Herculano thiago batista santana costa neto


Evolução histórica das drogas



Baixar 150,39 Kb.
Página10/31
Encontro28.11.2019
Tamanho150,39 Kb.
1   ...   6   7   8   9   10   11   12   13   ...   31
1.2 Evolução histórica das drogas
Há relatos que indicam evidências da existência de substâncias psicoativas na pré-história, anterior a qualquer tipo de civilização da humanidade, provavelmente encontradas casualmente por Homo Sapiens entre uma peregrinação e outra. Ao se alimentar basicamente de mamíferos e vegetais, possibilitou a essa espécie ingerir plantas que possuíam substâncias alucinógenas que provocava reações de relaxamento e sensações de tranquilidade.

Posteriormente, foram encontrados indícios de vida humana, que mesmo na forma solitária ou em sociedade faziam o uso de alucinógenos. Também havia a manifestação dos efeitos provocados por essas plantas. (FLANDRIN, 1998).

De acordo com Martins (2007):

Perde-se nos tempos a tradição do consumo de drogas –cada povo e cada cultura vai tendo as suas. Umas vezes, o homem procurou nelas a nutrição física, outras, andou à cata de remédio para as suas doenças, outras ainda, para alimentar sonhos ou alcançar o transcendente, influenciar o humor, buscar a paz ou a excitação, enfim, simplesmente para abstrair do mundo que o cerca e o perturba em dado momento da sua existência. E um certo mistério que rodeava o templo de Eleusis, desde o século iv a. C. até à idade helénica, onde dominava o culto dos deuses Demétrio (com uma papoila a ornar as suas estátuas), Dionísio e Orfeu, foi perdurando numa aura mítica que agora a pouco e pouco se desfaz numa boa parte dos países. No período dos impérios coloniais, as drogas foram usadas predominantemente como moeda de troca, numa indiferença completa pelas consequências do seu uso para fins diferentes dos medicinais ou de medianeiras nos contatos com o transcendente. Detenhamo-nos um pouco nas três principais drogas de origem natural: a planta da cannabis, o arbusto da coca e a papoila do ópio. (MARTINS, 2007, p.02).

Estudiosos a partir de interpretações em cavernas por meio de pinturas, na idade da pedra, feitas aproximadamente entre 40 e 10 mil anos atrás, relevavam que os homens desde essa época já usavam plantas alucinógenas para se embriagar. (COLAVITTI, 2007).

Existem evidências comprovando que humanos alimentavam-se dessas plantas, relatadas por arqueólogos, no período de 800 a. C. Indícios verídicos que nesta época remota havia a presença de substâncias psicotrópicas. O modo de utilização dessas plantas, na época, fazia parte de rituais funerários e cultos religiosos. Possuíam vários tipos de aproveitamento além da importância religiosa; um exemplo, o aproveitamento feito com o caule dessas plantas era matéria prima na fabricação de tecidos. (TUPPER, 2011).

No período de 2.800 a. C. na China a Cannabis sativa era considerada uma das 5 plantas mais sagradas. Recebeu esse título pelo imperador Shen Nung, escolhida por seu poder de trazer alegria e prazer, ele acreditava em um valor místico, uma alegria sagrada. Logo após a droga alcançou uma grande proporção. Gregos e Romanos fabricam misturas de Cannabis sativa e vinho, ainda absorviam a fumaça produzida através de pedras aquecidas. (HOMAN, 2004).

Os antigos faziam uso de outras iguarias. Em meados de 7000 a. C. consumiam uma espécie de vinho, fabricado por chineses, utilizavam ervas, arroz e a saliva para fazer a fermentação. Fica evidente que o homem já tinha o hábito de consumir drogas antes mesmo à existência de civilização. Consumiam cerveja deglutindo frutas fermentadas, leveduras que produziam álcool, substâncias semelhantes as que são encontradas na cerveja. Criadas aproximadamente 8000 a. C. na Mesopotâmia. A elaboração da cerveja é uma das criações mais antigas. (KATZ, 1986).

Com a descoberta e os costumes usar essas substâncias, os povos que às degustavam começaram a sentir a necessidade de cultivá-las, criando o habito e o intuito de manter sementes e plantas armazenadas para uso. Acredita-se que este foi o fator primordial no surgimento da agricultura. (ESCOHOTADO, 1999).

Os primeiros vestígios de cocaína foram encontrados aproximadamente em 2.500 a.C. nas regiões do Peru e Equador. O uso da cocaína era privilegiado, limitando-se a sua utilização a elite Inca. (CESAROTTO, 1989).

No México, Guatemala e no Amazonas por volta de 1000 a.C. a 500 depois de Cristo era possível encontrar vestígios de cogumelos com poderes alucinógenos. Existem conclusões feitas neste período a partir de desenhos semelhantes a cogumelos, provavelmente elaborados por Maias na região sul do México que comprovam a existência desses parasitas. (CARNEIRO, 2005).

A heroína foi descoberta em estudos baseados na composição da morfina realizados em 1874. É uma substância com um alto teor de periculosidade, seja pelo poder acelerado de dependência ou por seus efeitos devastadores do organismo consumidor. (LOPES, 2006).

A maconha considerada uma das drogas mais antigas, consumida até mesmo antes de 10 mil anos atrás. No Brasil foi trazida no século XVI junto com escravos africanos, com quilombos localizados no litoral do país, onde hoje é o Estado da Bahia. Eram consumidas em rituais de candomblé para fins religiosos e medicinais. (BUGIERMAN, 2002).

Segundo Martins (2007):

É certo que as convenções de 1961 e de 1971, bem como as anteriores (com exceção da de 1936), se interessaram especialmente pelo controlo do mercado lícito de drogas e o seu reflexo na saúde e bem-estar dos indivíduos. Com a Convenção de 1988, o acento tônico é colocado nos efeitos devastadores e crescentes do tráfico de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas e o seu reflexo, outrossim, nos fundamentos econômicos, culturais e políticos da sociedade. Ao minar a economia legítima, são também ameaçadas a estabilidade, a segurança e até mesmo a soberania dos Estados. Por isso, a atenção posta no tráfico, como fonte ilícita de ganhos financeiros e de fortunas, bem como nos efeitos de contaminação provocada nas atividades comerciais e econômico-financeiros normais. Por outro lado, dá-se mais um passo no controlo de outras substâncias — precursores, produtos químicos essenciais e solventes — que a experiência revelou serem susceptíveis de desvio para o fabrico ilícito de drogas. Substâncias de uso industrial e comercial corrente — v. g. a efedrina, a acetona, o anidrido acético, o éter etílico, a que se juntaram logo o ácido sulfúrico, o permanganato de potássio, num total de 22 substâncias — cujo circuito interno de produção e distribuição, bem como o seu comércio internacional, vão ficar sujeitos a um certo controlo, de menor peso evidentemente que o das substâncias incluídas nas convenções de 61 e 71, na medida em que o seu uso é ainda mais vulgar. Ambiciona-se especialmente um reforço da cooperação internacional, ao mesmo tempo que se visa colmatar lacunas das outras duas convenções. Nesta conformidade, atribui-se especial relevo a aspectos de incriminação de condutas ligadas ao tráfico de estupefacientes, psicotrópicos e precursores, e às atividades de aproveitamento dos ganhos dele derivados, o designado branqueamento de capitais e outros valores obtidos, e a sua consequente apreensão e perda para o Estado. O aludido reforço da cooperação internacional repercute-se em medidas, tais como, a extradição de criminosos, a entreajuda judiciária destinada à preparação das provas e ao julgamento dos arguidos, a transferência dos próprios processos por este tipo de infrações quando necessária ao interesse numa boa administração da justiça, a troca segura e rápida de informação, o emprego de equipes mistas de investigação, o apoio na formação, enfim, o uso da técnica das entregas controladas. Sob um ângulo inovatório, pelo menos para alguns países, cuida-se de obter a colaboração das transportadoras comerciais, de modo a prevenir a prática das infrações nos meios de transporte e mesmo a informar as autoridades sobre as circunstâncias suspeitas de atuação. De modo semelhante, procura-se evitar que os serviços postais sejam utilizados como veículo do tráfico ilícito. (MARTINS, 2007, p.11).

O consumo desses alucinógenos estava firmemente ligado a várias atividades religiosas e espirituais. As sensações provocadas pelo o uso, ditas como místicas proporcionavam para os fiéis uma espécie de comunicação supernatural com ancestrais.

As plantas que tinham fins religiosos são denominadas como enteógenos. A palavra tem composição de duas palavras gregas, entheos e genesthai, diz que “trazer deus para dentro de si”. Essas plantas tinham essa denominação para diferenciá-las das demais que não seriam usadas com a mesma finalidade. Dentro do contexto das enteógenos estão os cogumelos, maconha, a ayahuasca, substâncias naturais. (TUPPER, 2011).

Motivados por essas sensações místicas, classificadas como sagradas para a ideologia das crenças religiosas, criou-se rituais, reuniões para proporcionar interação entre os adeptos, as substâncias e sensações serviam de inspiração no desenvolvimento espiritualíssimo. (TEMPLE, 1991).

Essas substâncias possuíam além do poder alucinógeno de proporcionar prazer, o valor medicinal. Algumas dessas plantas aliviavam dores musculares, reduzia a temperatura corporal-febre, problemas renais e estomacais, entre outras alterações no sistema funcional regular corporal humano. Pessoas com maior conhecimento sobre os benefícios provocados por essas substâncias tidas como sagradas eram chamadas de xamãs. Xamãs ou curandeiros possuíam o domínio do processo ritualístico onde eram utilizadas as plantas, conseguiam separá-las para consumir em casa necessidade. Esses rituais já existiam anteriores a época da Era cristã, nesses encontros, os consumos destas plantas eram essenciais. A planta caracterizava o total contato com Deus, disponibilizando a sensação de ter alcançado Deus, tranquilidade e paz espiritual. (VALDÉS, 1987).

Os povos indianos e iranianos, precisamente, tinham algo em comum a importância e o significado dos efeitos da Amanita muscaria, um cogumelo, principal enteógeno da antiguidade, com a separação desses povos por volta de 4000 a. C. intensificou a migração das plantas alucinógenas. Na Sibéria também cultivava a Amanita muscaria, costume de tribos localizadas na região Siberiana. As tribos consumiam o alucinógeno em rituais religiosos pela urina do Xamã para reduzir os efeitos, pois o cogumelo possui enorme potencial alucinógeno e consequências fortíssimas no organismo humano. (HIRSCHKIND, 2005).

A cultura religiosa de consumir esse agente psicoativo, ainda é mantida por tribos no norte da Ásia, especificadamente, as tribos Koryak. Esses povos preserva o valor espiritual utilizado por ancestrais, acreditando nos seus benefícios místicos e medicinais.

Grupos nômades também encontravam plantas alucinógenas na região da América do Sul, substâncias como a Ayahuasca, maconha, coca, cacau, tabaco, guaraná, plantas utilizadas e cultivadas por povos indígenas na região Amazônica, em rituais culturais espirituais. (MCGOVERN, 2009).

Ainda existem indícios de uso dessas substâncias em tribos amazônicas isoladas. Além dos costumes nas tribos indígenas há presença de cultos religiosos com o uso de plantas alucinógenas milenares nas proximidades do México e EUA. (VALDÉS, 1987).

A relação entre os efeitos proporcionados por plantas alucinógenos e cultos religiosos não se sabe a origem da conexão. A fundação de outras religiões fez com que o uso de plantas em rituais fosse praticamente extinto, porém o povo Budista e Hinduísta ainda mantém o uso da maconha, além disso, classificando-a como sagrada aos deuses de cada povo, assim como seus ancestrais faziam. Existem relatos que Gregos e Romanos consumiam drogas, vinhos e cervejas, e em decorrência descobriram que com o consumo constante reduzia os efeitos. A partir de estudos concentrados na composição desses alucinógenos desvincularam a cura de doenças do poder místico dos Xamãs, dando um grande passo na evolução em estudos de doenças para encontrar a melhor pharmakón-pode ser veneno e ao mesmo tempo remédio. (COLAVITTI, 2007).

Por volta de 2 a. C. em Roma o valor social, religioso e medicinal dessas drogas eram similares, sendo utilizadas tanto na recepção de reuniões como em cultos religiosos.

As cerimônias católicas utilizava-se do vinho como representação do sangue de cristo, momento em que se comunga pequena quantidade de vinho, iniciando uma conexão com Deus, mantida a tradição até hoje, mas com a moderação no consumo do vinho. O cristianismo praticamente aboliu o uso de drogas em rituais religiosos, considerava-os como bruxaria. (WASSON, 2008).

A comercialização das drogas ganhou maior expansão após a Revolução Industrial na Inglaterra, por volta do século XVIII, o que acabou gerando um aumento no consumo e o surgimento de problemas derivados do consumo excessivo. Neste período foram criadas nos Estados Unidos da América, legislações que regulava o uso e promovia movimentos para a prevenção de doenças e alerta sobre o consumo das drogas. (GIGLIOTTI, 2004).

No quesito elaborar leis sobre drogas, aplica-se a característica personalíssima do país ou da região que possivelmente será afetada. Estudam-se os costumes, culturas, contextos religiosos, históricos e sociais. Esses pontos são determinantes para uma decisão plausível perante a ilicitude e a legalidade, a liberação ou proibição no multiuso de drogas. (GATELY, 2001).

Discussões a respeito da proibição das drogas não eram oriundos somente dos efeitos negativos das substâncias. Esse aspecto proibitivo, em meados da década de 70 começou a sofrer modificações, embasadas em pensamentos favoráveis a não proibição e sem penalização. Um país como a Holanda, onde o uso da maconha é legalizado e em contrapartida o Brasil que é expressamente proibido qualquer envolvimento com essa substância, com ressalva a poucas tribos indígenas totalmente isoladas do convívio em sociedade, que abre espaços para movimentos legalistas, como a “marcha para a maconha” e discussões acerca da sua legalização ou proibição. (FANKHAUSER, 2008).

Martins (2007) explica que:

A tentativa de regulação do mercado internacional de drogas para fins médicos e de investigação, levada a cabo através das convenções internacionais de 1961 e anteriores, e de 1971, obteve resultados satisfatórios quanto ao controlo do mercado lícito desse uso. Já o mesmo não se tem conseguido no que toca ao consumo de diversão ou recreativo, alimentado pelo tráfico ilícito. Pela Convenção de 1988, encetou a comunidade internacional um conjunto de medidas destinadas a combater esse tráfico, ao mesmo tempo que introduziu um sistema de regulação do mercado no que toca a uma lista de substâncias que podem ser desviadas para o fabrico ilícito de outras drogas. Pelo tempo decorrido após a sua entrada em vigor — escassos seis anos —, posto que já seja elevado o número de países que se vincularam, ainda não é possível colher frutos visíveis da sua aplicação, designadamente na luta contra o branqueamento de capitais ou valores provenientes do tráfico de droga, a despeito dos primeiros sinais positivos. Neste domínio, a aprovação de mecanismos legislativos e administrativos não se torna fácil, quer para os países menos desenvolvidos, quer também, pelas resistências internas, nos países industrializados, os grandes produtores dessas substâncias ou aqueles em que concomitantemente estão sediados grandes empórios bancários e financeiros. Não são praticáveis experiências isoladas de um país ou mesmo de uma região, pois para além da conformidade das mesmas com o direito internacional, o seu êxito depende da colaboração e aderência dos países vizinhos ou da mesma região ou, no fim de contas, da comunidade internacional no seu todo. (MARTINS, 2007, p.19).

De acordo com o quadro representativo em anexo, tem-se relatos das primeiras aparições das drogas no mundo.





Compartilhe com seus amigos:
1   ...   6   7   8   9   10   11   12   13   ...   31


©psicod.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
santa catarina
Prefeitura municipal
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
prefeitura municipal
universidade federal
ensino superior
Processo seletivo
ensino fundamental
Conselho nacional
terapia intensiva
ensino médio
oficial prefeitura
Curriculum vitae
minas gerais
Boletim oficial
educaçÃo infantil
Concurso público
seletivo simplificado
saúde mental
Universidade estadual
direitos humanos
Centro universitário
Poder judiciário
saúde conselho
educaçÃo física
santa maria
Excelentíssimo senhor
assistência social
Conselho regional
Atividade estruturada
ciências humanas
políticas públicas
catarina prefeitura
ensino aprendizagem
outras providências
recursos humanos
Dispõe sobre
secretaria municipal
psicologia programa
Conselho municipal
Colégio estadual
consentimento livre
Corte interamericana
Relatório técnico
público federal
Serviço público
língua portuguesa