História da sexualidade, corporeidade e gênero. – Elisia Santos



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História da sexualidade, corporeidade e gênero. – Elisia Santos

A proposta deste trabalho é revisitar os conceitos sobre sexualidade, corporeidade e gênero. Estas temáticas têm ganhado bastante visibilidade na área das ciências humanas e da saúde.

Para Goellner o corpo é construído com o passar dos diferentes tempos, espaços, conjunturas econômicas, grupos sociais, étnicos, raciais, neste sentido nosso corpo é “mutável” e “receptivo” às intervenções históricas, sociais, culturais e científicas, sociais e culturais, apesar de seguirmos normas e padrões estabelecidos por uma sociedade hegemônica e muitas vezes heteronormativa. Por conta disso nosso ponto de discussão neste primeiro capítulo é pensar no corpo e sua influência nas representações de gênero e das sexualidades.

O movimento feminista é fundamental para construção do conceito de gênero na década de 70, atualmente é uma categoria bastante estudada por diversos campos da ciência, para além das ciências humanas. O conceito de gênero refere-se à construção social do sexo podendo então separar a dimensão biológica da social. Este pensamento se apoia na ideia de que há machos e fêmeas na espécie humana, mas o ser homem e o ser mulher são construídos culturalmente.

Não podemos esquecer a clássica frase de Simone de Beauvoir no livro O Segundo Sexo, publicado em 1949, um marco dentro do movimento feminista que afirma: “Não se nasce mulher, torna-se mulher” (BEUAVOIR, 1980). Nesta frase deixa claro que a mulher não tem um destino biológico determinista com funções e papéis consolidados, estas são formadas dentro do seio da sociedade, da mesma forma que o homem. Contudo, aquelas ficam aprisionadas ao papel de dona-de-casa, esposa e à maternidade, outra opção seria os conventos e senão fosse uma “boa” moça o prostíbulo. Porém, a própria Simone rompe com o que seria este destino feminino.

Homens e mulheres existem dentro uma cultura e são moldados a partir desta, não há uma naturalidade nos papéis e funções, no senso comum as condutas ditas femininas ou masculinas são consideradas como naturais aos corpos. Para Antropologia, ciência que estuda as diversidades culturais a dimensão biológica da espécie humana não é essencialmente um fator explicativo.

Compreender o conceito de gênero, corpo e de sexualidade em suas interfaces é ir além do que denominamos masculino/feminino. Desejamos, nesta primeira etapa do módulo proporcionar um olhar mais cuidadoso para as construções de gênero, que se naturalizam e normatizam a sexualidade, reduzindo toda análise ao sexo, ou melhor, dizendo, desejo heterossexual, gerando, assim, desigualdades, indiferenças e inúmeras violências.

Iremos trabalhar os três conceitos, o primeiro será o de gênero. Este que reflete o modo como diferentes culturas, em diversos períodos históricos, classificam atributos pessoais, os papéis sociais, labor, atividades de trabalho na esfera pública e privada, e os encargos destinados a homens e a mulheres no campo da política, da religião, da educação, do lazer, dos cuidados com saúde, da sexualidade etc.

O conceito de gênero é oriundo do movimento feminista anglo-saxão e suas teóricas e as pesquisadoras de diversas disciplinas. Naquele momento, o movimento tinha por finalidade evidenciar na linguagem o caráter essencialmente social das discriminações baseadas no sexo.

O conceito consegue mais expressividade na década de 70, como objeto de análise das ciências sociais, atualmente, há ele perpassa diversas disciplinas, principalmente aquelas que fazem alguma interface com o campo da sociologia, saúde ou do direito. Dentro das ciências sociais, os estudos de gênero foram e são responsáveis por estudos sobre corpo e sexualidade.

No Brasil, as feministas introduzem o conceito na década de 80, na intenção de evidenciar que “o conceito de gênero se configurava num construto social e histórico, produzido sobre as características biológicas” (LOURO, p.21,1997).

Para esta autora, para compreender a condição e as relações de homens e mulheres numa determinada sociedade, precisaríamos estar atentos não exatamente a seus sexos, mas o que socialmente se construiu sobre os sexos.

Pois, o conceito de gênero é construção e seu significado está para além das diferenças biológicas entre os sexos, para Louro:
(...) o conceito pretende se referir ao modo como as características sexuais são compreendidas e representadas ou, então, como são trazidas para a prática social e tornadas parte do processo histórico. (LOURO, p.22,1997).
Podemos observar que ao longo da história as mulheres começaram a questionar este padrão que só (re) produziam desigualdades sociais e culturais entre os sexos. Essa narrativa foi e é reforçada, quando perceberam que em todos os setores sociais havia uma reprodução destas construções que gerava diversas formas de hierarquia de gênero, em geral com destaque para o gênero masculino.

As autoras Scott (1995) e Butler (2003) discutem que precisamos rejeitar o determinismo biológico implícito no uso de expressões como “sexo” ou “diferença sexual”, pois a palavra exerce poder sobre os corpos que ainda estão construindo seu gênero, identidade de gênero e sexualidade, faz-se necessário pensar possibilidades de resistência a essas formas de poder exercidas pelo discurso


(...) através do aprendizado de papéis, cada um/a deveria conhecer o que é considerado adequado (e inadequado) para um homem ou para uma mulher numa determinada sociedade, e responder a essas expectativas. (LOURO, p.24,1997).
Segundo hooks (1984) gênero é instrumento basilar do patriarcado capitalista de supremacia branca, pois em diferentes tempos históricos, contextos sociais, culturais, econômicas, religiosas e políticas tiveram desigualdades oriundas dessa relação. O binarismo masculino-feminino criou polos opostos – homem x mulher – que se convivem num sistema de dominação-submissão. Por conta disso, a ideia de dominação-submissão é retroalimentada ao assinalar a superioridade de apenas um dos polos (masculino),
(...) entender processos de construção/reconstrução das práticas das relações sociais, que homens e mulheres desenvolvem/vivenciam no social" (Bandeira e Oliveira, 1990, p.8), tem redundado em algumas questões que precisam ser melhor clareadas. Em primeiro lugar, o conceito tem uma história, pois ao longo dos séculos, as pessoas utilizaram de forma figurada "os termos gramaticais para evocar os traços de caráter ou os traços sexuais (Scott, p. 72, 1995)
Não tem como discutir gênero e não adentramos o conceito de sexualidade e corpo, as culturas constroem modelos de sexo, sexualidade, corpo e identidades de gênero que estão intimamente afetados e atravessados uns pelos outros. Na nossa cultural, temos o péssimo hábito de colocar como “normal” a relação heterossexual e qualquer comportamento, gosto ou prática sexual que transcorra esse binarismo é visto como desvio da norma.

A sexualidade deve ser o ápice do amor, ternura e intimidade, que integra o que sentimos, é ser-se sensual e ao mesmo tempo sexual sem preconceitos e padrões.


A sexualidade é uma experiência pessoal e subjetiva.
Sendo assim a sexualidade pode ser percebida no desenvolvimento humano, “potencialmente geradora de bem-estar, crescimento, de auto-realização, mas também e, simultaneamente, de conflitos e sofrimento” (Vilar, 2002, p. 14).

A sexualidade vem sendo discutida e resignificada com o passar dos anos, para Weeks (2003), existem cinco dimensões que são cruciais para a organização social da sexualidade:







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