Histórico e evoluçÃo da psicologia da saúde numa perspectiva latinoamericana



Baixar 253,15 Kb.
Página1/15
Encontro15.03.2018
Tamanho253,15 Kb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   15



PSICOLOGIA DA SAÚDE NO BRASIL: 50 ANOS DE HISTÓRIA
Ricardo Werner Sebastiani **

Na atualidade ocorre à tendência a encarar a doença, em sentido lato, como fenômeno que inclui não apenas a participação individual mas, também, e necessariamente, a social. A doença (“disease”) corresponderia ao processo fisiopatológico determinante do estado de disfunção, e conseqüentes desabilidade funcional e deficiência do indivíduo. A enfermidade (“illness”) seria concernente ao estado subjetivo do indivíduo afetado e decorrente da própria conscientização. E, a que se pode chamar anormalidade (“sickness”) seria pertinente ao “papel de doente” (“sick role”) que a pessoa assume na sociedade, ou seja, à correspondente disfunção social e que, portanto, afeta o seu relacionamento com os demais indivíduos normais.”



(SUSSER, apud Forattini 1992)
Esse papel inclui quatro aspectos principais que seriam:
a) A irresponsabilidade do paciente pelo seu estado.
b) A sua dependência em relação à outra instância social,

médica ou não.
c) O seu afastamento, em grau diverso, dos outros papéis.

sociais.
d) A obrigação (compulsoriedade) de buscar saída para

esta situação.”

(TALCOTT PARSONS apud Forattini 1992)
Selecionamos os dois textos acima, apresentados na obra de Foratinni (1992), como indicativos de que as propostas de visão integral da saúde e compreensão do fenômeno saúde-doença como eventos multifatoriais, não são tão recentes no universo das Ciências da Saúde, e que um importante movimento de redefinição das ações de saúde vem sendo implementado já há tres décadas. Esses novos paradigmas têm uma importância especial no que se refere à presença e participação do Psicólogo da Saúde nas diferentes propostas de atenção à saúde da população, posto que os elementos participantes do processo de instalação das doenças mencionados por Susser “enfermidade” e “anormalidade” são notoriamente de cunho psicossocial.

Cada dia mais a valorização de intervenções primárias, secundárias ou terciárias em saúde, pressupõe a necessidade de se compreender e intervir sobre estes contextos do indivíduo ou grupos, expostos às diferentes moléstias ou outras condições de agravo à saúde. A Psicologia da Saúde vem sendo solicitada a dar sua parcela de contribuição a essa nova abordagem destes problemas, e é imperativo que nos mobilizemos para responder a esses pedidos, e que nos organizemos, cada vez mais, para que nossa inserção sócio-sanitária seja cada vez mais eficiente e reconhecida.

Dentro de uma perspectiva global, pautados nesse novo paradigma que se forma para nortear as ações em saúde, analisamos no presente texto o desenvolvimento da Psicologia da Saúde no Brasil e as condições deste desenvolvimento trazendo alguns dados da América Latina considerando suas peculiaridades na área, e o fato dessa publicação ter como público alvo prioritário os Psicólogos da Saúde IberoAmericanos, e se propor a traçar um panorama de nossas atividades e principalmente fornecer subsídios para que possamos pensar e planejar nossos caminhos para o século XXI.

Mostraremos uma análise acerca das particularidades distintas da Psicologia da Saúde Latinoamericana, com um rápido crescimento de recursos humanos, uma insuficiente incorporação dos psicólogos ao setor de saúde, na maior parte dos países, uma limitada formação profissional em pós-graduação, e um déficit de pesquisas com metodologias que possibilitem aplicações mais generalistas e rápida implantação na prática de soluções para os problemas de saúde.

Sublinhe-se o caráter integrativo das tendências modernas de desenvolvimento das visões sobre Saúde, e da própria Psicologia da Saúde, como salientado na introdução do presente texto, particularmente quanto às fontes provenientes de diversos enfoques teóricos, a necessidade de integração dos aportes e experiências da Psicologia da Saúde na região, sem menosprezar o resguardo às especificidades de cada país e de seus contextos socio-econômicos. Sobre este aspecto quanto se trata do Brasil, as dimensões continentais do País e suas múltiplas realidades impõe aos Psicólogos da Saúde brasileiros uma grande versatilidade para efetivamente serem capazes de desenvolver ações de saúde que respondam a demandas sócio-sanitárias extremamente distintas. Destacamos o papel que a Psicologia da Saúde, como ciência e profissão, tem na otimização do trabalho interdisciplinar, estreitando os vínculos das vertentes; assistenciais; de formação e pesquisa; e aglutinando estratégias globais que possibilitem dar respostas aos problemas que implicam desenvolver uma nova forma de pensamento em saúde, que possa satisfazer as demandas e necessidades de nossas populações.

O desafio de realizar uma análise particular do desenvolvimento da Psicologia da Saúde em cada país da Iberoamérica é bastante grande, e esperamos que essa obra possa auxiliar-nos neste sentido, procuraremos em breve síntese revisar sua vigência na região, analisando tendências e projeções com um caráter global. Por esse livro dedicar-se ao enfoque dos trabalhos do Psicólogo da Saúde nos países Iberoamericanos que mais se destacam nesse campo de especialidade da Psicologia, e ser uma das primeiras publicações dedicadas de forma integrativa ao tema, procuraremos salientar alguns aspectos históricos que caracterizaram o transcurso dessa especialidade, trançando um paralelo com esse mesmo desenvolvimento na América Latina, onde o leitor poderá constatar que muitos dos problemas e desafios que temos no Brasil não são prerrogativas específicas de nosso país, mas sim, um reflexo do que historicamente foi imposto às populações, políticas e cultura Latinoamericana ao longo dos tempos.

Sabemos que as rápidas mudanças sociais que resultam da globalização, do desenvolvimento econômico, da industrialização e a urbanização determinada sobre tudo por um intenso êxodo rural, têm causado efeitos profundos sobre a estrutura das comunidades, o funcionamento das famílias e o bem estar psicológico das pessoas. Em muitos lugares, estas mudanças têm comprometido sistemas tradicionais de apoio psicossocial, reduzindo assim a capacidade dos indivíduos, famílias e comunidades de enfrentarem adequadamente suas angústias, enfermidades e incapacidades físicas. O aumento devastador do consumo de álcool e drogas, o incremento do stress e seus efeitos em estilos e condições de vida são responsáveis por uma extensa gama de reações disfuncionais e enfermidades crônicas, a predominância de enfermidades mentais, problemas perinatais, suicídios, acidentes e violência, o avanço significativo dos casos de depressões, entre outros, deixam claro que a consideração da dimensão psicossocial da saúde e enfermidade constitue-se numa grande necessidade e um espaço inquestionável para a Psicologia como Ciência e para os Psicólogos como profissionais interessados na melhoria das condições de saúde e qualidade de vida do ser humano.

O quadro de saúde de um país está determinado, obviamente, por fatores sociais e econômicos. A América Latina, mais que uma região circunscrita por limites geográficos, é um mosaico multiétnico com uma história comum que se reflete em aspectos econômicos, políticos, sociais e culturais de seus povos. Alguns de seus denominadores comuns são: superpopulação, pobreza, baixo nível educacional, deterioração ambiental, precárias condições de saneamento básico, que, condicionam não só problemas de saúde, mas também às peculiaridades dos serviços de saúde nos países da região.

Uma análise dos problemas de saúde nestes países mostra um perfil epidemiológico comum aos países em desenvolvimento, caracterizado pela coexistência de desnutrição e enfermidades infecto-contagiosas típicas, com enfermidades crônico-degenerativas próprias dos países desenvolvidos. Ambos grupos de problemas têm um denominador comum nos fatores psicossociais.

É imprescindível que se saliente nessa leitura, o fato de convivermos com a sobreposição dessas duas realidades epidemiológicas onde, se por um lado existe um avanço significativo das doenças do coração, câncer, um aumento da idade média da população determinando também uma maior incidência das patologias próprias da terceira idade, por outro continuamos morrendo ou tendo nossa saúde altamente comprometida com enfermidades ligadas às péssimas condições sócio-econômicas. O Brasil, nesse sentido carrega problemas gravíssimos, onde destacaríamos os seguintes:



  • Ocupamos no “ranking” internacional sobre “Qualidade em Saúde” a vergonhosa 125ª colocação entre os 198 países vinculados à Organização Mundial de Saúde.


: NetManager -> documentos
documentos -> Formulário para divulgaçÕes via boletim eletrônico link agenda
documentos -> Formulário para divulgaçÕes via boletim eletrônico link agenda
documentos -> LicitaçÃo -carta convite nº 031
documentos -> Curso de extensão universitária em saúde mental
documentos -> A universidade Federal do Tocantins, através da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, a Secretaria de Estado de Saúde do Estado do Tocantins e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (conasems)
documentos -> Proposta de regulamento do prêmio profissional
documentos -> Curso: orientaçÃo vocacional e profissional
documentos -> Pontifícia Universidade Católica de Goiás Departamento de Psicologia Questionário – Egressos do Curso de Psicologia
documentos -> Sessões de comunicaçÃo de trabalhos


Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   15


©psicod.org 2017
enviar mensagem

    Página principal