Herculano thiago batista santana costa neto


Evolução das drogas no Brasil



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1.3 Evolução das drogas no Brasil
No Brasil, assim como em tantos outros países a presença das drogas é um registro de tempos remotos. Em todo o mundo, há anos, de um modo ou de outro, se luta contra as drogas; sendo assim, nesse momento, se fará uma breve contextualização histórica, pontuando-se períodos em que as principais drogas ilícitas chegaram no Brasil.

Conforme Souza (2014):

No início dos anos 80, o Comando Vermelho já dominava o sistema prisional do Rio de Janeiro. Além disso, quando seus integrantes cumprem suas penas e são liberados, o comando conquista também as ruas e suas idéias se espalham para além das grades. No início dese processo, foram formados grupos para fazer assaltos a bancos. Com o tempo perceberam que há um outro negócio mais lucrativo e menos arriscado do que os constantes assaltos a agências bancárias: o tráfico de drogas. (SOUZA, 2014, p.01).

De acordo com o quadro representativo em anexo, tem-se um resumo do contexto histórico da trajetória das drogas no Brasil.

Ainda há uma grande discussão mundial envolvendo à aplicabilidade eficaz das políticas proibitivas ou não proibitivas, tendo posicionamentos distintos, onde cada país determina a melhor postura para adotar. O Brasil adota a política proibitiva sobre drogas, porém o país não está livre das drogas e seus efeitos. Podendo ser detectados cultivos da maconha em Estados mais afastados da região central do país. O plantio está concentrado no Estado do Maranhão, Pernambuco, Bahia, Pará e Amazonas. (GOODMAN, 2007).

O cultivo da maconha não é o fator soberano na quantidade de drogas encontradas no Brasil, considera-se o contrabando oriundo do Paraguai, mas esta não é a única droga traficada para dentro do Brasil, países como a Bolívia, Colômbia e Peru, repassam a maconha e compostos da derivação desta. Aqui, vale a pena acrescentar o que escreveu Martins (2007):

Provavelmente terão sido os portugueses, através dos escravos africanos idos de Angola para o Brasil, que introduziram a cannabis na América (liamba em Angola, riamba ou marimba no Brasil). Todavia, foi na Jamaica, pela mão dos ingleses, que a sua cultura (com a designação de ganja) se intensificou para a obtenção de fibras. Das Caraíbas para o México foi um salto, onde é rebatizada sob o nome mais vulgarizado – a marijuana. (MARTINS, 2007, p.03).

Um relatório publicado em 2017 pelo Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes (UNODC) indica que o consumo da cocaína pela população brasileira aumentou aproximadamente 7%, corresponde na época cerca de 900.000 pessoas. (ONU, 2017).

As drogas sintéticas são em grande parte exportadas de países como a Europa, Holanda Bélgica e Inglaterra, no Brasil não existem registros de confecção destas substâncias. As anfetaminas são trazidas, maiormente pelo Paraguai, Argentina e Europa. Uma parte significativa da produção é separada para a fabricação do crack, sendo elaborada nos próprios pontos de vendas. (KALINA, 2001).

As drogas estão cada vez mais aumentando, como mostra o relatório elaborado pelo UNODC, publicado no ano de 2013:

A maioria dos países da América Latina e do Caribe têm registrado uma elevação em apreensões de erva de cannabis nos últimos anos. Três países da América Latina (Brasil, Colômbia e Paraguai) apreenderam grandes quantidades de erva de cannabis em 2011.No Brasil, o número de casos de apreensão foi praticamente o mesmo em 2010 e 2011 (885 e 878 casos, respectivamente), mas a quantidade total de cannabis apreendida passou de 155 toneladas em 2010 para 174 toneladas em 2011, o terceiro aumento consecutivo. (FEDOTOV, 2013, p.5).

Pode considerar-se que o Brasil com elevada posse em drogas, que cresce progressivamente. As drogas mais populares do Brasil são a maconha, cocaína, crack, merla e a pasta da coca, drogas sintéticas são consumidas por singela parte da população brasileira, grupos de classe média e alto padrão de vida. (KALINA, 2001).

A repercussão no país gerada pelos efeitos e consequências das drogas envolve aspectos distintos de forma negativa. O aumento na violência derivado da dependência e submissão deixada pela droga interliga-se com a sobrecarga na saúde pública, inclusive por drogas licitas. (CERQUEIRA, 2010).

O uso de armamentos pesados para manutenção do controle do tráfico de entorpecente ilícitos gera deficiência na segurança pública, elevação nas estatísticas de homicídios de jovens do sexo masculino, principalmente nas cidades onde se localizam favelas, que acaba entrando no mundo crime por falta de oportunidade em inserir-se ao cotidiano contemporâneo, a facilidade em obtenção de conforto temporário, a desigualdade social, fatores estes que refletem na estrutura social da população brasileira. (PASSAGLI, 2003).

A droga, de forma geral, afeta todas as classes sociais, com distinção apenas em tipologias para cada grupo social. A maconha, por exemplo, nos anos 50, não era consumida pela elite brasileira, já que era considerada uma droga da classe baixa ou classe perigosa, denominada como droga de engraxates. (SUDBRACK, 2000).

Na década de 60 esse paradigma perdeu foças com o movimento hippe aliado ao movimento da contracultura; a maconha passou também a ser consumida por jovens universitários e agentes intelectuais com uma enorme proporção e tenacidade, envolvendo uma massa que antes não a conhecia. (CRUZ, 2017).

Com a inserção da droga em vários grupos sociais ela tornou-se a mais consumida no país, perdendo apenas para o tabaco e o álcool. Tal repercussão enfatizou discussões para a legalização da maconha.

Em meados do final dos anos 70 e início dos 80, a cocaína, a droga com o custo mais elevado que os demais perdendo o valor, passando a ser mais popularizada, ou seja, anterior à queda do custo seu uso era quase privado a classe média e alta, após passou a ser comercializada para grupos inferiores.

Dito tudo isso até o momento vale acrescentar um trecho das reflexões de Martins (2007):

A informação esclarecida e oportuna que permita prevenir o consumo de drogas, ou, pelo menos o seu uso imoderado, são apontados de todo o lado como o remédio definitivo para superar esta aflição generalizada da humanidade. […]. Na perspectiva de Thomas Jefferson: “The care of human life and happiness, and not their destruction, is the first and only legitimate object of good government”. (Ocuidado da vida humanae a felicidade, e nãosua destruição, éo primeiro e únicoobjeto legítimodo bom governo). Um primeiro indício de mudança expressiva pode vir da administração americana, ao aumentar significativamente o orçamento destinado à prevenção do consumo de droga pela juventude, em comparação com o do “drugenforcement” (repressão às drogas), ao mesmo tempo que parece abandonar a retórica da “warondrugs”(guerra contra as drogas), substituindo-a por uma incidência maior nos aspectos da saúde. (MARTINS, 2007, p.19).

A cocaína era utilizada por injeção ou inspirada; o método injetável era por meios de seringas, o que gerou sérios problemas na saúde pública do Brasil, com o compartilhamento de seringas entre os usuários. A transmissão de doenças se alastrou e se destacou a AIDES.

No final da década de 90, manifestaram-se nas periferias e presídios, inúmeros casos de contaminação da doença; já que esses locais apresentavam (e de certa forma, ainda hoje apresentam) um consumo de drogas excessivo, descontrolado e de modo generalizado.

Nesse contexto, algumas questões começaram a incomodar a sociedade civil: o enfoque das sequelas deixadas nos usuários, movimentos contra o uso das drogas e comprovações dos riscos fez com que houvesse a “redução” da utilização. (WAISELFISL, 2011). O assunto começou a ser visto e mais amplamente discutido; uma vez que sua presença “silenciosa” e “escondida” agora podia ser vista e ouvida aos brados e forças de aniquilação, por todos. Tudo isso, fora os fatores histórico-político-sociais, além de tantas outras questões porque, como recordou Lima (2011):

As drogas psicotrópicas agem no sistema nervoso central, produzindo alterações de comportamento, humor e cognição. De acordo com a ação destas no organismo do indivíduo, um pesquisador francês, denominado Chaloult, classificou as drogas em três grandes grupos: Drogas estimulantes do sistema nervoso central: Estas substâncias aumentam a atividade cerebral, uma vez que imitam ou cooperam com os neurotransmissores estimulantes do organismo do indivíduo, como a epinefrina e dopamina. Assim, dão sensação de alerta, disposição e resistência, mas que, ao fim de seus efeitos, conferem cansaço, indisposição e depressão, devido à sobrecarga que o organismo se expôs. Algumas delas são:nicotina; cafeína; anfetamina; cocaína; crack; merla. Drogas depressoras do sistema nervoso central: Tais drogas apresentam uma diminuição das atividades cerebrais de seu usuário, deixando-o mais devagar, desligado e alheio; menos sensível aos estímulos externos. Algumas delas são:álcool; inalantes/solventes; soníferos; ansiolíticos; antidepressivos; morfina. Drogas perturbadoras do sistema nervoso central: São aquelas drogas cujos efeitos são relativos à distorção das atividades cerebrais, podendo causar perturbações quanto ao espaço e tempo; distorções nos cinco sentidos e até mesmo alucinações. Grande parte destas substâncias é proveniente de plantas, cujos efeitos foram descobertos por culturas primitivas, associando as experiências vivenciadas a um contato com o divino. Algumas delas são: maconha; haxixe; ecstasy; cogumelo; LSD; medicamentos anticolinérgicos. (LIMA, 2011, p.02-03).

Com relação às drogas, tem-se a possibilidade de sempre se ouvir dizer que na falta de uma, a outra compensará. Na “ausência” da cocaína, “aprimorou-se” o crack; substância com composição barata que despreocupou o usuário do contágio da AIDES, pois é fumada e não injetável. (PASSAGLE, 2003).

O crack possui uma reação rápida, sua ação é instantânea no organismo humano, provocando dependência na mesma proporção de seus efeitos. O baixo custo da droga e a inexistência de programas de prevenção na época de manifestação do referido entorpecente, motivou que a substância se alastrasse pelo país.

No Brasil, aproximadamente nos anos 90, além do crack existia o ecstasy, droga importada de Amsterdã, vendida em boates, festas e raves, ambientes frequentados por universitários. Assim como ecstasy e o crack, o Oxi, derivação do termo oxidado, veio para ampliar o rol de drogas baratas e impuras, com ressalva aos seus ‘estragos’ no organismo que supera as reações provocadas pelo crack e o ecstasy. (OLSON, 2014).

De acordo com Martins (2007):

Na história, pelo menos do último século, está patente um esforço continuado no sentido de conter a expansão do consumo de drogas para fins não médicos, através de várias iniciativas de tipo legislativo, organizacional e cultural, não parecendo aconselhável, tal como no âmbito interno, quer mudanças bruscas de estratégia, quer as simples mudanças que não tenham por detrás bons fundamentos de natureza científica ou social. Todavia, a aceitação da ineficácia de certas medidas e a acomodação aos maus resultados, será sempre de rejeitar, até pela frustração dos mais interessados. De preferência à preparação de novas convenções, advoga-se a rentabilização das existentes, se possível mediante simples instrumentos de interpretação atualizadora. (MARTINS, 2007, p.20).

A presença dessas substâncias maléficas em meio à sociedade deve ser revista e analisada, estabelecendo-se estratégias no combate e prevenção do domínio dos cidadãos pelos entorpecentes.

A popularização das drogas está cada dia mais legitimada, seja pelo baixo valor econômico que muitos conseguem agregar ao produto ou por seus efeitos momentaneamente “tranquilizantes” ou alucinógenos.

No artigo publicado pela Revista Brasil Escola (2014), encontra-se que:

Pesquisas recentes apontam que os principais motivos que levam um indivíduo a utilizar drogas são: curiosidade, influência de amigos (mais comum), vontade, desejo de fuga (principalmente de problemas familiares), coragem (para tomar uma atitude que sem o uso de tais substâncias não tomaria), dificuldade em enfrentar e/ou aguentar situações difíceis, hábito, dependência (comum), rituais, busca por sensações de prazer, tornar-se calmo, servir de estimulantes, facilidades de acesso e obtenção e etc. (DROGAS, 2014, p.02).

Nessa direção, entende-se que, permanecer na quietude levará o país a ser propulsor da destruição de seu povo; o próprio Brasil, principalmente, na pessoa dos seus representantes (pois chega de impor ou trazer responsabilidades pra sociedade civil, ela as tem; sabe disso, e muitas vezes cumpre mais que o Estado) precisa assumir a causa com a seriedade, a intervenção, a responsabilidade e o compromisso que a mesma pede, caso contrário, continuará sendo mais um fator de negligência e mais uma necessidade social urgente, uma questão de saúde pública que fica aguardando o dia em que uma grande epidemia venha se alastrar e matar a todos.






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