músculo, colocando-o em acção. Mas examinemos o nosso braço, do qual abusamos com o excesso de trabalho; estivemos levantando alguma coisa com demasiada frequência ou por demasiado tempo, e os nervos que transportam a corrente eléctrica do cérebro ficaram sobrecarregados. De um modo bastante parecido, se tivermos um fusível comum e o sobrecarregarmos, ele poderá não se queimar imediatamente mas em vez disso, dará indicações da sobrecarga, ao tornar-se descorado. Assim acontece com os nossos nervos que dão ordens aos músculos: eles se tornam sobrecarregados com a passagem da corrente constante, e os próprios músculos ficam cansados de se expandirem e contraírem-se sem cessar.

    Por que motivo nos cansamos? É fácil responder! Quando movemos um membro, os nossos músculos são estimulados pelo cérebro. A corrente eléctrica provoca secreções, que passam a fluir na estrutura muscular, e que leva os feixes musculares a se afastarem, de modo que o resultado desse afastamento é o de diminuir do comprimento total, sendo esse o meio pelo qual o membro se dobra. Está tudo certo sem continuar com a fisiologia mas um resultado secundário é que as substâncias químicas em acção, levando as estrias dos músculos a se separarem, ficam cristalizadas e se implantam no tecido muscular.

    Assim é que, se enviarmos tais secreções, essas substâncias químicas, para a musculatura mais depressa do que o tecido as possa absorver, o resultado serão cristais, e os mesmos terão pontas muito agudas, que provocam uma dor considerável, e se continuarmos as nossas tentativas para movimentar os músculos. Temos de esperar talvez um dia ou dois até que os cristais tenham sido novamente absorvidos e as fibras dos músculos se encontrem novamente livres para deslizarem suavemente e sem esforço umas sobre as outras. Vale a pena notar, de passagem, que quando se tem reumatismo, é porque existem cristais em diversas partes susceptíveis do corpo, e estes prendem o tecido. Na verdade, qualquer pessoa com reumatismo pode mover o membro atingido, mas ao fazê-lo, causaria uma dor intensa, devido aos cristais alojados no tecido. Se descobríssemos algum meio de dissolver os cristais, poderíamos curar o reumatismo, mas isso ainda não é possível.

    Toda esta questão nos afasta, entretanto, da nossa intenção inicial de examinarmos as coisas que aprendemos ou, pensando melhor, talvez não! Se você estiver fazendo demasiado esforço, não chegará a parte alguma, porque o seu cérebro irá ficar demasiado cansado. Muitas pessoas não conseguem adoptar o Caminho do Meio, porque foram educadas na crença de que apenas o trabalho mais esforçado merece resultados. As pessoas esforçam-se e escravizam-se e não chegam a parte alguma porque estão a esforçar-se demasiado. Às vezes, quem se esforça muito torna-se permanentemente cansado, e depois diz coisas horríveis porque, de um modo bastante literal, não se encontra em gozo dos seus sentidos completos!

    Quando nos cansamos, a corrente eléctrica produzida no cérebro esmaece, reduz-se, e assim a electricidade “negativa” sobrepõe-se aos impulsos positivos, e nós ficamos irritadiços. A irritação ou mau génio é oposta ao bom génio, é o aspecto negativo do bom génio e, se nos deixarmos ficar em mau génio devido ao cansaço, ou por qualquer outra causa, isto quer dizer que estamos, na verdade, corroendo as nossas células que produzem os sinais nervosos.

    Você conduz um automóvel? observou a bateria do mesmo? Se o fez, terá às vezes visto um depósito esverdeado com aspecto desagradável ao redor de um dos terminais da bateria. Com o tempo, esse depósito irá corroer os fios que vão da bateria ao automóvel. De um modo bastante parecido, se nos negligenciar-mos, assim como negligenciamos o estado dessa bateria, descobriremos que as nossas próprias capacidades começam a sofrer muito, e ficaremos com um mau génio permanente. Às vezes será a esposa que deu início à sua vida matrimonial cheia das melhores intenções, e que cede a uma pequena dúvida perturbadora quando ao marido; ela vocaliza essas dúvidas, repetindo isso algumas vezes, estabelece um hábito, e assim é que, possivelmente sem saber alguma coisa do que se passa, transformar-se-á numa megera, uma das criaturas mais desagradáveis deste mundo! Mantenha-se com um bom génio, cultive uma atitude positiva, pois irá ter uma melhor saúde, e não se entregue a essas modas que falam em emagrecimentos, porque a pessoa bem acolchoada é invariavelmente dona de um melhor temperamento do que a criatura magricela que, quando anda, parece estar chocalhando os ossos!

    Vejamos essa questão do “Caminho do Meio”; é claro que devemos fazer o melhor que nos é possível em todas as circunstâncias. É igualmente claro que não se pode fazer mais do que o melhor que nos é possível e esforçar-nos para além da nossa capacidade o que é apenas um esforço perdido, e que nos cansa desnecessariamente. Encaremos a coisa como examinaríamos uma central geradora de energia; temos uma estação geradora de electricidade, que proporciona luz a um certo número de lâmpadas.

    Se o gerador trabalhar a uma determinada velocidade ou proporcionar uma produção que supra facilmente as necessidades das lâmpadas, estará a trabalhar bem, dentro da sua capacidade. Se, porém, por algum motivo, o gerador for acelerado e a produção for muito maior do que aquela a que possa ser consumida pelas lâmpadas, todo o excesso de energia terá de ser desviado para alguma parte desperdiçado e também desperdiça a vida do gerador, o qual estará a girar desnecessariamente com uma velocidade excessiva.

    Outro meio de apresentar a questão é a seguinte: você tem um automóvel, e quer ir pela estrada a, talvez, quarenta quilómetros por hora (a maioria segue muito mais depressa do que isso, mas quarenta quilómetros por hora serve, para o nosso exemplo!). Se for um condutor sensato, você seguirá em terceira, porque a essa velocidade de quarenta quilómetros por hora, terá o motor a girar muito lentamente. E a essa velocidade, o desgaste será muito pouco, e não haverá nenhuma tensão no motor, que está trabalhando dentro da sua capacidade. Mas suponhamos que você não seja tão bom condutor e segue pela estrada em primeira, a quarenta quilómetros por hora! Nesse caso, o motor estará a girar cinco ou seis vezes mais depressa, devido à engrenagem, e produzirá talvez tanta energia, tanto esforço, quanto seria necessário para chegar aos duzentos quilómetros por hora, em primeira. E você também obtém muito ruído, um terrível consumo de gasolina e cinco ou seis vezes mais desgaste para atingir o mesmo objectivo que seria alcançado em terceira.

    O Caminho do Meio, portanto, significa seguir o rumo sensato, trabalhar com o afinco apenas o necessário para realizar uma determinada tarefa, e não desperdiçar a sua vida e energia com trabalho em excesso!

    É enorme o número de pessoas a julgar que precisam trabalhar, sempre trabalhar, e quanto mais se esforçam para atingir os seus objectivos, tanto mais mérito terão por isso. Nada poderia estar mais distante da verdade, e devemos sempre nunca será demasiado repeti-lo

    trabalhar com o afinco apenas o suficiente para executar a tarefa à nossa frente.

    Mas voltemos à recreação. A recreação, como ficou dito, é a recriação. Se nos cansamos, isso quer dizer que apenas certos músculos, certas partes do corpo se cansaram. Por exemplo, se
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    estivermos a erguer o nosso braço direito em demasia, talvez transportando tijolos, talvez carregando livros, nesse caso o braço começará a cansar-se, começará a doer, mas as nossas pernas ainda se encontram em condições, funcionamento bem tal como os ouvidos e os olhos. Assim sendo, vamos “recrear-nos”, saindo para um passeio, ouvir uma boa música ou ler um livro. Ao fazê-lo, estaremos a usar os nervos e os músculos, e na verdade estaremos a retirar qualquer carga excedente de electricidade neural dos músculos os quais foram sobrecarregados e requerem descanso. Assim, na recreação, você se recria, bem como as suas habilidades.

    Esteve a trabalhar em demasia, procurando observar a sua aura? Procurando ver o etérico? Talvez tenha andado a fazer demasiados esforços. Se não teve o êxito que deseja, não fique desmotivado, pois é necessário tempo, é necessária paciência e muita fé, mas é uma coisa perfeitamente realizável. Você está a procurar fazer algo que não fez antes, e não esperaria tornar-se médico, advogado ou um grande artista da noite para o dia; e se quisesse tornar-se advogado, teria de frequentar a escola primária, depois as escolas seguintes, indo em seguida para alguma universidade ou faculdade. Isso requereria tempo, poderia levar anos, você estaria estudando conscienciosamente muitíssimas horas por dia, e talvez muitíssimas horas à noite, para atingir seu objectivo, o de ser o quê? Um médico? Um advogado? Um corrector?

    Tudo se resume ao seguinte: você não pode obter resultados da noite para o dia. Muitas das filosofias da Índia contam que em nenhuma circunstância, alguém deve procurar conseguir ver pela clarividência, em pelo menos dez anos! Nós não endossamos essa opinião, de modo algum, acreditando que quando uma pessoa está pronta para ver pela clarividência, ela o verá, mas acreditamos que não se pode atingir resultados da noite para o dia, sendo preciso trabalhar para o que se vai obter, sendo preciso praticar, ter fé. Se você está a estudar para ser médico, terá nos seus professores, terá em si próprio, fará durante as aulas o seu trabalho escolar, fará os seus deveres de casa quando sair da aula, e ainda assim o treinamento para tornar-se médico requer anos. Quando está a estudar connosco, e procurando ver a aura, quanto tempo estuda? Duas horas semanais? Quatro horas? Bem, por mais tempo que seja, você não estará estudando oito horas diárias e fazendo deveres de casa, além disso. Assim sendo tenha paciência, porque a aura pode ser vista, do modo mais definido, e o será, se você tiver essa paciência e fé.

    Com o correr dos anos, temos recebido uma quantidade tremenda de correspondência de pessoas de todo o mundo, até mesmo de gente por detrás da Cortina de Ferro. uma jovem na Austrália, com poderes acentuados de clarividência, e que teve de ocultar as suas capacidades porque os parentes acham que alguma coisa “singular” nela, se disser que sabe o que estão a pensar, ou sequer falar sobre o estado de saúde dos seus parentes.

    uma outra senhora em Toronto, Canadá, que, durante um período de apenas algumas semanas, pôde ver o etérico, pôde ver a força etérica emanando das pontas dos dedos, e pôde ver a “flor de lótus” oscilando por cima de uma cabeça. O