Gt: Imaginário, representações literárias e deslocamentos culturais plano de trabalho para 2015 e 2016 Descrição do gt tópicos de estudos e linhas temáticas


Importância científica das pesquisas na linha do imaginário



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Importância científica das pesquisas na linha do imaginário
Investigar as manifestações arquetípicas por meio das imagens, dos símbolos e dos mitos é pensar a produção artística em sua concepção religiosa e cultural, o que implica discutir o ser humano em sua vivência antropológica e psicológica, tarefa a que se entrega a literatura em sua tentativa de resgatar o homem de sua temporalidade e fazê-lo contemporâneo do tempo primordial, quando os pares antitéticos como morte e vida, divino e humano, pobre e rico, europeu e africano são indistintos.

Se as criações do inconsciente compensam o consciente, se podem atuar, até mesmo, como a compensação pessoal de um artista, a obra também pode refletir toda uma época, considerando que “todas as épocas tem sua unilateralidade, seus preconceitos e males psíquicos”, conforme escreve Jung. Assim, o pensador crê num significado profético das obras de arte: ao dar cidadania aos aspectos sombrios da alma, o artista promoveria um equilíbrio social, pois faria da arte um canal de esvaziamento e de domesticação das tensões, uma vez que o artista plasma a alma coletiva da humanidade.

Jung fala do mundo para além dos acontecimentos cotidianos, mundo que pode irromper com uma aura grotesca ou sublime, destruindo ou consagrando valores humanos, dando-nos “uma visão das profundezas incompreensíveis daquilo que ainda não se formou”. A obra de arte é uma hierofania, seja de uma manifestação do espírito ou de uma força original e primitiva, o que traz um sentimento de incômodo ou surpresa, pois o que ela revela está além da percepção cotidiana e, de igual modo, não se vincula a experiências pessoais do criador nem a fantasias inconsequentes.

Não sendo derivada de uma realidade anterior, ela é simbólica de uma essencialidade desconhecida, experimentada no inconsciente que, no entanto, tem o mesmo valor de uma experiência física. Por outro lado, se está alojada no inconsciente humano, é conhecida de todos os homens em todos os tempos e lugares. Assim, esse GT coloca em cena o homem e suas eternas perplexidades, mas localizando-o num espaço para além de sua individualidade.

Tomando a crítica do imaginário como método de abordagem da obra literária e artística, a proposta do GT é observar, na hermenêutica das imagens, dos símbolos e dos mitos das produções artísticas brasileiras e estrangeiras, como são traduzidos os arquétipos universais do sujeito e da cultura. A crítica do imaginário, sistematizada por Gilbert Durand, elege o arquétipo como paradigma antropológico das produções humanas, o que, de imediato, provoca o deslocamento do conceito de centro-periferia, uma vez que as produções estéticas atuariam como reatualizações arquetípicas universais e atemporais. Desta forma, para o estudo das produções simbólicas e universais do ser humano, a crítica do imaginário dispõe de uma metodologia pautada por hermenêuticas agregadoras. Assim, as pesquisas fundadas na crítica do imaginário contribuem para o enriquecimento da Teoria Literária, da Literatura Comparada, das Literaturas nacionais e da historiografia literária.



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