Hollywood ending



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Encontro02.03.2019
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SOBRE A PRODUÇÃO

A vida imita a arte de várias maneiras na última comédia romântica de Woody Allen, Dirigindo no Escuro. O filme dentro do filme é a única chance para o diretor fracassado Val Waxman recuperar parte de sua carreira em franco declínio. Seu dilema? A oportunidade de ouro será patrocinada pela líder de torcida mais improvável: sua ex-mulher.


É a chance, também, do rejeitado Val de reacender qualquer resquício de paixão que possa existir entre ele e Ellie. Seu problema? Hal, o chefe do estúdio que tem nas mãos a chave do cofre para viabilizar a volta de Val, é amante e chefe de Ellie, o homem por quem ela trocou Val.
Allen diz: “Val é um diretor de cinema muitíssimo temperamental e neurótico; um hipocondríaco talentoso, mas um tanto over em suas exigências. Ninguém quer trabalhar com ele. Quando finalmente tem a chance de retornar e recuperar seu passado de glória, percebe que a única pessoa que quer trabalhar com ele é sua ex-mulher. Porém há muitas questões não resolvidas entre eles. É a sua chance de voltar, mas a que preço?”
No final, Val, por amar demais a sua arte e sentir falta da notoriedade, está disposto a agarrar a chance dada pelos demônios que ele bem conhece. Allan crê que qualquer diretor sério faria este sacrifício se estivesse em situação semelhante.
A mesma regra se aplica a um produtor determinado que objetiva ver o seu projeto se realizar sob a direção do homem ideal. Nesse caso, o produtor é Ellie, ex-mulher de Val, e o diabo da vida dela é o próprio Val. Agora, ela só precisa convencer seu atual amante, o chefe do estúdio, que seu ex-marido é o homem certo para o trabalho.
Téa Leoni, que interpreta Ellie, diz que ficou atraída pelo papel por uma razão muito simples: a oportunidade de trabalhar com Woody Allen. Ela, brincando, descreve Ellie como “uma romântica enrustida, louca por sapatos”, e diz que gostou do fato de ser atriz e interpretar uma produtora. “Produtores de cinema e chefes de estúdio são gente também,” brinca ela. “Na verdade, por ter sempre trabalhado com produtores apaixonados pelo trabalho, devo tê-los aproveitado, como referência, para interpretar Ellie.”
O homem que vive com Ellie no momento é o chefe de estúdio Hal, interpretado por Treat Williams. “Hal é um cara legal, mas ele é rigorosamente um homem de negócios,” diz Williams. “Ele entende o mundo sob esta perspectiva e não tem tempo, nem paciência para artistas neuróticos e indulgentes como o que Woody interpreta.”
Leoni e Williams foram os dois únicos atores que receberam o roteiro completo. “Woody trabalha com o que está no papel e, no meu caso, conhecia o personagem muito bem, porque tive o luxo de receber o roteiro completo,” diz Williams. “O truque com Woody é simplesmente deixá-lo assumir o comando. Ele é muito calado e tímido e os atores nem sempre sabem como lidar com pessoas assim.”
Entretanto, o gelo se quebra rápido, como relembra Williams. “No primeiro dia filmamos uma cena em que estávamos todos dentro de uma limusine e não me saí bem. Pensei: “Oh, já era. Amanhã, estarei procurando emprego.” Depois de cinco tomadas sem que eu conseguisse fazer o que ele queria, falei: - ‘É muito difícil’. Woody respondeu: ‘Sim, é difícil. ‘É por isso que algumas pessoas dirigem táxis e nós fazemos cinema.’ Simples e direto. Com Woody, você faz quantas tomadas forem necessárias, nem mais, nem menos. Além de ser um grande cineasta, acho que é por isso que os atores adoram trabalhar com ele.”
Debra Messing, que interpreta Lori, namorada de Val e atriz aspirante, já havia trabalhado com Allen em Celebridades (Celebrities), daí isso estava bem familiarizada com o método do diretor de manter o roteiro completo longe de todos, exceto de alguns poucos. Mas isso não a impediu de tentar. “Tentei subornar todos os que tinham a cópia do roteiro completo, começando pela Téa. Não deu certo. Eu até paquerei um dos caras da produção para saber a história,” Messing ri.
Leoni admite ter tirado vantagem de sua posição privilegiada. “Eu me diverti muito inventando histórias para os meus colegas de elenco sobre os seus personagens no filme, para confundi-los a ponto de levá-los à paranóia.”
Messing observa que a sua frustração por não saber a história completa foi o que menos importou diante da oportunidade de trabalhar outra vez com Woody Allen. “Quando ele me convidou para o papel, foi automático. O que eu ia dizer? ‘Não?’ Trata-se de um artista que faz parte da definição do que é comédia na América hoje. Para mim, era um sonho que se realizava.”
Como Messing, Tiffani Thiessen aceitou o convite no escuro, sem saber nada sobre sua personagem, a atriz Sharon bates. “Nunca esquecerei o dia da leitura; foi uma experiência incrível,” diz Thiessen. “Entrei numa sala e dei uma olhada ao redor, ali sentado estava aquele gênio fabuloso, uma lenda.”
Meses depois de se inteirar do seu papel, Thiessen admite, “Foi muito interessante, mas até hoje não sei do que se trata o filme. É assim que Woody trabalha.”
Outro aspecto proveitoso para a jovem atriz ao participar deste filme, foi a chance de trabalhar com Téa Leoni e Debra Messing, sem mencionar George Hamilton. “Ele é muito charmoso. Agora entendo porque as mulheres ficam apaixonadas por ele e não tem nada a ver com o seu bronzeado,” brinca Thiessen.
Apesar de ser um veterano das comédias, George Hamilton nunca tinha trabalhado com Allen antes de Dirigindo no Escuro. “Estou há muitos anos neste negócio e nunca havia trabalhado num filme de Allen, mas valeu a pena esperar.”
Hamilton interpreta um executivo de estúdio, cujo nome sabemos que é Ed, mas quanto à sua história, só podemos especular. “É hilário; o personagem está presente em todas as reuniões, entretanto não fazemos a menor idéia do que faz, a não ser que ele é um puxa-saco,” Hamilton comenta. “Eu muito me perguntei se meu personagem seria um tipo de manifesto que Woody estaria fazendo sobre e para os executivos de estúdio.”
Outro veterano do cinema, que trabalha pela primeira vez com Woody Allen, em Dirigindo no Escuro, é Mark Rydell - não por falta de convites de Allen. Na verdade, ele sempre quis trabalhar com Rydell e mencionou o assunto com ele várias vezes, mas nunca conseguiram sincronizar as agendas.
Apesar de nunca terem trabalhado juntos, os dois tinham muito em comum, incluindo a formação em Nova York; ambos são atores e diretores; e a paixão pelo jazz. Rydell diz que ele e Allen têm mais uma coisa em comum: “Disse a Allen que nós dois juntos temos cem anos de psicanálise,” ele brinca.
Rydell interpreta Al Hack, o fiel empresário de Val. “O problema de Al Hack é que ele é um pouco oportunista, mas muito leal e faria qualquer coisa para salvar o seu cliente,” diz Rydell. “Gosto desse tipo de lealdade. Ele é um desses empresários bajuladores, mas amável e fiel até o fim.”
Rydell, diretor muito respeitado, diz que achou o comprometimento de Val com a sua arte uma crítica exagerada, que Allen fez a si mesmo como diretor. “Woody não se vende e Val é uma realidade para ele. Eu poderia me vender, mas não consigo encontrar comprador.” Na verdade, esta é uma frase de Al Hack.”
“Nós temos formas diferentes de trabalhar como diretores,” acrescenta Rydell. “Eu costumo ensaiar durante semanas e ele não ensaia. Ele me entregou quatro páginas do roteiro com a cena e disse: ‘Muito bem, vá.’ Era apostar no escuro. Ele o coloca no set e é ou vai ou racha.”
Allen tem certeza de que seus atores se sairão bem. “Não se considera um bom diretor, ele diz ser um excelente escalador de atores,” diz Rydell. “Sabe exatamente o tom certo para deixar as pessoas à vontade.”
Deixar os atores à vontade é uma das grandes habilidades de Allen, observa o produtor Letty Aronson. “Acho que se deve ao fato de Woody ter muita consideração e sempre compreender o ponto de vista das outras pessoas.” Ele quer sempre ter certeza de que elas estão à vontade. Sua intenção é manter tudo muito natural, principalmente as atuações, e é por isso que não gosta de ensaiar. Ele quer ver o que os atores darão às suas interpretações.”
A mesma regra se aplica ao seu talento do outro lado da câmera. Para o diretor de fotografia alemão Wendigo von Schultzendorff se sentir à vontade dentro do estilo de Allen foi um desafio, por que, acrescenta, a comédia romântica não é o seu forte. Ele relembra: ‘Helen Robin (co-produtora) viu o meu trabalho em 13o. Andar (The Thirteenth Floor) e me chamou. Woody gosta de diretores de fotografia estrangeiros e ele desejava coisas novas e estimulantes. Foi muito engraçado, porque fiz alguns filmes de terror e ele não parava de repetir: “Nada negativo, nada escuro. Isto é uma comédia romântica, as pessoas precisam brilhar!”
O diretor de fotografia precisou, também, ajustar-se ao estilo de filmar de Allen. “Ele procura fazer tudo numa única tomada. Por isso, é preciso fazer uma tomada aberta, onde se vê a sala em 180o e, então, vai fechando em close. Precisei criar uma coreografia para a iluminação,” explica von Schultzendorff.
Como von Schultzendorff, Dirigindo no Escuro marca a primeira colaboração da estilista Malissa Toth com Woody Allen. “Era uma grande chance para mim e eu fiquei muito nervosa na tentativa de agradá-lo. Mas logo você percebe que ele confia em você e isso é muito estimulante, “ diz Toth. “Foi um desafio de criação para mim, porque era um filme dentro de outro filme, o que pedia figurinos de duas épocas diferentes.”
Toth acrescenta: “Eles queriam um ar alegre para tudo, mas Woody também gosta de tons terra mais do que o preto ou azul escuro. Téa tinha um tom luminoso em seu guarda-roupa e muito cashmere. O personagem de Debra era um pouco mais ousado, então pude brincar mais com o guarda-roupa dela. Por outro lado, Woody veste as suas próprias roupas. Ele disse: “Não preciso de guarda-roupa.” Certo dia, ele disse: “Pegue aquele suéter cor de aveia que está no meu armário,” e no dia seguinte, ele disse: “Pegue o suéter cor de trigo,” observa a estilista, rindo.
Toth admirou, principalmente, a comunicação entre Allen e seu colaborador de longa data, o diretor artístico Santo Loquasto. “É incrível. Eles trabalham juntos há muito tempo e mal precisam se falar. Há um ritmo natural e maravilhoso entre os dois,” diz ela.
Para Loquasto, nas filmagens que levaram nove semanas, vários lugares preferidos de Allen em Nova York foram revisitados. “Mas desta vez foi diferente dos últimos filmes, pois a atmosfera dos sets era mais sofisticada, com aquele ar romântico privilegiado dos nova-iorquinos, mas não exagerado demais,” acrescenta ele.
Enquanto no filme anterior de Allen, O Escorpião de Jade (The Curse of the Jade Scorpion), foi ambientado no início dos anos quarenta, Loquasto diz que a época estabelecida para o filme dentro do filme era “um período indefinível dos anos quarenta. Foi divertido fazer um filme dentro de outro filme e brincar com os cenários.”
O histórico Kaufman Astoria Studios e o Hellerstein Studio na Rua 26 em Chelsea serviram para o estúdio fictício Galaxy Pictures e para as escritórios da produção. O apartamento de Val foi montado em um duplex reformado no Chelsea, na rua 21. A sofisticada casa de Hal em Los Angeles, o chefe do estúdio, era, em realidade, uma casa localizada em Long Island.
Loquasto revela: ”Tivemos de importar palmeiras da Flórida e construir uma área em volta da varanda. Saiu tudo muito bem e até o tempo nos ajudou. Quando se está filmando em Nova York uma cena que seria passada em Beverly Hills, é preciso contar com o clima perfeito. Tivemos a sorte de ter dias lindos e ensolarados.”
Diferente do diretor artístico no filme, interpretado por Isaac Mizrahi em participação especial, Loquasto usou locações já existentes em Nova York em grande parte do filme. Foram feitas filmagens no Central Park; no Plaza Hotel, onde Hal encontra Val para conversar sobre o filme; no Bar Balthazar; e no Bar Bemelman do Carlyle Hotel, onde Ellie encontra Val para conversar sobre a oferta de voltar a dirigir.
Para o filme dentro do filme, Loquasto diz: “Gostei muito de criar cenários clássicos de Nova York, como a boate, o conjunto habitacional, o bordel. Foi tudo muito divertido de fazer.”
O filme dentro do filme se transforma em um palco comum a todos, onde a tragédia da vida das pessoas por trás das câmeras tomam o lugar do drama que estava sendo encenado em primeiro plano. É também a oportunidade de Allen dar um beliscão na classe. Um dos mais talentosos realizadores de Hollywood, escritor, diretor e ator, parece se divertir com a antiquíssima batalha entre a arte e o comércio. Conhecido por ser extremamente reservado sobre seu trabalho com os executivos dos estúdios e mesmo com o elenco até a última tomada, Allen interpreta o zeloso Val, com um toque cômico. Allen diz: “O problema de Val é que todas as suas neuroses surgem no meio do processo de realização do filme. Que diretor não se identificaria com isso?”


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